Longe vão os tempos em que a Electronic Arts não tinha grandes problemas em arriscar em ideias originais ou novas franchises a torto e a direito. A sua passagem pelas consolas de 16bit, e em especial a Mega Drive, trouxeram-nos para além das séries desportivas que ainda hoje recebem lançamentos anuais, outras pérolas como a série Strike, Road Rash, General Chaos entre muitos outros lançamentos que podem não ser grande coisa. Este Haunting é de facto um daqueles jogos que se perdeu nos confins da minha memória pois quando o comprei a um amigo meu no mês anterior, não fazia a minima ideia do que se tratava e como tal, decidi arriscar e trouxe-o comigo. Custou-me 5€ e apesar de ter o manual, o jogo em si não está no melhor estado possível.

E então qual é o propósito deste Haunting? Aqui tomamos o papel de Polterguy, um fantasma de um adolescente rebelde que tem algo contra a rica família dos Santini. Então decide fazer as suas vidas num inferno, assombrando a casa onde habitam. Para o efeito, é necessário possuir vários objectos para assustar os membros da família, um pouco como foi feito muito depois no Geist da Gamecube, mas de uma maneira bem mais cómica e espalhafatosa. Existem 3 tipos de objectos a possuir. Os que se identificam com uma aura azul, podemos entrar neles e sair, “carregando-os de energia” e quando um coitado santini se aproximam deles, soltam os seus “sustos”. Os que têm uma aura laranja podem ser possuídos mas apenas soltamos as “partidas” quando bem entendermos, pelo que convém que um dos Santinis esteja a olhar para lá. Por fim temos outros que depois de serem possuídos podem ser interagidos livremente, como controlar um avião de brinquedo e mandá-lo à volta de alguém. O jogo passa-se assim, onde em cada divisão da casa vamos possuindo os mais variadíssimos objectos, desde mobílias, brinquedos, electrodomésticos ou mesmo portas e paredes, de forma a assustar os membros da família até os expulsar a todos de casa. Depois repete-se a fórmula para para as casas seguintes.

Mas cada vez que possuimos alguma coisa perdemos um pouco de Ecto, energia que nos permite fazer estes truques. No entanto podemos recuperar esse Ecto quase todo quando conseguimos expulsar alguém da divisão em que estava originalmente. Entretanto, no meio de cada casa a assombrar, visitamos uma masmorra onde também podemos coleccionar Ecto, mas essas masmorras estão repletas de obstáculos que teremos de evitar, podendo até sofrer um gameover nessas secções. Sinceramente acho que são algo desnecessárias. De resto, nem todos os Santinis têm medo de nós. O seu animal de estimação, um coitado Chihuahua, pressente a nossa presença e quando o bichano entra na mesma divisão em que estamos, torna-se mais complicado assustar os humanos. Felizmente que também temos alguns ases na manga, na forma de 5 diferentes feitiços que podemos usar nos níveis. Um restaura-nos o Ecto, outro distrai o jeco com uma tigela de comida, mas para mim o mais interessante é possuir um dos Santini, transformando-o num zombie temporariamente e fazê-lo vaguear pela casa.

O que é mais engraçado são mesmo as partidas que podemos pregar, que podem até ser bastante gore, como visões de pessoas a serem esquartejadas, ou a minha preferida, uma jovem sedutora de roupão de banho que eventualmente abre o roupão e… depois vejam. Mas a maioria são mais parvinhas, como mobílias se transformarem em monstros e por aí fora. As reacções dos Santini são também bem cómicas, com calças a cair, perucas a saltar, pocinhas de urina a formarem-se no chão entre muitos e muitos gritos.
Visualmente é um jogo banal. O mesmo é jogado numa perspectiva isométrica, quase até a se assemelhar aos primeiros SIMS também da Electronic Arts. Há é bastantes animações diferentes como já referi, e isso é sempre algo positivo em alturas em que cada byte poupado num cartucho era ouro. Por outro lado, as sprites não são muito detalhadas e sou sincero, não gostei muito de todo o design das personagens. No audio também foi um jogo que não me deixou grandes memórias. As músicas acabaram por me passar ao lado e de tudo o que é mais fácil recordar são mesmo os berros que os diferentes Santinis (pai, mãe, filha e filho) vão dando ao longo de toda a aventura.

Apesar de ser um jogo tecnicamente simples, é impossível não afirmar que possui um conceito original. No entanto, no fim de contas também não achei que como um todo este Haunting fosse um jogo espectacular. Isto porque a jogabilidade acaba por se tornar repetitiva e o “salto” que houve de andar aí a assustar criancinhas para um combate contra um boss final também parece que veio mesmo do nada. Desculpem lá aí o spoiler. Ainda assim não estou nada arrependido de ter comprado este jogo às cegas. Sabe bem redescobrir coisas algo obscuras como esta, mesmo que o resultado final não seja o melhor.