Forbidden Siren 2 (Sony Playstation 2)

Forbidden Siren 2O Forbidden Siren original é um survival horror bastante interessante na biblioteca da PS2, onde conseguiram capturar muito bem o clima de terror, com uma história complexa, mas porém segmentada. Nesta sequela conseguiram corrigir vários dos problemas que o original tinha, porém ainda deixaram outros que já passarei a descrever. Lançado originalmente em 2006 em território europeu, Forbidden Siren 2 acabou por não sair no mercado americano, não se percebendo muito bem o porquê visto que até é um jogo com qualidade. A minha cópia foi comprada na Virtualantas da Maia, tendo-me custado algo em torno dos 12€, estando completa e em óptimo estado.

Forbidden Siren 2 - PS2

Jogo completo com caixa e manual

A história não tem nada, ou quase nada a ver com o jogo original, embora alguns elementos tenham regressado, como as águas vermelho-sangue e o regresso dos zombies imortais Shibito. Desta vez o jogo coloca-nos na ilha japonesa de Yamijima, uma localidade mais uma vez com um folclore próprio e com os seus habitantes originais sendo bastante fechados a pessoas de fora. Até que é descoberto um filão de ouro na ilha, começando então uma extracção mineira de larga escala, o que trouxe muitos habitantes de fora à ilha de Yamijima para trabalhar durante a década de 70. Em 1976 dá-se um fenómeno estranho, os cabos eléctricos instalados no fundo do mar que alimentavam o povo de Yamijima quebraram, deixando a ilha sem energia eléctrica durante uma noite. No dia seguinte, quando uma empresa se deslocou à ilha para fazer as reparações, encontraram a ilha deserta, sem nenhum habitante. 30 anos depois, e com mais um ou outro incidente que terá decorrido entretanto, o jogo coloca-nos inicialmente no papel do jornalista Mamoru Itsuki, que se encontra em viagem para a ilha de Yamijima de forma a fazer uma reportagem para uma revista do sobrenatural. Aquando da viagem, o barco onde Mamoru e outras personagens se encontram sofre uma tempestade repentina, onde as águas do mar se tornam vermelhas de sangue, e ocorre um tsunami que faz com que o barco naufrague. Algum tempo depois, Mamoru acorda na costa, e a aventura começa aí. Encontra uma ilha em ruínas, contudo repleta de Shibitos (os zombies imortais do primeiro jogo), algumas personagens misteriosas, e os outros sobreviventes do acidente. De resto, prefiro não comentar mais acerca da história, mas mais uma vez uma entidade maléfica ancestral está por detrás dos acontecimentos.

screenshot

Yuri Kishida, uma jovem misteriosa que encontramos no início da aventura

Infelizmente a história encontra-se mais uma vez completamente segmentada, com o progresso do jogo a decorrer de uma forma não linear. Em cada “nível” jogamos com uma determinada personagem num intervalo de tempo, sendo que estaremos sempre a “viajar” para a frente e para trás na história. Como a história já é complexa quanto baste, esta maneira de a contar ainda nos confunde muito mais as coisas, tanto que mesmo depois de ter chegado ao fim do jogo ainda não assimilei tudo. Tal como no jogo original, cada episódio pode ser jogado duas vezes, mediante a concretização de algum objectivo anterior. Isto permite ir desbloqueando outros níveis para se jogar bem como caminhos alternativos na progressão do jogo, gerando finais diferentes. De resto várias outras coisas do original foram-se mantendo aqui, como a habilidade do Sightjack, poderes psíquicos que todas as personagens possuem para entrar na mente de outras personagens e Shibitos, de forma a ver o mundo sob os seus olhos e conseguirem avançar sem serem detectados. Enquanto no jogo original o stealth era mesmo a melhor maneira de prosseguir no jogo, aqui há um maior enfoque na acção e combate, com o mesmo a ser melhor implementado. Ainda assim não adianta muito, visto que os Shibito acabam por voltar à vida dentro de poucos minutos.

screenshot

Os Shibito estão de regresso

O Forbidden Siren original era um jogo difícil e muito confuso, com o jogador sem quaisquer dicas de como prosseguir e completar os objectivos escondidos que lhe permitiriam desbloquear os tais cenários alternativos que referi. Muitas vezes o jogador perdia imenso tempo com estratégias de stealth de forma a explorar uma casa abandonada que depois não serviria para nada. Aqui existe um sistema de objectivos e hints que vão ajudando o jogador a focar-se no que deve fazer, para além de que o mapa desta vez acaba por ser realmente útil, pois mostra a posição actual do jogador. Existem também checkpoints intermédios em cada nível, o que permite ter uma jogabilidade ligeiramente mais despreocupada. Uma outra habilidade psíquica de uma personagem específica consiste em controlar temporariamente os Shibito, sendo que podemos tirar proveito dessa habilidade para “matar” temporariamente outros Shibito que estejam no nosso caminho. Aliás, os Shibito não são os únicos inimigos presentes neste jogo. Aqui foram também introduzidos os Yamibito, que surgem após um determinado acontecimento. Estes Yamibito são bem mais inteligentes e ágeis que os Shibito, sendo bem mais difíceis de os enganar se quisermos entrar por estratégias stealth. Contudo são bastante vulneráveis à luz, bastando apontar-lhes uma lanterna, tornando o combate bem mais fácil. Os Yamibito assumem também diversas formas grotescas, aproximando este jogo um pouco mais dos Silent Hill neste aspecto.

Screenshot

Aqui um Yamibito, mais agressivo e inteligente, mas vulnerável à luz

Ao longo do jogo, se perdermos tempo a explorar os cenários devidamente, vamos encontrando diversos objectos que poderão ser consultados nos arquivos, tal como na sua prequela. Embora neste caso esses arquivos possam ser bem mais interactivos, contendo vídeos de comerciais, noticiários, audios de rádio, gravadores, etc. Estes arquivos acabam por esclarecer algo mais do passado dos protagonistas da aventura. Para quem completar o jogo, desbloqueia um mini-jogo oldschool que pode ser jogado através do menu principal. Já tinham feito o mesmo na prequela, mas tinha-me esquecido de o comentar. De qualquer das formas, tanto num caso como no outro, o jogo que vem lá incluido é um puzzle game bastante confuso pelo que nem perdi tempo com ele.

screenshot

A mecânica sightjack é mais uma vez um dos elementos mais interessantes da jogabilidade

No que diz respeito ao audiovisual, Forbidden Siren 2 trouxe algo que também o deveriam ter incluido no original: o voice acting em Japonês. Por defeito temos o voice acting em inglês, mas é possível manter o trabalho original com legendas. Num jogo tão forte em cultura e folclore nipónicos, todos eles deveriam incluir esta opção. Os gráficos são bastante interessantes, mais uma vez conseguiram fazer um excelente trabalho com as animações faciais das personagens, e noto também que o mundo de Forbidden Siren 2 está mais bem representado, com os cenários com melhores texturas e modelos com mais polígonos. No entanto o cenário rural e toda aquela história e envolvência ritualista do primeiro jogo acabou por me agradar bem mais. Aqui os cenários são mais urbanos, se bem que está tudo em ruínas. A história do anterior também me foi mais cativante, mas Forbidden Siren 2 tem também os seus momentos.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PS2, Sony. ligação permanente.

4 respostas a Forbidden Siren 2 (Sony Playstation 2)

  1. Renato diz:

    Bons comentários a respeito do jogo! Realmente é um jogo diferente. Mesmo a história não ocorrendo de forma natural o que torna o jogo interessante até certo aspecto, odiei a obrigatoriedade de se repetir novamente a fase ou seja missão 2 para todas elas. Se já se concluiu a fase pra que repeti-la tendo que faze-la diferente? Outro fator que o jogo se perde é que não há dicas do que se fazer em certo momento do jogo. Admito que deram uma melhorada em relação ao Siren 1 mas muitas horas da sua vida são perdidas com detalhes que não precisavam existir. A história do jogo é bacana e o terror é indescritível. O jogo poderia ser um dos melhores se não fosse os problemas citados.

    • cyberquake diz:

      Tem de se fazerem as coisas de maneira diferente para depois se poder progredir no jogo com outras personangens, isso também acontece no primeiro jogo. Mas sim, também acho isso confuso e se a história fosse melhor estruturada o jogo seria muito melhor. Obrigado pelo comentário!

      • Anónimo diz:

        Cyberquake. por acaso vc já jogou o Siren blood course?
        Ele é uma história diferente (ou seja, outro jogo) ou uma cópia melhorada?
        As fases tem que ser repetidas como nos outros jogos antigos? O que vc diz sobre esse terceiro jogo, se é que vc conhece?
        Abraço

      • cyberquake diz:

        Pelo que sei, o Blood Curse é um remake do primeiro Siren, com a história estruturada em capítulos.
        Mas não cheguei a jogar esse jogo, sugiro que dês uma olhada no blog do meu amigo Pedro Soares -> http://jogalhoes.blogspot.pt/
        Ele tem o jogo e vai analisá-lo brevemente.
        Abraço!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.