Bone – Episodes I and II (PC)

Após o Texas Hold’Em, um interessante jogo de poker, porém bastante simplista, a Telltale Games abordou o tema pela qual é mais conhecida, os jogos de aventura! A primeira franchise escolhida foi a Bone, originalmente do mundo da banda desenhada. Este Bone: Out from Boneville, para além de ser uma adaptação do primeiro livro de mesmo nome, foi também o primeiro jogo da Telltale a ser lançado por episódios. O primeiro episódio foi lançado originalmente em Setembro de 2005, com o segundo a chegar às lojas apenas no ano seguinte, em Abril. Esta rapidinha vai compreender ambos os episódios, cujos entraram na minha biblioteca do Steam algures durante este ano, num dos vários Humble Bundles, por uma bagatela.

A narrativa segue a história de 3 estranhas criaturas, os primos Bones, cuja personagem principal é o Fone Bone, o mais sensato dos 3. Os Bones estavam a fugir da sua cidade natal devido aos esquemas manhosos do Phoney Bone, quando se perdem no deserto e acabam por entrar num vale misterioso com criaturas estranhas e um dragão. Ao explorar o vale vão se encontrar com a jovem Thorn e a história vai-se desenrolando, com uma conspiração a ser cozinhada por trás, que envolve misteriosas criaturas e um dragão que ocasionalmente nos ajuda na aventura.

É uma pena que a Telltale não tenha continuado com a série, pois a história começava a ficar interessante

As mecânicas de jogo são as tradicionais de um point and click, com alguns puzzles “a sério” e vários mini-jogos à mistura. Por exemplo, num dos puzzles teremos de encaixar um certo número de objectos numa caravana, noutro temos de guiar um insect a saltar de pedra em pedra até atravessar um rio. Os puzzles e mini-jogos são bastante frequentes, acabando por servir de quebra da repetitivade natural das mecânicas dos point and click.

No festival teremos vários minijogos para experimentar

De resto, este primeiro episódio não o achei muito bom sinceramente. As personagens não eram muito cativantes, mas no segundo episódio, “The Great Cow Race”, a narrativa já melhora, a história já possui momentos bem mais interessantes e é pena que a Telltale se tenha deixado ficar apenas por estes dois episódios. Pelos vistos a receptividade do público não foi a melhor, pelo que um eventual terceiro episódio para dar continuidade à história nunca foi em frente. É pena pois a série termina numa altura em que já me estava a cativar e fiquei com vontade de ver o desenrolar das coisas. É um dos “perigos” deste modelo por episódios, mas felizmente a Telltales tem vindo a fazer um trabalho interessante noutras séries, pelo que o risco de termos mais jogos cancelados a meio acaba por ser mais reduzido.

A nível audiovisual, estes dois Bones são também jogos ainda algo modestos. Os gráficos são num 3D não muito detalhado, mas o voice acting não está mau de todo, e o mesmo pode ser dito da banda sonora. É uma pena que não tenham dado continuidade à série, pois melhoraram substancialmente do primeiro episódio para o segundo!

Texas Hold’Em (PC)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá vos trago agora é nada mais nada menos que o primeiro jogo lançado pela Telltale Games, aquele estúdio que é um dos maiores entusiastas dos jogos de aventura neste milénio. E o meu espanto foi tanto que o seu primeiro jogo, tal como o nome indica, é um mero jogo de Poker, na sua variante Texas Hold ‘Em. O meu exemplar digital foi comprado num dos vários humble bundles por uma bagatela.

Bom, e como o seu nome indica, aqui podemos jogar o Texas Hold’Em, uma variante do poker onde começamos o jogo com 2 cartas na mão, e saindo depois uma pool de 3 a 5 cartas para a mesa, usadas por todos os jogadores que estão ainda em jogo. Depois é um jogo de apostas e bluffs, onde nem sempre quem tem as melhores cartas vence.

A piada do jogo está apenas nos diálogos que as personagens vão tendo durante as partidas

O que tem este jogo de diferente? Bom, jogamos contra um conjunto pré-determinado de personagens, onde podemos incluir um pequeno tutorial para quem não conhecer as regras do jogo. A parte engraçada é que as personagens, que possuem um design algo cómico, vão falando entre si durante o jogo, mantendo a partida sempre bem humorada. Gosto particularmente dos gostos musicais da avozinha, que ouve Beethoven, Mozart, Bach e o Reign in Blood de Slayer durante as festas. Fora isso, é um jogo de poker normal. Eu não sou grande jogador, mas consegui vencer um torneio logo à primeira, pelo que a inteligência artificial não deve ser grande coisa.

Sam and Max Season One (PC)

A dupla Sam & Max, que depois do excelente Hit the Road! desenvolvido pela LucasArts, entrou num infeliz e prolongado interregno que durou toda a restante década de 90 e acentuou-se com o cancelamento do Freelance Police por parte da Lucasarts em 2004. Felizmente a Telltale pegou na franchise e o primeiro videojogo que lançaram saiu num formato episódico, tal como muitos outros jogos do estúdio. A primeira temporada, também intitulada de “Save the World”, acabou por sair em formato físico para o PC (e Wii também). A minha versão foi comprada na Mediamarkt de Alfragide há uns anos atrás, pela módica quantia de 2.95€.

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa. Esta versão traz também uma série de conteúdo bónus em disco.

Esta aventura leva-nos a resolver uma série de casos que à primeira vista não parecem muito ligados entre si, mas vão fazendo parte de uma trama com uma conspiração em crescendo. A história começa com a dupla a receber finalmente um caso policial, de forma a investigar uns distúrbios causados por 3 anões, outrora estrelas infantis de uma sitcom dos anos 70. Ora os irmãos estavam sim sobre efeito de hipnose, algo que vai escalando de episódio para episódio, onde a hipnose e a manipulação da vontade das pessoas fica sempre em destaque. A conspiração cresce de tal forma que Sam e Max têm inclusivamente de derrubar o governo americano! Desculpem lá o pequeno spoiler.

Ao longo do jogo vamo-nos envolvendo em situações cada vez mais ridículas. A certa altura temos de infiltrar na máfia dos brinquedos e no seu casino!

O jogo está repleto de personagens que vão marcando presença ao longo dos vários episódios, onde para além dos 3 anões com personalidades muito distintas, conseguimos também destacar o Bosco, dono cada vez mais paranóico da loja de (in)conveniência próxima do escritório dos detectives. Ou o caso do Jimmy, o rato manhoso que vive com a dupla de heróis, o presidente banana norte americano (que na altura me pareceu uma sátira a George Bush), entre outros. Os próprios Sam e Max mantêm-se iguais a si próprios, com Sam a ter uma identidade mais pacifista e racional, no entanto sem grandes problemas para usar a violência como solução. Já o Max é aquele coelho completamente doido e homicida!

As mecânicas de jogo são as simples de um jogo de aventura point and click, onde vamos ter de dialogar com as personagens que nos rodeiam, interagir com objectos, apanhar itens e usá-los noutros locais, o costume! Mas outra particularidade interessante deste jogo está na possibilidade de podermos conduzir pelas estradas com o nosso DeSoto. Na verdade teremos de fazer isto muitas vezes para progredir na história, seja participar em perseguições policiais, ou mesmo a situação altamente cómica em disparar sobre o farolim traseiro de um condutor completamente inocente, mandá-lo parar, e multá-lo por isso mesmo.

Bosco, cada vez mais paranóico e com geringonças cada vez mais caras para comprar

Felizmente o jogo está repleto de personagens bastante carismáticas e muitas vezes nos vemos em situações muito cómicas, como quando participamos num programa como Juri num programa como os Ídolos, ou a campanha eleitoral com o próprio Abraham Lincoln. Muitas vezes, nos diálogos, só nos dá vontade de dar aquelas respostas que estão nitidamente erradas só para ver quais vão ser as respostas ou o que se vai desenrolar a seguir.

A nível audiovisual é um jogo algo competente para a época. Sinceramente prefiro de longe os visuais inteiramente 2D com aquelas animações e gráficos em pixel art deliciosos, mas aqui apesar das personagens e cenários estarem representados em 3D, pouco realmente muda: não há um controlo de câmara, mas a mesma vai sendo mais dinâmica, seguindo-nos às voltas pelas salas e ruas que exploramos. Os cenários em si estão bem representados, fazendo-me lembrar na mesma o estilo doido de alguns cartoons como Ren & Stimpy. Em relação aos voice actings acho que estão bem conseguidos, e as músicas vão sendo na sua maioria mais ambientais, o que vai resultando bem com a mood agradável que Sam & Max nos tenta passar.

Os diálogos são tão bons que me dá vontade de falhar de propósito só para ver todas as reacções!

Em suma, embora não seja um jogo tão bom ou bonito quanto o Hit the Road, este tão esperado regresso de Sam & Max foi mesmo muito benvindo. A Telltale acabou por fazer um bom trabalho, mantendo o mesmo tipo de humor e boa disposição ao longo de todo o jogo. Tal como referido acima, só mesmo o facto de não ser em 2D como o clássico não me agradou tanto. Mesmo o facto de ter sido lançado de forma episódica não me pareceu mal de todo, pois os diferentes episódios encadeiam bem uns nos outros.

Star Wars Rebel Assault I + II (PC)

Voltando aos artigos, hoje trago cá 2 rapidinhas em uma, até porque ambos os jogos vieram numa única compilação no steam. A mini série Star Wars Rebel Assault consiste em dois jogos em full motion video, que infelizmente envelheceram muito mal, principalmente o primeiro, que até teve um lançamento para a Mega CD. O meu exemplar digital veio de um dos vários humble bundles, desta vez relacionados com a saga Star Wars e que acabou por ser comprado a um preço muito reduzido como é habitual.

O primeiro Rebel Assault coloca-nos no papel do Rookie One, também de Tatooine, como um recruta da Aliança Rebelde, que começa por treinar navegar uma nave espacial nos desertos de Tatooine, enveredando depois por vários cenários dos filmes Episode IV e a batalha de Hoth, do Empire Strikes Back. A maior parte das missões consistem em missões de pilotagem e shooting, onde os controlos acabam por arruinar bastante a experiência. Isto porque usamos as mesmas teclas para controlar a nave e a mira, o que muitas vezes resulta em não acertarmos nos alvos ou levarmos dano. Não sei o que se passa, mas para mim jogar com o teclado ou rato foi algo completamente impossível. Não sei se por falta de sensibilidade ou por simplesmente serem limitações do emulador dosbox, mas vamos morrer muitas, muitas vezes. Felizmente temos uma barra de energia que se vai regenerando com o tempo, mas com os péssimos controlos vamos morrer muito mais vezes que o suposto. Talvez com um joystick a coisa melhore!

Boa sorte para passar logo a primeira missão!

O primeiro Rebel Assault, datado de 1993, possui videos com gráficos 3D pré-renderizados, ao invés de usar actores reais como muitos outros jogos de Aventura de full motion video que lhe seguiram no decorrer dos anos. Infelizmente a codificação dos videos é muito pobre, com poucas cores e baixíssima resolução, resultando numa imagem muito pixelizada. Parece que estamos a jogar um título de Mega CD, mas infelizmente pelo que vi essa versão ficou ainda pior.

Felizmente ao menos nas missões com uma perspectiva de primeira pessoa, os alvos são assinanalados individualmente

Em 1995 é lançada a sequela, com o subtítulo de “The Hidden Empire”. Desta vez a história já segue outros eventos não narrados nos filmes, onde mais uma vez nos vemos a encarnar no papel de um Rookie One, ao longo de várias missões. Aqui os eventos decorrem algures depois da destruição da primeira Death Star, onde o Império desenvolveu uma frota de naves capazes de se tornarem invisíveis e passam completamente despercebidas às naves rebeldes. Como Rookie One, vamos participar em várias missões que irão levar à destruição dessa frota e das instalações onde as mesmas são criadas.

O segundo Rebel Assault possui uma qualidade de imagem muito superior, mas a jogabilidade infelizmente é semelhante

Graficamente, é um jogo mais bonito na medida em que desta vez usaram filmagens com actores reais, as únicas partes com gráficos prérenderizados acontecem nas cenas de combates espaciais. Infelizmente a jogabilidade mantém-se idêntica… De resto, tanto um título como a sua sequela possuem óptimos voice acting e banda sonora como seria de esperar, até porque esta última é retirada directamente dos filmes, pelo que sabem bem com o que contar.

Sam and Max: Hit the Road (PC)

Voltando aos jogos de aventura gráfica do género point and click, há ainda uns quantos daqueles que são considerados grandes clássicos no género que eu nunca tinha ainda jogado e a série Sam and Max era uma delas. Até que chegou ao dia, há coisa de uns 2 ou 3 meses atrás, que vários clássicos da LucasArts estavam em promoção no GOG.com. Escolhi alguns seleccionados a dedo, paguei um preço muito reduzido, e lá comecei as aventuras dos “Freelancer Police” da dupla antropormófica Sam e Max. Edit: Recentemente comprei também na vinted uma compilação que traz nada mais nada menos que 10 aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, incluindo uma versão DOS deste mesmo jogo! É um lançamento exclusivo do mercado holandês (apesar de os jogos em si estarem em inglês). É também apenas a jewel case de um pacote maior em big box, mas mesmo assim achei que seria uma boa compra visto todos estes jogos da Lucasarts terem preços proibitivos actualmente.

Compilação com muitas aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, exclusiva para o mercado holandês. Infelizmente, tirando o Sam and Max que é o único jogo do segundo CD, todas as outras versões aqui disponíveis parecem ser as de disquete.

Essa dupla teve as suas raízes na banda desenhada, algures na segunda metade da década de 80. Os protagonistas são dois investigadores privados que vão resolvendo vários mistérios e crimes, mas de uma forma bem cómica e ironicamente sem grande respeito pela lei, acabando por causar ainda mais confusão. Ora é uma premissa perfeita para os jogos de aventura point and click bem humorados que a LucasArts produziu na década de 90. Aqui a dupla de investigadores é chamada a uma feira popular (daquelas com divertimentos) para investigar o desaparecimento de um Bigfoot gelado e de uma performer muito caricata por ter o pescoço mais comprido do mundo. Ora quem os recebe são os donos da feira popular, uns irmãos siameses unidos pelas costas e com personalidades completamente distintas entre si, o que dá para antever logo muita bizarrice e algum humor negro, o que eu aprecio bastante. Depois lá iremos visitar vários locais turísticos no interior dos Estados Unidos, para obter novas pistas e encontrar o paradeiro do Bigfoot desaparecido e da “mulher girafa”. Locais como o “maior novelo de linha do mundo”, ou um parque jurássico com robots enferrujados ou com pessoas a fazer bungee jumping em elásticos verdes a partir dos narizes dos presidentes americanos do Mount Rushmore, são apenas alguns dos locais que teremos de explorar.

À medida que vamos progredindo na história, desbloqueamos novas localizações para explorar

A jogabilidade é simples na sua essência, onde tal como na maioria dos videojogos deste género teremos de dialogar com as personagens que nos vão aparecendo, explorar os cenários, interagir com/e apanhar objectos, muitas vezes misturando-os no inventário. A maneira como vamos alternando estas acções consiste em mudar o tipo de cursor do rato. Mudando para um olho, podemos observar e comentar sobre outros NPCs e objectos do cenário ou inventário, ao mudar o cursor para uma boca permite-nos dialogar, existindo outros cursores para agarrar objectos, mover para determinado sítio entre outros, como o cursor do Max, que faz com que o Sam peça ao Max para fazer qualquer coisa, geralmente andar à porrada com alguém. Os diálogos são também tidos em conversas por tópicos, cujos tópicos estão também marcados com diferentes ícones. De resto, a aventura possui ainda uns quantos mini-jogos pela frente. Alguns obrigatórios para a progressão na história, como um Whack-a-Mole lá no parque de diversões, outros completamente opcionais, como uma variante do jogo de tabuleiro da Batalha Naval.

Logo pela cutscene introdutória, dá para entender que esta vai ser uma aventura muito especial

A nível técnico é um jogo excelente, tal como seria de esperar. Os gráficos são extremamente bem detalhados e animados, especialmente para quem gostar de pixel art. Os cenários são também bastante variados, atravessando os Estados Unidos de uma ponta à outra, sempre com boa disposição à mistura. O voice acting também é bastante agradável, assim como as músicas que possuem sempre um feeling muito jazzy, bem característico de filmes policiais, mas também com aquele toque de bizarrismo mais carismático de séries de animação.

Temos também vários minijogos para participar. Alguns são obrigatórios para progredir na história, como este.

No fim de contas é um jogo que considero um grande clássico da época. Tenho muita pena em não o ter jogado há mais tempo e sem dúvida que assim que me aparecer uma versão física à frente a um bom preço não vou perdoar! Infelizmente o segundo jogo da saga que seria desenvolvido pela LucasArts acabou por ser cancelado, e a licença da série em videojogos apenas passou de mãos para a Telltale já muitos anos depois. Em breve irei jogá-los!