The Legendary Axe (Turbografx-16)

Continuando pela PC-Engine / Turbografx-16, mas agora com um jogo bem melhor, este The Legendary Axe, produzido pela Victor Entertainment, foi um dos títulos de lançamento da consola no mercado norte-americano. E muitos norte-americanos referem que este sim, deveria ser o jogo incluído com a consola no seu lançamento, ao invés do Keith Courage, que sinceramente ainda não joguei. Nós, Europeus, recebemos a Turbografx com o Blazing Lazers, que também foi uma óptima escolha. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Janeiro, tendo-me custado pouco mais de 20€.

Jogo com caixa e manual embutido na caixa

Este The Legendary Axe é um jogo de acção 2D sidescroller onde controlamos um guerreiro bárbaro, Gogan. É uma espécie de clone do Rastan portanto, mas a meu ver joga-se muito melhor. O objectivo é então o de Gogan salvar a sua amiga Flare que se preparava para servir de sacrifício humano por parte de um poderoso culto que tomou controlo da sua terra.

Ao longo dos níveis vamos encontrar vários mini bosses, inimigos mais poderosos que os demais que ainda vão demorar um pouco a derrotar

A jogabilidade é super simples, com um botão para saltar e o outro para atacar com o seu machado. Temos uma barra de vida algo generosa e à medida que vamos avançando no jogo poderemos encontrar vários itens que poderemos coleccionar. Uns são meras pedras preciosas que nos aumentam a pontuação. Outros são esferas vermelhas que nos vão regenerando a barra de vida, mas poderemos também encontrar vidas extra, asas que melhoram a agilidade dos nossos ataques ou, mais importante que todos, há uns power ups dourados que melhoram o nosso poder de ataque. Temos 4 para coleccionar ao longo de 6 níveis e por cada item desses que coleccionemos, há uma barra de energia que vai sendo expandida. Com essa barra no máximo, os nossos ataques dão mais dano, com a mesma a ser regenerada automaticamente a cada ataque. Quanto maior for a barra de energia, mais poderosos os nossos ataques são, mas também mais tempo a mesma demora a ser restabelecida, pelo que quando enfrentarmos os inimigos mais poderosos teremos de ter isso em conta. De resto é um jogo algo linear, embora possua alguns caminhos alternativos que nos levem a becos sem saída, mas com itens de bónus para coleccionar. A notável excepção vai no entanto para o quinto nível, que é um autêntico labirinto dividido por várias salas, muitas delas com mais que uma saída, pelo que teremos de ter alguma preserverança até encontrar o caminho certo.

Graficamente é um jogo interessante, bastante colorido mas por vezes ainda se nota bem que é um título que transita entre as gerações 8 e 16bit.

A nível audiovisual, nota-se bem que este é um jogo do início de vida da Turbografx-16, pois ainda está ali num híbrido entre um jogo tipicamente 8bit, mas muito mais rico em cor e algum detalhe gráfico que já antecipa o que a geração das 16bit seria capaz. Os cenários vão variando entre selvas, florestas, cavernas, montanhas ou ruínas/edifícios em pedra. As músicas são agradáveis, mas é engraçado que em algumas não consigo deixar de notar algumas semelhanças com o som que a Master System é capaz de produzir, como é o caso das músicas das cavernas. Essas parecem-me que utilizam apenas o PSG e nenhuma das funcionalidades PCM que a PC-Engine/TG16 também traz de raiz, daí me ter lembrado a Master System.

Eventualmente vamos encontrar power ups que nos permitam ter uma barra de energia (no topo do ecrã) que pode ser expandida até 4 unidades. Sempre que esteja no máximo, os nossos ataques dão muito mais dano

Portanto este The Legendary Axe até que se revelou uma excelente surpresa. É um jogo de acção 2D bastante sólido que, apesar de ir buscar muito da moda dos guerreiros bárbaros que vimos nos anos 80, tal como aconteceu com Golden Axe ou Rastan, acaba por se controlar muito melhor que este último, por exemplo. A Victor produziu uma sequela que chegou dois anos depois (1990) também a este sistema. Estou curioso em jogá-la um dia destes, a ver se a arranjo.

Kickball (PC-Engine)

Continuando pelas rapidinhas e agora para mais um jogo de desporto da PC-Engine, este Kickball, publicado pela NCS/Masaya foi um jogo que me surpreendeu pela negativa pelo que irei comentar a seguir. Tal como a maior parte dos outros jogos de desporto desta consola que trouxe recentemente/vou trazer no futuro, este veio num lote de 15 jogos que importei directamente do Japão algures no passado mês de dezembro a um preço muito convidativo, cerca de 5€ já a contar com portes e alfândega.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Este Kickball era então, dos jogos de desporto daquele lote, o que me despertava maior curiosidade pois pela sua capa pensei que fosse um jogo de futebol meio maluco, ou um híbrido de jogo de futebol e do jogo do “mata”, que é muito popular no Japão também. Mas não, este é na sua essência um jogo de baseball, mas com elementos de futebol e do tal jogo do mata. Basicamente pensem que estão numa partida de baseball, mas em vez de o batedor usar um taco, usa os seus pés para pontapear a bola o mais longe possível. Para além disso, enquanto os jogadores da equipa que deu o pontapé se vão movimentando entre as bases, a equipa adversária, assim que tiver a bola em sua posse, pode atirá-la a “matar” para esses mesmos corredores, evitando que eles alcancem a base seguinte.

As equipas são completamente bizarras!

Basicamente podemos jogar partidas de um ou 2 jogadores, onde poderemos escolher uma de 7 equipas bastante bizarras. Para terem uma ideia, temos equipas de focas, polvos gigantes, lutadores de sumo, gajos bombados e carecas, entre outras personagens. Cada equipa tem um poder especial no momento de atirar a bola de forma a dificultar a vida a quem tiver de a pontapear. Por outro lado, quem estiver a pontapear também o poderá fazer com bastante força de tal forma que atordoe por breves momentos quem apanhar a bola a seguir, o que poderá facilitar a transição entre bases. Agora como fazer isso é que sinceramente nunca entendi, pois o google lens não foi de grande ajuda a traduzir o manual.

O jogo até que possui algumas animações bastante cómicas, o que assenta bem perante toda a bizarrice

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado. As personagens super bizarras também vão tendo algumas animações cómicas que resultam bem num jogo que aparenta ser sempre bem humorado. As músicas também são agradáveis, pena mesmo é que eu continuo sem entender muito bem o que tenho de fazer num jogo de baseball, e por muitos floreados que o jogo tenha, não deixa de ser um jogo de baseball na sua génese.

Super Volleyball (PC-Engine)

Vamos voltar às rapidinhas a jogos de desporto da PC-Engine, agora com um jogo de voleibol. Super Volleyball teve as suas origens como um jogo arcade da Videosystem lançado em 1989, tendo posteriormente recebido conversões para a PC-Engine / Turbografx-16 em 1990 e para a Mega Drive em 1991 embora esta última nunca tenha cá chegado à Europa. O meu exemplar é a versão japonesa da PC-Engine e foi comprada algures em Dezembro num lote considerável de jogos, infelizmente a maioria de desporto, mas que mesmo assim me ficou a cerca de 5€ por jogo, já a contar com portes e alfândega. Edit: arranjei recentemente uma versão Turbografx-16 nacional, pelo que acabei por acrescentar a esta na colecção.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Este é então um jogo de volleyball com uma perspectiva vista de lado e que muito me fez lembrar o Hyper V-Ball da Super Nintendo, também produzido pela Videosystem. A diferença é que, pelo menos na altura em que o joguei através de emulação há cerca de 20 anos atrás, tinha gostado bastante do jogo. Já este jogo aqui da PC-Engine, infelizmente não foi o caso. Mas vamos começar pelo básico. Podemos escolher modos de jogo para um ou para dois jogadores, onde no primeiro caso poderemos jogar partidas individuais ou uma espécie de campeonato do mundo onde teremos de escolher uma de 8 selecções nacionais e defrontar as restante sete. Existe também uma opção para observar o CPU a jogar entre si e uma outra para criar a nossa própria equipa, embora não tenha perdido tempo com isso, confesso.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e um manual adicional em português.

Os controlos são relativamente simples. O botão I é o principal botão de acção, sendo usado para servir, passar a bola entre os nossos colegas de equipa e atirá-la para a área adversária, enquanto o botão II serve para bloquear os “remates” da equipa adversária. Existem no entanto diferentes combinações de botões para os serviços, bem como algumas técnicas mais avançadas para os spikes, mas infelizmente não consegui arranjar uma versão digitalizada do manual norte-americano, pelo que não consigo dar mais detalhes. Em todos os momentos nós podemos controlar o posicionamento jogador que fica numa posição mais de retaguarda com o d-pad e a maior dificuldade que tive foi precisamente perceber qual a melhor localização que deveria tomar para receber as jogadas adversárias. A maior parte das vezes não estava bem posicionado e lá perdia mais uns quantos pontos. Mesmo a atacar ou bloquear por vezes há também um certo timing que devemos ter em atenção e por vezes já não reagia a tempo. Por exemplo, quando estamos a preparar o serviço ou o spike e atiramos a bola pelo ar, durante breves momentos esta fica vermelha e é a indicação que o jogo nos dá que deveremos atacar a bola nessa altura.

Uma das opções que poderemos customizar é a duração de cada set

A nível audiovisual é um jogo super simples, embora as personagens até que têm um bom detalhe e animações. As músicas só existem no ecrã título, menus e entre partidas, existindo também um ou outro jingle quando alguma equipa pontua. São músicas agradáveis, mas durante as partidas apenas iremos ouvir o ruído dos jogadores a interagirem com a bola, os apitos do pavilhão desportivo e algumas reacções do público. É um jogo super simples visualmente.

Em cima, a roxo, vemos a posição dos receivers, que podem ser controlados a qualquer momento com o d-pad, mesmo que a câmara oculte a sua posição

Portanto devo dizer que este Super Volleyball acabou por ser uma desilusão, porque eu lembro-me de ter jogado uma das suas sequelas há muitos anos atrás (o tal Hyper V-Ball da Super Nintendo) e não ter tido grandes problemas com a jogabilidade como tive neste jogo da PC-Engine. Mas também pode ser a memória a pregar-me partidas…

Wai Wai Mahjong (PC-Engine)

O artigo de hoje será uma super rapidinha pois é um jogo de mahjong e eu entendo tanto de mahjong como da taxa de crescimento de nenúfares nos lagos da Hungria. Quando tentei completar o Yakuza 2 a 100%, havia lá uma sidequest que envolvia derrotar algum mestre de mahjong. E eu tentei aprender a jogar mas não é algo que se aprenda de um dia para o outro pelo que ao fim de várias tentativas acabei por desistir. Este Wai Wai Mahjong para a PC Engine é um jogo produzido pela Videosystem e veio cá parar à colecção após ter sido comprado num grande lote de jogos no Japão, tendo-me ficado por menos de 5€ cada jogo, já a contar com portes e alfândega.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card.

Pensem no mahjong como uma espécie de híbrido entre dominó e poker (certamente não terá nada a ver, mas fica a analogia). Dominó porque existem várias pedras com diferentes símbolos, alguns com caracteres chineses, outras com círculos ou canas de bambú e poker porque tipicamente nos videojogos o mahjong é jogado a dinheiro. A partir daí é um mistério completo para mim, mas pelo que entendi pelo pouco que joguei, e pelo que consegui traduzir do manual, a ideia será defrontar uma série de oponentes e sacar-lhes todo o seu dinheiro. Poderemos gravar o progresso no jogo com passwords em kanji e eventualmente poderemos também comprar certos power ups que nos possam auxiliar nas partidas, como espreitar a mão do nosso oponente, por exemplo. Será um jogo inteiramente para um jogador pois no multiplayer não haveria qualquer hipótese de ocultar as mãos dos jogadores entre si.

Escolher peças à sorte e esperar pelo melhor.

A nível audiovisual é um jogo extremamente simples, com os nossos oponentes a serem representados como caricaturas algo cómicas e as suas expressões faciais a mudarem entre a felicidade e a desolação caso percam ou ganhem dinheiro no final de cada jogada. As músicas são também algo calmas e agradáveis.

Eventualmente poderemos gastar o dinheiro que vamos amealhando em power ups

E pronto, fica assim o meu primeiro artigo sobre um jogo de mahjong. Este foi um jogo que chegou à minha colecção por ter vindo em bundle, pois de outra forma nunca o compraria. E os jogos de mahjong que eventualmente venha a arranjar no futuro também chegarão cá da mesma forma certamente e não esperem por um artigo mais elaborado quando os documentar.

Alien Crush (Turbografx-16)

O Dragon’s Fury para a Mega Drive foi para mim uma excelente surpresa pois revelou-se um jogo de pinball fantasioso, com visuais sinistros e uma banda sonora tão metal que entrou directamente para o meu top de bandas sonoras preferidas na Mega Drive! Mas quando descobri que Dragon’s Fury era na verdade uma conversão de Devil’s Crush para a PC-Engine / Turbografx-16 e que haviam ainda mais uns quantos jogos na série, naturalmente que os quis experimentar. Este Alien Crush é na verdade o primeiro desses jogos da série “Pinball Crush”, tendo sido produzido pela Compile, publicado pela Naxat Soft e, não contando relançamentos digitais, permaneceu exclusivo da consola da NEC/Hudson. Arranjei recentemente um lote de vários jogos TG-16 na vinted, todos eles edições nacionais, pelo que acabei por substituir o meu exemplar anterior.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e um manual adicional em português.

Ora tal como o seu sucessor, estamos perante mais um jogo de pinball com visuais sinistros, mas ao invés de possuir um tema mais dark fantasy, este é mesmo muito mais H.R. Gigeriano com todas as suas influências do xenomorfo mais fofinho do universo. Ou seja, em vez de pequenos demónios, bruxas, dragões e afins, vamos ver vários tipos de aliens e criaturas grotescas a passearem-se pelo ecrã. Tal como o seu sucessor, o objectivo é atingir um milhar de milhão de pontos e para isso vamos ter de encaminhar a bola por uma série de passagens, fazê-la interagir com vários interruptores, encaixá-la em diversos buracos, entre outros. Com uma série dessas acções vamos poder activar alguns multiplicadores de pontos e eventualmente até desbloquear passagens para outras pequenas mesas de pinball. A mesa principal possui dois andares e as mesas de pinball de bónus, apesar de terem o mesmo ecrã de fundo, vão tendo uma série de diferentes inimigos com diferentes mecânicas de jogo e/ou padrões de movimento e que deveremos tentar derrotar a todos, uma vez mais em busca do maior número de pontos possível.

As influências de H.R. Giger nos gráficos são bastante notórias e sinceramente assentam que nem uma luva

É um jogo bastante agradável de se jogar e os seus visuais grotescos assentam-lhe realmente que nem uma luva mas ainda assim, o Dragon’s Fury continua a ser o meu preferido. É incrível a quantidade de coisas que a sequela melhorou: a mesa de pinball principal é maior, há uma maior variedade visual nas mesas secundárias e até temos um boss final para defrontar! No entanto, é preciso ver que tendo em conta o tipo de jogos de pinball que existiam antes deste Alien Crush ter sido lançado, este foi mesmo uma grande pedrada no charco! A banda sonora também está a anos luz da sua sequela, mas o tema Lunar Eclipse mantém aquele hard rock que tanto gosto. As outras músicas são agradáveis, mas não no mesmo nível.

Antes de começar o jogo podemos escolher qual destas duas músicas queremos para a mesa principal. A primeira é mais rock puro e duro, a segunda é bem mais sinistra

Portanto este é mais um jogo de pinball muito interessante pela sua jogabilidade sólida, visuais grotescos e uma banda sonora rock que me agrada bastante. A sua sequela Devils Crush / Dragon’s Fury é superior em todos os campos, mas não deixa de ser um jogo muito importante, quanto mais não seja por ter aberto portas a jogos de pinball menos de simulação e mais “videojogos” em si.