Dragon Slayer: The Legend of Heroes (PC-Engine CD)

Vamos ficar agora na PC-Engine CD, para um dos muitos RPGs existentes na sua biblioteca, mas dos pouquíssimos que tiveram um lançamento oficial fora do Japão, ou que até tenham recebido traduções feitas por fãs. A série Dragon Slayer é muito peculiar da Falcom. O seu primeiro jogo (de 1984) é um dos precursores dos JRPGs como um todo, mas após esse primeiro lançamento, curiosamente todas as suas sequelas deram origem a outras séries completamente distintas entre si. Sorcerian, Lord Monarch ou Xanadu são apenas alguns dos exemplos em que o primeiro jogo de cada uma dessas séries, possui Dragon Slayer no nome. The Legend of Heroes é mais um desses casos, com a série a receber inúmeras sequelas, até se tornar mais popular no ocidente com o lançamento das sagas Trails of the Sky ou Trails of the Cold Steel. O meu exemplar é a versão Japonesa de PC-Engine, pelo que joguei antes a versão Norte-Americana por emulação. Comprei-o no ebay em bundle com vários outros jogos algures em Fevereiro deste ano, creio que me terá custado à volta dos 10/15€.

Jogo com caixa, manual, spinecard e poster/mapa

A história deste primeiro The Legend of Heroes é simples e começa por mostrar-nos uma cutscene anime que conta que há 10 anos atrás, o reino de Farlayne foi invadido por monstros e na batalha da sua defesa o Rei acabou por morrer. Como o seu único herdeiro, o príncipe Logan, tinha apenas 6 anos de idade e ainda não podia governar, o Barão Drax acabou por se tornar regente. Para a “segurança” de Logan, o pequeno príncipe foi exilado numa aldeia onde iria viver em segurança até aos 16 anos, altura em que poderia reclamar o trono para si. E é precisamente na data em que Logan faz 16 anos que começamos a aventura. Quando o jovem príncipe se prepara para voltar ao seu reino, o Barão Drax ataca a aldeia e tenta matá-lo! Felizmente não o consegue fazer e naturalmente iremos perseguir Drax e procurar vingança. Também naturalmente que, à medida que vamos avançando na história e conhecer novas terras e pessoas, a narrativa vai lentamente revelando que há algo sinistro à espreita e eventualmente lá teremos de salvar o mundo também.

Apesar da narrativa estar dividida em capítulos, vamos poder explorar as regiões anteriores livremente. Eventualmente.

Já no que diz respeito às mecânicas de jogo, não esperem por nada de muito complicado. Este é então um JRPG típico com batalhas por turnos e encontros (algo) aleatórios. Digo algo aleatórios pois os inimigos estão presentes no ecrã do mapa mundo ou dungeons, mas estão invisíveis a menos que usemos algum item para revelar a sua localização. E mesmo que revelem a sua localização, os inimigos que vagueiam pelo ecrã possuem todos a mesma sprite genérica, pelo que só ficam a saber quem são quando entram num combate. Os combates são por turnos onde no nosso turno temos as típicas acções que podemos desempenhar: ataque físico, defender, usar item, usar magia, fugir, entre outros. Uma das acções que podemos definir são as batalhas automáticas, o que é uma óptima maneira de acelerar o processo de grinding. Uma das outras particularidades a mencionar é o facto de, cada vez que uma das nossas personagens sobe de nível, poderemos assignar os skill points ganhos livremente em categorias de força, inteligência, velocidade e sorte. O sistema de magias também é algo fora do convencional neste jogo, na medida em que não há propriamente classes no jogo, cada personagem pode aprender as magias que quiser. E estas não são aprendidas à medida em que subimos de nível, mas sim, devem ir sendo compradas ao longo do jogo. Na verdade nem são compradas, as magias vão sendo oferecidas por alguns NPCs específicos e poderemos assigná-las livremente ao nosso grupo, tendo em conta que cada personagem possui 7 slots disponíveis.

As batalhas são travadas na primeira pessoa e temos sempre a possibilidade de as automatizar para tornar o grinding menos moroso

A nível gráfico este é ainda um jogo muito simples. Estava à espera de ver mais cutscenes, mas infelizmente estas só existem no início e fim do jogo. De resto, as cidades, dungeons e mapa mundo no geral são compostas por visuais típicos de JRPGs do final da década de 80. As batalhas já são travadas na primeira pessoa e os inimigos já vão sendo algo variados entre si e possuem designs que pessoalmente me agradam. No entanto não esperem por visuais “full screen“, pois o ecrã está constantemente dividido em duas janelas, tanto na exploração, como no combate. À direita temos sempre um resumo do estado de cada uma das personagens do nosso grupo, bem como informação do dinheiro amealhado. A janela da esquerda é a que mostra os gráficos do jogo. Este tipo de disposição visual é muito típica de RPGs nipónicos que tenham surgido em computadores, o que é o caso deste. Já no que diz respeito à banda sonora, bom, essa é excelente, tal como a Falcom nos habituou. A versão PC Engine possui músicas no formato CD audio ou em chiptune (podemos optar por ouvir quais quisermos nas opções) e estas foram naturalmente rearranjadas para esta versão. Podem então ouvir uma banda sonora repleta de músicas de vários géneros musicais, desde o rock, electrónica, jazz, funk, sempre com aqueles sintetizadores típicos da segunda metade dos anos 80! Aliás, a banda sonora desta versão fez-me lembrar bastante a banda sonora do Ys IV: The Dawn of Ys, até porque quem fez os arranjos PC-Engine CD dos dois jogos foi o mesmo senhor: Ryo Yonemitsu. De resto podem também ouvir imensos diálogos falados com voice acting em Japonês ou Inglês, dependendo da versão que estejam a jogar. O voice acting em si (pelo menos da versão norte americana) é francamente mau mas hey, eles tentaram! No entanto, é pena que, quando ouvimos o voice acting, não existam quaisquer legendas ou indicações visuais sobre que personagem está a falar no momento.

Pena que o jogo não tenha tido mais cutscenes para além da introdução e final

Portanto este Dragon Slayer: The Legend of Heroes acaba por ser um RPG decente. Não reinventa a roda, mas não deixa de ser bastante sólido na aventura que nos apresenta. Foi um jogo que foi lançado originalmente para uma série de computadores nipónicos entre 1989 e 1990, mas acabou por ser convertido para outras consolas também como a Super Famicom ou esta versão PC-Engine CD, que ganha precisamente pelo seu suporte CD com o voice acting e músicas em qualidade CD Audio. A versão Mega Drive, convertida pela Sega em 1994 também me parece interessante! De resto este primeiro The Legend of Heroes recebeu uma sequela directa em 1992, também lançado para uma multitude de diferentes sistemas, incluindo a PC-Engine CD, mas infelizmente este ainda não recebeu qualquer tradução para inglês, oficial, ou por fãs.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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