Parlour Games (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas e à Master System, ficamos com mais um jogo para toda a família. Antes de a Compile ter desenvolvido o Casino Games através da Sega, também estiveram por detrás deste Parlour Games, que inclui 3 diferentes jogos, com diversas variantes. O meu exemplar foi comprado no facebook algures no passado mês de Setembro, tendo-me custado 6€.

Jogo com caixa e manual

O primeiro dos jogos que aqui temos são diferentes variações de jogos de bilhar, cujos podem ser jogados de 1 até 4 jogadores, ou contra o computador, excepto no 5-ball que é obrigatório para 2 jogadores. Em qualquer variante (ainda bem que tenho o manual para explicar as regras) as mecânicas de jogo são simples, onde podemos escolher qual a direcção para a tacada, o ângulo na bola e qual a força aplicada. Tudo bastante intuitivo, nada a apontar!

A parte do bilhar é para mim a mais divertida

O segundo jogo são várias variantes dos dardos, e confesso que nestes nunca soube as regras, pelo que o manual deu jeito. Mais uma vez podemos jogar sozinhos, contra outros oponentes ou contra o computador e a nível de mecânicas de jogo também podemos posicionar o jogador em relação ao alvo, bem como a força a aplicar em cada lançamento. Aqui é difícil prever onde o dardo pode cair, pelo que temos mesmo de ir practicando. Por fim temos uma variante do bingo (aqui chamada de World Bingo) que nunca tinha ouvido falar e sinceramente mesmo com o manual, continuei sem entender muito bem qual o propósito do jogo.

Tanto o bilhar como nos dardos, temos algumas variantes para explorar, com diferentes regras

Uma vez mais, tal como depois o Casino Games veio a fazer, o jogo possui óptimos audiovisuais, especialmente nos menus entre jogos, com imagens bem detalhadas de jovens bem vestidas, ou outros jogadores. Durante os jogos em si, não há muito para fazer ao renderizar uma mesa de bilhar, várias bolas coloridas e alguns tacos aqui e ali, ou um alvo com dardos, ou mesmo o tal bingo esquisito. As músicas são também bastante agradáveis e uma vez mais o jogo suporta música em FM, embora aqui até faça algum sentido pois este Parlour Games até saiu no Japão sob o nome de Family Games.

Casino Games (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas e à Master System, o jogo que cá trago hoje, como se facilmente pode inferir pelo seu nome, é um título que nos dá a hipótese de jogar alguns jogos típicos de casinos. O meu exemplar foi comprado num pequeno bundle a um particular algures no passado mês de Setembro, tendo-me custado 6€.

Portanto, neste Casino games podemos jogar várias modalidades. Nos jogos de cartas temos o Poker tradicional (não a variante popular de hoje em dia do Texas Hold ‘Em), o Blackjack e o Baccarat, que por acaso só conhecia de nome. Depois temos a possibilidade de jogar em slot machines e, contra o que estava à espera, podemos também experimentar uma mesa de pinball, embora aí naturalmente não seja possível ganhar ou perder dinheiro, apenas pontos. Começamos inicialmente com 500 dólares e aparentemente a ideia é chegar ao milhão. Podemos no entanto gravar o nosso progresso no jogo na forma de passwords, para continuar noutra altura.

Poker é talvez o jogo mais bem implementado aqui e que nos oferece uma variedade de oponentes

No que diz respeito aos audiovisuais, confesso que este Casino Games foi uma agradável surpresa. Os gráficos são coloridos e bem detalhados, dentro dos possíveis, claro, visto que estamos a jogar cartas ou pouco mais. Mas no caso do Poker, podemos escolher diferentes oponentes que por sua vez vão tendo diferentes expressões faciais consoante a maneira em como o jogo está a correr. Para além disso, temos aqui uma das melhores sequências de Game Over de sempre! As músicas são também agradáveis, sendo este um dos jogos que suporta o FM Sound, algo que só está disponível nativamente nas Master System e Mark III japonesas, se bem que este jogo nunca saiu no Japão. Mas visto ter saído em 1989, ano do último lançamento para a Master System em solo nipónico, talvez a certa altura do seu desenvolvimento estivesse previsto um lançamento japonês.

Confesso que não estava à espera de poder jogar Pinball num casino.

Portanto, este até foi um jogo que me surpreendeu, e dentro deste nicho muito específico, as únicas outras opções para a Master System são talvez o Parlour Games, que também conto cá trazer muito em breve.

R-Type (Sega Master System)

De todos os shmups, aquele que guardo mais alguma nostalgia é mesmo este R-Type para a Sega Master System. Desde que soube da sua existência, algures na década de 90, onde joguei-o em casa de um amigo, que fiquei fascinado pela sua jogabilidade e temática do espaço e com criaturas “xenomórficas“, uma clara homenagem aos filmes do Alien. Mas só no mês passado de Agosto é que finalmente o acabei por arranjar, após ter sido comprado a um particular por 12 ou 14€, já não me recordo bem.

Jogo em caixa

R-Type leva-nos a confrontar as criaturas do império de Bydo, que se prepara para invadir a terra. O cliché habitual, e até aqui nada de novo. O bom que R-Type tem é a sua jogabilidade. Sim, por um lado temos acesso a diferentes power-ups que nos conferem mais velocidade, ou diferentes tipos de ataques como os raios laser que se reflectem nas superfícies até encontrarem um alvo, mas o que realmente torna R-Type diferente da sua concorrência é o uso da Force Drive, um “apêndice” da nossa nave que é invencível e que também pode ser de certa forma controlado. Podemos anexá-lo na frente ou traseira da nossa nave, dando-nos assim um pequeno escudo, mas também o podemos lançar para a frente de combate e usá-lo para atacar à distância, algo que será inclusivamente necessário em alguns bosses. Para além disso, podemos também ter um número máximo de 2 Options, pequenas esferas que voam paralemente à nossa nave e também podem atacar.

Este nível obriga-nos a ter nervos de aço, embora não seja tão exigente quanto o de arcade.

Mas mesmo com tanto poder de fogo as coisas não são fáceis, não senhor. Existem inúmeros inimigos e projécteis vindo de todos os lados e basta o mínimo dano que perdemos uma vida. Mesmo embarrando nalguma superfície, o que será comum acontecer em alguns níveis com túneis mais apertados, lá se vai mais uma vida. E sendo este um daqueles jogos que tem de ser terminados de uma assentada só, pois não existe qualquer forma de gravar o nosso progresso, lá aumenta a dificuldade.

O primeiro boss é qualquer coisa de impressionante!

Esta conversão para a Master System que ficou a cargo das mãos da Compile, embora tal não seja creditado, acaba por ser uma excelente conversão tendo em conta as limitações da plataforma. É uma conversão bastante fiel à original, embora as sprites sejam ligeiramente menores e em menor número para evitar algum slowdown ou sprite flickering. Os níveis foram também ligeiramente adaptados tendo em conta as limitações da consola, mas para compensar a Compile incluiu aqui um nível e boss secreto, acessível durante o nível 4, que é exclusivo desta versão.

Quando defrontamos um boss, o fundo passa a ser inteiramente negro

Graficamente é um jogo excelente para uma Master System, com os seus níveis detalhados e variados, pois não só no espaço e interiores de naves gigantescas a acção se passa, mas também em diversas cavernas. Os bosses são bastante grandes e detalhados, embora sejam confrontados “às escuras”, sem o detalhe dos níveis por detrás para evitar slowdowns da consola. As músicas são também bastante agradáveis, em particular a banda sonora em FM à qual apenas as consolas japonesas tiveram direito.

R-Type é um excelente shmup horizontal. A par de Gradius, são sem dúvida os jogos mais influentes de todo o género. Esta conversão para a Master System acaba por ser muito bem conseguida (afinal a Compile já tinha feito um bom trabalho com o Power Strike) e é facilmente a melhor versão de plataformas puramente 8bit.

Power Strike II (Sega Master System)

O Power Strike original (conhecido no Japão como Aleste) já era um dos melhores shmups da biblioteca da Master System, apesar de possuir alguns slowdowns bem notórios em alturas mais críticas com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Na primeira metade da década de 90, quando a Master System ainda estava em voga na Europa, mas já a encaminhar para o seu final de vida, a Compile acabou por desenvolver, em exclusivo para o nosso mercado, este Power Strike II, que acabou por se tornar num dos jogos mais apetecíveis da consola, atingindo valores exorbitantes nos círculos de vendas. O meu exemplar, apesar de ser apenas o cartucho, felizmente foi-me oferecido por um amigo de infãncia, algures no início deste milénio. EDIT: Recentemente consegui completar a minha cópia após o ter encontrado num grande bundle de jogos e consolas que comprei a meias com um colega.

Jogo completo com caixa e manuais

Este Power Strike II da Master System foi mesmo um jogo desenvolvido de raíz para esta consola, não deve ser confundido com a versão Game Gear, que inclusivamente saiu no Japão, pertencendo oficialmente à série original da Compile, o Aleste. Esta versão é passada nos anos 1930, onde após a grande depressão de 1929, o mundo entrou em crise e começaram a surgir imensos piratas do ar. Para combater esses bandidos, nós somos um mercenário equipado com um avião todo futurista e o resto é história! Para referência, a versão Game Gear já possui uma storyline completamente futurista.

Antes de começarmos a jogar podemos escolher qual a arma secundária que queremos levar connosco.

As mecânicas de jogo são muito semelhantes às que encontramos no Power Strike original, onde possuimos ataques normais que podem ser melhorados ao apanhar os power-ups com a forma de P. Os restantes são ataques especiais, numerados de 1 a 6, com diferentes modos de disparo, podendo também serem melhorados ao apanhar novos power ups consecutivos com o mesmo número. A diferença é que desta vez, ao iniciar o jogo, podemos escolher qual a arma especial a carregar inicialmente, em conjunto com um ecrã que exemplifica o poder de disparo de cada uma delas. Um único botão serve também para disparar tanto a arma principal como a secundária escolhida, sendo que se deixarmos o dedo pressionado nesse mesmo botão não só activamos o autofire, mas também uma espécie de charge attack que é lançado assim que largarmos o botão 1. O botão 2 possui funções especiais, podendo ser configurado para pausar o jogo (porque ir à consola pausar é uma seca) ou alterar a velocidade da nossa nave.

Apesar do jogo ser passado nos anos 30, a arquitectura das naves mistura tecnologia obsoloteta com futurista

A nível técnico este é também um excelente trabalho. Graficamente é um jogo muito competente, com gráficos bastante coloridos e cenários variados, desde sobrevoar pequenas cidades, oceanos, florestas, montanhas ou desertos. Os cenários tipicamente estão também bem detalhados e cheios de vida! Existem muitas sprites e projécteis no ecrã em simultâneo, mas ao contrário da conversão do primeiro Power Strike, desta vez não reparei em slowdowns, pelo que o jogo está muito mais fluído agora. As músicas também são agradáveis!

Power Strike II é um jogo mais bem detalhado que o seu predecessor, e a nível de performance também!

Sendo o primeiro Power Strike um jogo com distribuição muito limitada nos Estados Unidos, este segundo exclusivo (e raro!) em território europeu, é fácil de perceber o porquê deste jogo vir a atingir preços absurdos no mercado de videojogos retro. O que é uma chatice, pois é daqueles jogos que vale mesmo a pena!