Dynamite Headdy (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas na Game Gear, o jogo que cá trago hoje é a segunda (e última) conversão que a Treasure alguma vez lançou para sistemas 8 bit, neste caso a Game Gear. Dynamite Headdy foi um interessante e frenético jogo de acção lançado originalmente na Mega Drive, com um foco bem maior no platforming quando comparado com outros jogos contemporâneos da Treasure, como o Gunstar Heroes ou Alien Soldier. O meu exemplar foi comprado a um colega meu por 5€ algures no mês passado.

Jogo completo com caixa e manual

Infelizmente esta acaba por ser uma conversão que tenta ser o mais fiel possível ao original, mas a Game Gear simplesmente não consegue dar o mesmo tipo de performance que a Mega Drive. É de louvar o esforço da Treasure, pois o jogo está muito bonito para uma consola 8bit, mas os níveis foram bastante simplificados, assim como os seus bosses.

Na sua essência, o jogo herda as mesmas mecãnicas do original, na medida em que Headdy é uma marioneta com uma cabeça descartável, que pode sair disparada do seu corpo, não só para atacar os inimigos, mas tal como Ristar, para se agarrar nalguns objectos e assim ajudar no platforming. Temos uma série de power ups que substituem temporariamente a cabeça normal do Headdy por uma outra com diferentes habilidades, tais como um martelo que é capaz de causar mais dano, outros que nos aumentam a agilidade, dão invencibilidade temporária, etc.

Este é possivelmente um dos jogos mais coloridos que a Game Gear tem na sua biblioteca

Graficamente é um jogo bastante colorido e bem detalhado tendo em conta que corre numa consola portátil com uma baixa resolução. A Treasure tentou manter o mesmo feeling do original, ao tentar apresentar o jogo como se um espectáculo de teatro se tratasse, até porque em cada nível temos umas cortinas a abrir e nalguns outros níveis os cenários notam-se bem que tentam imitar cenários de teatro. Apesar de ser um jogo bonito para a Game Gear, alguns bosses estão inclusivamente muito bem detalhados para uma consola 8bit, tiveram de cortar muita coisa da versão Mega Drive (expectável), e infelizmente não é um jogo tão fluído quanto o original. As músicas também não são tão boas, mas isso também seria de certa forma expectável.

Apesar de mais simples e curtos, os níveis mantiveram os mesmos níveis de bizarro

Portanto este Dynamite Headdy não é um mau jogo de todo, até acho que no geral foi um óptimo esforço pela Treasure em converter o mesmo para um sistema tecnicamente muito mais modesto. Mas não deixa de ser uma conversão do Dynamite Headdy de 16 bit e não um jogo novo adaptado à realidade da Game Gear, pelo que assim a versão Mega Drive acaba sempre por ser superior, tornando esta obsoleta à nascença. Existe também, embora exclusivamente no Brasil, uma conversão para a Master System por intermédio da Tectoy, pelo pouco que vi pareceu-me idêntica, embora corra numa resolução maior, e a nível de cores não é tão boa.

Woody Pop (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é o Woody Pop, um clone de arkanoid que foi lançado para a Game Gear algures em 1991. Mas na verdade as suas origens remontam a 1987, com um lançamento exclusivo em solo japonês para a Sega Mark III, a Master System como era lá conhecida. A versão Master System era jogada exclusivamente com o Paddle Control, um acessório que nunca saiu do solo japonês, talvez por isso a versão Master System não tenha sido lançada no ocidente. O meu exemplar foi comprado no mês passado de Julho, tendo vindo do Reino Unido e custado algo em volta de 5€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um clone de Arkanoid, onde teremos ecrãs com vários blocos coloridos para destruir. Como qualquer clone de Arkanoid que se preze, temos alguns blocos indestrutíveis, outros especiais que fazem spawn de inimigos ou ainda outros que libertam alguns power ups com diversos efeitos, alguns até adversos. Temos blocos destrutíveis com um só toque, já outros (os de madeira) precisam de várias pancadas para serem destruídos, a menos que tenhamos alguns power ups para o efeito. Por exemplo, o power up da bola de fogo destrói os blocos de madeira com 1 só toque, fazendo que os outros blocos de madeira que estejam adjacentes também ardam. Ou o power up de diamante, que torna a bola bastante rígida, fazendo apenas ricochete nas superfícies indestrutíveis e levando tudo o resto à frente.

Como um bom clone de Arkanoid que é, temos vários power ups para apanhar e nem todos são bons

Em alguns níveis também teremos outro tipo de obstáculos, como túneis/portais que transportam a bola para outra localização da arena, ou mesmo comboios indestrutíveis que de vez em quando vão passando, servindo para mais um obstáculo para a bola. O jogo em si é algo desafiante, até porque ao fim de algum tempo a bola começa a rolar muito rapidamente, exigindo-nos reflexos muito rápidos. Existem power ups para abrandar a bola ou colá-la à superfície do Woody Pop, mas nem sempre esses power ups existem. Outro pormenor interessante é a progressão não linear do jogo, pois no final de cada nível, por vezes teremos várias opções de escolha em qual seria o nível seguinte. Isto é interessante pois dá mais alguma longevidade ao jogo, onde poderemos tentar percursos diferentes em cada sessão.

No final de um nível por vezes podermos optar por caminhos alternativos e explorar níveis diferentes

A nível audiovisual é um jogo bastante básico. É colorido quanto baste, mas não há muita variedade de inimigos que ou são pequenos soldados, ou robots. As músicas também não são nada de especial e tirando aquelas melodias de breves segundos que celebram o facto de termos completado um nível, as outras músicas são essencialmente rítmicas, algo que o chip de som da Game Gear não é propriamente exímio.

Portanto este Woody Pop é um clone de Arkanoid que apesar de não ser perfeito, não deixa de ser competente e encaixa perfeitamente numa consola portátil pela sua simplicidade e factor de vício.

Alien Syndrome (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, agora para a portátil da Sega, Game Gear, o jogo que cá trago hoje é uma espécie de uma adaptação de um dos clássicos arcade da Sega da segunda metade da década de 80. Depois de uma conversão modesta para a Master System e algo diferente a nível de jogabilidade, que por acaso ainda não a tenho na minha colecção, a Sega lançou em 1992 mais uma adaptação, que na verdade é uma sequela, para a Game Gear. O meu exemplar foi comprado a um particular no mês passado por 5€.

Jogo com caixa e manual

O Alien Syndrome original é um jogo futurista onde encarnamos na dupla de heróis Ricky e Mary, cuja missão é a de libertar os seus colegas a bordo de uma nave espacial que tinha sido invadida por aliens. Em cada nível temos um tempo limite para resgatar todos os reféns e a partir do momento que os salvamos, a saída para o nível seguinte é desbloqueada, sendo que teremos um boss pela frente primeiro. Caso não consigamos salvar as pessoas dentro do tempo estabelecido, entra em acção um mecanismo de auto destruição que não dá lá muito jeito. Isto foi o que tinha acontecido no longínquo ano de 2000, este jogo já decorre ainda mais no futuro, em 2005, mas a história acaba por ser a mesma.

Algumas portas têm mesmo de ser destruídas

Ao contrário da versão Master System, a jogabilidade aqui é bem mais fiel ao original arcade, excepto na parte de não suportar multiplayer para 2 jogadores. Os níveis são practicamente novos relativamente ao original, mas mantêm um design labiríntico e teremos vários power ups de diferentes armas para apanhar, incluindo os lança-chamas e raios laser habituais. A diferença é que agora as armas podem ser melhoradas se apanharmos mais que um power up do mesmo tipo. Para além disso, outra das novidades trazidas nesta versão é o facto de podermos aceder ao mapa do nível a qualquer momento, sem necessitar de encontrar os mapas espalhados pelos níveis. É ao consultar o mapa que podemos ver a localização dos reféns, para além de ter uma ideia da estrutura do nível em si. Os que salvarmos a mais, ajudam-nos a ter uma pontuação melhor. Depois de salvar os reféns lá teremos um confronto contra um boss antes de avançar para o nível seguinte.

Infelizmente os bosses não têm o mesmo impacto visual que na versão original

A nível audiovisual, o original era um jogo interessante, sem dúvida inspirado pelos trabalhos de H.R. Giger e os filmes Alien, com os monstros com um design muito peculiar como Giger sabia fazer melhor que ninguém. Naturalmente que as coisas aqui na Game Gear foram algo simplificadas, e mesmo os bosses, que nas arcades impressionavam pelo seu design, aqui já têm uma aparência um pouco mais modesta. As músicas e efeitos sonoros nada de especial a apontar, cumprem o seu papel.

Portanto, a menos que tenham um X68000 lá por casa, que foi a única plataforma nos anos 90 a receber uma conversão arcade perfect durante os anos 90, esta versão Game Gear é das melhores que podem ter, pelo menos certamente a melhor dentro dos sistemas 8bit.

Tails Adventure (Sega Game Gear)

Com todo o sucesso que o Sonic teve nos anos 90, não seria de estanhar que a Sega quisesse capitalizar na sua mascote e lançar vários spin-offs da série principal. E a Game Gear foi a consola que mais spin offs recebeu, inclusive dois exclusivos onde o protagonista era nada mais nada menos que Tails, companheiro do ouriço azul. E depois do Tails Sky Patrol que por algum motivo nunca saiu do Japão, o segundo jogo da raposa é este Tails Adventure, um jogo de plataformas muito diferente dos Sonic. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo, no mês passado de Junho.

Apenas cartucho

Este Tails Adventure é nada mais nada menos que um metroidvania, com um foco muito maior na exploração que nos restantes jogos de plataformas do Sonic. Decorre algures antes do Tails conhecer o Sonic e do Robotnik tramar das suas, com a raposa a tentar expulsar um exército invasor da sua ilha. Vamos poder jogar ao longo de 12 níveis,  que estão repletos de passagens secretas e itens para descobrir. Muitos dos itens são armas como diferentes tipos de bombas, ou outras ferramentas que nos servem para ajudar na exploração. As bombas para além de destruirem os inimigos servem também para rebentar com rochas que nos servem de obstáculos ao cobrirem passagens secretas ou outros túneis. Outas ferramentas que podemos encontrar são por exemplo os óculos de visão nocturna (necessários num certo nível todo às escuras) ou um pequeno robot que podemos controlar remotamente e encaminhá-lo por pequenas passagens de forma a obter alguns itens secretos ou desbloquear o nosso caminho. Esse robot transforma-se também num submarino, algo que será necessário usar para explorar os lagos e oceanos da ilha, que nos darão acesso a outros níveis. Também poderemos encontrar diferentes armas e equipamento para o submarino, como torpedos, mísseis antiaéreos, turbos, uma broca capaz de destruir rocha, entre outros.

Podemos sempre voltar à casa do tails e reequipar os itens que nos interessem, sendo que podemos carregar um máximo de 4

De resto, sem estas habilidades que vamos desbloqueando, Tails é muito mais lento neste jogo que nos seus predecessores. Para além disso perdeu muitas habilidades como rodopiar (incluindo o útil spin dash) e agora consegue apenas voar por breves segundos. Os anéis têm agora um papel diferente, pois servem de barra de energia e sempre que somos atingidos não perdemos todos os anéis que carregamos, mas apenas 1 ou 2. À medida que vamos progredindo no jogo e encontrando mais esmeraldas do Caos, o Tails vai conseguir voar por mais tempo e o número limite de anéis que podemos carregar aumenta, ou seja, a nossa barra de vida aumenta também.

Isto é muito engraçado e o facto de termos as áreas de jogo divididas em níveis que podemos seleccionar explorar a partir do mapa mundo safa-nos de muito do backtracking. No entanto os níveis em si são algo confusos e se não perdermos mesmo muito tempo em explorar todos os recantos vai ser difícil memorizar onde o que é que nos falta explorar e que tesouros apanhar. Mas vá lá, ao menos não temos tempo limite.

Podemos mandar o pequeno robot em passagens estreitas e evitar o perigo

No que diz respeito aos gráficos, as sprites são detalhadas e competentes, mas os níveis, esses sinceramente já os acho algo desinspirados. É verdade que este é suposto ser um jogo de exploração e não de adrenalina e velocidade como os outros Sonics, pelo que não poderíamos estar à espera de loops e outras maluqueiras nos cenários. No entanto, ainda assim não deixo de estar um pouco desiludido com o design dos níveis e a escolha de cores para os mesmos. O jogo merecia ter níveis mais coloridos. No que diz respeito aos efeitos sonoros e música não tenho nada de especial a apontar, mas as músicas não são tão memoráveis assim.

Como seria de esperar temos também alguns bosses para defrontar

Ainda assim com alguns defeitos, este Tails Adventure não deixa de ser um jogo interessante, quanto mais não seja pela fórmula mais de exploração que decidiram introduzir na série. Se estão à espera de um jogo de plataformas repleto de velocidade como os principais, vão ficar surpreendidos pela negativa, mas se gostam de jogos de plataforma que nos obrigam a uma maior exploração e memorização, então recomendo que experimentem este jogo.

Ecco the Dolphin (Sega Game Gear)

Ecco the Dolphin, para a Mega Drive e Mega CD, é sem dúvida um dos videojogos mais originais do seu tempo, primeiro porque controlamos um golfinho, depois por toda a história à sua volta que acaba por envolver viagens no tempo e aliens. Para além disso, toda a apresentação audiovisual foi muito cuidada, desde os gráficos bem detalhados, até às músicas atmosféricas, repletas de mistério, e efeitos sonoros convincentes. Paralelamente aos lançamentos 16bit, tivemos também duas versões 8bit, uma para a Master System, outra para a portátil Game Gear. Como é que estes dois sistemas tecnicamente inferiores iriam aguentar este jogo? Surpreendentemente bem. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Janeiro por 10€.

Jogo completo com caixa e manual

A verdade é que já escrevi com mais detalhe sobre o Ecco the Dolphin aqui, pelo que recomendo a leitura desse artigo. Aqui vou-me focar mais nas diferenças destas versões 8bit que, se notam imediatamente nos audiovisuais, que naturalmente não está ao nível das versões 16bit. Mas ainda assim, os gráficos estão muito bem detalhados para um sistema 8bit, ainda por cima uma portátil. Nadar pelo oceano naqueles minutos iniciais onde ainda não sabemos muito bem o que estamos ali a fazer, continua a ser extremamente relaxante. E mesmo não tendo gráficos tão aprimorados quanto nas versões 16bit, nem todos os níveis ali presentes, todas as principais secções do jogo estão aqui representadas, desde os oceanos tropicais e repletos de vida, os glaciares, as ruínas da Atlântida, a pré-história, a base alienígena, etc. As músicas continuam com aquela vibe ambiental e misteriosa, mas infelizmente a qualidade está a anos luz da versão Mega Drive.

Mesmo numa versão 8bit,os oceanos estão repletos de vida

A nível de jogabilidade esta versão também mantém todas as funcionalidades da sua versão 16bit. O sonar de Ecco continua a ser muito importante na jogabilidade, seja para interagir com outros cetáceos, contra cristais mágicos, ou mesmo para ir construindo um mapa da zona que nos rodeia. Os outros botões servem para atacarmos os inimigos que se atravessam à nossa frente, ou para nadar mais rápido.

Portanto, mesmo estando longe da qualidade gráfica e sonora das versões Mega Drive e Mega CD, devo dizer que mesmo assim esta versão impressionou-me bastante pois conseguiram manter a mesma identidade do jogo, com todas as limitações da Game Gear. A versão Master System é muito semelhante, embora tenha uma resolução maior de ecrã, pelo que certamente também será uma versão muito interessante.