Batman Returns (Sega Master System)

Batman ReturnsMais uma rapidinha pois infelizmente o tempo não dá para mais e o jogo que cá trago hoje é o Batman Returns, um sidescroller adaptado do filme de mesmo nome e que sinceramente nem era um título da minha wishlist, mas acabou por vir em conjunto com o Space Harrier que já falei há pouco e sinceramente nem é assim tão mau quanto eu esperava. Infelizmente o meu exemplar não traz manual.

Batman Returns - Sega Master System
Jogo em caixa

Batman Returns tal como se pode ver na capa ou mesmo no próprio título do jogo é inspirado no filme de mesmo nome do Tim Burton que colocou Michael Keaton no papel de morcego, Michelle Pfeiffer como Catwoman e Danny DeVito como o Pinguim. Naturalmente que a versão Master System é apenas inspirada pelo filme, pois na realidade isto é um jogo de plataformas que tenta replicar alguns dos cenários do filme, como a cidade de Gotham, os corredores de um centro comercial ou os seus esgotos.

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Este é um jogo escuro mas bem detalhado

As mecânicas de jogo são simples: um botão para saltar e outro para atacar, com Batman a soltar o seu bumerangue. Ao pressionar o botão de salto enquanto estivermos no ar poderão acontecer duas coisas: se o mantivermos pressionado Batman abre a sua capa e podemos planar pelo ar, por outro lado se a meio do salto carregarmos rapidamente no botão de salto uma vez mais soltamos a nossa teia e podemos escalar ou balancear nos tectos ou outras plataformas. Ah esperem, esqueçam a teia, este é o Batman. Pronto, lançamos um gancho qualquer que serve para o mesmo efeito. Ao longo do jogo, para além dos inimigos e obstáculos vemos também vários morcegos que resultam em diferentes powerups depois de atacados. Poderão ser vidas extra, ou itens que tornam os nossos ataques mais rápidos e poderosos. De resto convém também referir que apesar de existirem apenas 5 níveis temos sempre duas variantes a que podemos escolher, sendo uma mais fácil que a outra. E lá vamos encontrando vidas extra em abundância pois vamos precisar delas. Ao contrário da versão Game Gear deste mesmo jogo onde Batman tem uma barra de vida, aqui basta sermos atingidos uma única vez para perder uma vida. E existem alguns níveis, em especial uma cascata no esgoto, em que temos de fazer uma série de saltos super-precisos e iremos certamente perder muitas vidas aí.

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Também nos podemos armar em Spiderman e balancear-nos de um lado para o outro

No que diz respeito aos audiovisuais este jogo até que é bem competente. O Batman é bem detalhado, assim como os níveis, dentro dos possíveis claro, afinal este é um jogo baseado num filme do Tim Burton, pelo que esperem sempre por cores escuras. As músicas foram outra das coisas que me surpreenderam, até as achei boas e agradáveis ao ouvido o que não é algo standard numa Master System.

Apesar de não ser perfeito até achei este Batman Returns uma versão competente. E é curioso que todas as 4 versões existentes nas consolas da Sega (esta, Game Gear, Mega Drive e Mega CD) acabam sempre por ter algo que as diferencie bastante o que achei bastante interessante.

Space Harrier (Sega Master System)

Space HarrierAs décadas de 80 e 90 foram o apogeu da Sega nas arcadas, com o lançamento de muitos jogos memoráveis e o aperfeiçoamento de várias técnicas que tornavam muitos desses jogos visualmente fantásticos e muito longe do que as consolas da época conseguiriam fazer. Nos anos 80, uma das inovações mais importantes da Sega foi a sua tecnologia “Super Scaler” a aperfeiçoar o zoom das sprites que em jogos como Hang-On ou Out Run lhe davam uma sensação de velocidade muito boa. Mas foi em jogos como Space Harrier que essa técnica foi levada ao extremo. Conseguiria a Master System fazer-lhe justiça? Nem por sombras, mas esta não deixou de ser uma óptima conversão. Este meu exemplar foi comprado há uns meses atrás a um particular.

Space Harrier - Sega Master System
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Este jogo transporta-nos para o mundo fantasioso de “Fantasy Zone” – penso que não tem nada  de relacionado com a série de jogos de mesmo nome da própria Sega, devem ter apenas ficado sem ideias. Esse estranho mundo com o chão coberto de padrões quadriculados, animais bizarros como mamutes ciclopes, vários tipos de dragões ou robots. Aparentemente muitos desses bichos pertenciam a um poderoso império maligno que controlava o planeta e cabia-nos a nós, armados de um canhão gigante e capazes de voar a altas velocidades, de os destruir a todos!

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Existem vários níveis de detalhe para cada sprite

O que mais impressionava neste jogo era a forma em como tudo era tão fluído e parecia 3D graças à tecnologia super scaler. Ao contrário da maioria dos shooters que continham um scrolling horizontal ou vertical, em Space Harrier estavamos mesmo atrás da nossa personagem e víamos os obstáculos ou os inimigos a surgirem no horizonte e tornarem-se cada vez maiores. Esse efeito era ainda mais impressionante quando construiam vários dragões que não eram nada mais nada menos que várias sprites coladas em cima umas das outras, mas todas elas a sofrerem independentemente o efeito de sprite scaling, o que dava mesmo a sensação de profundidade. E isto na Master System também foi feito, embora exista muito sprite flickering, ou seja, por vezes deixamos de ver partes de sprites tal é a confusão no ecrã. O scrolling também não está tão bom, assim como as animações. Mas não deixa de ser um feito técnico considerável nesta plataforma de 8bits.

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Alguns bosses são de facto impressionantes, mas aqui já se notam algumas imperfeições técnicas como o flickering.

De resto a jogabilidade é bastante simples, embora desafiante. Apenas nos podemos mover para todo o lado e disparar à vontade, mas também temos de nos desviar quer dos disparos inimigos, como dos obstáculos que se vão aparecendo à nossa frente como árvores, pilares ou mesmo edifícios daquela estranha civilização. Eventualmente lá teremos alguns níveis de bónus onde subimos para as costas de um dragão branco e ganhamos pontos por toda a destruição de cenários que causarmos. De resto convém para mim referir que por vezes é mesmo difícil de desviarmo-nos do fogo inimigo precisamente pela quantidade de coisas que vão aparecendo à nossa frente.

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Ou nestas transições com tecto… a falta de transparências também é notória

Por fim, a nível de música e demais efeitos sonoros… estes últimos são poucos, simples mas cumprem o seu papel. Por outro lado temos também uma ou outra voz digitalizada com uma qualidade acima da média, como um “Get Ready” a cada vez que perdemos uma vida e temos de recomeçar o jogo de onde o deixamos. Já referi o quão fácil é morrer neste jogo? Já nas músicas é outra história. As adaptações das melodias para a Master System e o seu velhinho PSG até que ficaram bem boas, a faixa título é uma das melhores que a Sega compôs durante a década de 80 a meu ver. E para quem tiver uma Master System japonesa, basta ligarem-na sem jogo nenhum que ouvem uma versão FM dessa mesma música a tocar na bios. É mesmo uma grande pena que a Sega não incluiu essa tecnologia nas nossas Master Systems. EDIT: Aparentemente depois de melhor investigação, é apenas o Space Harrier 3D que inclui uma banda sonora FM na sua verão japonesa. A edição standard do Space Harrier apenas possui uma banda sonora que usa o velhinho PSG, independentemente da região.

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Independentemente do resto, sempre achei o design das criaturas espectacular.

No fim de contas, apesar de a Master System pura e simplesmente não ter as capacidades técnicas necessárias para correr na perfeição um jogo deste calibre, ainda assim este Space Harrier é para mim uma conversão bem competente e jogável. Para quem quiser ainda em cartucho uma versão quase arcade perfect desta jóia de outros tempos tem sempre a hipótese de comprar a versão 32X.

Gauntlet (Sega Master System)

GauntletMais uma rapidinha a um jogo que eu tinha bastante curiosidade em experimentar mais aprofundadamente para a Master System. Gauntlet é um jogo originalmente lançado nas arcades, onde se tinha o objectivo de percorrer várias dungeons em busca de tesouros, e sobreviver o máximo de tempo possível, pois os inimigos eram às dezenas. E isto com a possibilidade de ser jogado com 4 jogadores em simultâneo, o que em 1985 deve ter sido algo muito porreiro de se fazer. Este meu exemplar foi comprado a um particular e custou-me cerca de 7€ se não estou em erro.

Gauntlet - Sega Master System
Jogo com caixa apenas

Mas a verdade é que eu nem sei muito bem que port esta versão Master System se encaixa! Não há assim muita informação sobre isso na internet, infelizmente. De qualquer das formas como a Master System não tem nenhum multitap, apenas poderemos no máximo jogar com 2 jogadores em simultâneo. Podemos escolher um herói no meio de 3 classes diferentes: o guerreiro, o elfo, a valkyria e o feiticeiro. Como seria de esperar, cada classe tem as suas vantagens e desvantagens, mas todas elas possuem ataques melee e de longo alcance ou magia, com dano variável mediante a classe escolhida. E atacar à distância acaba por ser bastante útil, pois muitas vezes temos autênticas multidões de inimigos para lidar! Até me surpreendeu, acho que nunca vi tanta sprite junta num jogo de Master System.

Alguns mapas são bastante abertos, acabando por ser normal alguns inimigos tentarem nos rodear
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Depois este é daqueles jogos que não têm fim. Na parte detrás da caixa diz que tem 512 níveis, mas na memória do jogo tem apenas cerca de 100, que a certo ponto se começam a repetir. O objectivo é avançar para o nível seguinte, marcado como um buraco no ecrã. Para além dos inimigos, temos de ter em conta a nossa saúde/fome, que se vai gastando lentamente com o movimento, ou mais rápido se levarmos com dano. E dada à natureza labiríntica dos níveis, muitas vezes acaba por não ser uma boa ideia explorar cada nível a 100% pois poderemos perder pontos de vida que poderão se tornar valiosos. Felizmente temos também alguns power ups para apanhar (cuidado para não os destruir!), que nos regeneram alguns pontos de vida, outros que nos aumentam vários stats como armadura, ataque, velocidade, magia, ou outros que nos deixam temporariamente invisíveis, por exemplo.

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Os tesouros servem apenas para nos aumentar a pontuação. Por vezes não vale o risco.

Graficamente é um jogo bastante simples, cenários com pouco detalhe visual, apenas um chão e várias paredes e com os inimigos também pequenos. Também pudera, com a quantidade deles que por vezes vemos no ecrã, não poderia ser de outra forma. A nível de som também é um jogo muito minimalista, com a música apenas a tocar entre cada nível, já o núcleo do jogo propriamente dito acaba por ser jogado todo em quase silêncio, não fossem os efeitos sonoros. Resumindo, apesar de não achar este um dos jogos de topo da Master System, devo dizer que esta conversão até que nem me pareceu nada má e satisfez plenamente a minha curiosidade com a série Gauntlet, que me pareceu interessante mas com imenso potencial para melhorar. A ver eventualmente como se safaram os restantes!

Space Gun (Sega Master System)

SpaceGun-SMSVamos lá para mais uma rapidinha just because of reasons. Eu adoro a Sega Master System e tenho uma wishlist muito bem definida para ficar bem satisfeito com a minha colecção para esta plataforma. No entanto, como é uma consola bem especial para mim, acabo sempre por ser mais abrangente e cá vêm parar uma série de jogos que por algum motivo lá teria um ou outro detalhe que me interessa, ou achei curioso. Este Space Gun era um desses, embora a minha memória tenha-me pregado uma valente partida. Foi um jogo comprado a um particular por cerca de 7€, se não estou errado.

Space Gun - Sega Master System
Jogo com caixa e manuais

A história é o cliché habitual em videojogos deste género: uma nave espacial gigante envia um pedido de socorro, ao qual um soldado que andava a passear pelas imediações acude e é esse mesmo soldado com o qual jogamos. Ao lá chegarmos vemos que a nave foi invadida por extraterrestres, alguns humanos estão por lá escondidos e claro, temos logo de dizimar todos os bicharocos e resgatar o máximo de sobreviventes possível. Quaisquer semelhanças com Alien são mera coincidência.

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Infelizmente não é um jogo tão rápido quanto o original, o que seria mais ou menos expectável.

Depois cá está: o original da Arcade parecia-me ser um jogo espectacular, com gráficos bem detalhados e mesmo que seja um bocadinho clone de Alien pareceu-me ser muito porreiro. O pouco que tinha jogado da versão Master System anteriormente também me deixou com boa impressão, pois achei o jogo bem detalhado. Mas a minha memória pregou-me uma grande partida, pois apesar de os monstros estarem bem detalhados, as suas animações ficaram mesmo horríveis, com dois ou três frames apenas. Terão sido as cutscenes entre cada nível que me tenham iludido há uns anos atrás? Pois essas continuo a gostar! Já as músicas achei um pouco monótonas, não compreendi muito bem de o objectivo era o de fazer um jogo “all guns blazing” ou algo mais tenso e com suspense. É que a nível de acção as coisas são bem lentinhas… e mesmo o plano do jogo alternar entre um scolling horizontal e um mais “3D”, nunca há assim muita coisa a acontecer. Ao contrário da versão arcade que sempre me pareceu bem porreirinha!

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Este é daqueles jogos bonitos em screenshots, mas depois deixa bastante a desejar quando o vemos em movimento

A jogabilidade é bastante simples, o objectivo é mesmo disparar contra tudo o que mexa, menos contra os humanos, esses contam como sobreviventes resgatados. Excepto aqueles que se transformam em aliens, claro que esses terão um destino diferente. Eventualmente lá apanhamos alguns power-ups como vários tipos de explosivos, ideais para se usarem em bosses. Aliás, ideais para se usar no último boss que foi de longe a coisa mais lixada em todo o jogo. E eu joguei apenas com o gamepad, calculo que com uma Light Phaser (que ainda não possuo) as coisas fiquem mais interessantes.

Mas ainda assim há aqui algo de muito curioso nesta versão do Space Gun e acaba por ser essa uma das razões pelas quais até gostaria de o ter. Porque raios, de todas as plataformas existentes no mercado no ano de 1992, foi a Master System a única consola caseira a receber uma conversão deste jogo? O mesmo existe também para uma série de computadores, mas consolas propriamente ditas foi apenas a Master System que o recebeu na sua altura. Talvez os monstros que são a Sega Menacer ou a Super Scope 6 terão influenciado? Nunca o saberemos. No fim de contas, para mim este é um daqueles jogos que apenas recomendo aos fãs mais hardcore de shooters de light gun, bem como a coleccionadores ávidos de Master System. Em screenshots até que é uma versão bonita, mas a Master System consegue fazer melhor.

Arcade Smash Hits (Sega Master System)

Arcade Smash HitsO artigo de hoje será mais uma rapidinha, pois trata-se de uma compilação algo básica de 3 velhos clássicos que por sua vez não têm assim tanto que se lhe diga. Arcade Smash Hits é uma compilação de 3 jogos da Atari, nomeadamente o Centipede, Breakout e Missile Command. Não é nada do outro mundo, mas foi um jogo que passou pela minha Master System quando eu era bem mais novo e quando o vi por menos de 5€ na feira da Ladra em Lisboa acabei por o trazer, embora não tenha manual.

Arcade Smash Hits - Sega Master System
Jogo com caixa

Dos três jogos aquele que se calhar sobreviveu melhor ao teste do tempo foi o Breakout, com as suas mecânicas de jogo bastante simples e viciantes. Afinal o que tem de saber jogar “pong” contra um conjunto de blocos que desaparecem depois de levarem uma bolada? Ainda assim, apesar de ser uma versão mais colorida do que o original da Atari, mantém a sua simplicidade, não incluindo algumas das particularidades introduzidas por imensos dos seus clones como o Arkanoid. Já os restantes 2 jogos sinceramente não gostei muito. Em Missile Command temos de impedir que uma série de mísseis atinjam todas as nossas bases e canhões. Vão chover mísseis pelos céus e temos 3 diferentes canhões que podemos utilizar para nos defendermos, embora todos tenham munições limitadas. É mais um jogo com uma fórmula muito simples, mas sinceramente nunca me chamou muito à atenção. Por fim temos o Centipede, outro jogo que me passou ao lado. Este é um shooter que até faz lembrar o Space Invaders, mas em vez de dispararmos contra extraterrestres é mesmo contra insectos que vão percorrendo um labirinto de cogumelos gigantes. Para além de nos movermos livremente num eixo horizontal, podemos mover-nos verticalmente, embora num curto espaço. E a cada vida que perdemos parece que torna o jogo mais difícil, com novos cogumelos a nascerem e atrapalhar-nos a vida.

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Apesar de simples, o Breakout continua a ser o mais viciante

Graficamente é um jogo colorido dentro dos possíveis, pelo menos comparando com os originais é um bom upgrade. No entanto não esperem por nada do outro mundo e o mesmo pode ser dito das músicas. Algumas agradáveis, outras nem por isso, mas também são poucas. Os efeitos sonoros também cumprem o seu papel e são bastante simples. Este jogo é um dos poucos da Master System que possuem vozes digitalizadas, proferidas por uma estranha mascote verde que parece sei lá o quê. No entanto, para além de um “Get Ready” e um “Game Over” numa vozinha fininha e irritante, não contem com muito mais.

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E o Centipede, apesar de ter a melhor artwork na capa, é o mais chatinho para mim

Concluindo, este Arcade Smash Hits é uma compilação que para uns poderia ter sido interessante por juntar 3 clássicos de uma geração anterior. No entanto, hoje em dia existem imensas outras alternativas válidas de jogar os mesmos jogos e muitos mais. Vale pelo coleccionismo, pouco mais.