R-Type (ZX Spectrum)

screenshotR-Type é um grande clássico dos shmups, talvez a par do Gradius original, serviu de referência a muitos outros shmups que lhe seguiram até aos dias de hoje. E apesar de ser um jogo que eu gosto bastante, e curiosamente a primeira versão que joguei dele foi precisamente a de ZX Spectrum, conto escrever um artigo mais elaborado um dia que uma versão como a da Master System me venha parar às mãos. Entretanto esta cópia que cá tenho é mais uma bootleg proveniente do nosso mercado cinzento, tendo sido comprada há coisa de uns meses atrás na Feira da Vandoma no Porto por 1€.

R-Type - ZX Spectrum
Cassete e caixa, versão bootleg

Em R-Type controlamos uma nave espacial na sua luta contra o império de Bydo. Até aqui tudo bem mas o que enfrentamos não são necessariamente naves espaciais convencionais, mas estranhas criaturas meio robóticas/biológicas com o seu design bem inspirado pelos trabalhos de H.R. Giger, ou o filme Alien (também desenhado pelo mesmo artista). Mas é também nas suas mecânicas de jogo que R-Type marca pontos. Isto porque vamos poder apanhar vários power-ups, mas para além de diferentes armas, vamos também encontrar a Force, uma componente da nossa nave que pode ser ligada à parte dianteira ou traseira da nossa nave, servindo de escudo nessa àrea e aumentando o poder de fogo, mas também pode funcionar de forma completamente independente, e apesar de não termos muito controlo sobre a mesma, acaba por ser imprescindível, até porque é invencível, ao contrário de nós. Para além desse “anexo” podemos também equipar umas pequenas esferas também invencíveis e capazes de disparar verticalmente, o que será também bastante útil para eliminar criaturas no chão e tecto dos vários níveis.

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Quaisquer semelhanças com Alien são mera coincidência. Ou não.

R-Type é um jogo desafiante que nos exige uma óptima capacidade de memorização dos padrões de movimento dos inimigos, bem como um uso apropriado dos powerups e diferentes armas que temos à disposição. A conversão para o ZX Spectrum, apesar de não possuir música para além de uns “beep-bops” ocasionais até que acaba por ser uma conversão muito competente tendo em conta as limitações de um Spectrum 48K. Apesar de ter uma palete de cores bastante reduzida, é dos jogos do Speccy que melhor vi a tirar proveito dessas mesmas limitações, apresentando níveis e inimigos bastante coloridos, dentro das possibilidades. Os efeitos especiais como os diferentes modos de fogo também ficaram muito bons e bastante coloridos. Sinceramente gostei!

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Pode não parecer, mas isto foi um feito técnico para o Spectrum

Obviamente que existem imensas conversões mais fieis à arcade, e o meu gosto especial vai pela conversão da Master System que é mais uma boa conversão tendo em conta as limitações dessa consola da Sega face ao sistema original, mas ainda assim esta versão Spectrum foi mesmo bastante surpreendente.

Kung Fu (Nintendo Entertainment System)

Kung Fu - NESPara não destoar, este artigo é mais uma rapidinha. Mas também para o jogo que é, não haveria outra forma de escrever aqui um artigo, tal é a sua simplicidade. Kung Fu, da Irem, é um jogo para a NES lançado em 1985, podendo então ser considerado como um dos jogos de primeira geração desta consola.  E este foi mais um dos jogos comprados num bundle de NES/SNES por 50€ a um utilizador do fórum Collector’s Corner. Contém apenas o cartucho.

Kung Fu - Nintendo Entertainment System
Jogo, apenas cartucho

A história por detrás deste jogo é muito simples. Encarnamos em Thomas, mestre da nobre arte do Kung Fu mas que vê a sua namorada a ser raptada pelo mestre de um dojo rival. O resto do jogo consiste em nós atravessarmos os vários andares desse mesmo dojo, distribuindo pancada em todos os que se atravessam à nossa frente até conseguirmos resgatar a donzela em perigo. Nada fora do comum portanto. Mas esse dojo não tem só oponentes humanos, mas também serpentes/dragões e traças (os insectos) gigantes!

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O ecrã título não engana. Estamos perante um jogo da primeira geração da NES

O jogo apresenta-nos 4 modos distintos de jogo mas que não mudam muito entre si, apenas o grau de dificuldade e se jogamos sozinhos, ou com mais um amigo (para jogar alternadamente). De resto, é sempre a mesma coisa, em cada nível apenas nos temos de preocupar em andar numa direcção e enfrentar os inimigos que nos vão aparecendo um pouco por todos os lados. Felizmente este não é dos jogos em que basta recebermos um soco para perder uma vida, mas sim temos uma barra de energia que vai sendo esvaziada à medida que vamos levando porrada. Os bosses, que não há muitos, também têm uma barra de energia própria. A jogabilidade é bastante simples, sendo possível executar golpes altos (ao saltar), baixos ou médios. Nada que enganar!

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Graficamente é um jogo bastante simples e com pouca variedade

Graficamente é um jogo muito, muito simples. Não há grande variedade (para não dizer mesmo nenhuma) nos cenários e os inimigos são sprites bastante simples. O que para os padrões de 1985 até era normal, não fosse um certo canalizador bigodudo estragar a média. As músicas também são poucas e repetidas até à exaustão, o que não é uma coisa boa. Os efeitos sonoros também não são os melhores e embora até me pareça ter vozes digitalizadas as mesmas acabam por ser algo irritantes ao serem repetidas ao extremo.

Por estas razões, Kung Fu não é um jogo que eu recomende. Tem o seu valor de ser um dos mais antigos beat’ em ups antes de a fórmula ter sido refinada em jogos como Double Dragon ou Final Fight, mas precisamente por isso é que existem alternativas muito superiores, mesmo na própria NES.