Ninja Assault (Sony Playstation 2)

Ninja Assault PS2Poucos desafiam a maestria de duas empresas no género de light gun shooters, a Sega e a Namco, que com títulos como Virtua Cop, Time Crisis, House of the Dead ou Point Blank  se estabeleceram como rainhas e senhoras dos salões arcade, principalmente durante a década de 90, onde a transição dos videojogos para o 3D permitia desenvolver experiências ainda mais cativantes. Mas por vezes mesmo os mestres falham um pouco. E este Ninja Assault é um jogo que tem recebido várias queixas, embora sinceramente, tirando a parte dos audiovisuais que poderiam de facto ser melhor, pouco de mau lhe tenho a apontar. É um shooter onde temos de disparar mais rápido contra quem nos tenta atacar. A minha cópia foi comprada na cash converters de Alfragide, algures durante o Janeiro passado por 3€.

Ninja Assault - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

A história do jogo é estranha: supostamente o mesmo decorre no período feudal da história Japonesa, onde um vilão meio zombie convoca as suas forças do inferno para raptarem uma jovem princesa, supostamente chave para a sua ressurreição completa. O jogo coloca-nos então na pele de um de 3 diferentes ninjas, mas em vez de lutarem com armas brancas como seria de esperar, usam revólveres como gente grande. No Japão feudal. Como sempre o modo arcade não é muito longo, e poderemos jogar diferentes variações da mesma “story mode”, cada uma jogada com um dos três diferentes ninjas mas a sua jogabilidade é semelhante. Eu usei a G. Con45 original e com essa light gun os controlos são simples, os gatilhos servem para disparar, apontar a arma para fora do ecrã e disparar carrega-a e por fim qualquer um dos outros botões especiais servem para largar um ataque especial poderoso que ataca todos os inimigos presentes no ecrã. Podemos também usar uma G-Con2, que não possuo, ou o próprio comando normal da PS2, que preferi não usar.

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Por vezes temos direito a algumas cutscenes com poucos diálogos…

Mas jogar as 3 diferentes histórias ou o modo arcade original acaba por servir para nos desbloquear tanto minijogos de treino, como outras pequenas missões, que geralmente consistem em matar uma série de inimigos dentro de um tempo limite, ou com um número pré-definido de munições, por exemplo. Por outro lado os mini jogos de treino tanto podem ser coisas como galerias de tiro onde não podemos acertar em inocentes, defender de uma chuva de shurikens ao disparar sobre as mesmas, disparar em peixes que vão saltitando à tona da água, entre outros que por sua vez me fazem imenso lembrar os light gun games primitivos da era da NES.

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…e bosses grandinhos para encher de balas.

De resto Ninja Assault é um jogo simples, tanto na sua jogabilidade como na parte técnica. Os gráficos estão uns bons furos abaixo daquilo que a PS2 é bem capaz de apresentar, com texturas muito pobres e modelos poligonais no geral bem limitados. No entanto não deixa de ser um jogo bastante fluído e na minha opinião é isso que mais se pede num jogo deste género. A movimentação, apesar de ser on-rails, acaba também por ser muito mais dinâmica devido aos saltos acrobáticos que as nossas personagens vão desempenhando. A música sinceramente me passou completamente ao lado, já os efeitos sonoros pareceram-me competentes para o efeito. Por outro lado, o voice acting é terrível, embora não chegue ao nível de um certo The House of the Dead 2. Posto isto, e para terminar esta rapidinha, este é um jogo que recomendo apenas se o encontrarem baratinho e se forem fãs de videojogos deste género. Para pegar e jogar em pequenos intervalos de tempo, é sem dúvida uma óptima opção.

Tekken 5 (Sony Playstation 2)

Tekken 5Tekken 4 foi uma excelente sequela da já bem conhecida série de jogos de luta 3D da Namco. Ainda assim, um Tekken 5 foi lançado também para a Playstation 2, com sensivelmente os mesmos modos de jogo, mas com mais outros extras e também claro está mais lutadores. Originalmente, tal como o Tekken 4 e o Tekken Tag Tournament, a minha primeira cópia deste jogo tinha sido comprada por um preço muito apetecível, num bundle em que incluíam estes 3 jogos mais o Virtua Fighter 4 para a mesma consola. No total  tinha-me ficado a menos de 10€ se não estou em erro, embora infelizmente esta fosse uma edição platinum. No final do ano de 2014 acabei por comprar uma versão black label deste jogo.

Tekken 5 - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

Ao iniciar o jogo vemos algo que já não via a Namco a fazer há algum tempo. Ocupar o loading inicial com mais um minijogo, desta vez em vez de abordar algo do início da década de 80 como o Galaga, somos levados para a década seguinte para um jogo em 3D poligonal muito básico, o Starblade. Depois vemos uma bonita cutscene de abertura que nos leva logo para a história. Mais uma vez o conflito principal é entre a linhagem de Mishima, com Heihachi, Kazuya, Jin e agora também Jinpanchi metidos ao barulho, todos à luta pelo controlo total do Devil gene. Temos também muitos outros lutadores com quem jogar, todos eles com os seus diferentes backgrounds e motivos para participarem no King of Iron Fist Tournament 5. Caras conhecidas como Paul, Nina ou Yoshimitsu tomam o seu regresso, mas temos também vários novos lutadores, como Asuka Kazama ou Roger Jr, um duo de cangurus, com mãe e cria na sua bolsa marsupial. Mais outra personagem ridícula a adicionar ao universo de Tekken…

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Os modos de jogo disponíveis, algo semelhantes aos do Tekken 4

Os modos de jogo que dispomos são os mesmos de Tekken 4, sejam o modo arcade, time attack, o story mode, que é uma variante do modo arcade com mais ênfase na história, mostrando cutscenes no início e no final do jogo para cada lutador. O survival, modo de jogo onde temos de enfrentar o máximo de inimigos possível até perder um combate, ou o team battle, onde podemos escolher equipas de vários lutadores para lutarem entre si e o Practice, são tudo modos de jogo que já vimos anteriormente. Mas neste Tekken a Namco foi mais longe e ainda incluiu o modo “Arcade History”, onde podemos jogar as versões arcade dos três primeiros jogos da série, bem como o próprio Starblade que vimos na introdução, se o conseguirmos desbloquear. São uns belos extras. O customize é uma opção onde podemos desbloquear vários items ou outfits para customizar os lutadores à nossa escolha. Podemos fazê-lo ao ganhar pontos nos vários modos de jogo existentes. No geral, a jogabilidade neste jogo de pancada parece-me mais rápida e com animações mais fluídas. As arenas perderam os desníveis vistos no Tekken 4, mas podem na mesma serem interagidas, ou seja, podemos atirar com o nosso adversário para as paredes ou rochas e vê-las a estilhaçarem-se.

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As arenas estão com bons detalhes, assim como as personagens

Mas eu deixei algo de fora no parágrafo anterior de forma propositada. Tekken 3 e 4 tinham um outro modo de jogo chamado Tekken Force, sendo este uma espécie de hino aos beat ‘em up da velha guarda como Final Fight ou Streets of Rage. Aqui esse modo de jogo marca mais uma vez presença, mas desta vez de uma forma algo diferente. “The Devil Within” é o seu nome, e aqui apenas podemos jogar com Jin Kazama, onde vemos o que lhe aconteceu entre os acontecimentos de Tekken 4 e Tekken 5. Começamos este jogo a invadir uns laboratórios da G-Corporation, chegando a algumas misteriosas ruínas que contam um pouco mais da origem do seu devil gene. Mas este Devil Within é mais que um beat ‘em up. É certo que passamos a maior parte do tempo à porrada com tudo o que mexa, mas passamos muito tempo também a explorar o layout labiríntico dos níveis, com alguns puzzles e elementos de platforming à mistura. Fez até lembrar um pouco os primeiros Tomb Raiders nesse aspecto. Infelizmente acho que este mini jogo poderia estar um pouco melhor polido, existindo pouca variedade de cenários e os mesmos são bastante repetitivos.

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No Devil Within, para além de enfrentarmos hordas de inimigos, temos algum platforming e puzzles para resolver.

De resto a nível gráfico é um óptimo jogo para uma Playstation 2. As arenas estão repletas de bonitos detalhes e os lutadores estão muito bem modelados. Para além disso, e isto é algo que eu realmente gostei, é o facto de terem mudado um pouco o aspecto geral dos lutadores. Nunca gostei do “desenho” que existia desde os primeiros Tekken e neste jogo as personagens estão com uma cara bem diferente, na minha opinião. As músicas continuam a ser bastante variadas entre si, mas não as considero propriamente memoráveis. As vozes são OK, embora ache os monólogos do narrador um pouco maus, principalmente quando o narrador tenta impersonar algumas personagens. Mas as vozes dos lutadores em si estão boas, e onde no jogo anterior a Namco teve a preocupação de deixar  alguns lutadores a falarem em inglês e japonês, desta vez o mandarim e o coreano são também juntados ao leque da linguística.

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Neste Tekken 5 introduziram as customizações que podemos fazer aos nossos lutadores favoritos

No fim de contas este parece-me ser mais um excelente jogo de luta da Playstation 2. Infelizmente não me considero especialista o suficiente para enumerar as particularidades das mecânicas deste jogo face às do anterior, mas a mim pareceu-me ter uns controlos agradáveis. Mas mais do que isso, este Tekken 5 prima realmente pelo seu conteúdo adicional, mais uma prova que a partir de uma certa altura, converter directamente os grandes êxitos das arcades directamente para as consolas já não é suficiente.

Tekken 4 (Sony Playstation 2)

Tekken 4 PlatApesar do Tekken Tag Tournament ter sido o primeiro jogo da série na Playstation 2, esse jogo não era nada mais que um “dream match” com as novas mecânicas de “Tag Team”. Tekken 4 é o verdadeiro sucessor do excelente jogo que a Playstation original recebeu, embora o seu leque de lutadores seja mais reduzido que Tag Tournament, pois este jogo segue a linha temporal da história da saga. Já comprei este Tekken 4 há uns aninhos, não me recordo quanto custou mas sei que foi muito barato, pois foi comprado em bundle no antigo leiloes.net juntamente com o já referido Tekken Tag Tournament, Tekken 5 e Virtua Fighter 4, tendo o conjunto custado-me menos de 10€ se a memória não me falha. Apesar de ser a versão platinum, acho que foi uma boa compra. E esta edição traz um dvd bónus com trailers de vários outros jogos disponíveis para a PS2.

Tekken 4 Platinum - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual francês, papelada e dvd bónus com vários videos de outros jogos da PS2. Versão Platinum.

A história é algo que se evidencia bastante neste jogo, havendo uma distinção entre o arcade mode – conversão directa do original das arcadas e o story mode, que pouco mais é do que o arcade mode com cutscenes iniciais, antes do boss final e finais. Mas pela primeira vez vi que tentaram realmente dar mais atenção à história do jogo, com os eternos conflitos entre Heihachi, Jin Kazama e Kazuya Mishima (que marca o seu regresso após a sua aparição em Tekken 2) a tomarem o foco principal. Mais uma vez Heihachi a convoca o King of Iron Fist Tournament 4, de forma a atrair Jin e Kazuya para mais um dos seus planos maquiavélicos, mas também onde a promessa de obter uma autêntica fortuna com a empresa de Heihachi atrai lutadores de todo o mundo, cada um com as suas distintas razões em participar no torneio. Mas esse “filme” já todos o vimos em dezenas de outros jogos de porrada.

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O menu principal mostra-nos muitas opções de jogo

A jogabilidade é semelhante á fórmula tradicional de Tekken, existindo porém um maior cuidado com as “arenas” e o que nos rodeia, com a possibilidade de usar o meio ambiente para causar mais dano aos adversários. De resto, e não sendo eu um expert na matéria, nem nunca foi, pois jogo este género de videojogos de uma forma mais casual, as coisas parecem-me semelhantes aos anteriores, o que para os fãs dos Tekken é certamente uma boa notícia. Os modos de jogo existentes também são similares aos Tekken anteriores, onde para além desta pequena distinção entre o Arcade e o Story mode não há grandes novidades neste campo. Podem então contar com modos secundários como o Time Attack, onde o objectivo é chegar ao final do modo arcade no menor tempo possível, o survival que nos coloca numa série de lutas e o objectivo é, tal como o nome indica, sobreviver ao maior número de combates possível. O Team battle também tem aqui o seu regresso, onde podemos juntar equipas de até 8 lutadores e lutar entre si até eliminar todos os lutadores adversários. Obviamente também temos o versus para combates multiplayer e existem não um mas dois modos de treino/tutoriais. Um onde podemos treinar livremente todos os movimentos existentes para cada personagem e um outro com um maior foco nos timings necessários para desencadear combos e afins. O que marca também o seu regresso do Tekken 3 é o beat ‘em up à moda antiga, o Tekken Force, onde podemos escolher um lutador e temos de o levar ao longo de vários níveis, enfrentando as forças do exército privado de Heihachi aos magotes, sempre com um boss no final de cada nível, até enfrentarmos Heihachi no final. Este é um minijogo que eu acho muito benvindo, pena pela pouca variedade nos inimigos e níveis, mas compreende-se pois esse é apenas um extra e não o foco principal deste Tekken 4.

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Family’s issues. Yep, são abundantes em Tekken.

No que diz respeito aos audiovisuais, este Tekken 4 é uma notória evolução do jogo anterior em ambos os aspectos. No quesito gráfico, os lutadores possuem um nível de detalhe superior e o mesmo se pode dizer das “arenas” que são variadas e possuem um bom nível de detalhe. As cutscenes em CG também não são más de todo, apresentando na minha opinião diferentes qualidades, com a cutscene de abertura a ter um nível de detalhe superior às outras. O voice acting é competente e achei interessante o facto de termos lutadores a falar em japonês e outros em inglês, embora sempre com legendas. Naturalmente Heihachi e Kazuya a terem as prestações mais imponentes. No que diz respeito às músicas, este parece-me ser o Tekken com mais variedade neste campo também, apresentando uma óptima evolução desde os primeiros 2 jogos com músicas electrónicas de qualidade questionável, pelo menos para mim. Aqui para além da electrónica e rock, até chegamos a ouvir alguns laivos de jazz, o que me agradou bastante.

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O Tekken Force é mais uma vez uma alternativa bem agradável às lutas 1 contra 1.

No fundo este é mais um jogo de luta que a meu ver me parece bastante competente, embora como já referi várias vezes não sou jogador hardcore neste campo, pelo que os haters de Tekken até poderão ter razão nas críticas que fazem à série. Para mim passa-me ao lado e tirando o design de algumas personagens e a história demasiado mastigada, acho uma boa série e este jogo não lhe foge à regra.

Soul Calibur (Sega Dreamcast)

Soul Calibur DreamcastContinuando com artigos sobre jogos de luta vamos agora para o lançamento da Sega Dreamcast, que recebeu um enorme mimo por parte da Namco, que confesso que me surpreendeu bastante na altura. A Namco desde o lançamento da Playstation que se focou quase exclusivamente nessa plataforma, tendo lançado muito pontualmente jogos para outros sistemas, como o Ridge Racer 64 na consola da Nintendo. De resto todo o catálogo de luxo da Namco ficou exclusivo da Playstation, razão essa que me deixou bastante surpreendido a Dreamcast ter recebido uma remasterização de luxo deste Soul Calibur que já existia nas arcades. Este jogo entrou na minha colecção após ter sido comprado a um particular por 6€, há alguns meses atrás.

Soul Calibur - Sega Dreamcast
Jogo com caixa e manual

A história de Soul Calibur decorre poucos anos após o primeiro jogo, Soul Blade, colocando mais uma vez uma série de lutadores de locais e backgrounds completamente distintos em batalhas pela Soul Edge, quer seja para a possuir, quer seja para a destruir. Soul Edge é uma espada mística bastante poderosa e maligna, que está actualmente com Sigfried, cavaleiro germânico que não resistiu à sua tentação, tornando-se agora em Nightmare. A troca de nome deveu-se também a introdução de uma espada antagónica à Soul Edge, a Soul Calibur que é igualmente poderosa mas benigna, sendo também solicitada por muitas das personagens em jogo ao longo da série.

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Ivy é sem dúvida a mais famosa adição à série

A jogabilidade de Soul Calibur introduziu uma maior liberdade de movimentos dentro das arenas, com o “8 way run” que nos permitia mover em 8 direcções. De resto a jogabilidade é extremamente fluída e com button mashings ou não, é um prazer de o jogar e para ultrapassar alguns desafios teremos mesmo de saber o que fazer. As armas são variadas, assim como os próprios lutadores, e essencialmente temos botões para bloquear, dar um pontapé e atacar horizontalmente ou verticalmente com as armas. Naturalmente que existem imensas combinações e golpes especiais para desencadear. De resto, para além do tradicional modo arcade e versus que estes jogos trazem sempre, a edição Dreamcast traz muito mais conteúdo. Aqui podemos encontrar outros modos de jogo que já nos eram familiares em outros jogos de luta, como o Team Battle, onde poderemos escolher um elenco de lutadores para a nossa equipa e defrontar toda a equipa adversária, o Time Attack onde temos de defrontar uma série de inimigos no menor tempo possível, ou mesmo o Survival Mode que consiste em sobrevivermos o máximo de combates possível sem perder nenhum round, sendo que a nossa vida recupera alguns pontos entre cada combate.

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Muito do conteúdo adicional que vamos desbloqueando pode ser visto nesta categoria Museum

Mas o que lhe deu mesmo um factor de replayability muito elevado foi o Mission Mode, que nos coloca numa espécie de aventura ao longo do mundo, onde teremos de derrotar imensos oponentes em desafios com objectivos diferentes: derrotar por ring-out, derrotar o inimigo com imenso vento, derrotar 3 inimigos de uma só vez e por aí fora. Aqui o objectivo é fazermos o máximo de pontos possível para podermos comprar com esses pontos imensas diferentes imagens de artwork do jogo, cuja compra muitas vezes acaba por desbloquear mais conteúdo bónus, como novas vestimentas para os lutadores, ou a possibilidade de os ver no seu Exhibition Mode – um modo de “jogo” onde podemos ver os lutadores com o seu equipamento à escolha a fazerem um exercício de kata. Outros desbloqueáveis no geral consistem claro está em novas personagens e arenas. Ainda temos mais um “Battle Theater” onde poderemos ver 2 lutadores à nossa escolha andarem à porrada entre si, bem como o “Practice Mode” que como o nome indica é um modo de jogo onde poderemos treinar os movimentos de qualquer lutador que tenhamos acesso. Conforme se pode ver, conteúdo é o que não falta neste jogo, e ainda bem, pois por norma a maioria das conversões arcade -> casa deixavam sempre a desejar em conteúdo novo que aumentasse o factor de replayabillity.

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Os efeitos especiais estão também muito bons

Graficamente era um jogo francamente impressionante para os padrões de 1999. Embora a expressão “nextgen” não fosse usada tão regularmente como hoje em dia, este era daqueles jogos que realmente faziam a diferença entre as consolas anteriores e a novíssima Sega Dreamcast. O jogo original saiu nas arcades no sistema Namco System 12, que ainda era baseado na Playstation original, embora já fosse mais poderoso. Para além de os lutadores estarem mais detalhados nesta versão, os backgrounds de cada arena são inteiramente renderizados em 3D, e não imagens estáticas de fundo como existe na versão arcade. Os lutadores são bem diferentes entre si e muitos deles possuem um carisma próprio, e personagens como a Ivy ainda não estão demasiado sexualizadas como tem vindo a acontecer a cada nova iteração da série. As músicas são bastante épicas com várias orquestrações, como aliás tem vindo a ser habitual em toda a série e aqui não é excepção.

É fácil perceber o porquê de Soul Calibur para a Dreamcast ter sido tão aclamado na altura e ter despoletado definitivamente o sucesso da série nos anos seguintes. Para além de uns visuais de luxo, tinha uma jogabilidade bastante fluída e acima de tudo, oferecia imenso conteúdo extra com que nos entretermos. Se estas não são razões suficientes para o quererem ter na vossa colecção, então não sei o que mais vos poderá convencer.

Tekken Tag Tournament (Sony Playstation 2)

Tekken Tag TournamentVamos voltar à série Tekken para o seu primeiro jogo na Playstation 2, com este Tekken Tag Tournament a não ser uma entrada oficial na cronologia da série, mas sim uma espécie de “dream match”, em conjunto com as mecânicas de tag team que foram introduzidas. Este jogo tem também o valor de ser mais um jogo de lançamento da consola da Sony, assim como Soul Calibur o foi para a Dreamcast. Já não me recordo ao certo quando comprei este jogo nem quanto paguei por ele, sei que foi num leilão do antigo leiloes.net, onde para além deste jogo trouxe também os Tekken 4 e 5 (embora platinum), bem como o Virtua Fighter 4. O conjunto ficou bastante barato e este Tekken Tag Tournament está comple

Tekken Tag Tournament - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

to, em óptimo estado e é a versão original black label.

 

Existem vários modos de jogo neste Tekken Tag Tournament, a começar pelo tradicional Arcade, onde após seleccionarmos uma dupla de personagens, iremos combater com uma série de oponentes até a um boss final. O esquema de Tag permite-nos trocar de lutador a qualquer momento do jogo, embora possa ser utilizado de maneira mais inteligente durante alguns combos para inflingir ainda mais dano. Sempre que trocamos de lutador recuperamos alguma da vida perdida e, ao contrário de outros jogos com a mecânica “tag”, não é preciso ter de derrotar ambos os oponentes, basta vencer um round a qualquer um dos dois para seguir em frente, daí o ser necessário alguma estratégia para trocar de colega de equipa. Outros modos de jogo como o Versus, Time Attack (onde interessa chegar ao final do modo arcade no menor tempo possível), Survival, onde com uma vida apenas teremos de derrotar o máximo de inimigos possíveis, e claro está um modo de treino onde podemos practicar todos os golpes existentes para cada personagem. Dentro do versus podemos tanto optar por jogar no esquema de tag team ou lutar em combates clássicos de 1 contra 1 ou o Team Battle. Esse Team Battle é semelhante ao modo que já vimos no Fighting Vipers por exemplo, onde poderemos escolher uma equipa de até 8 lutadores e lutar contra todos os lutadores escolhidos pelo adversário.

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O catálogo de personagens ao todo era impressionante

Um outro modo de jogo comum a todos estes é o “Pair Mode”, onde um amigo nosso poderá jogar connosco no esquema de Tag Team, permitindo assim que nos combates multiplayer possam ser jogados com 3 ou 4 jogadores, recorrendo ao multitap. De resto a jogabilidade é muito idêntica aos Tekken anteriores, pelo quem já for familiar com a série sentir-se-á em casa. Sendo este um “dream match”, existe um elenco bem grande de lutadores que poderemos desbloquear. Se não estou em erro poderemos acabar por jogar com todos os lutadores que apareceram desde o Tekken 3 até então. Outras coisas que podemos desbloquear são o Gallery Mode e o Theater Mode, neste último, onde podemos ver as várias variantes de cutscenes finais de cada lutador, bem como outras cutscenes nos geral e ouvir a banda sonora do jogo. Tal como no Tekken 3 também podemos desbloquear um outro minijogo, sendo desta vez um minijogo de bowling o escolhido.

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Algumas destas personagens extra eram apenas “costume swaps” de outras.

Graficamente é um bom jogo, tendo em conta que o original das arcades corria na mesma engine do Tekken 3 e a PS2 seria capaz de muito melhor. Tal como no Soul Calibur para a Dreamcast, a Namco actualizou drasticamente o aspecto gráfico do jogo, colocando muito mais detalhe nos modelos poligonais das personagens e cenários, bem como texturas em melhor resolução. Os cenários são bastante diversos entre si e apresentam um salto gráfico bem qualitativo face ao Tekken 3 que por sua vez já tirava leite de pedra do hardware da Playstation original. No entanto como já devo ter dito várias vezes, nunca consegui achar muita piada ao carisma desta série. Muitos lutadores têm feições completamente estranhas, como o Paul, e neste jogo isso não foi mudado. Mas nem é algo que espere que aconteça, Tekken já marcou pelo seu estilo. A banda sonora é variada também, de acordo com cada personagem/arena, mas continua a não me cativar completamente.

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A parte a vermelho da barra de energia são os pontos de vida que podemos recuperar se ficarmos a descansar em background tempo suficiente

Ainda assim este Tekken Tag Tournament é um jogo bem consagrado pela crítica no geral e pelos fãs, tanto que quando aconteceu o lançamento do filme Tekken Blood Vengeance, a edição Blu-Ray desse filme trazia uma versão HD deste mesmo jogo para a PS3, para além de um prólogo sobre o que viria a ser o Tekken Tag Tournament 2, que ainda não entrou na minha colecção. No fim de contas, se forem fãs da série ou de jogos de luta 3D, certamente este é um jogo a ter em conta.