Blaster Master (Nintendo Entertainment System)

Siga para mais uma rapidinha a um clássico, agora para a NES. Não há muitos anos atrás apercebi-me que a Sunsoft, principalmente nos videojogos que produziu/publicou para os sistemas 8 e 16bit, fez muito trabalho de qualidade. Assim sendo, tenho andado a dar segundas chances a vários videojogos que na altura joguei muito pouco por uma razão ou outra e na verdade tenho andado a descobrir autênticas pérolas. Este Blaster Master é um deles, e algures mais para a frente explicarei o porquê. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures no final deste verão de 2018.

Jogo com cartucho

A história, pelo menos da versão ocidental, é das coisas mais surreais de sempre. Encarnamos no Jason, um jovem rapaz que tinha um sapo de estimação chamado Fred. O Fred foge de casa, cai num barril de resíduos radioactivos (sim, porque é perfeitamente natural termos isso no quintal), cresce de tamanho e enfia-se num buraco para as entranhas da Terra. Jason ao ir atrás do sapo cai no buraco e descobre um tanque todo futurista. Então lá conduzimos o tanque pelas cavernas e descobrimos imensos mutantes e uma enorme base para explorar. Naturalmente que na versão original japonesa a história é mais trabalhada e envolve uma guerra entre 2 civilizações no espaço.

Quem não tem um bidão com resíduos radioactivos no quintal?

A razão pela qual eu inicialmente não liguei muito a este jogo é porque, pelo menos nos primeiros momentos, conduzimos um tanque que é controlado como se um jogo de plataformas se tratasse, onde podemos saltar de plataforma em plataforma e disparar para a esquerda, direita, ou para cima. Quando era mais novo achava isto estúpido (como se a história do sapo já não fosse má que chegue) e portanto nunca lhe dei a devida atenção. Mas devia, pois o jogo é muito mais que isto. Por um lado porque também podemos saltar fora do tanque para subir/descer escadas e entrar noutros túneis, que posteriormente nos dão acesso a àreas jogadas com uma perspectiva aérea, como se um Legend of Zelda clássico se tratasse. Só faltam os puzzles, mas temos aqui muitas coisas de metroidvania, pois este é um jogo de exploração e que nos obriga a revisitar áreas já exploradas, após desbloquearmos algumos features para o tanque que nos permitem andar debaixo de água, escalar paredes ou tectos, ou mesmo propulsores que nos deixam voar por breves segundos e assim conseguir alcançar algumas plataformas previamente inatingíveis.

O tanque que pilotamos não é nada normal. Consegue saltar e à medida que vamos progredindo no jogo vai conseguir fazer mais coisas como subir paredes!

Vamos tendo também um pequeno inventário com diferentes armas que podemos equipar no tanque. Este possui uma arma normal com munição ilimitada, e vários outros projécteis que vamos desbloqueando mas cujas munições são limitadas. Aqui temos diferentes tipos de mísseis, sendo uns teleguiados, ou vários disparados em simultâneo em direcções distintas. Também desbloqueamos uma arma que nos permite disparar raios eléctricos para baixo, ideal para atacar inimigos que estejam por baixo de nós, enquanto saltamos de um lado para o outro. Já quando andamos a pé, para além do medidor de vida, temos um medidor da potência da nossa arma, cuja vai sendo melhorada à medida que encontramos upgrades que façam subir o seu nível. No entanto, ao sofrer dano também vamos perdendo os upgrades que amealhamos. Para além da arma temos também algumas granadas.

Para além de um tanque que salta, também temos segmentos do jogo onde teremos de andar a pé

A nível audiovisual sinceramente este jogo é uma boa surpresa. Por um lado sofre os problemas habituais da NES: pouca variedade de cores e algum sprite flickering. Mas por outro lado acho que os cenários vão sendo variados dentro dos possíveis (pois decorrem sempre no interior da Terra) e estão com um bom nível de detalhe, tanto nos segmentos de platforming, como quando exploramos labirintos a pé e a câmara muda para uma perspectiva aérea, onde as sprites são muito maiores. Mas tal como muitos outros jogos da Sunsoft da época, a música é também um factor muito forte, com músicas bastante agradáveis e que ficam no ouvido.

Portanto este Blaster Master foi para mim mais uma agradável surpresa e que gerou uma série de sucessores. Pena que na europa apenas tenhamos recebido os jogos que sairam para a Gameboy e Gameboy Color. Por um lado estou curioso com o Blaster Master 2, que é um exclusivo norte-americano para a Mega Drive, mas por outro também algo receoso visto ter sido desenvolvido pela facção norte-americana da Sunsoft, sem qualquer contribuição da equipa original que trabalhou neste jogo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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