Call of Duty 4: Modern Warfare (PC)

Call of Duty 4: Modern Warfare

Siga para mais um artigo para PC, pois efectivamente tem sido a plataforma que mais tenho jogado ultimamente. Este foi o meu primeiro contacto com os Call of Duty pós 2a Guerra Mundial que tive, só que ao invés de ter sido em 2007 como todos os comuns mortais, o meu caso foi apenas na semana passada. Culpas de ser o “shooter da moda” e eu ser um “unhas-de-fome” que não gosta de pagar full price pelos seus jogos. Foi adquirido numa GAME pela zona da Maia/Porto, não recordo qual, tendo o jogo (usado) custado uns 10€. Como não tem DRMs, e está em bom estado, pareceu-me bom negócio. Edit: Recentemente comprei uma versão GOTY por um décimo do valor, na feira da Ladra em Lisboa.

Call of Duty 4 Modern Warfare - PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Ao contrário dos Call of Duty da 2a Guerra Mundial, os eventos nesta nova série são fictícios. A história coloca-nos nos tempos modernos, onde a Rússia vê-se envolvida no meio de uma guerra civil, com um grupo de separatistas ultranacionalistas a quererem instaurar o velho regime soviético novamente. Em simultâneo, um outro grupo militar provoca um golpe de estado num país árabe, bastante rico em petróleo, instaurando igualmente um clima de terrorismo e hostilidade perante o ocidente. O jogo coloca-nos principalmente na pele de 2 diferentes soldados, cada um pertencendo a forças militares diferentes. Um militar norte-americano dos Marines, cujas missões se passam no médio oriente, e um outro militar britânico, pertencendo ao “Special Air Service” britânico, cujo teatro de guerra é maioritariamente nos países de leste. Ao longo do jogo ainda poderemos controlar mais uma ou outra personagem, mas as facções são as mesmas. A narrativa vai alternando entre as diferentes forças militares, com cutscenes intermédias que nos vão pondo ao corrente das ligações existentes entre os dois conflitos. O jogo apresenta também missões variadas, que passam por resgate de personagens ou objectos importantes, apoio a invasões terrestres, uma missão na qual estamos a bordo de um bombardeiro norte-americano e devemos dar apoio a militares no terreno, e várias missões de infiltração, do lado dos britânicos. De facto, preferi de longe as missões do SAS, até porque as restantes personagens  que nos acompanham são bem mais carismáticas na minha opinião.

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Missões com sniping são sempre divertidas!

De resto a fórmula é idêntica aos jogos anteriores da série. Saúde regenerativa, o progresso marcado por objectivos que tenhamos de cumprir, objectivos esses marcados numa bússola no ecrã. Muitas das vezes o jogador encontra um impasse em que os inimigos não páram de surgir, é suposto mesmo que o jogador vá arriscando sempre um pouco mais em território inimigo para que a história prossiga. De resto somos presenteados como de costume com vários momentos “scripted”, de modo a que a experiência se torne mais épica e cinematográfica. O armamento consiste em armas reais, mas como eu tenho andado de volta do Battlefield 3 nos últimos tempos, já não é algo que me impressione muito. Mas em 2007 acredito que tenha causado um impacto considerável, visto que o arsenal ainda é extenso (embora não no nível do Battlefield, claro). Algo que também era novo em Call of Duty por esta altura foi um sistema de física mais realista, com superfícies destrutivas e balas a atravessarem certos materiais, forçando os jogadores a trocar de cobertura constantemente.

Para além do modo campanha, Modern Warfare apresentou um modo multiplayer muito bem sucedido. Para além das variantes de Deathmatch, CoD4 apresenta vários outros modos de jogo baseados em objectivos, seja captura em equipa de pontos chave, conquista das bases inimigas, destruição de objectivos, etc. Para além do mais existem um ou outro tweak, um modo hardcore onde o dano recebido é mais realista, e um outro modo “old school”, onde os pickups encontram-se espalhados pelos mapas, dando um feel mais da velha guarda à jogatina. No multiplayer a performance do jogador é premiada de duas formas. Com o número de kills consecutivas nas partidas, vamos podendo utilizar alguns extras, desde chamar um robot que revela as posições dos inimigos perto de si, passando por chamar ataques aéreos ou mesmo um helicóptero de combate. Para além do mais os jogadores vão ganhando também pontos de experiência como se um RPG se tratasse, permitindo que se desbloquem novas armas, acessórios ou perks. Estes últimos tratam-se de “habilidades” extra para as personagens, tais como carregar mais munições, causar mais dano ou aumentar os pontos de vida do jogador.

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Por vezes temos alguns objectivos temporizados

Graficamente, bom é difícil dar uma opinião concisa. Quando vi o jogo pela primeira vez em 2007 pareceu-me de facto muito impressionante, com uma experiência muito realista. Infelizmente a engine na qual o jogo corre não envelheceu muito bem nos PCs, tendo dificuldades em adaptar-se a processadores multicore e arquitecturas de 64bit. Com o meu PC actual, tive de o jogar numa resolução muito baixa e com os gráficos não muito puxados, para manter o framerate estável e jogável. Tendo em conta que consigo ter boas performances no Battlefield 3 que fica a anos luz deste CoD4, é uma pena não o conseguir correr melhor. Assim sendo, para quem tiver computadores contemporâneos, vou pela primeira vez recomendar que joguem este FPS numa das consolas para tirar melhor partido do audiovisual. O audio como sempre é óptimo, com excelentes efeitos sonoros, e banda sonora a condizer com a acção, excepto para a música rap dos créditos finais, que abomino.

Call of Duty 4 Modern Warfare PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

No fim de contas devo dizer que este Modern Warfare, apesar de o ter jogado pela primeira vez já bastante tarde, apresentou um modo campanha que me agradou bastante, apesar de ser bastante curto. Infelizmente isso é algo habitual nos restantes FPS militares modernos que possuo. E tal como referi há pouco, para quem tiver um PC recente e uma PS360, apesar de achar de longe que a combo rato+teclado é o melhor método de controlar um jogo deste tipo, a engine apresenta problemas em adaptar-se a PCs modernos, pelo que têm melhores performances na versão consola.

And Yet it Moves (PC)

And Yet It Moves

Mais um artigo curto de um jogo indie igualmente pequeno. And Yet It Moves é um jogo desenvolvido pelo pequeno estúdio austríaco Broken Rules, que apresentaram um interessante jogo de plataformas com puzzles que envolvem diversos conceitos de física como a inércia e gravidade. And Yet it Moves fez parte do Humble Indie Bundle 3, juntamente de outros bons jogos como o VVVVVV. Este HIB3 foi-me oferecido, pelo que foi uma boa surpresa.

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Os checkpoints tomam a forma de uma silhueta da personagem principal – à direita

História? Deixa lá isso. Somos largados num estranho mundo com colagens de papel, formando um labirinto, sendo o nosso único objectivo encontrar a saída. Os controlos resumem-se a dois aspectos: movimentar a personagem para a esquerda, direita ou saltar, bem como rodar o cenário em 4 direcções, o que também altera a gravidade. Ao longo do jogo, os níveis vão ficando cada vez mais desafiantes, incluindo objectos que nos possam esmagar, buracos negros que nos sugam, ou mesmo alguns inimigos ou obstáculos como fogo. Existem vários puzzles interessantes, bem como segmentos bastante existentes de platforming, exigindo mestria em conjugar a inércia com as mudanças de gravidade. Felizmente, para não frustrar muito o jogador, existem diversos checkpoints espalhados pelos níveis, na forma de silhuetas da personagem. Infelizmente o jogo é curto, com poucos níveis. Apesar de tudo, para além do modo normal de jogo, no fim desbloqueamos uma série de outros modos, como time trial em que concorremos contra o relógio, o modo survival com um número limitado de vidas, ou o “Limited rotations“, que como o nome indica coloca restrições ao número de rotações de cenário que podemos fazer.Apesar da existência destes modos extra de jogo, não tive grande apelo em continuar a jogar. Para quem for adepto de achievements, certamente ainda encontrará fôlego para explorar melhor o jogo de forma a obter algumas conquistas mais exigentes.

Graficamente o jogo é bastante simples, o visual “colagens de papel de putos da pré-primária” é original, mas para mim não é apelativo. Ainda assim, alguns níveis na selva eram suficientemente creepies para me arrancarem um sorriso. A nível de som, a maioria dos efeitos sonoros em si têm algo a ver com barulhos de papel, ou não fosse esse o conceito do jogo. A banda sonora é bastante minimalista, mas acho que está bem conseguida, especialmente nas secções de platforming mais exigentes na recta final do jogo.

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Nalguns níveis temos de controlar ao mesmo tempo a personagem e a sua sombra, de forma espelhada

Concluindo é um jogo interessante para quem gosta de plataformas, mas apenas aconselho a sua compra quando o mesmo seja lançado em algum bundle com outros bons jogos a um preço apetecível. Para além do Steam, o mesmo jogo está à venda no Wiiware, para quem preferir.

Call of Duty 2 (PC)

Call of Duty 2

O Call of Duty original surgiu para fazer concorrência aos Medal of Honor, numa altura em que os FPS com a temática da 2a Guerra Mundial proliferavam no mercado. O jogo fez sucesso de tal forma que a série foi evoluindo até se tornar no colosso dos First Person Shooters que se tornou hoje em dia. Tal como o jogo anterior, este também decorre durante a 2a Guerra Mundial, com o jogador a ter a hipótese de lutar entre 3 facções, norte-americana, soviética e britânica. A minha cópia foi adquirida numa GAME, não tendo custado mais de 5€. Infelizmente não é uma edição “black label“.

Call of Duty 2 PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O modo de campanha percorre diversos famosos campos de batalha da WW2, com a facção soviética a lutar em Moscovo e Stalingrado, a maioria da campanha britânica a decorrer no teatro de guerra do Norte de África, e por fim a Norte-Americana por alturas do Dia D. As missões em si são variadas, desde missões de infiltração, perseguições, ou defender cidades/posições de ataques/contra-ataques nazis. Tal como o jogo anterior, muitos eventos são scripted, conferindo ao jogo uma atmosfera mais cinemática. Isto foi algo que tinha sido bem feito no jogo anterior e aqui não é excepção. O armamento, uniformes e veículos são igualmente fielmente retratados face aos originais. Não sou nem de longe perito em balística, mas nesse aspecto calculo que jogos mais recentes como os Brothers In Arms sejam mais fiéis nesse campo. Não vou perder muito tempo a escrever sobre a jogabilidade, pois a mesma não é diferente dos restantes. As missões são delineadas por objectivos que temos de cumprir, estando os mesmos marcados numa bússola, facilitando assim a vida ao jogador. A tinnitus resultante de uma explosão próxima foi um dos efeitos que mais me impressionou na altura em que o primeiro Call of Duty foi lançado, sendo hoje em dia um efeito comum em jogos similares. A novidade na jogabilidade neste CoD 2, é a inclusão do sistema de saúde regenerativa, algo que também passou a ser comum nos FPS modernos, infelizmente.

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Oficiais do Exército Vermelho a interrogarem um soldado Alemão. Coisa boa não vem.

Para além de um sólido modo de campanha consistindo em 27 missões, Call of Duty possui também um robusto modo multiplayer à moda antiga. Digo isto pois aqui ainda não tinha sido implementado os ranking systems baseados em experiência que vemos nos jogos actuais. O jogo no PC permite sessões até 64 jogadores, com os clássicos modos de jogo Capture the Flag, variantes de Deathmatch e os modos Headquarters e Seek and Destroy. O último é inspirado no Counter Strike, em que os jogadores de uma equipa têm de destruir um determinado objectivo, os restantes têm de o impedir. Com a particularidade de não existirem quaisquer respawns, ou seja, quem “morrer” só volta a jogar na ronda seguinte. O Headquarters é algo parecido a um modo “Conquest” nos jogos actuais, onde as equipas têm de capturar e em seguida defender os seus HQs.

Apesar de cumprir o seu papel, graficamente o jogo não é nada do outro mundo  pois à semelhança do anterior, a engine ainda era baseada na “id Tech 3” de Quake 3 Arena. De qualquer das maneiras isso não impede que a experiência no modo singleplayer não seja boa. De facto, a estruturação das missões com os cenários envolventes tornam Call of Duty 2 num FPS bastante agradável de se jogar, mesmo nos dias de hoje. A nível de som, eu canso-me de me repetir. Geralmente estes FPS da 2a Guerra Mundial, como CoD, Brothers in Arms ou Medal of Honor costumam ter um trabalho exemplar neste campo e esta não é uma excepção. A música épica, aliada aos ruídos ensurdecedores das MG-42 ou das anti-aéreas resultam sempre bem e eu só tenho pena de não possuir uma instalação de som Surround para que pudesse tirar todo o partido deste campo.

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Sniper é sempre divertido.

Este é um artigo um pouco curto para um jogo deste gabarito, mas a verdade é que eu já escrevi sobre imensos FPS da WW2 neste blogue que sinceramente não há muito mais a dizer. Call of Duty 2 é um jogo bastante agradável, apesar de não ser de todo revolucionário e inovador. Quem for fã da série ou de jogos da 2a Guerra Mundial, tem aqui mais uma boa alternativa.

Dustforce (PC)

O artigo que trago cá hoje foi originalmente publicado na PUSHSTART #26. Eu ainda sou um novato em toda a cena indie, mas com o surgimento de vários indie bundles que nos permitem adquirir uma série destes jogos por uma bagatela, tem-me vindo a abrir os horizontes para todo este mercado. Este Dustforce é mais um desses jogos, tendo feito parte do recente Humble Indie Bundle 6.

Dustforce

Dustforce é mais um dos jogos revivalistas dos jogos de plataforma old-school dos anos 90. Tal como o Super Meat Boy, este é mais um daqueles jogos exigentes que precisam de reflexos bem rápidos e com uma dificuldade elevada, contudo mantém aquele vício sádico de jogar, jogar e voltar a jogar o mesmo nível de forma a obter o melhor resultado possível. Neste jogo somos colocados no papel de uma equipa de 4 ninjas equipados com vassouras, com a missão de tornar o mundo num local melhor, limpando todo o lixo espalhado nas ruas, florestas e vários outros locais. Ok, são apenas varredores, mas têm um nível acrobático que me faz lembrar em certas alturas a jogabilidade de jogos como Strider ou os primeiros Ninja Gaiden, sendo possível saltar em paredes, saltos múltiplos no ar, correr nos tectos e usar as suas vassouras como armas melee para defrontar alguns inimigos e/ou obstáculos. Cada um dos 4 varredores tem habilidades ligeiramente diferentes, variando o alcance e potência dos seus ataques, e a altura que os seus saltos atingem. Um pouco como foi feito em Super Mario Bros 2, na minha opinião. Com isto em mente, o jogo tem então como objectivo limpar o lixo dos vários níveis que vamos percorrendo. Existe lixo espalhado ao longo de várias superfícies que o varredor limpa automaticamente à medida que vamos percorrendo as mesmas, existem também obstáculos e inimigos cobertos de lixo que podemos combater usando as vassouras. Existe um sistema de combos muito interessante que acaba por ser obrigatório dominar se querermos concluir alguns níveis mais desafiantes. Em conjunto com as habilidades de salto e percorrer paredes/tectos como mencionei anteriormente, ao acertar num inimigo mantemos o balanço e permite-nos dar mais um salto no ar, conseguindo dessa forma saltar sobre precipícios gigantes ou secções de níveis bastante complexas e repletas de armadilhas. Os controlos são simples, para além da movimentação apenas dispomos de um botão de salto, um de ataque leve e um outro de ataque forte. O ataque forte para além de ser mais lento deve ser usado com alguma discrição pois acaba por espalhar mais algum lixo no nível que teremos depois de limpar para manter uma pontuação elevada (mais informações no parágrafo seguinte). À medida em que vamos limpando o lixo de um nível e combatendo sucessivamente os vários inimigos, vamos enchendo uma barra de energia que, quando estiver cheia pode ser utilizada para realizar um ataque muito poderoso capaz de limpar uma área inteira. Mais uma vez é uma técnica que não deve ser desperdiçada pois por vezes é a única maneira de se limpar algumas secções dos níveis. Confusos? Experimentem o demo por algum tempo que depressa se habituam a estas mecânicas de jogo. Os controlos são eficazes, contudo com o nível de precisão de platforming pretendido é aconselhável utilizar-se um gamepad com um direccional analógico. Para além do mais, é um jogo em que a inércia tem também um papel crucial na jogabilidade, é importante saber-se utilizar correctamente as superfícies e os combos aéreos para se ganhar o balanço certo para ultrapassar alguns obstáculos.

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Os inimigos só são agressivos quando estão cobertos de lixo

Após um nível introdutório onde nos são explicadas as diferentes habilidades que o nosso varredor consegue fazer, somos então largados numa espécie de hub world, onde poderemos entrar em várias outras áreas com um conjunto diferente de níveis. Para além disso, podemos também entrar noutros modos de jogo através do hub world, tal como o editor de níveis. Os níveis em si estão muito bem construídos, oferecendo ao jogador várias possibilidades de percorrer o mesmo, utilizando as habilidades e a física do jogo da forma que achar melhor. Isto é um factor determinante se quisermos tirar partido do máximo que o jogo oferece, na medida em que no final de cada nível a nossa performance é avaliada em 2 factores: completion e finesse. O primeiro dá conta da quantidade de lixo que limpamos em cada nível, o segundo depende do número de combos consecutivos que conseguimos realizar. Obtendo boas pontuações em cada nível vamos desbloqueando uma série de chaves que nos dão acesso a níveis extra com dificuldades mais elevadas. Isto, aliando a um sistema de leaderboards compele-nos a re-jogar imensas vezes os níveis de forma a obter a melhor performance possível.

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A perícia é requisito constante neste jogo

Tal como referido anteriormente o jogo vem com um editor de níveis, onde podemos criar os nossos próprios níveis e partilhá-los com a restante comunidade Dustforce. Obviamente isto implica que podemos também jogar níveis feitos por outros utilizadores. Existe também um modo multiplayer, que infelizmente apenas pode ser jogado localmente até 4 jogadores. O modo de jogo é uma espécie de King of the Hill, onde temos de “dominar” uma série de pontos chave.

Passando para o audiovisual, Dustforce apresenta um aspecto da “velha guarda”, com as personagens em sprites e os cenários como se tivessem sido tirados de um jogo de plataformas da SNES. Apesar de tecnicamente simples, Dustforce não deixa de ser um jogo visualmente apelativo com o factor nostálgico de quem atravessou a fase dos 8 e 16bit. A banda sonora é muito bem conseguida, misturando de forma sublime os sons típicos de uma NES, porém com uma qualidade moderna. As músicas têm todas um feeling mais electrónico e adaptam-se perfeitamente à ambiência e dificuldade apertada do jogo. Podemos estar a repetir o mesmo nível pela enésima vez, mas a música acalma aquela vontade incontrolável de mandar o comando pela janela fora, tal como em muitos outros jogos.

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Ecrã inicial das batalhas multiplayer

Resumindo, Dustforce é um jogo de plataformas bastante interessante e muito desafiador, com uma mecânica de jogo simples de compreender, mas difícil de dominar. Quem gostou do Super Meat Boy e for fã de jogos de plataforma dos velhos tempos, aconselho vivamente que passem pelo Dustforce.

Torchlight (PC)

Mais um RPG para PC, mais um jogo indie. Desta vez trago cá o Torchlight, um interessante clone de Diablo, que apesar de simples é eficaz. A sua sequela, lançada neste ano tem sido bastante aclamada pela crítica, sendo considerado até superior ao seu rival, o Diablo III. Mas isso fica para outro artigo. O jogo fez parte do recente Humble Indie Bundle VI, o qual eu adquiri por uns modestos 7€, juntamente com outros bons jogos como Dustforce ou Rochard.

Torchlight

A história do jogo é possivelmente o aspecto que menos apreciei neste jogo. Somos levados até uma vila que serve como hub para os restantes locais do jogo, nomeadamente as dungeons. A vila prospera através da extracção mineira de embers, umas pedras/cristais misteriosas que conferem poderes mágicos, atraíndo aventureiros de todo o mundo. A personagem que encarnamos é um desses aventureiros que mal chega ao seu destino, é recrutado pela jovem aprendiz alquemista Syl, que pede ao jogador que se aventure nas cavernas de Torchlight em busca do seu mestre Aldric que havia desaparecido. Com o desenrolar da história vamo-nos apercebendo que as Embers corrompem as pessoas e um grande mal se encontra na raíz do labirinto de Torchlight. É uma história simples, porém eficaz. De qualquer das maneiras acho o lore de Diablo bem mais interessante.

Inicialmente dispomos de 3 classes para criar uma personagem: Destroyer, os habituais guerreiros bruta-montes especialistas em dano melee, Vanquisher, especialistas em dano “à distância”, através de revólveres, espingardas ou arco-e-flecha. Por fim sobram os Alchemists, dotados de poderes mágicos, contudo fracos a nível físico. As diferentes classes têm também 3 diferentes árvores de skills, cada árvore com uma especialidade respectiva, contudo o jogador pode assimilar skills de cada árvore, dependendo se a sua personagem tem o nível pretendido pela dita skill ou não. As skills são variadas quanto baste entre si, existindo activas, passivas, armadilhas, entre outras. Para além disso, todas as classes têm 4 slots livres para serem alocados spells à escolha, que podem ser encontrados durante o jogo. Os spells são livres de serem utilizados por qualquer classe e podem ser aprendidos e “esquecidos” livremente. Uma particularidade deste Torchlight é o facto de se utilizar também um animal de estimação, algo que não é propriamente novo em RPGs, mas aqui o animal tem características especiais. Em primeiro lugar podemos escolher se queremos ter como animal de estimação um canino ou um felino, posteriormente o animal também pode ser equipado com acessórios e um conjunto de 2 spells que os utiliza automaticamente, para além de ter também um inventário próprio.

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Aqui um screenshot parcial dos inventários e descrição de items

Para além do estilo de combate click-click-click habitual neste tipo de jogos, em Torchlight é também possível pescar, existindo uma variedade de peixes considerável. A grande maioria destes peixes servem para serem dados ao animal de estimação, que o transforma temporariamente noutra criatura, com diferentes habilidades, num intervalo de tempo variável. Existem também peixes que servem apenas para regeneração de vida, ou outros que transformam definitivamente o animal de estimação, contudo nunca cheguei a utilizar nenhum dos mesmos. A progressão da personagem é feita ganhando experiência do combate ou da realização de quests, bem como os pontos de fama. É possível ganhar pontos de fama ao completar quests e derrotar alguns inimigos mais poderosos (geralmente com o nome a amarelo). Sempre que o herói ganha um nível, pode dispender um certo número de pontos em melhorar os seus atributos, bem como aprender ou evoluir uma skill. Por outro lado, sempre que é ganho um nível de reputação pode-se também aprender /evoluir skills. Como o primeiro Diablo, Torchlight apenas dispõe de uma única dungeon principal, dividida em várias áreas com um respectivo waypoint, onde é possível regressar à vila livremente. Para além dos 35 níveis da caverna principal, existem também outras pequenas dungeons aleatórias que podem ser encontradas ao longo do jogo, ganhas a completar quests ou simplesmente comprar uma scroll a um determinado vendedor. Estas cavernas extra têm a particularidade de serem mais difíceis, pois os inimigos seguem o nível da personagem, enquanto que os da dungeon principal seguem uns níveis prédefinidos, dependendo do grau de dificuldade com que se joga.

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Um dos cenários que mais gostei de explorar

De resto Torchlight pouco oferece, a não ser a obsessão característica destes jogos em jogar-jogar-jogar de forma a evoluir a personagem e obter cada vez melhores items/equipamento. À semelhança de Diablo existe equipamento normal, ou encantado com alguns buffs positivos. Dentro do encantado existem items bem mais raros que outros, bem como existe também a possibilidade de, através de alquimia tentar melhorar as stats dos items já existentes, correndo também o risco de o encantamento falhar e o produto final ser pior que anteriormente. A grande falha deste Torchlight, para além de uma história algo fraca, é não incluir qualquer modo de multiplayer, algo que geralmente é obrigatório neste género de RPGs, retirando-lhe assim muito replay value. De resto, e para a versão PC do jogo, para quem gostar de comunidades modding, a Runic Games disponibilizou um editor do jogo para esse efeito, existindo por aí muito conteúdo criado por fãs.

A nível visual, tendo em conta que é um jogo indie de 2009, acho Torchlight competente neste quesito. A minha única queixa é para as personagens/inimigos estarem demasiado “cartoonish“, pois de resto as diferentes áreas da dungeon estão bem conseguidas, com cores vivas e cenários interessantes. No que diz respeito ao som, o voice-acting é pouco, mas faz completamente jus ao de Diablo, utilizando o mesmo estilo. É competente, mas nada de espectacular, tal como a história, como já referi. Os efeitos sonoros também são bons, mas também não haveria muito a dizer neste campo. A música segue também os gostos de Diablo, principalmente para a música da vila, que é mesmo parecida. De resto são sempre músicas ambientais, e o que acaba sempre por sobressair são os grunhidos dos monstros e o barulho das armas.

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É possível fazer zoom à acção.

Concluindo, para quem gostar de Diablo e já estiver farto de o jogar, este Torchlight é um jogo interessante, que embora não adicione muito à conhecida fórmula, acaba por ser um jogo eficaz. Perde na minha opinião pela pouca variedade de classes, bem como uma história pouco apelativa. Mas acima de tudo, o facto de não ter multiplayer retira-lhe muito do factor replay. Contudo deve-se entender que este Torchlight sempre foi um jogo low budget, pelo que se deve dar uma oportunidade. O Torchlight II já anda por aí, e a Runic Games pelos vistos corrigiu muitas destas falhas. Um dia eu compro.