Leisure Suit Larry: In the Land of the Lounge Lizards (PC)

Depois de ter cá trazido o Softporn Adventure, não resisti em voltar a jogar o primeiro Leisure Suit Larry novamente. Já tinha jogado a sua versão original há muitos anos atrás, mas por acaso nunca tinha experimentado o seu primeiro remake, lançado originalmente em 1991 num novo motor gráfico em VGA. Ambas as versões vieram incluidas na compilação Leisure Suit Larry’s Greatest Hits and Misses cujo meu exemplar foi comprado digitalmente no GOG.com algures em 2013 por menos de 2.5€.

Ora e aqui temos então a primeira aventura de Larry, um “jovem” de 38/40 anos, dependendo da versão em questão, e virgem. Desesperado por perder a sua virgindade, decide passar uma noite na cidade de Lost Wages, uma paródia de Las Vegas, sendo que se não conseguir perder a virgindade até ao início do dia, Larry irá-se suicidar. E isto de facto é um cenário possível de acontecer, pois na versão original poderemos consultar as horas e se amanhecer sem Larry perder a sua virgindade, ele dá um tiro na cabeça (agora onde é que ele foi buscar aquela pistola que tinha dado tanto jeito??). Se requesitarmos os serviços de uma prostituta que encontramos cedo no jogo, o relógio pára de contar e podemos pelo menos prevenir essa morte (assumindo que tenhamos feito sexo seguro e deitado fora o persevativo depois do acto). Tal como no Softporn Adventure, o jogo possui mais ou menos a mesma história, os mesmos locais para visitar e puzzles para resolver. Isto inclui portanto o bar manhoso com uma prostituta no primeiro andar, uma discoteca, casino com hotel (onde poderemos inclusivamente jogar em slot machines ou blackjack para ir amealhando algum dinheiro), uma capela de casamentos rápidos ou uma loja de conveniência. Ora no Softporn Adventure o nosso movimento estava restrito às direcções que nos eram indicadas no texto, aqui podemos mover Larry livremente, quer recorrendo às teclas do teclado, quer recorrendo ao rato ao clicar nos locais onde queremos levar Larry. Mas se tentarmos sair fora das zonas que podemos visitar, coisas más acontecem, pelo que teremos de usar na mesma o serviço de táxis para nos deslocarmos entre os vários locais.

Apesar de visualmente menos apelativos, sempre gostei do charme destes gráficos pixel art

Na versão original de Larry, que usa o velhinho motor gráfico AGI (adventure game interpreter), todas as acções para além do movimento, devem ser indicadas através de palavras chave, tal como nas aventuras de texto da velha guarda. Frases como OPEN DOOR, LOOK GIRL, TAKE/GIVE OBJECT e por aí fora. Já o remake usava o novo motor gráfico SCI (Sierra’s Creative Interpreter), com visuais bem mais coloridos e uma interface 100% controlada pelo rato, através de ícones distintos que representam movimento, observar, tocar, falar, cheirar/provar ou mesmo um ícone para desapertar as calças. Portanto esta nova engine já é um verdadeiro point and click. Também podemos consultar o inventário e usar várias destas acções, incluindo seleccionar um objecto para usar no jogo em si, com um cursor próprio. Ocasionalmente poderemos ter de escrever algo no teclado também, mas o grosso das acções são mesmo usadas representando o rato. A primeira versão possui ainda alguns extras interessantes, como uma espécie de “ecrãs de pânico” com bom humor, mostrando uma calculadora com a simples operação de 2+2, ou gráficos e estatísticas genéricas, possivelmente para esconder o jogo dos patrões ou familiares.

Ao longo de toda a aventura iremos presenciar imensas situações caricatas

A nível audiovisual, ambas as versões são bastante distintas. O lançamento original, usa gráficos EGA, que são bastante limitados na sua resolução ou número de cores em simultâneo no ecrã, enquanto o primeiro remake já suporta sistemas VGA, com gráficos bem mais coloridos e detalhados, bem como mais música e efeitos sonoros no geral. Apesar deste remake ser em dúvida o jogo mais bonito dos dois, acho que acabo por prefirir o feeling do pixel art do original, em detrimento aos gráficos mais coloridos e cartoon do remake. Já no som, é inegável que a versão VGA é também superior, embora o tema título do jogo seja incrivelmente viciante na sua encarnação original também!

A versão VGA mantém a mesma história, mas com gráficos bem mais coloridos e melhores músicas e som

Portanto este primeiro Leisure Suit Larry é um jogo super divertido, repleto de bom humor e alguns puzzles simples, mas interessantes! É certo que a história é uma adaptação do Softporn Adventure, mas poucas foram as pessoas que o jogaram comparando com os Larries. Fiquei com vontade de ir jogando os restantes jogos da série, pelo que esperem por mais alguns artigos em breve. Convém também referir que esta primeira aventura de Larry recebeu um outro remake bem mais recente, lançado em 2018. A ver se o apanho em promoção um dia destes!

Softporn Adventure (PC)

Vamos para uma rapidinha aquela que é a primeira aventura de texto que cá trago no blogue. Apesar de gostar de jogos de aventura, confesso que nunca perdi muito tempo em aventuras de texto precisamente por serem demasiado simples visualmente mas é inegável a sua importância para os jogos de aventura modernos. Este Softporn Adventure, publicado pela empresa que mais tarde se viria a chamar de Sierra Online, responsável pelo lançamento de inúmeros clássicos como King’s Quest, Leisure Suit Larry ou mesmo a série Phantasmagoria, foi lançado originalmente em 1981 para o sistema Apple II. Aliás, o primeiro Leisure Suit Larry é na verdade um remake deste Softporn Adventure, mas para o novo engine de aventuras gráficas que a Sierra tinha desenvolvido com o lançamento de séries como King’s Quest, Space Quest ou Police Quest. Eventualmente este Softporn Adventure recebeu uma conversão para MS-DOS que acabou também por ser incluida na compilação Leisure Suit Larry’s Greatest Hits and Misses em 1994. E foi precisamente essa compilação que comprei no GOG.com, tendo-me custado 2,49€ algures em 2013. O Softporn Adventure foi desbloqueado para todos os donos da compilação no GOG.com algum tempo depois.

Curiosamente, as 3 mulheres da capa eram funcionárias da Sierra, incluindo a sua fundadora Roberta Williams, à direita

Portanto, para quem já tinha terminado o primeiro Leisure Suit Larry há uns valentes anos atrás, ler de novo practicamente a mesma história não foi uma grande surpresa. Basicamente a personagem que encarnamos (ainda anónima neste primeiro jogo), passa uma noite em Las Vegas, onde o nosso objectivo é o de engatar 3 mulheres até ao final da noite. Começamos a aventura num bar muito manhoso com uma prostituta no andar de cima. Após pagar 2000 dólares ao pimp, lá podemos dar uma voltinha. Mas hey, se não usarmos protecção chegamos apanhamos uma DST e é game over. Portanto, também como habitual em muitos point and clicks da Sierra nas décadas de 80 e 90, teremos muitas situações de vida ou morte caso tomemos uma decisão errada, pelo que é boa ideia ir gravando o nosso progresso em saves diferentes. Portanto lá teremos de explorar outras áreas do jogo como uma discoteca, um casino ou um hotel, observando tudo à nossa volta e ir coleccionando alguns itens que nos irão ajudar a progredir no jogo. Teremos muito backtracking para fazer se quisermos pontuar com as 3 mulheres! E dinheiro, vamos precisar de muito dinheiro, apesar de começarmos a aventura com 2500 dólares no bolso. Para viajar entre áreas temos de apanhar um táxi onde cada viagem custa 100 dólares, e ocasionalmente teremos muitas outras despesas pela frente, pelo que teremos de ir ao casino e tentar ganhar dinheiro, seja ao jogar em slot machines ou black jack. Este último é o que compensa mais, mas convém irmos gravando o progresso sempre que ganhamos alguma coisa.

O jogo possui um dicionário de vários verbos, mas nem todos são conhecidos.

De resto a nível de mecânicas de jogo propriamente ditas, temos de ler atentamente os textos que nos são apresentados sempre que entramos numa nova localização ou interagimos com alguém. No topo do ecrã temos a indicação da localização onde estamos no momento, o que está à nossa vista (objectos e pessoas) bem como as direcções onde por poderemos. Todas as acções são dadas através de comandos como “LOOK GIRL”, “TAKE <OBJECT> “, “GIVE <OBJECT>” e por aí fora. Temos um inventário de itens que poderemos carregar e depois de interagir com outros objectos ou pessoas temos de estar atentos à parte superior do ecrã, pois poderemos ter novos itens para inspeccionar ou usar.

De resto, a nível audiovisual é um jogo bastante simples, pois tudo é texto. Existem algumas text adventures que vão tendo algumas imagens estáticas a acompanhar a aventura, mas ainda não era o caso desta, esta é mesmo old school. Nem música ou efeitos sonoros há, também se houvesse seria tudo em pc speaker certamente. Portanto este Softporn Adventure acaba por ser um memento interessante, principalmente para os fãs de Leisure Suit Larry, que por acaso é série que recomecei a jogar, pelo que esperem por alguns artigos da mesma em breve.

Dead Space 3 (PC)

Já há vários anos que tinha em mente pegar no Dead Space 3, mas o meu velhinho laptop já não se aguenta a correr algo que puxe minimamente pela máquina pelo que acabou por ficar sempre em standby assim como a maioria dos jogos menos modestos que tenho no PC. Nos finais de Novembro montei uma máquina nova, pelo que já poderei retomar o meu longo backlog. Mas entretanto também tenho aproveitado esta fase mais calma da minha vida para ir despachando algum backlog noutras consolas, portanto vamos lá a ver como vou gerir isto daqui para a frente. O meu exemplar foi comprado já há vários anos atrás, sinceramente não sei precisar quando, mas lembro-me que foi numa Worten e custou 5€…. bons tempos onde se ainda arranjavam muitos jogos de PC em formato físico e baratinhos!

Jogo com caixa e papelada

O jogo decorre algum tempo após os acontecimentos do Dead Space 2, onde Isaac Clarke nunca recuperou bem das suas experiências traumáticas anteriores. Entretanto os unitologistas, a facção religiosa extremista que apoiava as experiências com os Markers continuava a combater o governo para levar a sua avante e aparentemente já estariam mesmo perto da vitória absoluta. Clarke acaba por ser forçado pelo último esquadrão militar do Governo a viajar até ao planeta longínquo de Tau Volantis, onde acreditam ser a origem de todos os markers, para eliminar essa ameaça de uma vez por todas. Acontece que já lá estiveram humanos, há 200 anos atrás, a investigar precisamente isso, algo que podemos jogar brevemente no prólogo, e as primeiras áreas que acabamos por explorar, assim que Clarke escapa da sua casa, são precisamente as estações espaciais militares abandonadas, que orbitam Tau Volantis.

Felizmente que temos um “previously on Dead Space” que resume os eventos passados. Eu já não me lembrava!

Nestes primeiros níveis, a jogabilidade é muito semelhante aos Dead Space anteriores, onde vamos explorando naves gigantescas, com alguns passeios espaciais em zonas de gravidade zero, tudo numa atmosfera bastante escura e tensa. Eventualmente lá aterramos no planeta de Tau Volantis e aí, para além de explorar um pouco os seus exteriores gelados, também iremos explorar as bases militares e científicas em ruínas, 200 anos após do desastre que ali houve. Os necromorphs estão de regresso, bem com também termos alguns inimigos humanos para combater ocasionalmente, nomeadamente soldados da facção unitologista. Mas em Tau Volantis, veremos muitas novas criaturas. Os humanos que por lá estavam estão mortos há 200 anos, em elevado estado de decomposição ou mumificação, pelo que quando são transformados em necromorphs o seu aspecto é ainda mais decrépito. Teremos então uma série de novas criaturas para enfrentar, inclusivamente alguns necromorphs alienígenas, fruto da antiga civilização que habitava esse planeta.

O inventário, objectivose logs que tenhamos encontrado continuam a ser projectados holograficamente

Apesar deste jogo ser um pouco mais focado na acção, pois teremos muitos mais momentos de tiroteios intensos, com várias vagas de necromorphs a surgirem pelas condutas, ou simplesmente disparados do gelo, quando estamos a explorar os exteriores. Ainda assim, mantém muitas das mecânicas de jogo dos lançamentos originais, nomeadamente as estratégias de apontar para os membros dos necromorphs em vez do tronco ou cabeça, o uso de stasis para os abrandar ou de telequinese para manipular objectos, incluindo os seus membros afiados, para serem disparados e usados como arma a nosso favor. Ocasionalmente também teremos de resolver alguns puzzles, muitas vezes com recurso ao módulo de stasis para abrandar maquinaria pesada, ou mais alguns hacking games para desbloquear acessos, estes que vêm agora em múltiplos sabores. Mas a grande novidade nas mecânicas de jogo está, a meu ver, na maior customização de armas. Agora poderemos coleccionar uma série de recursos básicos e com esses poderemos comprar armaduras e medkits, mas também criar armas novas e customizá-las completamente, ao incutir diferentes modos de disparo, entre outros. Como poderemos carregar apenas com 2 armas em simultâneo, é importante que, ao longo do jogo construímos 2 armas bastante dinâmicas e que nos safem em momentos mais apertados.

Os passeios espaciais continuam lindíssimos

Para além disto, ao longo do jogo vamos ter a oportunidade de participar nalgumas missões secundárias, que tipicamente nos dão algumas recompensas extra, para além de complementarem a história que está por detrás dos acontecimentos narrados no jogo. Para além dessas missões secundárias, teremos também a possibilidade de, a certos pontos no jogo, de jogar outras missões secundárias, mas desta vez em co-op. Confesso que não cheguei a experimentar isto, até porque os meus amigos na minha conta origin têm estado sempre offline e não lhes ia pedir agora para rejogarem um jogo de 2013 comigo… De resto, o jogo possui também vários DLCs, incluindo a expansão Awakened, que desta vez está disponível também nos PCs, mas eu não a tenho, pelo que não me vou alongar no tema.

Temos agora um forte sistema de crafting para criar e customizar novas armas

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente acho que estes continuam bem detalhados. Apesar de termos secções no jogo que decorrem na Lua, outras em naves espaciais à órbita de Tau Volantis e outras já no próprio planeta, estes cenários distintos possuem todos a mesma matriz de identidade típica dos jogos deste universo. Nada a apontar nesse campo, tal como nos jogos anteriores. As naves espaciais estão bem detalhadas, passear em gravidade zero continua a ser super excitante as ruínas de Tau Volantis, 200 anos depois, estão decrépitas e cheias de pequenos detalhes que ilustram a insanidade dos seus antigos ocupantes. Os necromorphs, tal como já referi inicialmente, estão ainda mais decrépitos visto a sua maior parte serem de corpos humanos mortos há mais de 200 anos, ou outros que se mantiveram “vivos”, mas estão de tal forma subnutridos que são super frágeis. Embora aqui tenhamos muitos mais momentos de acção pura a atmosfera é, geralmente, bastante tensa e escura, tal como tinha sido habituado nos jogos anteriores. O som é excelente e contribui imenso para essa atmosfera de horror. Já o voice acting, nada a apontar, é bastante competente.

apesar de possuir mais momentos de acção, a atmosfera continua bastante aterradora

Portanto este é um jogo sólido, embora sinceramente continue a preferir de longe o Dead Space original, por toda a atmosfera aterrorizadora que nos introduziu, e todas as mecânicas de jogo originais, que continuam aqui presentes. Aqui temos um maior foco na acção em certas alturas, e exploraram bastante um sistema de crafting que nos obriga ainda mais a racionar certos recursos que poderão ser mais úteis para outras coisas, como criar medkits, munições ou stasis packs. Infelizmente o jogo não vendeu tão bem quanto a EA esperava, pelo que o estúdio da Visceral Games foi desmantelado e a série permanece em stand by desde 2013. A Electronic Arts é assim mesmo…

Sakura Gamer 2 (PC)

Por fim, chegou a altura de escrever a última rapidinha de visual novels da Winged Cloud, pelo menos por uns tempos. O último título que tenho até à data é precisamente este Sakura Gamer 2, uma continuação da história introduzida no primeiro jogo. Tal como todos os restantes, no entanto, a minha cópia digital foi comprada num bundle a um preço bem agradável.

A história segue então as mesmas personagens do jogo anterior, que tiveram algum sucesso comercial ao produzirem e comercializarem a sua primeira Visual Novel. Neste jogo planeiam produzir uma sequela, mesmo a tempo de ser anunciada na próxima grande convenção manga/anime lá da zona, mas ao contrário do jogo anterior, aqui o foco está mais na fase de apresentação do jogo, não da sua produção, ao incidir um pouco mais na backstory de algumas personagens. Nada do outro mundo, no entanto.

A Kurumi é a única personagem nova introduzida aqui

A nível audiovisual, segue uma vez mais as linhas do primeiro jogo, embora este tenha um pouco mais de variedade de backgrounds. As personagens possuem o mesmo design e uma vez mais não existe qualquer voice acting. As músicas pareceram-me ser também practicamente as mesmas e, apesar de não haver nada de mau nas mesmas, também não são propriamente memoráveis.

Sakura Fox Adventure (PC)

Para não variar, mais uma rapidinha da série Sakura. E depois da trilogia Sakura MMO, que apesar de não ser nada de especial, até me agradou minimamente pela sua história original, a Winged Cloud voltou a produzir um jogo que tem practicamente zero esforço da sua parte. O meu exemplar, tal como todos os outros, veio de um bundle comprado no mês passado a um preço bem razoável.

A história segue as aventuras de uma rapariga-raposa, típicas do folclore japonês, a fugir da sua aldeia e aventurar-se por uma aldeia humana, numa altura de festividades. Acontece que ambas as raças não se toleram entre si e quando a protagonista perde o seu disfarce, vê-se atacada pelos aldeões e acaba por ser resgatada por uma outra rapariga. A partir daí a história vai-se desenrolando, sempre de forma algo superficial e naturalmente um romance também se vai desenvolvendo. É também um jogo curto e com poucas escolhas que teremos de fazer pelo caminho.

Como habitual, as protagonistas são femininas e sempre com grandes atributos

No que diz respeito à parte técnica, nada a apontar aos visuais, as personagens estão bem desenhadas e os cenários também, apesar de não haver grande variedade nos mesmos. Uma vez mais não temos voice acting, infelizmente. As músicas são agradáveis, com algumas influências folclóricas do Japão.