Doom (Sega 32X)

Vamos ficar agora com mais uma rapidinha, não que o jogo não mereça uma análise mais detalhada, mas já o fiz numa versão largamente superior a esta, para o PC. Esta versão para a 32X estava a ser desenvolvida em paralelo com a versão da Atari Jaguar, mas o seu desenvolvimento teve de ser apressado para coincidir com a janela de lançamento do add-on nos Estados Unidos. Como a própria 32X também teve um lançamento algo atribulado, não poderia dar bom resultado. O meu exemplar veio de uma CeX no interior do país, tendo-me custado 10€.

Apenas cartucho

Este é um daqueles jogos que dá jeito usar um comando de 6 botões, que nos permite mapear cada acção directamente a um botão. Se usarmos um comando de 3 botões, para algumas acções teremos de usar uma combinação de botões em conjunto com o Start. O botão B dispara, o C é o botão de acção onde podemos abrir portas e outras passagens secretas. O botão A serve para correr. Pressionando o D-pad em conjunto com o C serve também para o strafing, ou seja, a movimentação lateral, muito útil para escapar do fogo inimigo. Os botões X e Y servem para escolher as armas a usar e, por fim o botão Z serve para abrir o mapa. A nível de controlos as coisas até que ficaram interessantes, portanto.

Ao longe as sprites são muito pixelizadas

Antes de abordar a questão da performance, gráficos e afins, convém também abordar um pouco mais a fundo a questão desta versão ter tido mesmo muito conteúdo cortado. O lançamento original de Doom no PC trazia 3 episódios, o primeiro passado na lua Marciana de Phobos, o segundo em Deimos e por fim o último no próprio Inferno. Esta versão 32X corta o último episódio por completo, bem como alguns níveis dos primeiros dois. Para além disso, a BFG-9000 não está aqui disponível (a não ser que usem alguma batota), bem como a partir do momento que desbloqueamos a motoserra, não podemos voltar a usar os punhos. Inimigos como o Spectre (talvez pelas suas transparências?), Cyberdemon e Spiderdemon também foram cortados, este último certamente por apenas ter surgido já no episódio 3 que também tinha sido cortado. Certamente que terão sido restrições de espaço para caber num cartucho de 24megabit (3MB).

Apesar do gore ainda estar lá, muitos detalhes foram perdidos.

A nível técnico, bom o jogo é apresentado num ecrã reduzido, certamente para evitar problemas de performance. As texturas também foram altamente simplificadas e os inimigos apenas possuem animações frontais, provavelmente também para economizar espaço no cartucho. As sprites dos inimigos aparecem altamente pixelizadas quando vistas ao longe, não escalam tão bem quanto na versão PC. As cores dos níveis e menus no geral, aparecem também um pouco deslavadas, o que já não compreendo pois a 32X já suporta uma paleta de cores bem superior à original da Mega Drive. Mas se por um lado algum compromisso no departamento gráfico seria expectável, até porque o desenvolvimento do jogo foi bastante apressado para coincidir com o lançamento da 32X, o que já não estava à espera era de as músicas serem tão más. O hardware da 32X também inclui algumas melhorias de som, mas a id decidiu utilizar apenas o chip de som normal da própria Mega Drive. O problema é que não o usaram nada bem. As conhecidas músicas do original estão aqui representadas, mas sem a mesma força. Outras músicas que não me lembro de ter ouvido na versão PC estão também aqui presentes, mas são francamente más.

Claro que a motoserra não poderia faltar

Portanto este Doom para a 32X acaba por ser uma desilusão. Por um lado, graficamente é uma versão competente, embora acho que a 32X conseguiria fazer melhor, e melhor que a versão SNES nesse aspecto. Por outro lado, o seu desenvolvimento apressado é bastante notório, com muita coisa cortada e que poderia (e deveria) ter sido incluida, assim como o som que deveria ser melhor. A versão SNES possui menos níveis por episódio, mas ao menos inclui os 3 episódios.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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