Quest for Glory: Shadows of Darkness (PC)

Voltando à saga Quest for Glory, vamos ficar agora com este Shadow of Darkness, que é na verdade o quarto jogo desta pentalogia sendo uma vez mais um híbrido entre uma aventura gráfica do estilo point and click com alguns elementos de RPG. E tal como todos os jogos da Sierra clássica que tenho vindo cá a trazer nos últimos tempos, este meu exemplar digital foi também adquirido algures no ano passado, num bundle que continha dezenas de clássicos da Sierra a um preço muito convidativo.

Na verdade, o jogo anterior foi uma espécie de história adicional, pois a equipa que produziu esta saga a idealizou desde cedo como tendo quatro videojogos. Aliás, no final do Quest for Glory II é-nos dito precisamente que a aventura seguinte seria esta “Shadows of Darkness”. E aqui, o nosso herói é misteriosamente transportado para uma caverna sinistra, repleta de referências a seres malignos que fazem muito lembrar as criaturas de H.P. Lovecraft. Mas uma vez escapando dessa caverna, reparamos que chegamos à terra de Mordavia. Uma vez mais a série a remeter-nos para um ambiente de fantasia medieval europeia, embora agora mais focada no misticismo das nações mais a leste, com muitas parecenças com a Transilvânia, não fossem os vampiros um dos focos da história, mas também com algumas criaturas do seu folclore, como os Leshys e Rosalkas (obrigado The Witcher por me ter introduzido nestas andanças).

Cada classe possui diferentes atributos, se bem que muitos destes podem ser melhorados com práctica e treino. Por exemplo, tentar escalar paredes regularmente, atirar pedras ou destrancar portas repetidamente irá melhorar os atributos de climbing, throwing e pick locks respectivamente

E uma vez mais, tal como no primeiro jogo, temos aqui uma aldeia central, cuja estalagem serve do nosso ponto de repouso principal. Teremos de explorar exaustivamente os cenários e interagir com todos os NPCs que nos vão aparecendo à frente, pois todos possuem alguma história interessante e quests que podemos (e devemos!) tentar completar para os ajudar. Mas claro, temos de ter algum cuidado pois à noite os portões da cidade fecham-se e é nessa altura que vagueiam as criaturas mais poderosas. Mas claro, a exploração nocturna será algo que também terá de ser feita e no fim de contas haverão uns quantos vilões importantes que deveremos enfrentar e salvar Mordavia do seu destino sinistro.

Graficamente é um jogo que apresenta cenários em 2D muito bem detalhados e animados, como os jogos da Sierra em VGA bem nos habituaram

Como já referi acima, o jogo é um híbrido entre uma aventura gráfica e um RPG ocidental. Por um lado temos toda aquela interface point and click onde com o cursor do rato, e mediante o ícone seleccionado, poderemo-nos movimentar pelos cenários, observar, falar com NPCs ou interagir com objectos. Ocasionalmente temos mesmo alguns puzzles mais “a sério” para resolver! No que diz respeito aos elementos de RPG, estes começam pelo facto de, ao iniciar o jogo, termos de assignar a nossa personagem a uma de 3 classes: guerreiro, ladrão e feiticeiro, cada qual com os seus pontos fortes e fracos, embora seja possível evoluir alguns atributos de forma independente, criando assim uma espécie de classes híbridas. Poderemos também importar a personagem de qualquer um dos jogos anteriores, e, no caso de termos desbloqueado a classe de paladino, poderemos começar esta aventura com essa classe. Cada classe tem as suas particularidades como já referi, e por vezes teremos até diferentes soluções para os mesmos problemas, consoante a classe escolhida. A classe de paladino possui algumas quests adicionais que são interessantes para a história como um todo, também.

Nos diálogos com as personagens temos direito a um retrato mais detalhado das mesmas… mas confesso que não gostei muito da sua representação

De resto, o nosso herói tem uma barra de vida, outra de fadiga e uma outra de magia, à qual temos de ter em atenção constante, não só nos combates, mas também em certos elementos de exploração. Correr causa fadiga, assim como tentar escalar paredes, por exemplo. Tal como nos jogos anteriores, no entanto, poderemos evoluir certos stats da nossa personagem ao practicar os mesmos movimentos vezes sem conta. Outras coisas a ter em atenção são o facto de o jogo ter um sistema de dia e noite e a nossa personagem precisar de comer e descansar com regularidade. O sistema de combate foi modificado perante os seus antecessores, mas ainda está longe de ser óptimo, o que é uma pena. Basicamente a perspectiva foi mudada para uma de sidescroller em 2D e todo o combate é uma vez mais desempenhado usando o rato, mas infelizmente de uma maneira ainda bastante confusa. Felizmente é possível ajustar diversos parâmetros de desempenho da inteligência artificial e deixar as batalhas decorrerem automaticamente.

As batalhas são agora travadas num ecrã em 2D sidescroller, mas infelizmente a interface continua bastante confusa

Mas ao menos, no que diz respeito à narrativa, aqui a Sierra fez um bom trabalho. A versão do jogo que está incluida nesta compilação no steam é a mesma que foi lançada no formato CD-ROM, portanto, para além de uma pequena cutscene inicial num CGI ainda algo primitivo, temos direito a todo o voice acting, incluindo a voz grave do narrador que vai narrando todos os nossos diálogos e acções. As restantes personagens possuem vozes próprias e a qualidade do acting vai variando um pouco, mas no geral está um bom trabalho, a meu ver. Já a nível gráfico, esperem por cenários em 2D bem trabalhados, mas sinceramente não gostei muito dos retratos das personagens durante os diálogos. É mesmo uma mera questão de gosto pessoal, pois já gostei da representação das mesmas em pixel art, nos cenários.

Curioso a ver como a saga terminará no seu quinto jogo, que, tendo sido lançado em 1988, já possui gráficos poligonais que certamente não terão envelhecido tão bem quanto estes.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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