The Nightmare Before Christmas: The Pumpkin King (Nintendo Game Boy Advance)

Vamos agora voltar à portátil da Nintendo Game Boy Advance para mais um jogo que passou despercebido a muita gente, eu inclusive, até me ter sido recomendado por um amigo, que acabou mais tarde por me vender um cartucho do mesmo jogo. É que para além deste ser um dos videojogos baseados no universo de um dos mais aclamados filmes do Tim Burton, é também um metroidvania! Sim, leram bem, um metroidvania.

Cartucho solto

Este The Pumpkin King é na verdade uma prequela do filme, contando a história em como Jack Skellington conheceu o seu arqui-inimigo, Oogie-Boogie. Este último, invejoso por Jack ser a criatura mais temível da vila do Halloween, decide raptá-lo. Mas os seus minions acabam antes por raptar Sally, uma jovem rapariga recém-criada pelo Dr. Filkenstein lá do sítio. Ainda assim, Oogie-Boogie, o “rei dos insectos” decide libertar uma praga de insectos pela vila, o que acaba por semear o caos pelos seus residentes. Lá teremos de os ajudar, localizar e derrotar o vilão para no fim também salvar Sally.

No início e fim do jogo temos direito a cut-scenes destas com uma arte mais detalhada

E este é então um jogo de plataformas onde um botão salta e o outro ataca. É também no entanto um metroidvania na medida em que a exploração é completamente não-linear, obrigando-nos a revisitar áreas assim que tivermos adquirido algum item ou habilidade que nos permitam progredir e alcançar zonas previamente inalcançáveis. Esses itens e habilidades começam logo pelas diferentes armas que eventualmente viremos a coleccionar. Começamos por uma pistola de um sapo com mau hálito, podendo depois disparar morcegos que por sua vez também nos permitem girar algumas alavancas colocadas em sítios mais remotos. Eventualmente ganhamos abóboras que servem de bombas e podem destruir algumas paredes que de outra forma são indestrutíveis, bem como um pimento que nos transformam numa espécie de Super Jack flamejante, onde conseguimos voar temporariamente e destruir outro tipo de superfícies. Outras habilidades como caminhar sobre paredes, usar sanguessugas que nos deixam num estado gelatinoso e assim esgueirarmo-nos por buracos são apenas alguns dos exemplos.

Visualmente este até que é um jogo com um trabalho de sprites fantástico

Eventualmente ganhamos também power ups para a maioria das armas acima descritas, assim como poderemos também encontrar e coleccionar cabeças encolhidas que servem para extender a nossa barra de vida. Outros bónus que iremos desbloquear são também três mini-jogos que poderiam inclusivamente serem jogados em multiplayer fora da aventura principal. De resto este é então um metroidvania competente, embora por vezes seja difícil adivinhar para onde teremos de ir a seguir e muitos dos bosses (particularmente o último) serem autênticas esponjas, com as suas batalhas a arrastarem-se demasiado. Também espalhados pelo mapa (cujas semelhanças com os mesmos dos Castlevania não-lineares não são mera coincidência) encontraremos pontos para fazer save ou regenerar toda a nossa vida.

Quaisquer semelhanças com os mapas de Castlevania são mera coincidência. Ou não.

A nível audiovisual este é um jogo que consegue, numa portátil algo modesta como a Game Boy Advance, incutir toda a atmosfera do filme, ou seja, aqueles cenários spooky tipicamente de Halloween. Todos os cenários estão bem detalhados e ocasionalmente com boas animações de fundo, pelas múltiplas camadas de parallax scrolling que por vezes temos direito. As sprites são também muito bem detalhadas e animadas, particularmente as das personagens principais. A música também se adequa perfeitamente à atmosfera do filme e jogo, com melodias algo carnivalescas mas com aquele toque mais spooky do Halloween. Por outro lado, devo dizer que não sou o maior fã dos efeitos sonoros. Alguns são até bastante irritantes!

Cadeiras eléctricas regeneram-nos a vida e os espantalhos servem para fazer save.

Portanto estamos aqui perante um jogo interessante desenvolvido pela Tose, que para quem não sabe é um dos maiores estúdios fantasma do mundo, tendo trabalhado em centenas de videojogos até à data, na maior parte de forma secreta. É um bom metroidvania, embora ache que teria potencial para ser um pouco melhor, principalmente se não nos sentíssemos tão perdidos em certas alturas. Não deixa de ser um bom jogo, embora a GBA esteja repleta de metroidvanias bastante superiores como os próprios Metroid e Castlevanias que recebeu. De resto só mesmo deixar a referência que este jogo de GBA sai mais ou menos na mesma época que um outro para a PS2 (este já com o selo da Capcom) intitulado de Oogie-Boogie’s Revenge e também ouvi falar bem dele.

Vengeful Guardian: Moonrider (Nintendo Switch)

Vamos voltar à Nintendo Switch para mais um indie que teve direito a um lançamento físico neste sistema. Produzido pela Joymasher, que já nos trouxe vários outros videojogos inspirados em clássicos retro como Oniken (que tenho cá para jogar um dia destes), Odallus e Blazing Chrome, este Vengeful Guardian: Moonrider é um belo tributo aos melhores jogos de acção da era 16bit. Referências a títulos como Shinobi, Mega Man X ou Turrican são mais que evidentes! O que só descobri há pouco é que a Joymasher é um estúdio brasileiro, pelo que lhes devo dizer que estão de parabéns pelo óptimo trabalho! O meu exemplar foi comprado numa loja online algures no passado mês de Julho por cerca de 30€.

Jogo com caixa e papelada

E este é um jogo com uma história de vingança, decorrendo num futuro algo sombrio, onde o planeta é governado por uma ditadura militar e opressora da população. Nós controlamos um cyborg criado precisamente por esse sistema opressor, mas que se revolta contra os seus criadores, após ter sido obrigado a disparar sobre uma multidão de civis inocentes. E este é um jogo de acção que tal como referi acima, herda conceitos de títulos como Mega Man X, Turrican ou Shinobi III, não fosse o nosso protagonista uma espécie de ninja e todos os visuais gritarem Mega Drive com todas as letras.

Correr por uma floresta e despedaçar inimigos com uma espada? Onde é que eu já vi isto…

Podemos começar a aventura por um nível tutorial onde nos são introduzidas as mecânicas de jogo base como os diferentes ataques, mecânicas de dash e saltos (incluindo wall jumping) que teremos de utilizar para ultrapassar todos os obstáculos que o jogo nos colocará à frente. No que diz respeito aos ataques, o nosso ataque principal é a espada, que pode desencadear um combo de 3 golpes se pressionado o botão consecutivamente, ou um golpe fortíssimo se o pressionarmos enquanto estivermos a correr. Ao saltar podemos também activar um dive kick que pode ser direccionado com o analógico e a melhor parte é que se atingirmos com sucesso um inimigo desta forma, somos lançados novamente para o ar, podendo repetir o processo. Temos também as armas especiais, e é aí que começam as semelhanças com jogos como Mega Man X. Isto porque ao começar o jogo vemos primeiro um mapa onde poderemos escolher que nível queremos jogar. Inicialmente apenas temos um nível disponível, que também serve como uma espécie de introdução ao jogo em si. Uma vez conquistado esse nível, os restantes seis níveis à sua volta ficam desbloqueados e poderão ser jogados em qualquer ordem, tal como nos Mega Man. Em cada um desses níveis (que vão tendo um ou mais midbosses) herdamos também a arma especial do boss final do nível, outra das semelhanças com essa série. Até as barras de vida e energia da arma especial são idênticas, embora a barra de energia seja partilhada para todas as armas especiais que viremos a herdar. Para além disso, poderemos encontrar ao longo dos níveis, em vários locais escondidos, diferentes chips que nos oferecem diferentes habilidades ou perks, sendo que poderemos ter apenas dois destes chips equipados em simultâneo. Estes dão-nos bónus como melhorar a nossa armadura, poder de ataque, ter vida ou energia regenerativa, entre outros!

Ocasionalmente teremos também alguns segmentos de condução, mas por vezes estes parecem demasiado longos

No que diz respeito à dificuldade, o jogo não é tão difícil como supostamente são os títulos anteriores da Joymasher. Temos alguns segmentos de platforming um pouco mais exigente e claro, convém sempre aprender os padrões de movimento e ataque dos bosses para ter sucesso. No entanto alguns deles são especialmente susceptíveis a certas armas especiais, pelo que é possível abusar disso e por vezes optar por uma abordagem mais agressiva, especialmente se tivermos o power up da armadura activo. E claro, temos continues infinitos e mesmo que tenhamos de gastar algum continue, por vezes os checkpoints até são generosos, especialmente se morrermos ao defrontar um boss, o jogo costuma recomeçar no checkpoint imediatamente anterior. Quem quiser um desafio maior poderá procurar e activar um chip que nos faz perder uma vida ao mínimo toque, mas claro que nem sequer me atrevi a fazê-lo. Depois de aprendermos todas as manhas vemos que o jogo até é curto e pode ser terminado em relativamente pouco tempo, mas sinceramente achei toda a experiência bastante agradável e fico agradecido por não nos colocarem numa boss rush antes dos confrontos finais. De resto, convém também referir que para além dos níveis de acção/plataformas teremos também alguns segmentos de condução e que apesar de os ter achado uma lufada de ar fresco, por vezes também achei que se prolongavam demasiado tempo.

Alguns dos bosses estão incríveis a nível de detalhe!

Visualmente este é um jogo que me agradou imenso, pois me fez constantemente lembrar a Mega Drive com a sua paleta de cores mais reduzida e tons escuros que se adequam perfeitamente à atmosfera futurista e cyberpunk que o jogo nos introduz. Até os níves de veículos têm todo aquele aspecto de terem saído de um sistema de 16bit! De resto os níveis vão sendo bastante variados entre si, atravessando cavernas, cidades, enormes instalações militares, interiores de comboio ou até termos de saltitar entre aviões para nos infiltrarmos numa enorme base aérea! Os inimigos também vão sendo algo variados e todos eles com boas animações e detalhe. A banda sonora é mais focada em música electrónica que também se adequa bem ao contexto e me fez abanar a cabeça frequentemente enquanto jogava. O único defeito a apontar é mesmo o seu baixo volume!

Portanto este Vengeful Guardian: Moonrider foi uma excelente surpresa e, apesar de curto, não deixa de ser um título bem interessante para quem gostar de jogos de acção da geração 16bit. Fiquei satisfeito e irei seguramente experimentar os restantes trabalhos da Joymasher!

The Procession to Calvary (Nintendo Switch)

E vamos voltar à Nintendo Switch para um jogo que foi para mim uma muito agradável surpresa. Foi uma recomendação de um fiéis seguidores do podcast onde participo, o The Games Tome, por alturas em que fizemos um episódio especialmente dedicado aos videojogos indie e que poderão ver/ouvir na sua totalidade aqui. E depois de ter visto algumas imagens do jogo e alguém me dizer que o mesmo estava disponível num lançamento físico para a Switch, nem pensei duas vezes e comprei-o algures no mês passado. Até ver podem fazer o mesmo se quiserem, pois no momento de escrita deste artigo, o jogo ainda está disponível a cerca de 30€ no website da Red Art Games.

Jogo com caixa e papelada

O que eu não sabia até o ter começado a jogar, é que este é na verdade uma sequela de um outro jogo muito similar lançado anos antes sob o nome de Four Last Things. Já está na minha wishlist do steam! Como é que eu me apercebi disto? Bom, a história deste jogo é simples: após uma longa e sangrenta guerra civil que terminou com o exílio de um rei tirano para terras longínquas a sul, a paz voltou a reinar e a população elegeu um novo, pacífico e gentil líder sob o alcunha de “Immortal John”. Nós encarnamos numa mulher guerreira que está inconformada com este período de paz, pois o que ela mais quer é poder continuar a assassinar pessoas de forma impune. E então, após um diálogo com o seu novo líder, basicamente que nos auto-propomos a uma nova missão: viajar para o sul e ir atrás do tirano para lhe ceifar a vida. Só mais um homicídiozinho! E é precisamente durante esse diálogo que podemos perguntar ao John se não o conhecíamos de algum lado e é aí que este refere ser um dos protagonistas da prequela… Confesso que se soubesse disto mais cedo teria primeiro jogado o Four Last Things, mas sinceramente acho que não estragou nada.

O jogo está repleto de cenas surreais e um humor muito próprio

No que diz respeito às mecânicas de jogo, esta é uma aventura gráfica do estilo point and click onde com o cursor poderemos não só nos movimentar pelos cenários mas também interagir com outras personagens e objectos. Sempre que clicamos numa área interactiva surgem sempre 3 ícones que ilustram o tipo de acções que poderemos executar: observar, falar ou interagir. Como é habitual neste tipo de jogo, teremos de falar com várias pessoas bem como explorar os cenários exaustivamente de forma a coleccionar objectos e usá-los em contextos específicos para conseguirmos progredir na história. Outra possibilidade é a violência. Nós estamos proibidos de assassinar mais alguém a não ser o tal tirano, mas a qualquer momento, com recurso a um dos botões faciais do comando, poderemos empunhar a nossa espada e o ícone de interacção é substituído por um ícone com uma espada, pelo que poderemos simplesmente assassinar uma série de pessoas e assim resolver de forma mais simples muitos dos puzzles que teríamos pela frente. Por exemplo, logo no início do jogo, e depois de recebermos a missão de assassinar o tirano corremos para o porto mais próximo de forma a apanhar um navio que nos leve à terra do seu exílio. Para nosso azar, para além de termos 2 homens nus a fazer wrestling em pleno cais, o marinheiro que nos poderia levar no seu pequeno bote perdeu os seus remos. Voltando ao ecrã anterior vemos, entre outras personagens, um aleijado da guerra que usava dois remos como muletas. A solução “certa” para que o coitado nos cedesse os remos obrigava-nos a uma série de outras acções, mas poderemos simplesmente assassiná-lo, pegar nos remos e levá-los ao marinheiro. Existem várias situações destas ao longo de todo o jogo onde a violência é a resposta fácil (sendo inclusivamente possível terminar o jogo em cerca de 10 minutos desta forma) mas tal como o jogo nos avisa… essas acções poderão ter outras consequências no futuro.

Para aceder ao inventário basta arrastar o cursor para a parte de cima do ecrã. Simples e eficaz.

Depois é impossível não mencionar o aspecto visual deste jogo que é, no mínimo, original. Tal como a sua prequela Four Last Things, este é um jogo cujos cenários e personagens são todos baseados em pinturas renascentistas de artistas como Michelangelo ou Rembrandt. O seu nome “The Procession to Calvary” é baseado numa pintura do mesmo nome de um artista Holandês que eu nunca ouvi falar e a protagonista principal é também baseada numa pintura de Rembrandt sobre Bellona, uma divindade feminina da guerra da antiga mitologia Romana. A banda sonora é toda ela baseada em música clássica de vários compositores (não só renascentistas) e um detalhe interessante é que em (quase) todos os cenários temos ilustrações de músicos a tocar as músicas que vamos ouvindo na banda sonora. Por exemplo, se ouvirmos uma interpretação de um tema de Mozart tocado em flauta, vamos ver sempre alguém a fazê-lo, o que achei um apontamento interessante.

Cada cenário é acompanhado por uma música em particular e os seus executantes estão também lá representados.

O que também é impossível não referir é todo o sentido de humor bizarro, surreal e por vezes negro que vamos encontrando. E é sem dúvida isso que mais gostei no jogo! Os trailers mencionam referências ao humor nonsense típico de Monthy Python (o que até faz algum sentido devido à origem britânica do autor principal do jogo) e de facto vamos ter inúmeros diálogos e momentos bizarros e dignos desse nome. Mas o humor negro (e crítica religiosa) também estão aqui presentes em grande destaque. Por exemplo, a certa altura, e para conseguirmos entrar no interior de um certo local, somos barrados por uma série de cardeais e académicos que não nos deixam passar… a menos que os subornemos, claro. Então para além de nos obrigarem a procurar 3 jóias valiosas para o suborno, um dele pede-nos também outra coisa… um “supple young boy with rosy cheeks and a pert little butt“. E mais não digo para estragar outras eventuais surpresas! Para terem uma ideia do tipo de humor negro que aqui temos, podem sempre ver este gif retirado do site do seu criador.

Portanto esta é uma aventura gráfica que adorei, não só pela originalidade do seu conceito, como por todo o sentido de humor que nos acompanha. Peca apenas por ser um jogo bastante curto (se bem que com vários puzzles interessantes) e se o mesmo tivesse um voice acting de qualidade a acompanhar seria também bastante benéfico. Irei seguramente comprar e jogar o Last Four Things assim que o mesmo apareça nalguma promoção no Steam e fiquei também contente por saber que o autor está a preparar mais um videojogo do mesmo género, supostamente a sair ainda neste ano: Death of the Reprobate. Irei certamente estar atento!

Teenage Mutant Ninja Turtles 2: Battle Nexus (Nintendo Game Boy Advance)

No seguimento do Teenage Mutant Ninja Turtles do Game Boy Advance que trouxe cá há umas semanas, chegou a hora de jogar o segundo jogo presente na compilação Double Pack. E este é um jogo que apesar de manter muitas das ideias e mecânicas de jogo do seu antecessor, introduz também algumas novidades. No entanto, algumas foram bem-vindas, outras nem tanto. O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters há uns meses atrás por pouco mais de 15€.

Compilação com caixa, manuais e papelada

Ora tal como o seu predecessor este segundo jogo é baseado na “nova” série televisiva de animação introduzida algures em 2003. Não faço ideia se a história é baseada nalgum conjunto de episódios, mas basicamente envolve viagens interplanetárias recorrendo a uma tecnologia de teletransporte, que por sua vez é baseada no misterioso poder de uma série de cristais que o Shredder tem andado a juntar. A primeira metade do jogo é toda passada num outro planeta onde as tartarugas são transportadas para lá e acabam por se ver envolvidas num conflito entre facções que perseguem um robot especial pois contém a mente de um famoso cientista que estava precisamente a estudar essa mesma tecnologia de teletransporte. Mas rapidamente começam a ser tecidas ligações ao Shredder, pelo que na segunda metade do jogo iremos visitar o Japão feudal e novamente a cidade de Nova Iorque onde iremos uma vez mais defrontá-lo.

Pobre Leonardo que uma vez mais não tem nenhuma habilidade verdadeiramente distinta

O jogo anterior era um híbrido entre um beat ‘em up completamente 2D e um jogo de acção/plataformas, com alguns segmentos ocasionais onde conduziríamos algum veículo e mecânicas de jogo distintas. Esta sequela pega nessa mesma fórmula base, mas com algumas mudanças. Agora não há uma campanha própria para cada tartaruga, mas sim todos os níveis podem ser jogados com a tartaruga que desejamos. Para além disso há também um maior foco na exploração, pois os níveis tendem a ser maiores, mais labirínticos e aqueles cristais que poderíamos apanhar (mas não eram mandatórios) no jogo anterior, são agora obrigatórios para avançarmos para o conjunto de níveis seguinte. E muitos desses cristais estão escondidos em locais que apenas uma das tartarugas os poderá encontrar, pelo que acabamos por ser obrigados a jogar o mesmo nível várias vezes para coleccionar todos esses cristais. Ou quase todos, mediante a dificuldade escolhida. Se ao menos desse para trocar de tartaruga no momento, como acontece nalguns outros jogos das tartarugas mais antigos (como o original de NES), seria sem dúvida um jogo menos maçudo neste ponto.

Os cristais que temos de encontrar estão muitas vezes escondidos em blocos destrutíveis e nem sempre ao alcance de qualquer tartaruga

As mecânicas de jogo são muito similares, pelo menos nos níveis “normais” de platforming. Um botão salta, o outro ataca e com diferentes combinações de botões poderemos desencadear diferentes ataques, incluindo charged attacks. Tal como referi acima, todas as tartarugas possuem diferentes habilidades e golpes, excepto o Leonardo, que não tem nenhuma habilidade muito distinta que nos ajude a procurar cristais escondidos. O Michelangelo tem um charged attack que lhe permite atirar os seus nunchakus como se fossem um bumerangue e assim destruir algumas paredes/rochas mais distantes e que tipicamente têm cristais escondidos, assim como pode usar os mesmos nunchakus como uma hélice de helicóptero, permitindo-nos assim saltar mais longe. O Donatello pode usar o seu bastão como “salto à vara” e também saltar mais alto, enquanto o Raphael consegue escalar paredes e assim alcançar zonas inalcançáveis para as outras tartarugas.

Tal como o seu predecessor ocasionalmente temos alguns níveis com mecânicas de jogo bem distintas como shmups

Ainda nestes níveis de exploração há algo de novo a mencionar: as mecânicas de stealth. Tipicamente começamos cada nível sem as nossas armas, estando apenas munidos de shurikens que não causam lá muito dano. A primeira coisa que nos devemos focar em cada nível é precisamente encontrar as nossas armas e enquanto isso não acontece o jogo também nos encoraja a jogar de uma forma mais furtiva, pois sempre que temos de atravessar alguma zona patrulhada por inimigos, tipicamente temos sempre onde nos esconder e caso sejamos descobertos também é despoletado um alarme que alerta os inimigos na sala ou até poderá chamar mais alguns. Mas esse alarme rapidamente também é desactivado quando saimos do seu campo de visão. De resto, temos também os níveis onde conduzimos veículos, que são tipicamente shmups horizontais ou outros na primeira pessoa onde controlamos uma mira e teremos de destruir uma série de inimigos ou obstáculos. Por fim convém também mencionar que existem modos de jogo adicionais como o Battle ou Race mas confesso que nem os experimentei.

Graficamente o jogo é interessante com níveis e inimigos bem detalhados

No que diz respeito aos audiovisuais estamos perante um jogo bem competente uma vez mais. Os cenários são bem coloridos e detalhados e o mesmo pode ser dito das tartarugas e inimigos no geral, que estão tipicamente bem detalhados e animados. Os bosses são bem grandinhos como manda a lei também! A banda sonora é uma vez mais agradável sendo agora mais focada em temas com uma certa toada jazz ou electrónica e que a meu ver até não resultam mal de todo. Temos no entanto menos cutscenes entre níveis que avançam a história, mas confesso que as poucas que existem não foram lá muito interessantes também, tal como no primeiro jogo. Achei-as demasiado longas e com diálogos algo aborrecidos.

Portanto este TMNT 2 Battle Nexus é um jogo de acção interessante para um sistema como o Game Boy Advance. Do ponto de vista técnico é um jogo bem bonito, detalhado e animado, as mecânicas de jogo não são nada más, só tenho mesmo a queixar do facto de ser obrigatório jogar todos os níveis mais que uma vez e explorá-los à exaustão com várias tartarugas em busca de todos aqueles cristais. As versões para as consolas domésticas da altura, PS2, GC e Xbox foram muito pior recebidas por algum motivo, no entanto.

Super Mario Galaxy (Nintendo Wii)

Cá está um artigo que tenho vindo a atrasar a sua escrita pois na verdade já o “terminei” há mais de duas semanas atrás. No entanto, visto que irei falar dele com detalhe no próximo episódio do Backlog Battlers no The Games Tome queria dar os meus dois cêntimos sobre o que acho desse jogo nesse espaço primeiro. Mas visto que esse novo episódio teima em não ser gravado (será para breve), decidi finalmente escrever um artigo aqui primeiro, enquanto a minha memória do jogo está consideravelmente fresca. O que já não me lembro de todo é como este meu exemplar veio parar à colecção. Não me recordo quando, onde muito menos quanto terá custado mas terá sido muito barato garantidamente.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ora este Super Mario Galaxy, apesar de não ter sido um jogo de lançamento da Nintendo Wii, acabou por sair ainda algo relativamente cedo no seu ciclo de vida e poderemos afirmar que seria sem dúvida o jogo mais antecipado da Nintendo para esse sistema. O The Legend of Zelda: Twilight Princess era na verdade um jogo de Nintendo GameCube adaptado com alguns controlos por movimento, o Metroid Prime 3: Corruption seguramente que é um excelente jogo (ainda está no meu backlog!) mas não teve o mesmo impacto do factor novidade do primeiro jogo, mas este Super Mario Galaxy sim, parecia absolutamente incrível e as expectativas estavam altíssimas, até porque o Super Mario Sunshine não foi tão bem recebido quanto isso.

É incrível toda a criatividade que a Nintendo conseguiu aqui incutir!

O jogo leva-nos uma vez mais ao Mushroom Kingdom, mas numa data especial, pois esta é a noite do Star Festival, que marca a chegada de um cometa aos céus do reino com inúmeras estrelas cadentes coloridas (star bits) a caírem dos céus e fazer as delícias de todos os Toads que por lá andavam. Mario foi convidado por Peach a visitá-la no seu castelo pois esta teria uma surpresa para si mas quando lá chegamos o inesperado acontece: Bowser ataca! Munido de um exército de navios e discos voadores, levantam para os céus o castelo de Peach, levando-a (e mais uns quantos Toads) para o centro do universo. Mario segue-os no seu encalço e após mais alguns acontecimentos acordamos num micro-planeta, onde nos são introduzidos os Lumas, pequenas estrelas e Rosalina, que é uma espécie de guardiã da Galáxia e que nos pede ajuda para recuperar a sua nave espacial, cujo poder havia também sido roubado pelo Bowser. Lá teremos então de explorar uma imensidão de galáxias compostas por vários micro-planetas e recuperar toda uma série de estrelas que vão desbloqueando as capacidades da nave de Rosalina, até que finalmente teremos a hipótese de viajar para o centro do universo, para um confronto final com Bowser e salvar Peach uma vez mais.

Cada galáxia é na verdade um nível com um conjunto de micro planetas que teremos de explorar, cada qual com diferentes desafios e ocasionalmente mecânicas de jogo bem distintas

Há muito a dizer da jogabilidade deste Mario Galaxy, mas vamos começar pelos seus controlos. Eu não sou o maior fã do wiimote, mas tendo em conta que este jogo foi criado exclusivamente a pensar num wiimote e nun-chuck (até ao recente relançamento na Switch não tínhamos forma de o jogar com um esquema de controlo mais tradicional), convém então dar-lhe o devido destaque. O analógico do nun-chuck serve então para controlar o Mario pelo ecrã e o resto do jogo é controlado primariamente com os botões A (saltar), B (disparar star bits acumulados) e Z, que pode ser usado em conjunto com outros botões para acções diversas como aquele salto onde a meio do mesmo podemos cair com força no chão, efectuar saltos longos para a frente, ou saltos mais altos com um mortal para trás. Usando o botão A com os timings certos permite-nos também efectuar os mesmos 3 saltos diferentes que já poderíamos fazer com o Mario 64, por exemplo. Mas e os controlos de movimento? Bom, esses são utilizados primariamente em duas coisas distintas. O wiimote serve, entre outras coisas, como um apontador com um cursor no ecrã. Ao mover esse cursor poderemos apanhar os vários star bits espalhados ao longo dos níveis que poderão posteriormente não só servirem para desbloquear novos níveis, mas com o botão B podem também ser disparados para o local apontado pelo wiimote. Por exemplo, podemos atordoar temporariamente certos inimigos se lhes dispararmos com star bits de forma certeira. De resto podemos também abanar o wiimote e, dependendo do contexto, poderá resultar em diferentes acções. A mais comum é fazer o Mario rodopiar sobre si mesmo, o que poderá também ser uma maneira de atacar os inimigos ou até de extender um pouco o nosso salto. Viajar entre micro-planetas também nos obriga a abanar o wiimote em certos pontos, assim como em alguns power ups que possamos apanhar. Por exemplo, na forma de “Super Mario”, abanando o wiimote faz com que disparemos as bolas de fogo. Aliás, há aqui toda uma série de novos power ups a ter em conta, como um Super Mario que dispara bolas de gelo, a possibilidade de nos transformarmos numa abelha que nos permite voar temporariamente e agarrarmo-nos a certas superfícies, transformarmo-nos num Boo e assim atravessar certas paredes, entre outros.

O “último” nível de cada galáxia costuma ter sempre um boss para defrontar, onde tipicamente teremos de colocar em práctica algumas novas mecânicas que lá aprendemos

Mas para além de a jogabilidade ser simples, algo intuitiva e relativamente complexa se quisermos executar alguns movimentos mais avançados, a enorme criatividade que a Nintendo conseguiu aqui introduzir é o que leva mesmo a cereja no topo do bolo. É difícil colocar em palavras toda a criatividade que aqui temos. Logo a primeira sequência de planetas serve de forma brilhante para nos introduzirem os controlos e nos habituarmos a esta nova realidade, pois podemos percorrer cada um destes pequenos planetas livremente, sendo que cada um possui a sua própria força gravítica e podemos até saltar de planeta em planeta se estes estiverem próximos o suficiente. Há toda uma grande variedade de mundos a explorar, e a criatividade da Nintendo ao apresentar-nos mundos distintos e com particularidades próprias é algo de absolutamente incrível. Vamos ter, por exemplo, secções com uma jogabilidade mais 2D e com gravidade alternada, mundos esféricos, cubos coloridos, mundos com largos corpos de água ou lava, entre muitos outros. Até uma galáxia formada com casas assombradas à lá Luigi’s Mansion teremos para explorar! E tal como nos outros jogos do Mario em 3D, apesar de apenas precisarmos de coleccionar 60 estrelas para desbloquear o nível que nos leva ao confronto final com Bowser, há na verdade o dobro das estrelas para coleccionar, inúmeros níveis secretos para desbloquear e outros bem mais desafiantes, assinalados pelo aparecimento de certos cometas nos observatórios de cada uma dessas galáxias. Esses níveis podem consistir em speed runs onde teremos de terminar um nível dentro de um tempo limite, jogar um nível inteiro (geralmente culminando no confronto com um boss) apenas com uma barrinha na nossa barra de vida ou aqueles em que teremos de coleccionar dezenas de moedas roxas, obrigando-nos a explorar cada nível à exaustão. Para além disso, uma vez coleccionadas as 120 estrelas desbloqueamos Luigi como personagem jogável e poderemos tentar apanhar todas as 120 estrelas novamente. Se assim o fizermos, lá desbloqueamos o verdadeiro final do jogo. Eu sinceramente não me dei ao trabalho de fazer isso pois tenho mais para jogar, mas é inegável que o jogo tem bastante conteúdo para quem o quiser completar a 100%.

Visualmente é também um jogo bem conseguido, um dos melhores de uma consola pré-HD!

A nível audiovisual é também um jogo muito bem conseguido, tendo em conta que a Nintendo Wii é uma Nintendo Gamecube com um pouco mais de sumo. Lembro-me bem de ver o jogo em 2007 e achar que a Wii, nas mãos certas, era capaz de fazer pequenos milagres e de facto a Nintendo esmerou-se bem. Os mundos para além de bastante variados a nível visual uns dos outros estão também bem detalhados graficamente, assim como Mario e restantes personagens mais importantes. Para além de que toda esta estética do espaço (mas sem parecer um jogo de ficção científica) ficou também muito bem conseguida. A banda sonora é a meu ver um outro sucesso, consistindo em várias músicas mais orquestrais e épicas, mas claro, temos também outras músicas não orquestrais e com aquele factor Nintendo bem característico, assim como novas versões de músicas bem conhecidas da série.

É verdade que a gravidade nos prega algumas partidas para o que estamos habituados num jogo de Mario, mas depois de nos habituarmos não queremos outra coisa

Portanto este Super Mario Galaxy é um excelente jogo de plataformas que tinha uma missão extremamente difícil: convencer o público geral que é possível se criarem óptimos jogos de acção recorrendo ao wiimote e nunchuck. Os controlos são simples e não abusam dos sensores de movimento, bastanto apenas abanar o comando para fazer toda uma série de diferentes acções, baseadas no contexto actual, embora ainda assim considere que jogar isto num comando normal deve ser ainda melhor. E claro, é inegável e muito difícil de colocar em palavras toda a criatividade que a Nintendo teve ao produzir este jogo com os seus mundos variados e as mecânicas à volta da gravidade. Quando todos os meus amigos me dizem que o Super Mario Galaxy 2 consegue ser ainda superior, a minha curiosidade está nos píncaros!