Virtual-On: Cyber Troopers (Sega Saturn)

VirtualOnBoxSempre que vejo este jogo o anime Evangelion vem-me logo à cabeça, apesar de a única semelhança ser mesmo os mechas. E Virtual-On é mais um jogo de luta das arcades, mas com os mechas a jogabilidade acaba por ser muito diferente, com arenas largas, totalmente em 3D, com obstáculos e várias habilidades diferentes por parte dos mechas – aqui chamados por Virtuaroids. E como todo o jogo da Model 2 que fez sucesso na sua altura, uma conversão para a Sega Saturn era o próximo passo lógico. Este jogo entrou na minha colecção após ter sido comprado algures no ano passado na cash converters de Alfragide, se não estou em erro. Creio que me custou 4€.

Virtual-On Cyber Troopers - Sega Saturn

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Como seria de esperar, o jogo passa-se no futuro. Mais precisamente um futuro totalmente governado por interesses económicos, onde todos os governos foram privatizados. Mas esse frágil balanço de poder existente devido a estas políticas sofreu um grande abalo quando uma empresa de exploração mineira descobre umas ruínas bastante complexas e repletas de tecnologia avançada em pleno subsolo lunar. Depressa começaram a utilizar essa tecnologia para fins bélicos, o que levou à criação destes Virtuaroids que vemos neste jogo. No entanto inadvertidamente activaram os protocolos internos de segurança dessa misteriosa base lunar, surgindo assim um cenário de guerra em plena Lua. De forma a combater esta situação, nós encarnamos num de milhares de pilotos que têm de testar as suas habilidades ao pilotar uma máquina destas antes de entrar no conflito lunar. Assim sendo o jogo está dividido em duas partes: A primeira é de treino contra uma série de outros mechas em combates de realidade virtual. A última metade do jogo já é passada “no duro”, a caminho da base lunar. A nível de jogabilidade não há grandes diferenças, essa distinção serve mais para aumentar o grau de dificuldade que outra coisa.

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Antes de cada combate temos um ecrã deste género, que nos mostram detalhes do adversário e da arena

Este jogo foi lançado originalmente no Japão em conjunto com o acessório Twin Stick para a Saturn, um dual arcade joystick óptimo para controlar os mechas, tal como o foi na Arcade. Infelizmente não disponho de tal preciosidade, pelo que tive de me contentar com o gamepad normal. E os controlos podem ser um pouco estranhos no início. O botão direccional serve para avançar, andar para trás e fazer strafing para a esquerda e direita (tal como o esquema WASD). Para virar mesmo para a esquerda ou direita temos de utilizar os botões L ou R. Devido À falta de analógicos, creio que seria mais intuitivo utilizar-se os botões de cabeceira como strafing. Depois os botões faciais servem para saltar, correr, disparar as armas da esquerda, direita, ou as centrais. Essas armas utilizam também energia que após ter sido toda gasta, teremos de aguardar até podermos atacar novamente. As armas laterais podem ser disparadas em movimento, mas as centrais, mais poderosas, necessitam que estejamos parados, o que também nos pode deixar mais vulneráveis. Claro que nos close encounters em vez de projécteis podemos usar umas espadas de energia todas fancies, mas nos níveis mais elevados de dificuldade os close encounters não são muito recomendáveis.

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Os Mechas com que podemos jogar. Naturalmente possuem um design muito “japonês”

Dispomos então do modo arcade para jogar, onde tal como tinha referido atrás está dividido entre “simulações” de combates passados em pleno planeta Terra, desde plataformas em alto mar, até combates em planícies verdejantes. A segunda metade apesar de manter a mesma jogabilidade coloca-nos a combater na tal base lunar, onde tudo tem uma aspeco mais high-tech. Para além do modo arcade temos também o obrigatório Versus para 2 jogadores e um modo “Ranking”. Engraçado que podemos customizar o split screen do modo versus para barras laterais ou a divisão horizontal tradicional. O modo Ranking é parecido ao arcade, mas no final de cada round a nossa performance é avaliada em vários parâmetros como a precisão, o tempo ou o dano sofrido, por exemplo. Nos mercados americano e japonês existe uma versão deste jogo em que é possível jogar-se online, com recurso ao serviço Netlink que infelizmente não chegou ao velho continente.

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O jogo tem uns bons efeitos de transparências, algo que sempre foi um dos calcanhares de aquiles da consola

Graficamente é um jogo competente, embora se estivermos a analisar a “força-bruta” a nível poligonal, texturas e afins, então a versão Model 2 é bastante superior, o que seria de esperar. Mas ainda assim consegue ser um bom jogo e mais um óptimo exemplo que a Saturn é um sistema bem capaz de bons gráficos 3D, quando bem trabalhado. As explosões e todos os outros efeitos de luz com transparências são outro ponto bastante forte, visto a Saturn não ter nativamente por hardware a capacidade de gerar esses efeitos gráficos. As músicas também vão sendo variadas e na minha opinião estão bem conseguidas, captando bem a atmosfera pretendida para o jogo. O mesmo pode ser dito dos efeitos sonoros e vozes robóticas que se adaptam perfeitamente para o que o jogo oferece.

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O que nos espera no final de uma partida no Ranking Mode

Virtual-On é um jogo interessante, para quem gostar de mechas e procura um jogo arcade e repleto de acção sobre este tema, tem aqui um bom exemplo para a Sega Saturn. Infelizmente a série acabou por se perder em solo europeu, apesar deste jogo ter sido relançado digitalmente para os serviços Xbox Live Arcade e PSN. De qualquer das formas isso não invalida o facto das sequelas oficiais (Oratorio Tangram para Dreamcast, Marz para PS2 e Force para X360) nunca tenham saído em solo europeu.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Saturn, SEGA. ligação permanente.

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