F.E.A.R. (PC)

F.E.A.R. é um interessante First Person Shooter produzido pela Monolith Productions, os mesmos que nos trouxeram outros FPS como os clássicos Blood e No One Lives Forever. Lançado originalmente para o PC em 2005, e posteriormente nos dois anos seguintes para a Xbox 360 e Playstation 3. A título de mera curiosidade, este foi também o primeiro jogo que já não consegui correr no meu velhinho Pentium 4 em 2005, para além da performance ser terrível, estava cheio de problemas gráficos, mas essa parte acredito que tenha sido corrigida com algum patch. No laptop que comprei em 2011 já o conseguia correr sem problemas mas por acaso nunca o tinha chegado a fazer. Agora com uma nova máquina, foi altura de finalmente pegar no jogo. O meu exemplar sinceramente já nem sei bem onde foi comprado nem por quanto. Certamente não terá sido mais de 5€, e para além do jogo principal esta Gold Edition traz também a primeira expansão, Extraction Point. Ambos os jogos e uma segunda expansão, Perseus Mandate também vieram parar à minha conta steam, sinceramente já não sei quando nem como, mas este artigo irá englobar todos.

F.E.A.R. Gold com o jogo original e a primeira expansão Extraction Point. A outra tenho apenas em formato digital.

F.E.A.R. é uma sigla para First Encounter Assault Recon, uma fictícia força especial Norte Americana especializada em lidar com eventos paranormais e a sua última missão é a de eliminar Paxton Fettel, um psíquico que toma de assalto as instalações do fornecedor militar Armacham Technology Corporation, que, no meio de outros projectos sinistros, tinha desenvolvido um exército de super soldados, clones, controlados telepaticamente por um líder, neste caso o tal Fettel que por algum motivo se revoltou e está a usá-los para os seus fins. Ao longo do jogo iremos no entanto presenciar diversos momentos de actividade paranormal, desde pequenas coisas como objectos a moverem-se sozinhos, aparições de uma pequena menina vestida de vermelho, que mais tarde vimos a descobrir chamar-se Alma e ser um pivot central em toda a história do jogo. Ou outras alucinações maradas envolvendo Alma, o próprio jogador e/ou Paxton Fettel.

Sim, esperem por ver muito gore

A nível de jogabilidade, este é um FPS onde vamos tendo à nossa disposição um arsenal considerável de armas, se bem que apenas poderemos carregar 3 de uma vez. Para além das armas teremos também diversos tipos de granadas que podemos carregar, bem como um máximo de 10 medkits. Portanto sim, este F.E.A.R. ainda não tinha aderido à moda dos jogos com vida regenerativa. A inteligência artificial dos inimigos era também muito avançada para a época, assim como o sistema de física. Os inimigos, assim que nos detectarem, seja visualmente, seja com o ruido dos nossos passos ou com a luz da lanterna, colocam-se imediatamente alerta e comunicam uns com os outros de forma a decidir a melhor estratégia para nos limpar o sebo. Podemos vê-los a agruparem-se e flanquear-nos cuidadosamente, bem como se retirando quando as coisas lhes correm mal. Mas o jogador é suposto ser um soldado com reflexos super-humanos e é aí que entra o “bullet time“. Durante alguns segundos (enquanto uma barra de energia própria se vai esvaziando), conseguimo-nos nos mover mais ou menos à mesma velocidade que antes, mas tudo á nossa volta abranda bastante, permitindo-nos conseguir reagir melhor aos inimigos e ter a oportunidade de lhes acertar em cheio, com todas as balas a contar. Isto é algo que nos teremos de habituar mesmo a usar, pois os inimigos frequentemente surgem em números elevados e a partir de certa algura também teremos de enfrentar turrets automáticas e outros oponentes fortemente protegidos com armaduras. Apesar de existirem muitas armas espalhadas pelo jogo, as munições começam a ser escassas, obrigando-nos frequentemente a rodar pelas armas que vamos encontrando espalhadas pelos níveis, ou deixadas pelos inimigos que derrotamos.

Alguns inimigos são autênticas esponjas de balas, pelo que enfrentá-los em câmara lenta é quase obrigatório

De resto o progresso no jogo vai sendo relativamente linear, sendo que por vezes teremos de fazer algum backtracking para activar interruptores e afins de forma a progredir. Mas a exploração cuidada dos níveis é encorajada, não só para ir encontrando munições adicionais, mas também para encontrar alguns power ups que nos extendem permanentemente a barra de vida, ou o tempo disponível para manter o modo slow motion activo. Também temos uma vertente multiplayer que sinceramente não cheguei a experimentar, mas consistia nas habituais variantes de deathmatch, Capture the Flag e outros modos de jogo baseados na conquista e controlo de objectivos.

Alma vai tendo várias aparições, se bem que na sua forma adulta aparece sempre desfocada

Tal como referi acima, o jogo possui também um sistema avançado de física para a época. Para além de vários objectos poderem cair e as balas deixarem marcas nas paredes ou mesmo destruição parcial dos cenários, é frequente os inimigos revirarem mesas, ou sofás para servirem de abrigo durante os tiroteios.  A iluminação no geral também está muito boa, pois por exemplo, se abanarmos um candeeiro de tecto, o feixe de luz fica a balancear-se pela sala, de uma forma realista. Outros detalhes como os efeitos de partículas (especialmente quando activamos o modo slow motion) ou as sombras também me pareceram bastante bem conseguidas. Portanto, a nível gráfico, para 2005 foi um excelente esforço, com as personagens a possuir um elevado número de polígonos e bem detalhadas. Já os níveis em si, bom infelizmente não são os mais bonitos de sempre, com o jogo a decorrer em zonas industriais, armazéns, escritórios e pouco mais, pelo que não há uma grande variedade de cenários. As expansões já nos levam a outros sítios, como zonas residenciais, estações de metro, um hospital, entre outros. No entanto, há sempre uma atmosfera tensa, cenários a meia luz e jogamos sempre na expectativa de algo inesperado a surgir no meio das trevas, como as alucinações que vamos presenciando, cada vez mais frequentes e assustadoras.

Não teremos só aparições maradas, algumas criaturas estão mesmo aí para nos limpar o sebo

Ambas as expansões foram produzidas não pela Monolith mas sim pela TimeGate Studios. A primeira expansão é o Extraction Point, decorrendo imediatamente após o final do jogo, onde temos de atravessar meia cidade de Auburn e chegar ao Extraction Point, para sermos finalmente resgatados em segurança. A nível de jogabilidade esta expansão inclui algumas armas novas como uma arma laser ou uma metralhadora pesada. Poucas são as restantes novidades, a não ser o facto que vamos explorar novos cenários como um hospital ou uma estação de metro. A segunda expansão é a Perseus Mandate, esta lançada de forma standalone, ou seja, sem ser necessário ter o jogo original para a jogar. Esta expansão decorre em paralelo com o jogo principal e sua expansão, onde controlamos um outro operativo do grupo F.E.A.R., que também investiga os eventos que decorrem em instalações da Armacham.  Uma vez mais teremos algumas armas extra, como uma arma automática com visão nocturna ou um lança granadas, bem como novos inimigos para defrontar. Aparentemente esta expansão possui também diferentes modos multiplayer, mas uma vez mais não os cheguei a testar.

Graficamente é um jogo muito bem conseguido, pelos seus efeitos de luz e sombra, física e partículas

Por fim, convém também referir que algumas reedições contém alguns extras, como um making of do jogo, um vídeo de 1h com os criadores do jogo a comentarem uma playthrough do demo, uma curta-metragem em live action que serve de prequela e o primeiro episódio de P.A.N.I.C.S. uma mini série cómica que fizeram com o motor gráfico do jogo. Todos estes extras estão incluídos nos ficheiros locais da versão Steam também. Portanto este F.E.A.R. e suas expansões são bons FPS, muito pela atmosfera tensa que proporcionam e os combates desafiantes que nos obrigam a usar todos os recursos que temos à disposição. A minha queixa maior vai se calhar para alguma falta na variedade de inimigos e a extensão algo exagerada de alguns níveis. Mas estou curioso em ver como a série evoluiu com os tempos. O primeiro F.E.A.R. ainda tem uma costela de “velha guarda” em mecânicas de FPS, já os restantes já foram lançados numa altura em que os paradigmas das mecânicas de jogo mudaram.

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (Sony Playstation 2)

O tremendo sucesso que os filmes d’O Senhor dos Anéis fizeram no início do milénio não deixaram ninguém indiferente e naturalmente, adaptações para videojogos viriam a caminho. Mas ao contrário d’As Duas Torres ou o Regresso do Rei, cujas adaptações ficaram na mão da Electronic Arts, este Fellowship of the Ring acabou por sair por intermédio da Vivendi Universal, que detinha os direitos de adaptações dos livros de Tolkien, enquanto a Electronic Arts detinha os direitos das adaptações dos filmes. E este acabou por ser um jogo muito diferente daqueles que a Electronic Arts produziu, sendo um jogo de acção/aventura ao contrário dos hack and slash mais puros que a EA produziu. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide algures em 2014, tendo-me custado 3€.

Jogo com caixa e manual.

A história por detrás deste jogo deveria dispensar apresentações, centrando-se na história de Frodo Baggins, o hobbit que recebeu o fardo pesado de carregar o “One ring”, um poderosíssimo artefacto mágico que outrora pertenceu a Sauron, o lorde das trevas, capaz de corromper até o mais puro dos corações. Instruído pelo feiticeiro Gandalf, Frodo tem de levar o anel desde a sua pacata terra do Shire até às hostis terras de Mordor, e atirá-lo para o vulcão do monte Doom, o mesmo local onde foi forjado. Iremos então começar a aventura sozinhos como Frodo (e depois com a companhia de Samuel Gamgee e os primos Merry e Pippin) ao longo do Shire, atravessando também uma floresta encantada até alcançar a cidade de Bree, onde nos encontramos com Aragorn. Continuamos a aventura até que eventualmente chegamos a Rivendell, uma imponente cidade dos Elfos, onde é formada a Irmandade do Anel, composta pelos humanos Aragorn e Boromir, o feiticeiro Gandalf, o anão Gimli, o elfo Legolas e os quatro hobbits já referidos. O resto da aventura vai-nos levar às minas abandonadas de Moria, à cidade de Lothlorien e à região do rio Anduin, onde acabamos por defrontar um Nazgul alado.

A parte para mim mais irritante de todo o jogo está logo no início, quando temos de nos esquivar dos Nazgul que nos procuram em Hobbibgton.

Ao longo dos vários capítulos vamos podendo jogar com diferentes personagens. Frodo, como seria de esperar, é o mais frágil, obrigando-nos por vezes a jogar de uma forma bastante furtiva para não sermos detectados. Podemos no entanto inicialmente atacar com um pau (depois lá ganhamos uma espada), ou atirar pedras, se bem que estas não servem para atacar, mas sim para distrair os inimigos. Aragorn é outra das personagens com a qual podemos jogar, sendo mais poderoso nos seus ataques. Podemos também usar um arco e flecha, o que até pode ser bastante útil para tentar eliminar alguns inimigos à distância. Por fim podemos também jogar com Gandalf, que para além de também poder atacar com uma espada, temos as suas habilidades mágicas. Gandalf, para além da barra de vida possui também uma barra de magia, onde poderemos seleccionar diferentes feitiços e usá-los no combate, como bolas de fogo, raios eléctricos que paralizam temporariamente os adversários ou curar-nos quando precisamos. Podemos também encontrar alguns itens de regeneração de vida ou de magia, que poderão ser usados pelas personagens respectivas. Devo ainda dizer que me parece que Frodo pode usar temporariamente o anel, mas consegui chegar ao final do jogo sem nunca ter usado essa habilidade.

Quando temos de falar com alguns NPCs, por vezes a câmara assume ângulos muito estranhos

Tecnicamente é um jogo que deixa um pouco a desejar. Os controlos não são os melhores, principalmente no controlo de câmara e nos saltos. Estes últimos felizmente não são assim tão incomodativos, pois é raro termos de saltar em plataformas. Mas o controlo de câmara é mais chato. Graficamente também é um jogo que deixa a desejar. Os cenários ou caracterização das personagens não estão muito avançados, o que eu consigo facilmente perdoar pois é um jogo de 2002. No entanto, o que já não gostei tanto foram as zonas mal iluminadas. Os efeitos de iluminação foram para mim o ponto mais baixo da “ficha técnica” deste jogo. Em relação às músicas que são épicas e/ou folclóricas ou fantasiosas de acordo com as situações, não tenho nada de mau a apontar. O voice acting também me parece bastante competente e seria capaz de jurar que o actor que faz a voz do Gandalf é o mesmo dos filmes.

Infelizmente não há muita variedade nos inimigos que enfrentamos.

Portanto, para mim este Fellowship of the Rings foi um jogo algo mediano e se não fosse pelo facto de ser uma adaptação das obras de Tolkien, muito provavelmente me teria passado ao lado. Possui alguns problemas na câmara e a jogabilidade não é muito variada. Jogar com o Legolas ou o Gimli poderia ter trazido algo mais para o jogo, não fosse também o Aragorn uma personagem bastante versátil. No fim de contas, é um jogo que recomendo apenas se forem fãs de Tolkien como eu.