Tengami (PC)

Tengami PCO jogo que cá trago hoje é mais um daqueles artísticos, algo vagos na mensagem que tentam passar, mas bastante originais na sua apresentação. Tengami é uma representação na forma de videojogo de um daqueles livros em que à medida que se ia desfolheando as páginas, as suas figuras iam sendo construídas como um pop-up que surgiam das próprias páginas. Certamente já terão visto livros assim. Este meu exemplar foi comprado num humble bundle por um óptimo preço, mesmo como manda a lei.

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Este screenshot trabalhado talvez seja ilustrativo da interação que temos nos cenários

Aqui somos transportados para um Japão feudal, mas o nosso propósito não é lá muito certo. No início do jogo vemos uma cerejeira japonesa desprovida de flores, e com o decorrer do mesmo vai ficando cada vez mais colorida… Vamos viajando entre jardins, templos antigos, cavernas ou mesmo pela costa marítima, mas todas as nossas iterações acabam por ter estes actos simbólicos de “mudar de página” e ver o mundo a ganhar vida. Mas este não é apenas um jogo de exploração, lá vamos tendo alguns puzzles para resolver bem à moda dos point and clicks, até objectos temos de transportar. Os puzzles mais chatos para mim foram os que temos de ir mudando partes do cenário de forma a conseguir construir um caminho para prosseguir. A nossa personagem apenas atravessa caminhos sem quaisquer obstáculos e as escadas têm de ser bem definidas, não basta serem folhas de papel sobrepostas e por vezes acaba por ser um bocadinho frustrante construirmos um caminho que tem um desnível de 20 centímetros e o nosso personagem não conseguir avançar.

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Os pontos luminosos geralmente indicam o local onde podemos “mudar de página”

Mas isso é apenas um pequeno detalhe, pois o encanto deste jogo está precisamente na sua apresentação e atmosfera. A arte é lindíssima e realmente parece estarmos envolvidos numa obra cuidadosa dos mestres japoneses do papel, repleta de pequenos detalhes e com uma temática do Japão feudal que sinceramente me agrada muito. As músicas também se adequam perfeitamente ao propósito do jogo, vamos ouvir muito folclore nipónico por aqui, algo que também me agradou. Este é também um jogo muito curto e numa ou duas horas no máximo já estamos despachados. É um desses jogos artísticos interessantes e por vezes de difícil discrição, pelo que recomendo vivamente que o experimentem. Claro que, pela sua curtíssima duração é melhor esperarem por uma boa promoção do steam entretanto.

The Book of Unwritten Tales: The Critter Chronicles (PC)

Invariavelmente, vamos lá a mais uma rapidinha pois se por um lado o tempo teima em não dar para muito mais, por outro esta é uma sequela a um jogo que eu adorei, mas acaba por não trazer nada de especial, o que é pena. E também tal como o primeiro The Book of Unwritten Tales, esta minha cópia digital do steam foi comprada por um preço muito apetecível nalgum Humble Bundle.

The Book of Unwritten Tales the Critter Chronicles - PCAqui somos uma vez mais levados ao mundo fantasioso e bem humorado de Aventasia, num jogo cuja história serve de prequela ao lançamento original, com Nate e o estranho, mas adorável Critter a assumirem os papéis principais. Infelizmente não há sinal nem do pequeno Wilbur nem a princesa Ivonora, personagens que para mim foram bem mais carismáticas que Nate. No entanto, outras personagens conhecidas como a orc Ma’zaz (ainda a perseguir Nate), o feiticeiro Munkus ou o Arch Mage ainda vão dando o ar da sua graça. E temos muitos mais critters para interagir, embora o original para mim ainda continue a ser o melhor pelo seu dialecto estranho e linguagem corporal bastante cómica.

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Este Yeti até que tem a sua graça, joguem e percebam o porquê

As mecânicas de jogo são exactamente as mesmas do original, bastante simples e intuitivas para um jogo de aventura point and click, onde mais uma vez poderemos controlar mais que uma personagem (embora de forma alternada), usando as habilidades de cada um para progredir no jogo, bem como muita partilha de itens e objectos entre ambos de forma a resolver alguns desafios. Puzzles mais tradicionais também existem e no geral pareceu-me ser um jogo menos intuitivo no tipo de acções que temos de fazer do que o original. E aqui temos uma dualidade interessante, pois se por um lado os puzzles dão mais que pensar e deixa-nos puxar pelo velho método da tentativa-erro, por outro a aventura em si pareceu-me muito mais curta, com menos regiões a explorar e personagens novas para conhecer. Mas voltando ainda aos puzzles, existem dois graus de dificuldade neste jogo e se escolhermos o difícil então teremos muitos mais itens para apanhar, interagir e combinar do que no modo normal.

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Seastone é das poucas áreas que revisitamos, embora aqui as coisas sejam um nadinha diferentes

Mas também sou sincero, não me incomoda lá muito o facto dos desafios desta vez serem menos intuitivos. Incomoda-me sim pelo curto conteúdo propriamente dito, ou pela falta de personagens carismáticas como havia no primeiro jogo. Aqui o foco parece-me ir para o “Yeti“, a activista de direitos animais chata e casmurra chamada Petra, e claro o Critter, mesmo não percebendo nada do que ele diz acaba por ter uma linguagem corporal e gestual fantásticas. A nível audiovisual o jogo contém uma boa narrativa e voice-acting, os gráficos assentam mais uma vez em cenários 3D, embora algumas localizações sejam muito pobrezinhas em detalhe. As músicas assentam bem ao jogo como sempre.

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É uma pena que 70% do jogo seja passado no pólo norte lá do sítio

Não vou dizer que passei um mau bocado ao jogar este Critter Chronicles pois não o passei, mas estava à espera de um jogo um pouco mais longo, com maior diversidade de cenários, e com mais personagens carismáticas, o que aqui não aconteceu, especialmente pelo foco dado ao Nate. No entanto ficaram as memórias do primeiro jogo, cujos acontecimentos acabam por se encaixar com os deste e me deixam com vontade de jogar a verdadeira sequela, o The Book of Unwritten Tales 2.

The Book of Unwritten Tales (PC)

The Book of Unwritten TalesO jogo que trarei cá hoje é uma aventura gráfica do género tradicional point and click que me já tinha sido recomendada por várias pessoas para jogar. Apesar de já ter o jogo em backlog desde sei lá quando (provavelmente veio nalgum Humble Bundle comprado baratinho), finalmente consegui dar-lhe uma oportunidade e sinceramente até que gostei bastante, embora não seja de todo um jogo perfeito. Edit: Arranjei recentemente uma versão física, tendo sido comprada na CeX do Dragão por 1€.

Jogo com sleeve de cartão, caixa, cd com banda sonora, poster, artbook e papelada

Aqui somos levados para o mundo fantasioso de Aventasia, onde pelos vistos já há muito que decorre uma guerra entre os seres das trevas liderados pela Arch-Witch, uma criatura que sinceramente nunca chegamos a ver bem como é (desculpem lá o pequeno spoiler), e a Aliança, liderada pelo Arch-Mage. Ao longo do jogo vamos poder jogar com várias personagens completamente diferentes, que acabam por se conhecer por mero acaso e se vêm envolvidas nesse conflito, em busca de um poderoso artefacto mágico que certamente irá mudar o curso da guerra. Uma das personagens até tem o meu nome – Ivo, embora seja o diminutivo de Ivodora Eleonora Clarissa, uma princesa elfa. As outras personagens são o humano egoísta e narcisista Nate, o jovem (e pequeno)Wilbur, gnomo que ao contrário de todos os outros não gosta de tecnologia mas tem o sonho de um dia ser um feiticeiro e por fim temos a estranha e adorável criatura Critter, um boneco que parece retirado de um episódio dos Marretas. Todas as personagens têm personalidades distintas e no geral o jogo é muito bem humorado, como manda a lei. A história está bem estruturada, é longa quanto baste (levei por aí umas 12h a chegar ao fim) e está repleta de episódios hilariantes, como quando encontramos uma múmia falante, a própria Morte, ou um vidente vigarista!

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Felizmente o que não falta aqui é bom humor

Outro aspecto interessante é o facto de podermos controlar alternadamente 2 ou 3 personagens num mesmo espaço. Isso será necessário para resolver alguns dos puzzles – por exemplo, o tamanho pequeno de Wilbur será certamente útil para se esgueirar por certos locais, bem como cada personagem possui o seu próprio inventário e podem trocar os itens entre si. As restantes mecânicas de jogo são bastante simples e clássicas, com vários objectos e personagens que podem ser interagidas, bastando para isso clicar com o botão do rato nas mesmas. Existem alguns puzzles com mecânicas de jogo próprias, como uma espécie de tributo a jogos como o Dance Dance Revolution, onde temos de seguir uma coreografia ao carregar em várias combinações de teclas nos momentos certos, ou um segmento de infiltração à lá Metal Gear. De resto os restantes puzzles pareceram-me bastante intuitivos e foram poucas as vezes em que eu fiquei algo perdido.

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Quando as personagens se aproximam de nós é que já reparamos bem nas suas imperfeições gráficas

Mas mais uma vez bato na mesma tecla: o que realmente gostei foi da história no geral com um tom sempre bem-humorado e os imensos NPCs carismáticos como o guarda da cidade de Seastone, os viciados no “world of warcraft” lá do sítio, ou mesmo o paladino de sexualidade duvidosa. Não repetindo claro os exemplos que já listei acima. E para além dessa história interessante e bem disposta, felizmente o voice acting é bastante bom e todas as falas soam realmente credíveis. As músicas também são excelentes e geralmente épicas, o que se adequam perfeitamente ao universo fantasioso que visitamos. A nível gráfico este jogo aborda uma perspectiva um pouco diferente. Os gráficos são em 3D, embora não haja manipulações de câmara, ou seja, controlam-se precisamente como os jogos clássicos em 2D deste género. No entanto sinceramente não posso dizer que os modelos poligonais ou as texturas sejam propriamente as melhores e se calhar até teria sido melhor apostarem num look como a Daedalic faz nos seus point and clicks. Ainda assim acho que conseguiram implementar uma série de animações nas personagens que também compensa o resto e traz uma nova vida ao jogo.

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É uma pena, mas adorava que esta múmia aparecesse mais vezes

Concluindo, gostei bastante deste jogo, apesar de não fugir quase nada à formula clássica dos point and clicks tradicionais. Para quem for fã desse tipo de jogos este The Book of Unwritten Tales é uma aposta segura. Já instalei o The Critter Chronicles para o ir jogando nos tempos livres!

Unreal Tournament 2004 (PC)

Unreal Tournament AnthologyCá vai mais uma rapidinha, só mesmo para picar o ponto. Quando escrevi o artigo do Unreal Tournament 2003 disse que ia tentar escrever um artigo por semana apenas de jogos dedicados ao multiplayer. Pois bem, esse meu plano não foi avante. No entanto cá fica agora um micro artigo à “expansão” que foi este UT 2004. A minha cópia insere-se na compilação Unreal Anthology, que contém o primeiro jogo da série e sua expansão, o já analisado Unreal Tournament, este jogo que trago cá hoje e a sequela Unreal II, mais focada no single player. Custou-me 5€ numa das antigas GAMEs que já fecharam entretanto.

Unreal Anthology - PC
Compilação com disco de banda sonora, papelada e caixa

Bom, podemos chamar este UT2004 a versão definitiva do UT2003, pois inclui quase todo (senão todo mesmo) o conteúdo do seu predecessor, mas traz uma catrafada de novos mapas, novos modos de jogo e a inclusão de veículos na jogabilidade. Dos novos modos de jogo temos o Assault que tinha ficado ausente no UT2003 e o novíssimo Onslaught. O primeiro consiste em ter uma equipa a defender um objectivo e outra a “assaltá-lo”, já o Onslaught é um modo de jogo que utiliza veículos mas sinceramente não o experimentei.

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Lá gráficos bonitos e arenas bem detalhadas sempre teve

De resto este continua a ser um FPS competitivo bastante frenético como o Unreal Tournament sempre nos habituou, no entanto para mim o original continua a ter um factor nostálgico que o 2003 e este não tem. Ainda assim para quem estiver indeciso entre o 2003 e o 2004 recomendo sempre o 2004 por ser mais completo. Não é por acaso que o 2003 não está disponível na compilação Unreal Anthology.

Star Wars Dark Forces (PC)

Star Wars Dark Forces PC

Sempre gostei de first person shooters da velha guarda, foi um dos subgéneros dos videojogos que mais joguei mal tive o meu PC e quando soube que havia um para o Star Wars fiquei bastante curioso e lá tive de o procurar. A série Star Wars é uma franchise de tal sucesso que fazerem um FPS baseado na mesma até nem é uma ideia descabida de todo e felizmente o resultado final até que foi bem agradável. Poderão ler o meu artigo na íntegra aqui, tendo sido publicado originalmente na revista PUSHSTART.

Jogo com big box de cartão, caixa jewel case, manual e papelada

E infelizmente este é um dos jogos de PC que ainda não me tocou a edição física, mas há-de cá chegar. Esta é uma cópia digital que veio parar à minha conta do steam após a ter vencido num sorteio. Edit: recentemente comprei uma big box francesa na vinted por cerca de 12€.