Serious Sam: The First Encounter (PC)

Serious Sam é uma interessante série de FPS desenvolvida pelo estúdio Croata Croteam. Digo interessante, embora se tenha tornado extremamente repetitiva com os vários lançamentos. Serious Sam é um FPS onde nada mais interessa a não ser os tiroteios constantes, a história existe mas é totalmente posta em segundo plano. Os jogos Serious Sam são então conhecidos por apresentarem níveis gigantescos (com uma vasta área para explorar) em conjunto com grandes números de inimigos no ecrã, tornando-se numa carnificina constante. São também apontados como sendo jogos com alguma sátira, à lá Duke Nukem 3D, mas pelo menos falando neste jogo, não concordo. Este jogo veio-me parar às mãos (bem como todos os outros jogos da série) através de um Humble Bundle qualquer, comprado por uma bagatela, como habitual.

Serious Sam: The First EncounterA história de Serious Sam é simples: num futuro próximo, a humanidade descobriu no nosso planeta ruinas de uma civilização extraterreste bem mais avançada que permitiu à humanidade muito rapidamente desenvolver-se tecnologicamente e ir conquistando os confins do universo. Contudo a certa altura seres de uma outra dimensão começam a atacar ferozmente os humanos que, mesmo com toda a tecnologia disponível vêem-se a perder batalha atrás de batalha. A última esperança recai num artefacto deixado por essa antiga civilização, que permite a uma única pessoa viajar no tempo. A escolha caiu em Sam “Serious” Stone, uma lenda vida da resistência humana, tendo sobrevivido a imensos confrontos sangrentos com os aliens, basicamente o Rambo lá do sítio. Assim sendo Sam foi transportado para o passado, em alturas da antiga civilização egípcia, à procura de alguma forma alterar o futuro, prevenindo o ataque alienígena. Contudo quando lá chega, os outros também o acompanharam. História algo cliché, mas felizmente esse não é o foco do jogo.

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Os visuais com a temática egípcia são uma constante. Pena é não haver quaisquer humanos para além do Sam

É na jogabilidade agressiva e caótica provocada pelas waves constantes de inimigos que o jogo tem a sua fama. Basicamente o fluxo do jogo é entrar num espaço bastante amplo, derrotar dezenas de inimigos (lá mais para os últimos níveis é comum ter mais de 40 inimigos no ecrã), quando derrotamos os inimigos uma porta abre-se e repete-se o processo. Ok, não é só isto, tem um ou outro puzzle básico de carregar em botões ou coleccionar alguns artefactos de forma a progredir no jogo, mas esses são segmentos simples, aqui o que importa mesmo é o combate frenético. E para combater tanto bicho, Serious Sam tem um arsenal à altura. Desde revólveres, shotguns, metralhadoras, até ao armamento mais pesado como os tradicionais lança-rockets e granadas, armas laser, ou mesmo um canhão ridiculamente grande e poderoso, mesmo como manda a lei neste género de shooters. Infelizmente esta pouca variedade acaba por tornar o jogo algo repetitivo, sendo recomendável ser jogado com moderação. Para além da campanha single-player, Serious Sam: The First Encounter conta também com alguns modos multiplayer, a começar por duas variantes do já velho conhecido Deathmatch, até um modo cooperativo, onde podemos jogar níveis à escolha, ou mesmo o jogo principal na totalidade.

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Infelizmente alguns inimigos ficam estáticos, a IA deixa algo a desejar.

Tecnicamente era um jogo impressionante para a época (lembrar que foi lançado em 2001). Para além de gráficos bem detalhados – todos os visuais egípcios foram muito bem implementados, na minha opinião – o jogo apresenta cenários com uma área muito grande, sem loadings visíveis, com imensos inimigos no ecrã ao mesmo tempo e com muita fluidez no jogo, mantendo um framerate constante. De vez em quando temos também de combater bosses e estes são também titânicos. O jogo possui também efeitos de luz muito bem implementados para a época, pelo que no quesito eye-candy, a CroTeam esteve de parabéns. Infelizmente a inteligência artificial deixa muito a desejar, com os imigos a investirem constantemente contra o jogador, porém compreende-se que com tanto inimigo no ecrã ao mesmo tempo, alguma coisa teria de ser sacrificada. O voice acting é mediano, tentaram tornar Serious Sam numa personagem algo à lá Duke Nukem com as suas one liners sarcásticas e pelo menos neste jogo não acho que tenha sido bem conseguido. Nos jogos seguintes já me parece que se tenham esforçado mais nesse aspecto. Já a banda sonora acho mais interessante, pois varia desde melodias mais atmosféricas com muitas influências egípcias, passando para um heavy metalzinho à maneira naqueles combates mais caóticos.

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Este nem é um número assim tão grande de inimigos em simultâneo, mas já dá para ter uma ideia

De resto Serious Sam traz também com o jogo imensas ferramentas para a comunidade modding, com editores de níveis para criar novos mapas ou mesmo um editor de modelos para criar novos objectos. Confesso que não prestei atenção a essas ferramentas, pelo que não sei o quão user-friendly são e as suas features. Assim sendo, Serious Sam: The First Encounter é um bom jogo para se ir jogando de vez em quando. A sua jogabilidade mais oldschool é muito benvinda, embora o jogo seja repetitivo com as waves constantes de inimigos, em cenários imensamente grandes. A história ficou a meio, sendo contada no jogo seguinte, o Serious Sam: The Second Encounter. Ainda assim este jogo viu também um remake HD em 2009, com o jogo a ser refeito de raiz utilizando a engine do Unreal 3, introduzindo também alguns novos modos de jogo. Mas sobre essa versão escreverei mais à frente.

DLC Quest (PC)

DLC Quest é um jogo de plataformas indie que, tal como o nome o sugere, é uma sátira a uma das “inovações” recentes no mercado dos videojogos, sendo muitas vezes abusada por certas empresas (Capcom coff coff). Desenvolvido pelo estúdio Going Loud Studios, DLC Quest saiu originalmente para o serviço XBLA na X360 no ano de 2011, tendo sido convertido para PC e Mac no ano seguinte. Recentemente, ainda neste ano, foi lançado uma “expansão” – ou DLC – intitulada “Live Freemium or Die”, que veio junto com o DLC Quest. Este jogo veio parar à minha colecção através de uma promoção da Steam, onde consegui “comprá-lo” por menos de 1€. Digo “comprá-lo” pois na verdade gastei apenas saldo que tinha na conta ao vender cartinhas virtuais. You gotta love steam.

DLC QuestA história é do mais cliché que existe, o que até é ok, tendo em conta que isto se trata de uma sátira. O nosso herói vê a sua namorada raptada por um vilão qualquer e parte para a salvar. Ok, até aqui tudo visto, até pelos próprios desenvolvedores que satirizam toda a situação. É quando começamos o jogo que as coisas começam a ficar interessantes. Ora o “pacote base” do jogo não nos permite andar para a esquerda ou saltar, pausar o jogo, emitir qualquer som, sendo que para isso temos de adquirir os respectivos DLCs. Felizmente ao andar para a direita coleccionamos moedas suficientes para adquirir o primeiro DLC: movement pack. E basicamente o jogo é isso, andar a percorrer o cenário de ponta a ponta, de forma a obter o maior número de moedas possível para comprar uma enorme variedade de DLCs estapafúrdios que são necessários para terminar o jogo (ou não). Os DLCs incluem armas, chapéus, o sexy pack que torna todos os NPCs a usar um bikini pixelizado – mesmo os masculinos, ou habilidades como o double jump.

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A loja virtual onde se podem “comprar” os vários DLCs

A segunda parte do jogo – Live freemium or die é uma continuação do jogo anterior, embora os “poderes” e todos DLCs do primeiro jogo – à parte do movimento básico, pausar, sons e animações, foram perdidos. Aqui existem novos DLCs para coleccionar, como saltar de parede para parede ou outros DLCs sem mais nenhum propósito a não ser o coleccionismo. É um jogo cujo ponto forte é a sua sátira e diálogos nonsense entre o herói e os restantes NPCs, pois no que diz respeito à jogabilidade acaba por ser um jogo de plataformas bastante simples e curto, o que justifica o seu muito baixo preço base.

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A moda dos zombies também chegou a este jogo

Graficamente é um jogo completamente pixel-art, embora as personagens e objectos no geral tenham um aspecto muito invulgar propositadamente. Por algum motivo os visuais do jogo me fizeram lembrar o Alex Kidd in Miracle World. As músicas são também todas retro, sendo compostas em chiptune e até que são agradáveis. Infelizmente, e eu quero acreditar que seja apenas problema do meu computador, a performance do jogo é terrível. Sendo um jogo originalmente desenvolvido para a X360, através da Xbox Live Indie Games (XBLIG), utiliza as bibliotecas XNA, que já em jogos como Breath of Death VII ou Cthulhu Saves the World me tinham dado imensos problemas. Aqui o jogo estava constantemente a crashar, contudo no primeiro capítulo é possível fazer save a qualquer altura, o que atenuava um pouco a coisa. Já no capítulo Live Freemium or Die o sistema de save não é assim, funcionando por checkpoints (cujos devem ser desbloqueados por DLC, já agora). Ou seja, ao passar em certos pontos do mapa existe um objecto que marca o checkpoint. Ao fazer save, o jogo é recomeçado nesse checkpoint, o que me levou o triplo do tempo para terminar o jogo, com os crashs constantes que me obrigaram a refazer as coisas várias vezes.

Sendo assim o jogo é uma ideia interessante, criticando com humor o rumo que a indústria tomou recentemente com todos os DLCs e conteúdo pay-to-win, com os abusos que algumas empresas tomam em relação a isso. No entanto, sendo um jogo algo simples e curto, compensa apenas comprá-lo a um preço baixo. Se tiver os mesmos problemas de performance que experienciei no meu PC, então mais vale jogá-lo numa X360 mesmo.

eXceed: Gun Bullet Children (PC)

Voltando aos jogos indie, para mais um artigo curto, pois não há muito a referir neste jogo. eXceed é uma série de shooters desenvolvidos pelo estúdio indie japonês Tennen-Sozai, previamente conhecido por FLAT. Apesar de possuir uma jogabilidade simples e “straight to the point“, este jogo é um autêntico bullet-hell, exigindo do jogador reflexos rapidíssimos e uma excelente memória, para estar constantemente à procura do buraco da agulha no meio de tanto projéctil. Este jogo veio-me parar à minha conta da Steam por intermédio de mais um dos muitos bundles  a preços baixos que se vêm por aí, desta feita o Indie Gala Summertide, em conjunto com os outros 2 jogos da série entre outros.

eXceed Gun Bullet ChildrenComo muitos shooters deste género, existe uma história por detrás, que por muitas vezes acaba por ser ignorada. Neste caso, apesar de a mesma ir sendo contada através de cutscenes, o contexto nem sempre é claro. Basicamente há muitos e muitos anos atrás, houve uma enorme guerra entre Deus e vários anjos que se revoltaram. A humanidade lutou ao lado das forças divinas, porém após imensas causalidades, teve a preciosa ajuda do anjo Anhel. Após a batalha, o anjo ficou seriamente ferido precisando de entrar num longo sono para curar as suas feridas. Então a igreja lá do sítio decidiu criar um enorme templo e uma ordem de cavaleiros para proteger o anjo até ao momento em que Anhel seja reanimada. Meanwhile, a igreja criou também as Gun Bullet Children, jovens que adquiriram enormes poderes mágicos para lutar contra as forças das trevas, a troco de encurtarem bastante a sua esperança média de vida. E é nessas GBCs que o jogo se centra, onde podemos escolher uma de 3 diferentes personagens para jogar: Sowel, Chinatsu e Miyabi. Ao contrário dos outros 2 eXceed que seguiram este jogo, este Gun Bullet Children foi o único que não teve uma localização oficial para inglês. Embora seja possível ler o script da história no website da editora responsável por lançar os jogos por estas bandas, a melhor solução é mesmo aplicar um patch de tradução por fãs que traduz todo o texto do jogo, embora o audio ainda seja em japonês.

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No final de cada nível como habitual existe um boss, todos eles autênticas esponjas de balas.

De resto, passando para a acção em si, existem dois tipos diferentes de disparos, os standard e os especiais, sendo esses completamente diferentes mediante a personagem escolhida. Depois os inimigos vão largando alguns items ao ser destruídos, servindo ou para aumentar pontuação ou aumentar uma barra lateral de energia. Quanto mais preenchida estiver essa barra, maior é o dano infligido aos inimigos. Contudo ao ser atingido por balas inimigas ou usar um continue, perde-se esse bónus, excepto quando o mesmo já está no nível máximo. Fora isto a jogabilidade é realmente simples, as únicas diferenças estão nos ataques diferentes das 3 meninas jogáveis. Mas enquanto as mecânicas de jogo são simples, a dificuldade nem por sombras. Mesmo nos níveis mais baixos de dificuldade, os inimigos despejam um autêntico inferno de balas, requerendo muita destreza para as desviar, e reconhecer os seus padrões de movimentos.

Graficamente é um jogo muito, muito simples. Tirando as cutscenes em que aparece algum artwork das personagens jogáveis e inimigos principais, tudo o resto é muito simples, desde os inimigos comuns, até aos cenários de fundo que são muito desinspirados, sendo sempre a mesma coisa a repetir-se ao longo do nível. O voice acting é inteiramente japonês, com todas as vozes clichés da animação japonesa da actualidade. Já a música é bastante engércia e tem sempre uma toada electrónica por detrás.

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De facto há alturas em que não se sabe mesmo o que fazer.

As internetes dizem que os outros 2 jogos são bem melhores, quero acreditar nisso. No fim de contas, este é um dos jogos que apenas consigo recomendar aos mais ávidos fãs de shooters bullet-hell, devido ao seu pouco conteúdo e um aspecto ainda muito pouco polido.

Super Meat Boy – Ultra Edition (PC)

Super Meat BoyO que dizer deste jogo fantástico? Super Meat Boy, lançado originalmente em 2010, é uma autêntica homenagem aos jogos retro e também indie. Produzido por Edmund McMillen e Tommy Refenes , Super Meat Boy é um exigente jogo de plataformas em 2D, com uma jogabilidade visceral, sem qualquer misericórdia e que nos faz chorar por mais. Ah, e está repleto de humor negro também. Este foi um jogo que atingiu um sucesso tremendo, na minha opinião inteiramente merecido. Lançado originalmente para a X360, através do serviço XBLA, o jogo acabou por sair também para PC, onde veio parar às minhas “mãos” por intermédio do Humble Indie Bundle V, juntamente com outros excelentes jogos como Sword & Sworcery ou Amnesia. Existe uma edição em formato físico que também acabei por vir a ter na minha colecção, oferta da minha namorada. Esteve numa promoção a cerca de 3€ em várias lojas da New Game, teve mesmo de ser aproveitada. Esta Ultra Editon, para além de incluir um poster do jogo, traz também um booklet contendo várias bandas desenhadas do jogo, artwork, e diversas outras curiosidades dos próprios desenvolvedores do jogo. Inclui também outros goodies digitais como a própria banda sonora do jogo.

Super Meat Boy Ultra Edition - PC
Jogo completo com caixa de cartão, caixa de dvd normal, poster e booklet

Meat Boy é o protagonista deste jogo, que já tinha dado caras em Meat Boy, um jogo baseado em flash lançado originalmente em 2008. E qual a história do jogo? Indo buscar as suas inspirações ao mais icónico jogo de plataformas de sempre, a trama é simples: o malvado Dr Fetus (sim, um feto humano dentro de uma “carapaça robótica”) raptou a Bandage Girl e cabe apenas ao Meat Boy em salvá-la, ao longo de um longo e doloroso percurso, repleto dos mais variados obstáculos. Meat Boy, sendo “apenas um pedaço de carne” é também bastante frágil, pelo que basta o mínimo dano para morrer.

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As cutscenes ainda retêm aquele estilo “flash player”, não fosse o jogo ainda baseado nessa tecnologia

A jogabilidade vai buscar todas as influências à expressão “Nintendo Hard” muito em voga quando se falam de jogos clássicos de NES como Megaman, Castlevania ou Ninja Gaiden. Meat Boy pode ser uma personagem extremamente frágil, mas compensa com a sua agilidade, sendo capaz de saltitar de parede em parede (tal como em Ninja Gaiden clássico), correr ou outros longos saltos. O jogo está dividido em 6 capítulos principais, cada um com a sua temática própria, sendo o primeiro passado numa floresta, o seguinte num hospital sinistro, um outro numa enorme fábrica de sal, outro no Inferno, entre outros. Cada nível tem apenas um objectivo: Levar Meat Boy com segurança do início ao local onde a Bandage se encontra à espera de ser socorrida. Os controlos estão muito bem implementados, com o jogo a responder bem ao input do jogador. No entanto, e tal como o jogo nos esfrega na cara sempre que o iniciamos, os controlos são muito melhores se jogados com um comando. O analógico para movimentar a personagem faz toda a diferença. Infelizmente o jogo está optimizado para utilizar apenas o comando da X360, obrigando a outras manobras para se utilizarem outros comandos genéricos. De resto a jogabilidade é incrivelmente fluída e desafiante. Este é daqueles jogos capazes de despertar o instinto homicida dentro de nós, tamanha é a frustração muitas vezes. Porém, quando conseguimos terminar um nível é sempre uma pequena vitória. Practice makes perfect, e este jogo é o reflexo disso mesmo. Felizmente possuímos vidas ilimitadas, então é muito frequente o tempo passar muito depressa para tão pouco progresso no jogo, e não se cansa.

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O objectivo de cada nível é chegar à Bandage Girl. Neste exemplo, no canto superior esquerdo está também um dos portais que nos levam a um conjunto de níveis retro.

Cada capítulo possui 20 níveis mais um igualmente exigente boss. Contudo, se quisermos ser completicionistas, iremos encontrar dispersos ao longo dos níveis alguns pensos (não os higiénicos), muitas vezes escondidos ou em locais especialmente perigosos ou practicamente inacessíveis. Ao coleccionar esses pensos iremos desbloquear vários personagens extra com novas habilidades, desde versões retro do Meat Boy, passando por personagens de outros jogos como o headcrab de Half-Life, Alien Hominid, Captain Viridian de VVVVVV, entre outros. Para além dos pensos, existem também alguns portais escondidos nos níveis, que nos transportam cada um para um conjunto de 3 difíceis níveis retro. A diferença destes para os níveis normais, para além do audiovisual da velha guarda é o número limitado de vidas (3). Para tentar novamente, só entrando de novo no portal. Alguns destes portais são especiais, dando acesso ainda a mais umas quantas novas personagens jogáveis, todas estas provindo de outros jogos indie, como o Commander Video de Bit.Trip. ou Steve de Minecraft. Exceptuando as personagens desbloqueáveis através dos portais, as desbloqueáveis com os pensos variam entre as versões, existindo algumas que são exclusivas à X360. As habilidades destas personagens poderão ser bastante úteis para alguns determinados níveis, como a capacidade de double jump, ou mesmo flutuar temporariamente. Mas o conteúdo não se fica por aqui. No final de cada nível se conseguirmos bater um determinado tempo, somos atribuídos um A+ rank. Ora para se completar o jogo a 100% teremos de completar todos os níveis com esse ranking, pois cada um desses níveis pode posteriormente ser jogado num “Dark World”, apresentando os mesmos níveis com um grau de dificuldade acrescido, bem como mais bandages e portais para descobrir. Mas o conteúdo não se fica por aqui, existindo vários níveis feitos por fãs que podem ser jogados, ou mesmo as “negative zones“, paródias aos glitches dos velhos tempos, existindo uma por cada capítulo e contendo apenas um nível, mas exigente ao máximo.

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Meat Boy vai deixando um rasto de sangue em tudo o que toca

Visualmente é um jogo na minha opinião excelente. O pixel art que acompanha o jogo está muito bem conseguido, sendo uma excelente homenagem aos jogos da velha guarda. O look retro dos níveis especiais então é ainda uma homenagem maior, apresentando vários níveis com visuais 8/16bit, a preto e branco como se uma Gameboy se tratasse, ou mesmo níveis mais primitivos, vindos directamente de uma Atari 2600. As cutscenes que antecedem cada capítulo são também homenagens aos grandes clássicos, sendo inspiradas em jogos como Castlevania, Ninja Gaiden, Pokémon ou Street Fighter II. Existemtambém referências a outros jogos nas cutscenes que antecedem os níveis retro, bem como a imensos outros jogos/desenvolvedores indie. A banda sonora é muito boa. Para um jogo que assenta tanto em “trial and error“, a música mistura de forma magistral chiptune com melodias mais rock ou electrónica que se adequam perfeitamente ao estilo de jogo e frustração que o mesmo proporciona. Lá mais para a frente é que decidiram ter uma abordagem mais épica com algumas músicas mais orquestradas, mas também não está mau. Já nos níveis retro, as melodias são as mesmas mas apenas em chiptune. O que é awesome. A sério, vão ouvir a música Hot Damned em Retro, por exemplo.

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Existe também um sistema de gravação de replays.

Concluindo, Super Meat Boy é um jogo que merece todos os elogios que recebeu. É sim um jogo difícil e desafiante, porém não deixa de ser uma excelente homenagem a tudo o que a indústria teve a ainda tem de bom. Absolutamente recomendado. E joguem com um comando.

English Country Tune (PC)

De volta aos artigos mais pequenos, mais uma vez com um jogo indie. English Country Tune é um puzzler produzido pela increpare games, que desafia a nossa percepção de lógica e física num espaço tri-dimensional. A minha cópia digital chegou-me ao steam através do Humble Indie Bundle 8, um bundle que incluiu jogos como Dear Esther, Proteus ou o fenomenal Hotline Miami – um dos melhores Humble Indie Bundles lançados, na minha opinião.

English Country Tune PCE então em que consiste este jogo? Bom, em primeiro lugar controlamos um quadrado que se desloca num espaço tridimensional. Depois, o jogo está dividido entre diferentes “mundos” com conceitos de jogabilidade diferentes. Larva é uma versão tridimensional de Sokoban, o puzzler clássico da Famicom que consistia em um bonequinho arrumar uma série de caixas em certos pontos. Ora aqui as coisas são bem mais complicadas, pois o quadrado que controlamos é bi-dimensional, podendo ser movido num espaço 3D, seja pelo “chão” ou paredes. De facto, em cada nível podemos rodar à vontade o campo de jogo, fazendo com que os conceitos de chão e parede percam o seu sentido. Em Larva, o objectivo consiste em “arrastar” esferas até umas caixas, mas à medida que jogamos as coisas vão-se complicando, onde surgem superfícies que o quadrado não consegue percorrer, e a gravidade começa a entrar nas contas. E é aqui que as coisas ficam ainda mais bizarras, pois no mundo de Larva a gravidade tem efeitos diferentes, mediante da direcção de onde empurramos a esfera. Ou seja, se empurramos a esfera num determinado sentido, ela cai no vazio e é game-over. Mas se for empurrada num sentido diferente, já “cai” para outra superfície. É um conceito difícil de descrever (e assimilar!) que torna este jogo em algo bastante desafiante.

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Ora como colocar todas as esferas nas caixinhas desta forma? Crazy gravity, of course.

Mas este Sokoban 3D marado não é o único mundo. em “Garden”, por exemplo, o objectivo é empurrar um quadrado verde em todas as superfícies brancas de um determinado nível. Ao passar numa superfície branca, cresce um cubo verde e não podemos voltar atrás, obrigando o jogador a descobrir uma maneira de percorrer a área sem ser necessário repetir posições. O mundo de Whale é outro ainda mais bizarro. Aqui temos de empurrar uma série de cubos ao longo de uma superfície até a um abismo. Mas não se empurram os cubos directamentes, não. Aqui os cubos extendem umas linhas em cruz como se um par de eixos se tratasse, e é empurrando esses eixos que conseguimos movimentar os cubos. Cada mundo tem uma versão avançada com puzzles ainda mais complicados. Por exemplo, em Advanced Whale, estes puzzles seguem superfícies 3D, assim como o Planting (“Advanced Garden”). Mas existem ainda muitas mais mundos com diferentes mecânicas de jogo, cada uma mais difícil e bizarra que a outra. Por exemplo o mundo “L and W” mistura a jogabilidade de Advanced Larva com Advanced Whale.

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Ecrã de selecção do nível, os desbloqueados possuem uma esfera mais clara.

Como já deu para perceber, English Country Tune é um verdadeiro jogo de puzzle, que apresenta puzzles inovadores e bastante desafiantes, não deixando no entanto de ser um jogo com um certo apelo casual, pela simples característica de se pegar a qualquer altura e tentar resolver um puzzle que já se tenha desbloqueado. Visualmente é um jogo muito simples, com estruturas 3D que não necessitam de grande detalhe. No entanto devo dizer que os menus de escolha de “mundo” e nível agradam-me bastante, com uma estrutura algo molecular. A música essa felizmente é bastante ambiental, o que é ideal face aos desafios que teremos pela frente. Se fosse uma música irritante provavelmente já tinha mandado o PC pela janela.

No fim de contas, recomendo este English Country Tune a quem for um fã de jogos puzzle, pois este é um jogo que dá bastante que pensar e preza pelas suas mecânicas de jogo bizarras, mas originais. Para além de Windows/Mac/Linux, o jogo está também disponível para os aparelhos com iOS.