Super Mario Bros. 3 (Nintendo Entertainment System)

SMB3Super Mario Bros 3 é um jogo que dispensa quaisquer apresentações. É o epítome de game design para uma plataforma 8bit e ainda hoje impressiona como é que conseguiram meter tanta variedade, detalhe e coisas secretas para descobrir num cartucho de 256KB. Lançado originalmente no ano de 1988 no Japão, este jogo apenas chegou à europa em 1991, competindo directamente com um certo ouriço azul da Sega. E esta minha cópia do jogo em particular chegou-me às mãos no mês passado, sendo mais um dos jogos que veio num bundle de NES/SNES que comprei a um utilizador do fórum Collector’s Corner por 50€. Está com caixa, falta-lhe o manual. Update: recentemente ofereceram-me uma caixa novinha em folha e o manual!

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

A história começa com Mario a salvar reis de 7 diferentes reinados, que foram transformados em animais por vários dos filhos de Bowser, culminando também invariavelmente por salvar a princesa Peach no final. Mas é ao “meter as mãos na massa” que vemos como diferente está este jogo do Mario. Sim, saltar em cima dos inimigos para os derrotar, ou entre várias plataformas continua a ser o prato do dia, mas agora podemos fazer muito mais. A começar pelas habilidades, podemos agora deslizar sob rampas, ou pegar em objectos e atirá-los aos inimigos (OK, isso já se podia fazer no Super Mario Bros 2 / Doki Doki Panic, mas esse é um caso à parte) e temos novos powerups como a Super Leaf que nos deixam com uma cauda e orelhas de guaxinim e com isso conseguimos “voar”/planar durante algum tempo, ou mesmo o Tanooki Suit, que nos deixa com um fato completo de guaxinim com as mesmas habilidades, mas também podemo-nos transformar numa estátua e ou cair como um peso pesado sobre inimigos, matando-os, ou ficar temporariamente invulneráveis, mas também imóveis. Outro dos power-ups novos é o fato de sapo, que nos dá uma maior liberdade de movimentos dentro de água bem como saltos mais altos, ou o fato de Hammer, que nos deixa atirar martelos para os inimigos, entre outros!

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O que salta à vista neste jogo é logo a quantidade de detalhe e todas as cores

Este é também o primeiro jogo da série a apresentar um overworld, onde podemos escolher qual o nível a jogar em seguida. Para além dos níveis normais, em que também temos geralmente 2 bosses por cada mundo, existem também alguns “níveis” de bónus, onde podemos jogar alguns mini jogos que nos presenteiam com mais vidas, ou powerups, como cogumelos, super flores ou afins, que podem ser armazenados e utilizados no overworld. Esta é também uma práctica que passou a ser bastante utilizada em outros jogos do Mario em 2D, como os New SMB. Como se isto não fosse suficiente, existem muitos segredos a descobrir, como zonas secretas, maneiras bem tricky de ganhar vidas ou warp zones que nos permitem avançar mais rapidamente no jogo.

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O jogo tem também a sua vertente para 2 jogadores que vão progredindo de forma alternada

Existe uma teoria que este jogo na realidade “não aconteceu”, tudo não passou de uma peça de teatro. Essa teoria ganha força a começar pelas cortinas a abrir quando começamos a aventura e pelas plataformas “pregadas” à parede no primeiro mundo. No final de cada nível também parece que estamos a sair “de cena” e quando se chega ao final do jogo, também as mesmas cortinas se fecham. É uma teoria engraçada, mas que só reforça a veia criativa da Nintendo, em especial neste jogo. De resto todos os mundos são distintos entre si, com cenários mais verdejantes, outros com uma temática mais aquática ou aérea. Também é de notar que este é o primeiro jogo onde aparecem os fantasmas boos, que nos perseguem sempre que lhes voltemos as costas. Tecnicamente é um jogo muito detalhado, tanto para os padrões da NES, como para os padrões de 1988, sendo muito provavelmente um dos jogos mais bonitos dessa época. As músicas continuam excelentes como sempre foi habitual nesta série, mas na minha opinião, os melhores temas continuam a ser os dos dois primeiros jogos.

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Por vezes podemos jogar alguns minijogos que nos poderão dar alguns goodies

Em suma, Super Mario Bros 3 é um excelente jogo de plataformas e sem dúvida que é um dos melhores jogos que a geração 8bit nos trouxe até nós. Depois deste lançamento inicial da NES, ainda saiu um remake mais colorido para a SNES na compilação Super Mario Bros. All Stars, e posteriormente ainda um outro remake para Gameboy Advance como o Super Mario Advance 4. Mas isso será conversa para um eventual artigo futuro…

Monster’s Inc (Nintendo Gameboy Color)

Monsters Inc - GBCVamos lá para mais um artigo super curto, pois é sobre um jogo que sinceramente não me diz muito, mas como “a cavalo dado não se olha o dente”, cá vai. Monster’s Inc é um filme da Pixar que por acaso nunca cheguei a ver mas como seria de esperar, uma adaptação para o mundo dos videojogos seria inevitável. Por essas alturas a GBC ainda era uma portátil importante pelo que também acabou por receber uma adaptação do filme. E como também seria de esperar, o género escolhido acabou por se ficar no platforming. Tal como referi atrás, este jogo foi-me oferecido por um particular, já há uma data de anos atrás.

Monster's Inc - Nintendo Gameboy Color
Jogo, apenas cartucho e mal tratado

Ora como não vi o filme, não posso precisar a 100%, mas suponho que o jogo tente seguir a história e os acontecimentos do filme. Controlamos tanto o monstro grandalhão azul, como  seu companheiro, o olho gigante de verde, sendo que ambos têm habilidades diferentes. O azul, apesar do seu tamanho, não consegue atacar inimigos, pelo que deveremos evitar ao máximo o seu contacto directo contra tudo o que mexa. No entanto consegue arrastar objectos, partir algumas paredes finas, ou assustar criancinhas, o que é até pedido logo nos primeiros níveis. Já o baixinho consegue dar duplos saltos e agachar-se para passar por zonas mais estreitas, bem como atacar os inimigos. Para isso devemos coleccionar uma série de latas que vamos ver ao longo dos níveis, que por um lado tanto servem de medidor de vida que nem o Croc, por outro conseguimos ganhar vidas extra se cleccionarmos bastantes. Mas também servem de arma de arremesso, sendo essa a única forma de atacar os inimigos, pelo menos até onde eu joguei. Alguns dos níveis são obrigatoriamente jogados com uma ou outra personagem, mas a partir de certo ponto podemos alternar livremente entre ambos para dar uso das suas habilidades.

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Nos primeiros níveis, o objectivo é atravessar quartos de criança cheios de obstáculos e assustá-las no final

No campo do audiovisual, este é um jogo até bem competente. Os gráficos são bastante coloridos, com sprites detalhadas e o pixel art das “cutscenes” até que está muito bem conseguido para uma Gameboy Color. As músicas por sua vez também são bastante agradáveis. Mas enquanto que a nível técnico este Monster’s Inc até acabou por me surpreender pela positiva, as suas mecânicas de jogo não me agradam muito, acabando por tornar este jogo num platformer bastante mediano.

Spirou (Super Nintendo)

SpirouA Infogrames durante a era dos 16bit manteve-se bastante ocupada a desenvolver videojogos sobre séries de banda desenhada Franco-Belga, como Tintin, Lucky Luke, Smurfs ou mesmo este Spirou. Apesar de nenhum deles ser completamente brilhante, como fã das banda desenhadas que sou, tento os comprar sempre que os veja a um preço razoável. Este Spirou não foi excepção, sendo mais um dos jogos que comprei num bundle de NES/SNES por 50€ a um particular. Está completo e em bom estado.

Spirou - Super Nintendo
Jogo completo com caixa, manual, papelada e poster

Apesar de Spirou ser uma personagem de BD já com uns valentes anos em cima, este jogo parece-me mais baseado na série de animação dos anos 90, até porque se a memória não me falha, o ecrã de apresentação dos níveis com o chapéu de Spirou e a sua máquina fotgráfica é-me bastante familiar e tenho a ideia que fazia parte dos créditos finais da série de animação. De qualquer das formas as personagens tradicionais aparecem no jogo, com o papel de destaque estar em Spirou, personagem jogável e Fantasio ou o esquilo Spip a servirem de suporte. A história leva-nos até Nova Iorque, onde o Conde de Champignac iria apresentar as suas mais recentes invenções numa prestigiada convenção científica. No entanto eis que surge a andróide Cyanida e do nada rapta Champignac, presumidamente para utilizar as suas invenções para os seus planos de world domination com um exército de robots.

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Por vezes temos direitos a “cutscenes” como esta, que poderiam estar melhor trabalhadas

O resto do jogo é então passado com Spirou a perseguir Cyanida e tentar por um travão aos seus planos maquiavélicos e também resgatar o velho Conde, ao atravessar as ruas (e telhados) de Nova Iorque, sem antes passar por uma fábrica de brinquedos quase que retirada de um filme da série “Querida, encolhi os miúdos”, entre muitos outros bem distintos entre si, como uma perseguição nos comboios de NY ou mesmo um nível à lá R-Type com as suas mecânicas de shmup horizontal. E se por um lado a variedade de níveis é muito benvinda, por outro infelizmente os controlos não são os melhores, com saltos algo imprecisos e o modo de ataque também não estar lá muito bem implementado. Inicialmente estamos completamente indefesos perante os inimigos, só mais tarde é que recebemos de Fantasio uma arma que mais parece um secador, sendo essa a única maneira de atacarmos certos inimigos. Saltar para cima deles apenas nos causa dano, exceptuando alguns robots que até poderão servir de plataformas. Estes problemas com os controlos também agravam bastante a dificuldade do jogo, que aliada por vezes a mau level design nos obrigue a ter por vezes uma jogabilidade tentativa-erro que nos poderá sair cara pois novas vidas não são abundantes e que me tenha apercebido, não há quaisquer checkpoints nos níveis, mesmo nos mais longos e com boss no fim.

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Graficamente é um jogo bem colorido e detalhado!

Graficamente é um jogo bem colorido e bonitinho, mas talvez até demais, pois devido à natureza labiríntica de muitos níveis, por vezes certos elementos estão tão bem mesclados com o background que é difícil se aperceber que sejam plataformas ou algo do género. Um bom exemplo disso são as escadas por entre os prédios de Nova Iorque. De qualquer das formas ao longo dos níveis vamos vendo o esquilo Spip que nos vai apontando qual a direcção que devemos tomar, ou mesmo correndo em direcção à saída, sempre é uma ajuda. Por outro lado, infelizmente a música não é a melhor. A qualidade do som em si é excelente, mas o que me queixo são mesmo das melodias em si que nem sempre me parecem apropriadas ao jogo em questão. Os efeitos sonoros parecem-me OK, nada a apontar nesse campo.

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O sistema de passwords consiste nas caras das personagens

De qualquer das formas, este Spirou para a Super Nintendo apesar de ser um jogo bonitinho, não consegue ser algo que eu recomende absolutamente, pois nessa consola poderemos encontrar platformers de muita melhor qualidade. Apenas mesmo para os fãs de Spirou e BD franco-belga no geral, tal como eu.

Super Mario World – Super Mario Advance 2 (Nintendo Gameboy Advance)

Super Mario World - Super Mario Advance 2Mais uma rapidinha a um jogo do Mario, pois tal como o seu antecessor, este Super Mario Advance 2 é mais uma conversão/remake de um jogo clássico que por acaso eu já o analisei. Desta vez o jogo escolhido foi Super Mario World, o primeiro dos platformers do canalizador bigodudo em 16-bit. A versão original já foi aqui analisada, pelo que não me vou alongar muito e esta será mais uma rapidinha. Este cartucho foi comprado na Cash Converters de Alfragide por cerca de 4€ durante o mês passado.

Super Mario Advance 2
Jogo, apenas cartucho

Ao contrário do primeiro Super Mario Advance, em que as diferenças gráficas entre o original e o remake eram gritantes visto ser um remake de um jogo de NES, aqui as coisas pelo menos no aspecto visual são bem mais contidas, até porque a Gameboy Advance não é um sistema muito superior a uma SNES. Aqui as diferenças são mais a nível de jogabilidade, com pequenas alterações a alguns níveis, ou mudarem a jogabilidade de Luigi para os seus padrões mais convencionais, com os seus saltos mais flutuantes. Há pequenos pormenores que mudam, como Yoshis de diferentes cores e que por sua vez podem também armazenar diferentes itens, ou as Peach Coins, para além das Dragon Coins que já antes poderíamos apanhar.

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Este port ganhou uma intro nova

Também tal como o seu antecessor contém uma versão do Mario Bros original, com a possibilidade de se poder jogar em multiplayer. De qualquer das formas, apesar de ser um muito sólido jogo de plataformas, como já o original o era, este Super Mario Advance 2 para mim peca por ser mais um port/remake. A Gameboy Advance merecia um jogo do Mario inteiramente novo, tal como a DS recebeu o New Super Mario Bros. Ainda assim, para quem nunca tinha jogado o original da SNES, esta versão mostra-se uma alternativa bem competente para vos dar a conhecer o jogo que introduziu Yoshi.

Super Mario Bros / Tetris / Nintendo World Cup (Nintendo Entertainment System)

SMB/ Tetris / Nintendo WCTempo para mais uma rapidinha, desta vez uma que engloba 3 jogos até. Esta é uma compilação que traz o Super Mario Bros, que já tenho e já foi analisado aqui, bem como a versão NES do Tetris que também já tinha falado para a Gameboy e por fim, talvez o que darei mais atenção, o Nintendo World Cup, um dos melhores jogos de futebol da era 8bit. Por algum motivo o site Retrocollect indica esta compilação como sendo “extremely rare”, e apesar de a mesma ter saído apenas na europa, acabou por sair juntamente com a consola num dos vários pack-ins que sairam por cá. Sendo assim nunca deveria ser assim tão rara, pelo creio que se refiram à versão standalone que saiu nas lojas. Essa já me acredito mais. De qualquer das formas este cartucho foi comprado a um particular do fórum Collector’s Corner, juntamente com outros jogos NES e SNES por 50€ no total, ao qual agradeço. Edit: recentemente comprei uma NES Super Set completa em caixa, na qual trazia este cartucho e todos os seus manuais.

Compilação com sleeve e manuais

Bom, o Super Mario Bros é um jogo que para mim dispensa quaisquer apresentações, inclusivamente já o analisei por cá, pelo que vou avançar de imediato para outro jogo que dispensa apresentações. Tetris de Alexei Pajitnov é um dos videojogos mais populares de todos os tempos e apesar de ter sido a versão Gameboy a mais popular pela sua portabilidade, antes disso os donos de NES receberam um conversão editada pela própria Nintendo mais uma vez. Aqui dispomos de 2 modos de jogo, o A, que é o Tetris na sua vertente mais tradicional, e é um modo de jogo “sem fim”, se bem que depois de termos 999999 pontos nem vale a pena continuar. O modo B permite-nos começar o jogo já com uma série de blocos espalhados no ecrã, cheios de buraquinhos por preencher e o desafio consiste em eliminar todos esses blocos ao construir uma linha horizontal. Podemos aumentar o nível de dificuldade de 0 a 9 em ambos os modos. Enquanto que no primeiro apenas se muda a velocidade com que as peças caem, no segundo quanto maior a dificuldade escolhida, mais altura de “lixo” tem o ecrã.

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Menu de selecção dos 3 jogos

Por fim o Nintendo World Cup. Este é na verdade um spin off dos jogos da série Kunio Kun, mais conhecidos cá no ocidente pelo brawler River City Ramson. E isso é imediatamente notório nas sprites dos jogadores, são quase idênticas às dos River City Ramson, incluindo as caretas que de vez em quando lá vão fazendo. De resto este Nintendo World Cup tem uma jogabilidade não realista, mas mais arcade como não poderia deixar de ser e sinceramente, numa consola 8bit, nem eu pediria outra coisa. Aqui dispomos de 2 modos de jogo distintos, entre os quais um World Cup onde  seleccionamos uma equipa e a temos de levar a vencer todas as outras selecções existentes num torneio ou então a vertente multiplayer. Aqui tanto podemos jogar o modo World Cup com um amigo, ou apenas uma partida rápida, sendo possível jogar com até 4 jogadores. O que demarca este jogo dos restantes é mesmo todo o seu aspecto cartoonesco e a possobilidade de podermos desferir remates especiais, com trajectórias de bola impossíveis e que apimentam bem mais a partida. Ainda hoje existem grupos a fazer modificações à ROM deste jogo para incluir diferentes equipas ou para simbolizar diferentes torneios.

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No Nintendo World Cup é notório por vezes algum flickering nas sprites

Esta é uma compilação bem sólida para a NES, embora eu sinceramente sempre prefiro ter os jogos completos e em standalone. E estive quase para ter o Nintendo World Cup em caixa na cash converters de Alfragide, mas como já tinha gasto muito dinheiro nesse dia, preferi deixar passar. Eventualmente nova oportunidade há-de surgir!