Columns (PC Engine)

Continuando como tem sido habitual pelas rapidinhas, vamo-nos manter nos sistemas da NEC para mais um jogo da Sega na PC Engine! Durante a década de 80 e inícios dos anos 90, vários foram os jogos que a Sega acabou por licenciar para serem lançados noutros sistemas, fossem eles computadores ou consolas que competiam directamente com as suas Master System e Mega Drive. O Columns, que por sua vez não era uma criação original da Sega mas sim algo que a empresa comprou a terceiros para competir com o Tetris, foi também um dos visados em aparecer na PC Engine. Esta conversão ficou a cargo da Telenet Japan e o meu exemplar foi comprado num lote no Japão por cerca de 12€ algures.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Em relação ao Columns em si, este é então um derivado do Tetris, mas em vez de tetraminós temos colunas verticais de 3 blocos coloridos a cairem do ecrã. Não podemos rodar as colunas mas sim a ordem das cores dos seus blocos individuais e o objectivo é o de formar conjuntos de 3 ou mais blocos da mesma cor, podendo estes serem horizontais, verticais ou diagonais. Sempre que o fizermos estes desaparecem e é inclusivamente possível conseguir fazer alguns combos para mais pontos. Tal como os restantes jogos deste género, a dificuldade vai aumentando à medida que vamos pontuando (os blocos começam a cair cada vez mais rápido) e o jogo termina quando a área de jogo se encher, ou seja, sempre que um bloco fique fora da área de jogo. Muito simples e como habitualmente bastante divertido. E aqui dispomos também de vários modos de jogo como o Arcade (o modo de jogo principal), o Practice que serve como uma introdução às mecânicas de jogo mas também nos dá alguma liberdade de customização de cada partida. Temos também dois modos versus para dois jogadores que sinceramente não cheguei a experimentar.

Tal como nas versões originais, há aqui toda uma certa referência a temas da Grécia antiga.

A nível audiovisual este é um jogo simples tal como é esperado. As imagens de fundo são bastante simples, ocasionalmente invocando o estilo arquitectónico da Grécia antiga e a banda sonora é também muito similar à da versão Mega Drive deste jogo. No entanto devo deixar a ressalva que acho o som da versão Mega Drive mais pujante que o que a Telenet Japan conseguiu reproduzir no sistema da NEC.

O objectivo é o de juntar 3 ou mais blocos da mesma cor numa linha, para os fazer desaparecer e ganhar pontos.

De resto esta é uma versão bastante sólida do primeiro Columns, embora se já tiverem este jogo na Mega Drive ou nalguma das inúmeras compilações que a Sega lançou ao longo dos anos não há muitas razões para irem atrás desta versão. Só se for mesmo pela curiosidade de ser um jogo da Sega lançado num sistema concorrente!

Aoi Blink (PC Engine)

Vamos voltar às rapidinhas na PC Engine para um interessante jogo de plataformas baseado no anime Blue Blink (Aoi é azul em japonês) que foi produzido nada mais nada menos que Osamu Tezuka (Astro Boy) precisamente no ano do seu falecimento, em 1989. O videojogo, apesar de ter sido publicado pela Hudson, foi desenvolvido nada mais nada menos que pela Westone (Wonder Boy), daí ter despertado o meu interesse. O meu exemplar foi comprado algures em Junho deste ano, tendo vindo de um lote de jogos PCE que importei directamente do Japão. Este custou-me menos de 20€.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Presumo que a história do jogo seja baseada na série televisiva que sinceramente nunca vi, mas o que interessa reter aqui é que a personagem principal é o jovem Kakeru que procura o seu pai. A acompanhar Kakeru teremos não só o Blink, um pónei azul com poderes mágicos que terá um papel importante ao longo do jogo, mas também 4 outros amigos, todos eles com diferentes características como irei detalhar mais à frente.

Inicialmente somos presenteados com um mapa mundo tal como no SMB 3

Bom e como funciona mesmo este jogo? Inicialmente temos um mapa onde poderemos explorar vários níveis à lá Super Mario Bros 3 e para passarmos ao “mundo” seguinte teremos de derrotar o boss desse mundo. Para isso precisamos no entanto de encontrar uma chave vermelha, que poderá estar em qualquer um dos níveis anteriores. Muitas vezes no final de cada um desses níveis (que por sua vez até poderão ter saídas alternativas) vamos encontrando alguns NPCs que nos vão dando algumas dicas, umas úteis, outras algo irrelevantes, mas ocasionalmente lá nos dizem onde está a tal chave vermelha. Quer isto dizer que se conhecermos bem o jogo não precisaremos de explorar todos os níveis para chegar ao seu final, se bem que muitos dos seus itens secretos, incluindo as chaves, obrigam-nos a disparar em lugares vazios na esperança que os mesmos surjam, algo que não é assim tão incomum em certos jogos da Hudson ou mesmo nalguns Wonder Boy da Westone.

Para além de Kakeru, o jogo atribui-nos mais 2 dos seus companheiros em cada nível, cada um com diferentes características.

Uma vez começando um dos níveis vemos que a jogabilidade está longe de ser a tradicional de um jogo de plataformas. Acima referi que o personagem principal era o jovem Kakeru, acompanhado de 4 amigos. Pois bem, desses 4 amigos, em cada nível teremos dois que nos seguirão para todo o lado e repetem todos os nossos movimentos. Kakeru é o líder, mas a qualquer momento poderemos alternar entre os restantes, cada qual com diferentes ataques e capacidades de salto. Por exemplo, o marinheiro tem um ataque capaz de atirar projécteis em arco que é bastante útil em certas ocasiões, por outro lado os seus saltos são péssimos. Já a menina é a que mais e melhor salta, mas não consegue atacar! A personagem líder é a única capaz de sofrer dano, mas outra curiosidade é que apesar de todos eles possuírem diferentes características, todos acabam por absorver as características da personagem líder, herdando os seus ataques e agilidade. É um sistema de jogo interessante mas sinceramente acaba por ser algo subaproveitado pois Kakeru serve perfeitamente na maioria do tempo.

As chaves azuis são usadas para abrir baús que por sua vez poderão ter outros itens interessantes… ou nem por isso

Mas e o Blink? O tal pónei com capacidades mágicas? Bom, sempre que confrontamos um boss acabamos por o fazer montados no próprio Blink, mas para além disso, sempre que pausamos o jogo num dos níveis normais, podemos invocar o Blink para nos regenerar a barra de vida, a troco de uma vida do próprio. De resto só mesmo para referir que como devem calcular vamos poder encontrar toda uma série de itens, como dinheiro que ao fim de coleccionar 100 nos extende a barra de vida, corações que regeneram parcialmente a nossa barra de vida, itens que nos dão maior agilidade, invencibilidade temporária, entre outros.

No final de cada nível poderemos falar com alguns NPCs que nos vão dando dicas

A nível audiovisual é um jogo interessante para a PC Engine. Por um lado é certo que as sprites são pequenas e com pouco detalhe, mas por outro lado há um uso fantástico de cor, resultando em níveis bastante coloridos e até bem distintos entre si. A banda sonora é também toda ela composta por músicas bastante alegres, agradáveis e que ficam no ouvido.

Portanto este Aoi/Blue Blink é um jogo de plataformas que apesar de estar longe dos grandes clássicos da era 8 e 16bit possui algumas mecânicas de jogo interessantes. Ainda assim, sinto que haveria potencial para melhor se aproveitar as mecânicas das diferentes características de cada personagem! De resto só mesmo para referir que apesar de este ser um título exclusivo de solo nipónico, existe no entanto um patch de tradução que nos permite jogá-lo em inglês.

Super Star Soldier (PC Engine)

Vamos voltar às rapidinhas e à PC Engine para um dos shmups mais conhecidos do seu catálogo. Na verdade a série Star Soldier até teve as suas origens nos sistemas MSX e Famicom, com o primeiro jogo intitulado de Star Soldier a ser lançado em 1986. Quatro anos depois sai então esta sequela para a PC Engine, embora esta até tenha tido a mão da Kaneko (Aero Blasters) no seu desenvolvimento. O meu exemplar foi comprado em Junho numa loja japonesa, tendo-me custado cerca de 30€.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

E este é então um frenético shmup vertical onde sozinhos teremos de lutar contra todo um exército de forças invasoras. Os controlos são simples, o d-pad serve para movimentar a nave, o select para definir a agilidade com que nos podemos mover e o botão II para disparar. O botão I tem uma função específica que já irei detalhar em seguida. Como sempre nós começamos o jogo com um poder de fogo muito limitado, mas rapidamente teremos acesso a uma série de itens e power ups coloridos que nos darão diferentes armas. A saber, os itens vermelhos melhoram a vulcan com a qual começamos, permitindo-nos disparar até 5 direcções distintas. As esferas azuis por sua vez mudam-nos a arma para um conjunto de círculos que dispersam e aumentam de tamanho com a distância, permitindo-nos assim alcançar uma área de fogo maior. Os verdes activam uns raios laser que no seu upgrade máximo permitem-nos dispara 3 lasers em simultâneo, todos eles capazes de atravessar os inimigos que atingem. Os amarelos são um lança-chamas que apesar de ser a arma mais poderosa do nosso arsenal, é também a que representa um maior risco devido ao seu curto alcance.

Temos 4 armas que poderemos utilizar, todas elas com diversos níveis de potência

Mas existem mais itens a ter em conta. Por exemplo se apanharmos uma esfera colorida da mesma arma que estamos a usar no momento e esta já tiver com o seu poder máximo, esse power up transforma-se antes numa bomba que é usada no momento e causa dano a todos os inimigos no ecrã. Esferas multicoloridas e a piscar causam o mesmo efeito! Outros itens importantes que poderemos apanhar são os mísseis teleguiados ou as options, mas estes não podem ser usados em simultâneo. Ou temos uns, ou outros. As options, dois satélites adicionais que navegam ao nosso lado não nos aumentam o poder de fogo mas são invencíveis, sendo então usados como escudos adicionais. Com recurso ao botão I podemos alternar a disposição das mesmas na horizontal e vertical e se apanharmos vários upgrades desses satélites as mesmas poderão até rodar automaticamente. Por outro lado, os mísseis poderão ser melhorados para termos quatro mísseis a serem disparados em simultâneo assim como a sua velocidade.

Alguns níveis obrigam-nos também a manobrar por entre o caos e evitar obstáculos

De resto este é um jogo difícil como seria de esperar. Os níveis vão tendo vários bosses para enfrentarmos e ocasionalmente alguns segmentos onde nos temos também de esquivar de alguns obstáculos dos cenários. As coisas começam com um nível de dificuldade acessível, mas a partir do quarto nível começam a complicar bastante, com inimigos cada vez mais numerosos, agressivos e com padrões mais complexos. O último nível então é de bradar aos céus, com a sua sequência de bosses! Para além do modo de jogo normal, convém também mencionar que este Super Star Soldier dispõe ainda de um Caravan mode, ou seja, um modo de jogo onde jogamos apenas um trecho (de 2 ou 5 minutos de duração) e o objectivo é mesmo o de fazer o máximo de pontos possível.

O boss do nível 4 é talvez o primeiro grande desafio que o jogo nos apresenta!

A nível audiovisual, este HuCard é uma autêntica relíquia. Os cenários vão sendo algo variados entre si, embora os seus 8 níveis decorram predominantemente em pleno espaço. Ainda assim os cenários estão muito bem detalhados, tal como os inimigos e é um jogo com uma óptima performance, pois podemos ter muitos projécteis e inimigos no ecrã, mas não reparei em qualquer abrandamento. E claro, ocasionalmente temos também alguns efeitos de parallax scrolling, o que é sempre de louvar pois o hardware da PC Engine não suporta isso nativamente. A banda sonora é igualmente fantástica, repleta de músicas enérgicas e que nos ficam no ouvido.

O lança chamas é talvez a arma mais poderosa, mas também a que nos deixa mais vulneráveis devido ao seu curto alcance

Portanto estamos aqui perante um clássico da PC Engine / TurboGrafx e que ainda recebeu umas quantas sequelas na mesma plataforma. Seguiu-se em 1991 o Final Soldier e em 1992 (afinal o Final foi tudo menos final) o Soldier Blade. Existem também uns lançamentos mais recentes (incluindo um jogo para a Nintendo 64 que eu não fazia ideia que existia pois não saiu cá na Europa). Pelo menos o Final Soldier ainda é um jogo que se arranja a preços minimamente decentes, pelo que o deverei jogar em breve. Aliás, já está a caminho do Japão para cá.

Tiger Road (PC Engine)

Lançado originalmente nas arcades através da Capcom em 1987, este Tiger Road é um jogo de acção 2D sidescroller que muito me faz lembrar o Kung Fu Kid da Master System, por partilhar algumas das temáticas e até inimigos. Eventualmente foi convertido para a PC Engine através de algum estúdio a cargo da nipónica Victor, sendo esta a única versão disponível numa consola, com todas as restantes a terem sido lançadas para os diversos computadores da década de 80 (curiosamente todas essas versões foram publicadas pela própria Capcom). O meu exemplar foi importado directamente do Japão algures em Junho por cerca de 40 dólares, tendo-me chegado às mãos já no mês seguinte.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Este jogo é então uma história de vingança, pois protagonizamos um guerreiro chamado Lee Wong que após ter partido numa viagem pela China em busca de aprimorar as suas artes marciais, recebe a notícia que o seu templo foi invadido, destruído e uma série de crianças também raptadas. Quem é o vilão? De acordo com o manual norte-americano é o Dragon God que, auxiliado por dezenas (ou centenas) de minions nos vão fazer a vida negra.

O que não nos faltam são itens para coleccionar mas nem todos são positivos

Tecnicamente este é um jogo com uma jogabilidade simples, com um botão a servir para saltar e outro para atacar. Estamos sempre equipados com uma arma branca, começando a aventura com um machado, mas podemos também encontrar uma morning star ou uma lança (que o manual da versão norte-americana teima em chamar de espada). Para além dessas armas adicionais o jogo está também repleto de outros itens e power ups que poderemos apanhar, podendo estes estar escondidos em caixas que teremos de destruir, ou largados por inimigos que derrotemos. Estes podem ser vasos com poções que nos restabelecem (ou diminuem!) a nossa barra de vida, itens que nos dão invencibilidade temporária, paralizam os inimigos no ecrã, aumentam o dano da arma, vidas extra entre outros que simplesmente nos dão mais pontos. O jogo está dividido em 5 níveis e no final dos primeiros 4 temos também um pequeno nível treino de bónus que podem ser divididos em duas categorias: apagar a chama de uma vela com machados dentro de um tempo limite (basicamente é um mash button) ou derrotar dezenas de inimigos também dentro de um certo tempo. Caso vençamos o primeiro tipo de treinos, a nossa barra de vida é expandida a um novo máximo, já no segundo caso desbloqueamos a técnica secreta “do tigre” onde a nossa arma é automaticamente substituída por uma arma mágica que lança poderos aparições de tigres com um bom alcance. O problema é que apenas conseguimos utilizar esta técnica sempre que tivermos a vida no máximo, o que vai ser muito raro.

Ocasionalmente teremos também alguns segmentos onde podemos voar livremente pelo ecrã, mas claro que tudo nos causa dano

Isto porque sim, como já devem ter adivinhado, e sendo este um jogo de acção com origens nas arcades, este Tiger Road é um jogo bastante desafiante. Os inimigos surgem de todas as direcções e com respawn constante pelo que mal temos tempo para respirar. Para além disso, de cada vez que sofremos dano a nossa personagem ressalta ligeiramente para trás, o que é um mimo para cairmos em abismos sem fundo nalguns segmentos com um platforming mais desafiante. O jogo tem apenas 3 continues, mas caso tenhamos a hipótese de salvar o nosso progresso em memória (o que acontece em sistemas como os Duo) temos sempre a hipótese de continuar a partir do último save.

De resto, no que diz respeito aos audiovisuais, o jogo é mais colorido que o original arcade mas perde no detalhe dos níveis, que não possuem qualquer parallax scrolling, por exemplo. As sprites também são mais pequenas e com menos detalhe, mas de resto até que há uma boa variedade de inimigos e cenários, todos eles influenciados por paisagens típicas da China e seus templos antigos. A banda sonora confesso que não a achei nada do outro mundo.

O jogo é bastante desafiante pelos inimigos que renascem constantemente e muito rapidamente nos rodeiam

Portanto este Tiger Road é um jogo de acção que apesar de ser interessante no papel, não deixa de ser também bastante desafiante devido às suas raízes nas arcades. Se gostam destes jogos de acção 2D sidescroller da segunda metade dos anos 80 e de um desafio então sim, recomendo que experimentem este Tiger Road.

PC Denjin: Punkic Cyborgs (PC Engine)

Vamos voltar à PC Engine para mais um dos inúmeros shmups que fazem parte da sua biblioteca, desta vez para um título que é bem mais conhecido por cá pelo seu nome ocidental: Air Zonk. Produzido pela Red Company, quaisquer semelhanças com a série PC Genjin / Bonks / PC Kid não são mera coincidência, pois são videojogos que decorrem no mesmo universo. Enquanto que a série original é uma série de jogos de plataformas 2D e que decorrem na pré-história, a série PC Denjin / Air Zonk já é passada no futuro com um protagonista novo, um cyborg também cabeçudo mas com bem mais estilo. O meu exemplar foi comprado em Junho deste ano, na vinted a um bom preço pois usei algum saldo que tinha na conta para abater no seu preço inicial.

Jogo com caixa e manual embutido com a sua capa

Ora como referi acima este é um jogo muito diferente dos PC Genjin / Bonks, na medida em que é um shmup horizontal. Mas é também um jogo cheio de carisma, com gráficos no mesmo estilo cartoon da série original. No que diz respeito à jogabilidade, o botão II serve para disparar normalmente, enquanto o botão I serve para activar os charged attacks, ou seja, mantendo o botão pressionado durante algum tempo e largá-lo para que o Zonk active algum ataque mais poderoso. O start pausa, já o select serve para disparar à retaguarda, o que não dá lá muito jeito pelo seu posicionamento. De resto, como devem calcular existem vários itens que podemos coleccionar, alguns como as caras sorridentes apenas nos dão pontos extra, outros já podem ser armas completamente diferentes que poderemos equipar, cada qual também com um ataque especial. Mas o melhor é mesmo os sidekicks que poderemos trazer antes de cada nível. Antes de começarmos cada um dos níveis temos então um elenco de várias personagens bizarras à escolha e poderemos deixar o CPU escolher aquela que talvez seja a melhor para o nível em questão, escolhermos nós uma, ou decidir até não as usar de todo, para um desafio maior. Mas esses sidekicks não entram logo em acção, pois temos primeiro de apanhar um power up muito específico: caras sorridentes maiores e claro, com óculos de sol. Quando apanhamos o primeiro desses itens lá invocamos o tal parceiro que voa ao nosso lado e nos aumenta o poder de fogo, já ao apanhar um segundo, o sidekick funde-se connosco, tornando-nos assim ainda mais poderosos e temporariamente invencíveis!

A cut-scene inicial mostra-nos a transformação de Bonk em Zonk. Sempre pensei que o Zonk fosse uma personagem inteiramente nova!

Não há como negar a enorme criatividade que a Red teve ao desenhar todos estes power ups distintos. Temos desde mísseis teleguiados, bumerangues, cartas que são lançadas de forma a cobrir uma grande parte do ecrã, armadilhas para ursos (sim leram bem) entre outros. Os sidekicks são ainda mais originais, com personagens tão bizarras como um dispensador de pastilhas elásticas, uma múmia com uma broca na cabeça ou uma vaca insuflada, todos com diferentes habilidades e ataques especiais. E estes são apenas alguns exemplos, pois temos 5 níveis ao todo, mas o dobro de sidekicks, o que de certa forma também lhe aumenta a longevidade.

O sistema de power ups e sidekicks é super original. Sim, um dos companheiros pode ser um cão que se funde connosco na sua forma final e sim, os ataques são os seus próprios latidos.

Em relação aos audiovisuais este é mais um trabalho fantástico nesse campo pois toda esta bizarrice está presente nas personagens principais, inimigos e bosses (que tipicamente até são bem grandinhos), todos bem detalhados e animados e com aquele estilo cartoon bem característico da série. Os níveis são também variados nos seus cenários que por sua vez estão também bem coloridos e detalhados. É sempre de realçar a presença de múltiplas camadas de parallax scrolling, relembrando que o hardware da PC Engine / Turbografx-16 não suporta tal de forma nativa. Existem alguns abrandamentos quando o ecrã está repleto de inimigos e projécteis, mas nada que afecte de forma severa o jogo. A banda sonora é fantástica, repleta de temas bem enérgicos e que representam muito bem a atmosfera bem humorada que o jogo nos incute constantemente. Ah, e este é um jogo que sai num minúsculo HuCard e não num CD, tal como a sua sequela CD Denjin (que por acaso planeio jogar em breve).

Todos os níveis têm uma série de bosses e mini bosses que tipicamente são também bastante bizarros e imaginativos

Portanto estamos perante um grande clássico desta plataforma, mesmo num sistema repleto de muitos shmups de qualidade, este Air Zonk / PC Denjin é um cute’em up com uns visuais e músicas fantásticas para o hardware que o corre e com muita, muita criatividade na jogabilidade, power ups e sidekicks.