Continue?9876543210 (PC)

Como não há cinco sem seis, o próximo artigo é mais uma rapidinha a um jogo indie. Continue?9876543210 é na verdade mais uma obra artística e filosófica digital, porque na verdade, a nível de gameplay, deixa muito a desejar na minha opinião. Tal como muitos outros jogos indie no PC, este também veio parar à minha conta no steam através de um dos vários indie bundles que se vê por aí, tendo-me custado uma ninharia como habitualmente.

ContinueBasicamente encarnamos numa personagem de um videojogo que morreu, e o jogador não quis continuar a aventura. Então passamos o resto resto do jogo a vaguear pela RAM de um computador e evitar ao máximo que os programas de limpeza de memória nos limpem da existência de uma vez por todas. Ora eu acho esta ideia muito boa e de facto o jogo coloca uma série de questões existenciais interessantes, mas com muita pena minha, o conceito do jogo deveria ser bem melhor explorado.

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Um dos possíveis boses faz lembrar o Space Invaders

Essencialmente visitamos uma série de “níveis” perdidos algures no espaço cibernético. A ordem pela qual visitamos esses níveis é aleatória, mas o que temos de fazer é comum em todos: falar com NPCs, adivinhar algumas passwords a dizer a alguns, alugar abrigos (que também podem ser armadilhas) e de vez em quando lutamos contra alguns inimigos. Nesses níveis temos também um timer em contagem decrescente e sempre que o mesmo chega a zero, temos uma espécie de uma boss battle pela frente. Essas alturas de “pânico” tanto podem ser pequenas dungeons que temos de atravessar em contra relógio, ou lutar contra algum programa gigante que nos tenta eliminar de uma vez por todas. Depois temos também as escolhas de “My lightning, my prayer”. A primeira faz com que caiam uns raios eléctricos do céu, podendo estes destruir algumas das saídas do nível em questão, abrindo assim as portas para avançar para o próximo. Escolher a segunda ergue-nos um abrigo que será necessário para sobreviver em alguns ataques futuros do programa de limpeza da RAM. Então no fim de contas em cada nível teremos de tentar desbloquear uma saída e também ter o máximo de abrigos possível para essas tempestades futuras.

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Por vezes temos de adivinhar a coisa certa a dizer

Mas tudo isto é bastante abstracto, este é um jogo que precisa mesmo de ser jogado para ser compreendido. Até porque os próprios NPCs falam com um inglês muito “macarrónico” – devido às suas habilidades linguísticas terem sofrido um grande abalo porque partes do seu inglês terem sido eliminadas pelos tais programas que limpam a RAM. Visualmente é um jogo engraçado, onde tudo é um 3D pixelizado e as localidades estão todas perdidas num limbo informático. A música é também sempre algo deprimente, assim como a própria história do jogo, sempre com as suas questões existencialistas.

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O momento da nossa “morte”, onde as ligações ao programa principal são todas cortadas.

Continue?9876543210 não é para todos. Às vezes digo isto no bom sentido, quando falo complexo de assimilar, mas que no entanto acaba por ser bem feito. Já neste caso é mesmo por ser um jogo que tem uma excelente ideia, até poderá passar algumas mensagens inteligentes, mas como jogo em si, ainda deixa muito a desejar.

Famaze (PC)

Para não destoar dos últimos artigos, cá vai mais uma rapidinha a um jogo indie no PC que verdade seja dita, tem sido das únicas coisas que tenho jogado ultimamente. Famaze é um dungeon crawler em 2D onde somos largados em vários labirintos, mas com uma jogabilidade mais roguelike, na medida que os layouts das dungeons são todos gerados aleatoriamente e o perigo espreita em cada esquina (embora não tanto no easy mode que é o único modo de jogo disponível logo de início). E tal como a maioria dos jogos indie que tenho na minha conta do steam, este veio também através de um indie bundle qualquer a um preço muito acessível.

Famaze PCA história por detrás deste jogo não é nada que se deva levar muito a sério. Nós encarnamos num cavaleiro, ladrão ou feiticeiro com uma missão de encontrar uma série de artefactos para o nosso rei, incluindo a “lente da verdade” e um livro de receitas para procurar uma receita há muito perdida. Podemos escolher uma de três classes, cada uma com as suas particularidades. Knight é a classe com mais poderio físico e a sua habilidade especial é o smite, um poderoso ataque capaz de destruir os inimigos à nossa volta. O ladrão é mais versátil e a sua habilidade especial consiste em desarmar as inúmeras armadilhas que nos esperam. O feiticeiro é uma treta para combate físico, mas consegue criar items necessários, que as outras personagens apenas os podem apanhar nos corredores.

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As três classes de heróis com as quais podemos jogar.

O jogo é apresentado numa estranha resolução que mais se parece encaixar num modelo de uma Nintendo DS e o seu ecrã duplo. No ecrã de cima vemos o mapa que nos vai sendo mostrado à medida que exploramos o labirinto, em baixo vemos o nosso personagem e as suas imediações. Os controlos são bastante simples: botões direccionais para nos movimentarmos, botão 1 e 2 para usar os items, e o espaço para usar a habilidade especial da nossa personagem (quando disponível) ou apanhar os items que vamos encontrando. Para atacar basta ir de encontro aos inimigos, sendo que 90% das vezes também sofremos dano. Armadilhas como espinhos a meio do caminho, inimigos que nos aparecem pelas costas ou tesouros armadilhados também estão sempre à espreita e devemos tentar dar sempre um passo de cada vez, sempre com pelo menos 3 pontos de vida. O jogo de luz/escuridão também deve ser reaproveitado. Salvo a entrada do nível em si, tudo o resto está às escuras e por vezes encontramos umas tochas fixas que podem ser acesas, iluminando uma grande àrea do mapa. Ora os inimigos que sejam iluminados assim de surpresa acabam por se transformar nos inofensivos Rutabagas, que até nos regeneram um pouco a vida sempre que os apanhamos. Por isso é que os items que vamos apanhando também devem ser usados sempre de maneira inteligente. Para além de items regenerativos, temos flares que iluminam uma pequena área, cristais de teletransporte, ou poderosas bolas de fogo que dão um dano em linha a uma série de inimigos.

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Os pontos vermelhos no mapa representam os inimigos que encontramos. Estes aqui são chatos porque nos deturpam a visão durante alguns tempos, “estragando” o mapa acima.

Para além de os níveis serem gerados aleatoriamente a cada partida, muitas vezes temos também percursos alternativos, pelo que isso se torna em mais uma razão em voltarmos a jogar este Famaze mais que uma vez. Até porque com a primeira partida é impossível vermos o final verdadeiro do jogo e também começamos apenas no modo easy, tornando este jogo num roguelike algo casual pelo menos de início, o que acaba também por ser uma óptima forma de introdução às pessoas deste subgénero tradicionalmente bastante exigente e unforgiving.

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Após acender a chama, o inimigo da direita é o único que não é afectado pela luz. Aliás, até e acordado pela mesma.

Nos audiovisuais, os screenshots dizem tudo. Este jogo tem um look bastante retro, fazendo-me lembrar bastante os videojogos da era de 16bit, tanto no nível de detalhe das sprites e backgrounds, como nos próprios efeitos sonoros e músicas que apesar de não estarem sempre a tocar, são bastante apelativas. Espreitando o catálogo da Oryx Design (os criadores deste Famaze), deixaram-me bastante curioso em experimentar os seus restantes jogos, que me parecem ser todos roguelikes. Este subgénero não é dos meus preferidos, apesar de ser um derivado dos RPGs, devido à sua jogabilidade demasiado metódica, desafiante e também ser necessário muita sorte à mistura de nos aparecerem os items certos na altura certa. Mas aqui em Famaze esses elementos apesar de existirem, são bem mais contidos, resultando assim numa experiência bem agradável e certamente a ser um cartão de visita para quem depois quiser experimentar roguelikes mais desafiantes. Até porque hoje em dia o jogo tornou-se free to play no steam e não só.

The Elder Scrolls: Arena (PC)

Para não destoar da quantidade de artigos de PC que tenho trazido aqui à ribalta, o jogo que falarei hoje é um dos RPGs ocidentais da velha (não velhíssima) guarda, e o primeiro capítulo da série de maior sucesso da Bethesda. Na verdade, apesar de este jogo estar disponível para download gratuito no site da Bethesda e ter sido essa a versão que eu joguei até ao final, a versão que trago aqui hoje é a que vem incluída na The Elder Scrolls Anthology, uma compilação que traz todos os capítulos da série principal e suas expansões, deixando de fora o Redguard e o Battlespire. Embora acredito piamente que o único motivo pelos quais esses jogos não foram incluídos prende-se pela sua complexidade em correrem em sistemas operativos modernos e a Bethesda ter sido sempre um bocadinho preguiçosa.

Éniuei, esta minha compilação foi-me oferecida pela minha namorada no Natal de 2013, foi um presente que eu adorei pois já andava a fazer-lhe olhinhos há uns valentes meses. Para além de discos para cada jogo e suas expansões, traz também vários mapas de Tamriel, alusivos à região em que cada jogo decorre, tudo isto inserido num “livrinho” bonito. Para além de não trazer os já referidos spin offs, tenho também pena de não trazer os manuais, estando estes disponíveis apenas em pdf. Como isto é uma edição de coleccionador bem que podiam ter-se dado a esse luxo. Mas voltando ao que interessa, o primeiro jogo da série, podem ler a minha análise completa na PUSHSTART deste mês, ou clicando já aqui.

Musaic Box (PC)

Para não variar, o próximo artigo será a mais um jogo indie (e provavelmente não será o último do género nesta semana visto que tenho mais um jogo em calha). Musaic Box é um videojogo que mistura vários conceitos. Em parte é um “hidden object game” em que temos de clicar em tudo o que esteja no ecrã para procurar objectos escondidos, mas também tem uma muito interessante componente musical, onde temos de construir várias melodias numa caixinha de música, com uma jogabilidade de puzzle-game que descreverei com mais detalhe em seguida. E este é mais um dos jogos que vieram parar à minha conta steam algures por aí num dos vários indie bundles existentes por uma ninharia.

Musaic Box PCExplicar o conceito deste jogo vai ser algo difícil, mas vamos lá. Em primeiro lugar, a personagem que representamos tem a música a correr-lhe no sangue, visto todos os seus familiares sempre terem estado ligados à música. E o que seria uma simples visita ao nosso avô, tornou-se numa espécie de caça ao tesouro musical, pois o dito avô não estava em lugar nenhum e tudo o que vemos, no meio de toda a parafernália de instrumentos musicais, retratos de compositores e outros objectos ligados à música espalhados por toda a casa, é uma curiosa caixa de música e pistas escondidas. O avô pretende que procuremos esquemáticas de melodias para criarmos na caixinha de música que nos deixou. É aqui que entram os elementos de jogo de aventura, pois podemos explorar várias divisões da casa e essas pistas estão muitas vezes escondidas mesmo debaixo do nosso nariz, sejam pequenos pedaços de papel semi-escondidos, ou então teremos de interagir com alguns objectos para as descobrir, como abrir gavetas, livros e por aí fora. Quando encontramos todos os pedaços de papel necessários para compor uma determinada música podemos tentar fazê-lo e é aqui que entra toda a originalidade deste jogo.

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Antes de nos pormos a brincar com a caixa de música, temos de encontrar as esquemáticas necessárias espalhadas em várias divisões

Ora isto mistura um jogo musical com algo tipo Tetris. A ideia é pegar numas pecinhas tipo os blocos de tetris e colocá-los num espaço disponível no meio da caixa. No entanto, cada pecinha está dividida em 2 ou mais quadrados que representam um instrumento musical, cada um com uma cor respectiva. Na área do puzzle, as colunas representam um compasso, as linhas representam o tempo que a música dura. Então já estão a ver o esquema, não? A ideia é resolver o puzzle, mas de maneira a que cada peça fique encaixada de forma a gerar a música em questão. Para nos ajudar, temos muitas vezes na parte de baixo da caixa de música, umas roldanas que podemos por a tocar de forma a ter a linha condutora da melodia principal. Depois, ao tocar em cada peça podemos ouvir como a mesma soa, até que por fim só resta encaixar a peça onde achamos que é o seu lugar. Na área do puzzle podemos também clicar em qualquer lado que começa automaticamente a tocar a melodia que construímos a partir desse ponto. Então convém termos um ouvido algo treinado para a música, pois temos de conjugar bem as melodias, harmonias, baixo e percussões para construir uma música que faça sentido. E temos de também ter em conta que não podemos colocar nenhum instrumento repetido na mesma coluna, pois é impossível alguém tocar 2x ao mesmo tempo.

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Algumas composições são bastante fáceis…

Nalguns puzzles, resolvendo-os de forma geométrica ajuda-nos bastante, pois algumas peças apenas se encaixam nalgum lugar em específico, logo já dá uma boa ajuda. Porém outras músicas são mais regulares nos seus ritmos, e as peças também muito parecidas entre si, o que exigirá um ouvido mais treinado. Noutros puzzles ainda a linha condutora que nos dá a melodia principal simplesmente não existe e teremos de construir a música toda de ouvido sem ter escutado nada anteriormente. Felizmente as músicas existentes são todas de domínio público, sendo trechos de composições clássicas de Mozart ou Strauss, outras mais tradicionais (como algumas músicas de Natal) ou mesmo infantis como a do Old MacDonald had a farm. Gostei bastante dos arranjos que lhes deram em algumas músicas clássicas.

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Outras já exigem mais concentração.

E pronto, Musaic Box é isto. Ao fim do jogo desbloqueei um modo adicional chamado “Creations”, mas não o cheguei a experimentar. Pelo nome suponho que nos deixa criar as nossas próprias obras, mas não sei até que ponto o jogo nos dá liberdades para tal. De resto, visualmente é um jogo que não é propriamente nenhum eye-candy mas também não precisa. Os gráficos são bem detalhados para algo mais 2D, e conseguimos facilmente discernir o que seria um objecto escondido ou não. Em relaçao às músicas, eu tenho uma maior preferência para as composições clássicas (já que não estou a ver uma caixa de música a debitar Cannibal Corpse) e mesmo com as mesmas a serem tocadas em MIDI, a qualidade estava boa e gostei dos arranjos que fizeram em algumas músicas conhecidas. Músicas mais infantis eu sinceramente dispensava.

Musaic Box é um interessante e original puzzle game desenvolvido pela KranX Productions. Não é perfeito, sinceramente eu dispensaria todos os fillers de ter de explorar as divisões da casa para encontrar os planos das composições musicais e passaria logo para o puzzle-solving que é sem dúvida o ponto forte do jogo. Mas não deixa de ser um jogo bastante interessante, pelo que recomendo que o espreitem assim que possível.

Safecracker: The Ultimate Puzzle Adventure (PC)

Continuando com os indies no PC para mais uma rapidinha, já que o tempo livre continua a não ser muito, infelizmente. Este Safecracker é um jogo de aventura em primeira pessoa cujo objectivo consiste em decifrar os enigmas por detrás de mecanismos de abertura de vários cofres espalhados ao longo de uma mansão. Sinceramente já não me recordo ao certo como este jogo veio parar à minha conta no steam, mas certamente terá sido através de algum indie bundle, senão de outra forma não me estaria a ver a comprá-lo.

Safecracker PCExiste uma história por detrás deste jogo, não andamos a abrir cofres sem motivo aparente. Basicamente é o seguinte: Duncan W. Adams, multi-milionário e barão da indústria petrolífera faleceu recentemente e como seria de esperar, deixou para trás uma enorme fortuna. Os seus familiares e herdeiros estão ansiosos para saber quem vai ficar com o quê mas Duncan, num momento final de trolling decide-lhes pregar uma partida. A sua paixão de vida sempre foram os cofres com mecanismos de abertura complexos e bizarros e como tal, decidiu esconder o seu testamento algures num cofre secreto em sua casa, onde cofres não faltam. Sendo assim os herdeiros de Duncan contratam-nos a nós, experts no assunto, para descobrir o testamento. Infelizmente a história não tem grandes desenvolvimentos a partir daqui, nós vamos encontrando algumas cartas ou outros documentos que nos dão mais alguns detalhes sobre a vida de Duncan, mas nada por aí além e o final é muito mauzinho, na minha opinião.

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O movimento neste jogo é feito em “point and click”. Se o ponteiro do rato mudar de figura para este género, significa que podemos avançar para essa área.

A jogabilidade é a de um point and click na primeira pessoa tal inspirada no clássico Myst. Podemos olhar livremente em 360º para o que nos rodeia, mas apenas podemos nos movimentar para certos locais, mediante se o ponteiro do rato muda de figura, indicando que podemos avançar nessa direcção. A ideia é vasculhar a casa por pistas, items ou documentos que nos possam ajudar a abrir uma série de cofres, sendo que para isso muitas vezes teremos de abrir outros cofres anteriormente. O verdadeiro desafio está mesmo a abrir os cofres em si, sendo que os mecanismos de abertura são bem variados e tanto podem exigir uma simples chave ou combinação numérica, como que resolvamos sliding puzzles, raios laser com frequências precisas ou outros quebra-cabeças lógicos. O desafio está mesmo aí, sinto que todos os aspectos de aventura e também história foram colocados para o jogo não ser simplesmente uma sequência de cofres para abrir. Infelizmente isso acabou por tornar o jogo algo monótono, creio que a história deveria ter sido melhor desenvolvida até para nos incentivar a continuar o jogo, se não formos os maiores fãs de puzzle games.

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Um exemplo dos puzzles que temos de resolver

Graficamente é um jogo com um aspecto muito limpinho. A mansão que exploramos é luxuosa, bem detalhada e sempre bem iluminada. Tudo tem um aspecto muito clean o que não é mau e sinceramente até nem é desajustado face ao que o jogo pretende. Os efeitos sonoros são ok, nada a apontar, o voice acting é um pouco monocórdico e relativamente às músicas nao foram propriamente coisa que me tenha ficado na memória. Mas lá está, o foco do jogo é mesmo a resolução de puzzles e pouco mais.

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Preparem-se para ver muitas geringonças bizarras.

Apesar de ser um jogo bem competente naquilo que se compromete, não posso dizer que seja algo que eu recomende vivamente, pois a mistura que é feita entre um jogo de aventura e puzzle solving acaba por ser mediana nas duas vertentes e o que não falta por aí são jogos melhores nesse aspecto.