Quake 4 (PC)

Quake 4A série Quake é uma série bastante influente para os FPS no geral e do PC em particular. Quake II e posteriormente o Quake III Arena foram dois jogos que foram jogados até à exaustão por milhares de jogadores, em embates online e por LANs nesse mundo fora (especialmente o terceiro). Este Quake 4 dá seguimento à história do Quake II, da luta entre a raça humana e os Stroggs, tendo sido também o primeiro jogo da série cujo desenvolvimento não foi levado a cabo pela id Software, mas sim pela Raven, empresa próxima da id que já tinha desenvolvido jogos como os Heretic/Hexen que sempre utilizaram motores gráficos da id. A minha cópia foi comprada algures em 2012, na GAME do Maiashopping, tendo custado apenas 5€. Infelizmente não é a versão “black label“, mas paciência.

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Jogo completo com caixa, manual e papelada

Quake 4 decorre então pouco tempo depois de Quake II, onde mais uma vez encarnamos num space marine que desta vez tem nome, Matthew Kane. Após a primeira vitória sobre os Stroggs no jogo anterior, a unidade de space marines na qual o protagonista faz parte tinha como missão invadir o planeta natal dos Stroggs e neutralizar a sua ameaça. Como é habitual nestes jogos, a coisa nunca corre bem à primeira, os Marines são atacados à chegada ao planeta e acabamos por ficar separados de todos os outros. Depois ao explorar os cenários lá vamos encontrando os restantes companheiros de equipa, e adquirindo novos objectivos para destruir as instalações strogg. E desculpem lá o spoiler, mas uma das coisas mais interessantes que acontecem neste jogo é mesmo o facto de Kane ser emboscado por Stroggs e ver-se despojado da sua humanidade ao ser transformado parcialmente num Strogg com equipamentos biomecânicos. Claro que com isso Kane acaba por ganhar novas habilidades e resistência física, o que nos dá mais alguma vantagem ao enfrentar alguns inimigos, ou mesmo em progredir no jogo em ambientes mais hostis.

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A cinemática de abertura está bem conseguida

De resto a jogabilidade ainda é algo à velha-guarda, sem vida auto regenerativa e com o jogador a ter liberdade total de fazer save sempre que bem lhe apeteça. De qualquer das formas, tal como Doom 3, foi dada uma maior atenção à narrativa envolvente, já não é um jogo em que “somos entregues aos bichos” tal como os dois primeiros Quakes, bem como agora o progresso no jogo é dado por objectivos. As comparações ao Doom 3 não se irão ficar por aqui, conforme poderão se aperceber quando falar dos visuais lá mais para a frente. O armamento é que é variado, com muitas armas do jogos anteriores a marcarem o seu regresso, desde tradicionais metrelhadoras, shotguns e lança-rockets, passando pelas características nailgun, railgun, lightning gun, entre outras. Algumas armas inicialmente têm uma performance mázinha, mas ao longo do jogo poderão sofrer alguns upgrades que as tornam bem melhores. Coisas novas no universo de Quake foram os combates baseados em squads, onde alguns companheiros podem inclusivamente curar o jogador ou restaurar a sua armadura, bem como existem também alguns segmentos em que podemos conduzir veículos, estes já com energia regenerativa.

Não cheguei a prestar muita atenção à vertente multiplayer, mas a Raven Software não caprichou muito este aspecto, mantendo os mesmos modos de jogo do Quake III Arena. Os deathmatches continuam divertidos, rápidos e caóticos como sempre o foram, mas sente-se que não houve muita inovação neste campo, quando outros FPS já se esforçavam por apresentar algo mais.

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Muitos dos inimigos foram humanos antes de modificados pelos Strogg

Visualmente o jogo corre no motor gráfico id Tech 4, o mesmo responsável pelo Doom 3, lançado relativamente pouco tempo antes, e posteriormente utilizado também no Prey. Todos estes jogos, onde Quake 4 não é excepção, apresentam bastantes segmentos repletos de corredores apertados e escuros, o que causa a impressão que o motor gráfico não é apropriado para jogos mais abertos. De facto, também devido ao tema da ficção científica e criaturas do espaço/demoníacas ser recorrente, parece que estamos a jogar mais um Doom 3. Mas o pacing é o inverso: enquanto Doom 3 tenta assustar o jogador com alguns inimigos a surgirem repentinamente, Quake 4 é um jogo bem mais dinâmico, focando-se em combates fluídos e mais viscerais. Ainda assim, para os padrões de 2005/2006, o Quake 4 não deixa de ser um jogo bastante competente graficamente. Infelizmente, no que toca aos PCs, foi um jogo que não amadureceu muito bem face às novas tecnologias. Conseguia ter um rendimento bem melhor utilizando o meu Pentium 4 com 1GB de RAM e uma gráfica fraquinha, do que com o meu PC competente para os dias de hoje. Como sempre existe uma popular comunidade modding para o jogo, é provável que existam alguns patches não oficiais que melhorem o desempenho do jogo em máquinas mais recentes.

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São poucos os segmentos do jogo em que exploramos a wasteland

Apesar de se tornar num jogo algo cliché pela sua temática, Quake 4 não deixa de ser mais um shooter divertido, com uma campanha single player competente, apesar de ser um pouco repetitiva por vezes por existir pouca variação de cenários – algo que a meu ver também prejudicou jogos como o Doom 3 e Prey que partilham o mesmo motor gráfico. Ainda assim, a jogabilidade mantém-se bastante fluída, onde temos um certo gozo em andar ao tiro em tudo o que não seja humano e no fundo, isso é que é o importante.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Quake 4 (PC)

  1. JCDenton diz:

    Joguei esse no Xbox. É bom, mas um pouco longo e repetitivo demais. Talvez se eu jogasse em 2005 teria um impacto maior – só fui zerar em 2012, por ser grande fã da Id. O port no X360 ficou bastante aceitável, são poucas quedas em relação a versão PC. É o pior título Quake, e um dos piores títulos da Id em muito tempo, mas ainda assim bom

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