Overcast: Walden and the Werewolf (PC)

Continuando pelas rapidinhas no PC, o próximo jogo é um excelente exemplo do porque não se deveria apoiar qualquer jogo no Greenlight do Steam, mesmo que os seus criadores oferecessem chaves do jogo a quem votasse positivamente no mesmo. Foi o que eu fiz, lá recebi o joguito de graça, mas o resultado final é mau, muito mau mesmo.

A história leva-nos a encarnar em Walden, um caçador que pelos vistos quando era mais novo foi vítima de um assalto que quase o matou. Desde essa altura que tem vivido uma vida solitária e a certo dia quando sai de casa o céu escurece. É aí que começamos a aventura e ao longe vemos uma grande seta verde a apontar para uma ponte que atravessa um rio. OK, deve ser para ali que temos de ir e quando tento atravessar a ponte surge uma mensagem no ecrã avisando-nos que antes de continuar devemos primeiro procurar a nossa espingarda e carregá-la de munições. Ok, olhando para os lados lá vemos uma casa de madeira, mas que mais parece feita de borracha, tal são as texturas de tão boa qualidade. Aí podemos encontrar a nossa espingarda, munições, e o primeiro de muitos sustos que vão ocorrendo regularmente ao longo do jogo.

Por vezes a câmara fica propositadamente desfocada, o que também não resulta muito bem

Depois lá atravessamos o rio e descobrimos a nossa aldeia em chamas, cadáveres dilacerados e após alguma exploração à procura de chaves lá encontramos um bilhete misterioso que nos desafia a ir às montanhas, acender uma fogueira, e defrontar o ser mais venenoso da região. Bom, não me vou alongar muito mais na história, pois a mesma é tão má que quase vale a pena experimentarem o jogo só para se rirem um bocadinho.

Mas infelizmente não é só na história, ou nos sustos regulares e baratos que o jogo nos tenta impingir (é que só pelo barulho altíssimo que fazem assustam mesmo, mas não acrescentam rigorosamente nada de valor à experiência), que o jogo seja mau. A nível técnico também deixa muito a desejar. A maior parte das texturas são muito más (a madeira parece borracha) e as animações são quase inexistentes. Só na cutscene de abertura dá para perceber que os bonecos estão quase estáticos porque não saberiam como os animar, e isso é perfeitamente notório em eventos como o combate contra o principal oponente, o lobisomem mencionado no título do jogo. Ou mesmo quando Walden tenta recarregar a arma, com a espingarda a desaparecer lentamente de vista e alguns segundos depois já aparecer recarregada. O que é muito chato visto ser preciso a recarregar em cada disparo. Depois a própria posição da espingarda na primeira pessoa… até parece uma bisnaga de água, tal é a sua leveza.

O combate é bastante lento devido ao tempo que demoramos a recarregar a arma depois de cada disparo

As músicas felizmente são um pouco melhores, recorrendo muitas vezes a ambiências sinistras, mas também algumas melodias acústicas que até soam bem, mas destoam bastante do resto do jogo, pois são bastante tranquilizadoras, quando o jogo nos tenta é assustar ou esgotar a nossa paciência.

Portanto volto ao que disse no início. Jogos como este Overcast no steam, mostram o porquê do Greenlight estar prestes a ser descontinuado, se é que já não foi. É para passar longe, ou para oferecer como partida a algum amigo!

Kaptain Brawe: A Brawe New World (PC)

Voltando às rapidinhas dos jogos indie no PC, o título que trago hoje é mais uma aventura gráfica point and click em 2D. Produzida pelo estúdio croata da Cateia Games, esta até que foi uma obra que me agradou, apesar da sua curta duração. O meu exemplar digital foi comprado nalgum indie bundle por uma ninharia, sinceramente já não me recordo. Mas já cá estava no meu backlog há uns bons tempos, isso é certo.

O jogo decorre num passado distópico, parecendo ter sido retirado de algum clássico do Julio Verne. Algures no século XIX, o notório cientista e inventor James Watt criou o Polar Ion Drive, uma tecnologia que catapultou a raça humana para a exploração e colonização espacial. Portanto, apesar do jogo ser de certa forma futurista, as naves e muitos dos utensílios que vamos encontrando acabam por parecer bem mais vintage. E aqui somos levados para as aventuras do Kaptain Brawe, um polícia espacial algo ingénuo que subitamente recebe um pedido de ajuda de uma nave que se despenhou num planeta ali perto. E ao tentar resgatar eventuais sobreviventes, lá vamos inadvertidamente ser arrastados para uma trama que envolve conspirações e crime organizado.

O jogo tem o seu charme, com aquele futurismo do século XIX!

As mecânicas de jogo são aquelas mais tradicionais, com o foco na exploração de cenários, e interacção com personagens e objectos, permitindo inclusivamente combinar objectos entre si no inventário, para depois os usar nas mais variadas situações. Ocasionalmente lá teremos também alguns puzzles para resolver. Nada que reinvente a roda, mas para quem gosta deste tipo de videojogos, também não é algo que incomode.

Ao longo da aventura não iremos jogar só com o Brawe, mas também com outras personagens que vamos conhecendo

A história até que está engraçada, existem algumas personagens bem carismáticas, mas no fim sabe a pouco principalmente por duas razões. A primeira é a duração da aventura, que é bastante curta, existindo inclusivamente um achievement para o terminar em menos de 3 horas. A minha segunda queixa está na falta de voice acting, todos os diálogos são apenas em texto. É uma pena, pois os gráficos até que estão muito bem detalhados e todo aquele aspecto gráfico muito “Júlio Verne” resulta mesmo muito bem. É aí que se nota que o jogo veio de um estúdio indie, embora existam muitos outros, com gráficos piores, mas com voice acting. Outra das coisas que pode chatear é mesmo o sistema de achievements internos, que não se traduz em achievements para o Steam propriamente dito.

No fim de contas, este até que é um jogo de aventura point and click bastante agradável, apesar da sua curta duração e da falta de voice acting que poderia dar muito mais charme à aventura. Mas vale bem a pena ser jogado se forem fãs do género. Estejam atentos nas próximas steam sales, pois este é um daqueles jogos que se arranjam bem baratinhos.

Infestation (PC)

Continuando pelas rapidinhas, hoje trago-vos cá mais um jogo muito interessante, desenvolvido no início da década de 90, um jogo na primeira pessoa, todo ele em 3D poligonal, cheio de ideias muito interessantes, mas a execução a deixar ainda muito a desejar. Não deixa no entanto de ser um pioneiro, tal como o Corporation da Core Design, que já foi cá trazido antes. O meu exemplar veio de um negócio que fiz na feira da Vandoma no Porto já há uns bons meses atrás. É um jogo que foi distribuído pela Portidata algures na década de 90, através da colecção budget TNT. O meu veio selado, custando-me cerca de 3.33€, pois foram 3 jogos por 10€.

Jogo em disquete com papel de instruções e caixa versão TNT

A história leva-nos para um futuro onde a raça humana é bem tecnologicamente avançada, tornando as viagens e colonização espacial uma realidade. Viajamos para a lua de Xelos, onde reside uma colónia de investigação científica, chamada Alpha II, onde a certa altura os colonos reportam uma infestação de criaturas insectóides exrtaterrestres e depois as comunicações cessaram. Nós somos um mercenário chamado Kal Solar, com a missão de explorar a colónia e exterminar a ameaça extraterrestre. Para isso, deveremos envenenar todos os ovos das criaturas com cápsulas de cianeto. Mas essa está longe de ser a única das nossas preocupações.

Estes são os ovinhos que temos de envenenar com cianeto

O jogo está cheio de grandes ideias, mas infelizmente a sua execução não é a melhor, até porque ainda havia muito a explorar neste campo. Mal aterramos em Xelos, temos de procurar a colónia subterrânea, e quando lá entramos, nunca sabemos muito bem o que fazer. Temos um fato espacial que nos consome oxigénio, mas também nos protege de zonas radioactivas, pelo que temos de ter isso em atenção e gerir recursos. A nossa arma também precisa de baterias para ser recarregada, que iremos encontrar ao longo da base. Temos um sistema labiríntico de corredores e ventilações onde tudo nos pode acontecer: Morrer asfixiados, com fome, com radiação, envenenados pelo próprio cianeto com que usamos para matar os ovos, atacados pelos robots que se ficaram na base ou extraterrestres, atropelados pelas portas a fecharem, entre muitas outras causas.

Não vale a pena perdermos muito tempo na superfície a matar insectos e a passear, até porque o oxigénio é precioso. Entrar na base é algo que deve ser feito com urgência

Temos terminais que podemos aceder e ver informações como mapas da nave, ou resolver pequenos puzzles que nos dão acesso a outras áreas. Nos primeiros terminais que temos a oportunidade de explorar ficamos a saber da triste notícia que o reactor da base está em sobreaquecimento devido ao sistema de refrigeração estar desligado. Então para além da nossa missão principal, dos poucos recursos disponíveis e de todos os perigos possíveis, temos ainda esse tempo limite para descobrir onde está o reactor, os controlos do sistema de refrigeração e evitar que tenhamos um game over mais cedo que o habitual.

O game over é a coisa mais normal no mundo se não soubermos os controlos e as mecânicas de jogo

Graficamente é também um jogo primitivo. Apesar de o mesmo ser inteiramente jogado em 3D poligonal, os gráficos são bastante simplistas, sem texturas e com modelos poligonais bastante simples. A versão Amiga leva ainda a melhor no segmento de audio, com melhores efeitos sonoros, que muito contribuem para a atmosfera hostil que nos é aqui apresentada. Isto porque esta versão DOS apenas usa o PC-Speaker para pequenos efeitos de som.

Portanto, no fim de contas, este Infestation é daqueles jogos que infelizmente pouco resistiram ao teste do tempo. Não deixa no entanto de ser um pioneiro, ao apresentar atenção a vários detalhes. Ainda está longe de ser um System Shock, mas sem dúvida que terá sido uma boa influência aos que lhe seguiram.

Diablo III / Reaper of Souls (PC)

No mundo dos PC gamers, se há jogos que são hypados até à exaustão, os da Blizzard estarão certamente nos lugares cimeiros. E depois da obra prima que foi o Diablo II, o tão ansiado terceiro capítulo da saga tinha todos os motivos para criar as maiores expectativas dentro dos fãs, pois afinal a Blizzard sempre teve uma reputação de excelência. Mas eis que após vários anos de desenvolvimento, o jogo finalmente sai em 2012 e muitos ficaram desapontados pelo always online, mesmo quando quisermos jogar sozinhos, e outras mudanças na jogabilidade, como um número inicialmente mais restrito de classes e a evolução das skills. Mas já lá vamos. Eventualmente foram sendo lançados vários patches que adicionaram mais conteúdo ao jogo, novas funcionalidades e modos de jogo, bem como a expansão Reaper of Souls. Neste artigo vou falar do Diablo III como um todo, já a contar com a sua expansão. Se entretanto sair mais alguma expansão, logo se vê. Os meus exemplares vieram ambos da Mediamarkt de Alfragide, por 20€ cada um. Vieram foi em alturas diferentes, o Diablo III foi comprado em 2014 e o Reaper of Souls em 2015, se bem me recordo.

Jogo com caixa, manual e papelada. Tudo num packaging de excelente qualidade.

A história deste Diablo III decorre 20 anos após os acontecimentos narrados no jogo anterior, onde o velho sábio Deckard Cain se encontrava na antiga catedral de Old Tristram, onde tinham decorrido os acontecimentos do primeiro Diablo, entretido a ler uns manuscritos antigos sobre umas sinistras profecias. Entretanto um meteorito rasga os céus e cai  precisamente na catedral, deixando uma cratera enorme e com zombies e outras criaturas a assolarem novamente toda a população. Nós somos mais uma vez o protagonista anónimo que chega e tenta salvar a situação, acabando por enfrentar pelo meio os lordes do inferno. A expansão Reaper of Souls decorre depois dos eventos do Diablo III e possui uma história interessante também, ao fugir um pouco aos confrontos habituais com os lordes do Inferno.

Expansão com caixa, manual e papelada. Uma vez mais tudo com excelente aspecto.

Diablo III é uma evolução sobre os anteriores, mantendo muitas das suas mecânicas de jogo base, mas também modernizando-o, aproximando Diablo de outros MMOs como o próprio World of Warcraft. Na sua essência, Diablo III é na mesma um action RPG com grande foco na acção, com a parte do loot onde vamos andar sempre à procura de equipamento melhor e mais raro, customizando-o com uma série de encantamentos ou pedras preciosas que vamos encontrando pelo caminho. Possui no entanto algumas modernizações, nomeadamente a questão do PvP (que sinceramente nem testei), ou a adopção de um sistema de skills mais streamlined, abandonando as skill trees do Diablo II, e com bem mais skills passivas do que aquilo que me lembro em jogos anteriores. O progresso no jogo é feito explorando o mapa e completando uma série de dungeons, sempre com algum boss à mistura. Temos também várias sidequests para completar, e, tal como nos MMOs, ocasionalmente lá nos aparece algum monstro bem mais forte que os outros, com a possibilidade de para além ganhar mais experiência, podermos encontrar alguns itens mais raros. É uma jogabilidade simples e viciante, que resulta logo desde o primeiro jogo.

Diablo III é um jogo loot based, onde procuramos sempre o melhor equipamento

Contudo, escrever sobre o Diablo III não deixa de ser uma tarefa um pouco ingrata, pois o jogo tem vindo a mudar ao longo das várias actualizações que tem vindo a receber. Coisas como a Auction House, onde os jogadores poderiam leiloar os itens que apanhavam na sua aventura acabaram por ser removidas. Nos primeiros patches lançados para o jogo introduziram também os Paragon levels, que basicamente permitia-nos continuar a ganhar experiência e evoluir, mesmo após atingir o nível máximo (na altura 60). Foi também adicionado muito conteúdo extra-jogo, como novas quests aleatórias e a introdução das temporadas, depois de terminarmos o jogo normalmente. Confesso que não perdi muito tempo nisso nem em jogar cooperativamente, pois é muito fácil uma pessoa ficar viciada neste jogo. Isto porque Diablo III mantém uma jogabilidade típica de um action RPG com muito loot, e nisto uma pessoa fica sempre horas a fio agarrado ao ecrã. Mesmo quando se joga sozinho! Lembro-me especialmente do Reaper of Souls, que possui mapas e/ou dungeons bem maiores, o que já me trouxe algumas chatices lá em casa: “só mais 10 minutos e já saímos amor, ainda não me apareceu nenhum checkpoint“.

Graficamente é um jogo bem detalhado, como seria de esperar. Temos um mundo medieval fantasioso e em ruínas para explorar, cheio de criaturas vindas das profundezas do inferno. Melhor que os gráficos só mesmo as cutscenes que estão alguma coisa de fantástico, nota-se perfeitamente o esforço que a Blizzard colocou no jogo e na sua apresentação. O som está igualmente excelente e recomenda-se vivamente jogar com uns bons phones ou um bom sistema de som.

Apesar de todo o hype que teve e das suas controvérsias, devo dizer que gostei bastante deste Diablo III. Só não lhe dei mais tempo e explorar toda a vertente online precisamente porque tenho um backlog gigantesco, pois o jogo é mesmo bastante viciante!

Blood Money (PC)

Bom, continuando pelas rapidinhas no PC, aproveito para trazer cá mais um daqueles jogos que comprei na feira da Vandoma há uns bons meses atrás, uns jogos para DOS ainda em disquete, em pequenas caixas de papelão, as chamadas edições TNT, que foram comercializadas em Portugal pela Portidata algures nos anos 90. E o título de hoje é um dos primeiros lançamentos da Psygnosis, um shmup não lá muito interessante, lançado originalmente nos computadores Commodore Amiga e adaptado para DOS.

Jogo em disquete, com caixa e papelada

Bom, na verdade o jogo não foi desenvolvido pela Psygnosis, pois ela apenas publicou, mas sim pela DMA Design, um modesto estúdio britânico que viria a criar, anos mais tarde, a franchise Grand Theft Auto. É também o sucessor de Menace, um outro shmup desenvolvido pela DMA antes deste Blood Money. O porquê do jogo se chamar Blood Money, ou o porquê do alien soldado na capa é um mistério. Aqui temos de explorar 4 mundos diferentes, cada qual com um veículo em específico. O primeiro mundo, mais metálico e industrial, é explorado com um helicóptero que me parece influenciado pelo jogo Mr. Heli. O segundo é o típico nível subaquático onde enfrentamos medusas e outras criaturas marítimas, controlando um submarino. O terceiro mundo, um mundo gelado, é explorado por alguém num fato espacial e o último, o mundo de fogo, num avião a jacto mais tradicional neste tipo de shmups.

Qualquer semelhança com Star Wars é mera coincidência

Ao contrário dos outros shooters da época, cada nível é gigante, onde teremos de defrontar dezenas de inimigos, esquivar de obstáculos e defrontar um boss no final. Por cada inimigo destruído, larga uma moeda que devemos tentar apanhar. Isto porque iremos passar por várias lojas ao longo de cada nível, onde poderemos gastar o dinheiro amealhado em diversos upgrades ou vidas extra. Os upgrades passam por  obter mísseis disparados em diferentes direcções, bombas que são disparadas em arco, ou upgrades das armas que já temos. A boa notícia é que quando mudamos de nível e consequentemente de veículo, herdamos na mesma os upgrades comprados.

Ao destruir os inimigos somos recompensados com dinheiro que pode ser usado para comprar upgrades

Graficamente não acho este jogo nada de especial. A versão Commodore Amiga é bastante superior, tanto a nível gráfico, por apresentar cores mais vivas e um framerate mais sólido, bem como no som. Os efeitos sonoros são em PC-Speaker, ao contrário da música de qualidade midi no Amiga. No entanto, diga-se de passagem que mesmo no Amiga não acho muita piada à única música do jogo. Mas pronto, pelos efeitos sonoros, vozes digitalizadas, melhores gráficos e performance, a versão Amiga acaba por levar de longe a melhor.