Diablo (PC)

DiabloVai ser difícil escrever algo sobre este jogo sem referir a sua sequela, Diablo II, que é exponencialmente melhor em todos os campos e ainda hoje é uma referência para o PC Gaming, mas vou tentar. Diablo é um excelente e revolucionário RPG de acção no estilo “hack and slash” que, em conjunto com a sua acção frenética, as dungeons geradas aleatoriamente e um sistema de loot repleto de items também com características algo aleatórias tornou-se num grande marco na indústria. A minha cópia, que embora seja uma budget release, foi comprada apenas há umas semanas atrás na antiga VirtualAntas, agora no Gran Plaza no Porto, por apenas 3€.

Diablo - PC
Jogo em edição bestsellers, completo com caixa, manual e papelada.

Embora não pareça, este jogo foi o início de uma lore que apaixonou milhões de jogadores por esse mundo fora. Sintetizando, o jogo decorre no plano terrestre de Sanctuary, mais precisamente na desvastada aldeia de Tristram. Há várias eras atrás, houve uma grande guerra entre demónios e anjos, até que as coisas acabaram por se acalmar. No entanto os 3 Lordes do Inferno Mephisto, Baal e Diablo continuavam a tentar corromper os humanos e espalhar o terror em Sanctuary, até que os 3 são aprisionados numas pedras mágicas e espalhados pelo mundo. Em Tristram, tinha sido erigido um grande mosteiro bem em cima de onde Diablo tinha sido aprisionado, de forma a vigiá-lo e evitar que alguém o quisesse libertar. O que com o decorrer dos anos acabou mesmo por acontecer, vitimizando várias pessoas, entre os quais o Rei Leoric. Com muitos aventureiros a serem atraídos pela promessa de poderes mágicos e tesouros enterrados abaixo do mosteiro de Tristram, o nosso jogador acaba por ser mais um que quer explorar as cavernas infernais que nos esperam abaixo de Tristram, chegando ao próprio inferno, onde Diablo nos espera.

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Há algo que nunca gostei, o facto de o dinheiro ocupar slots no inventário. Mas até que faz sentido… na vida real.

Começamos o jogo ao escolher a nossa classe, existindo 3 em Diablo, sendo as habituais “Warrior”, para quem gosta de força bruta, “Rogue” para quem gosta de ataques de longo alcance e “Sorcerer”, para tirar o máximo partido das magias do jogo, mas a custo de menor força e defesa físicos. Ao longo do jogo vamos subindo de nível e com isso podemos aprender várias skills. Cada classe tem uma skill própria, mas de resto todas as outras podem ser aprendidas por qualquer classe, com diferentes resultados, claro. O Warrior não tira grande partido das magias elementais, mas magias defensivas ou de healing são benvindas. A Rogue já consegue tirar partido de alguns feitiços com mais eficácia, mas é o Sorcerer que, apesar de fisicamente fraco, pode ser evoluído para se tornar num autêntico one-man-army. Depois a jogabilidade é simples e eficaz. Clicamos com o rato numa posição do ecrã e a personagem desloca-se para lá. Clicamos num inimigo e começamos a atacá-lo. Clicamos num item e podemo-lo usar. Atalhos com o teclado são também possíveis claro, mas o uso intensivo do rato tornou este jogo num baile de “click-click-click” que pode ser ouvido em muitos quartos de jovens adolescentes por esse mundo fora.

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Existem inimigos para todos os gostos, embora naturalmente nos níveis finais sejam cada vez mais fortes.

Infelizmente apenas existe uma localidade, a aldeia de Tristram. Lá podemos falar com vários dos seus habitantes e realizar todas as actividades comerciais ou ouvir os últimos boatos. Comprar items, poções mágicas, armas, armaduras, reparar o nosso equipamento (sim, todos eles têm uma durabilidade pré-definida), ou identificar items especiais, tudo isso se pode fazer em Tristram, bem como activar algumas sidequests se o desejarmos. A questão de identificar items é muito peculiar visto que o resto do jogo consiste em explorar os 16 níveis subterrâneos abaixo do Mosteiro, com os mesmos a serem gerados de forma algo aleatória e com tesouros igualmente aleatórios. Existem vários tipos de itens no jogo. Os normais, com a sua descrição em letras brancas, outros com a descrição em azul que são mágicos, com efeitos adicionais como uma maior afinidade com fogo, ou permite ganhar mais experiência, por exemplo. Outros dourados são únicos e por fim temos os vermelhos, que por uma razão ou outra não os podemos equipar, seja por restrição de classes, ou por ainda não estarmos no nível pretendido. Desses items mágicos, muitos deles têm os tais atributos extra desconhecidos, tendo nós de os levar então a Cain para que os identifique (ou gastamos uma scroll of identify para o efeito). Foi toda esta conjugação de factores que tornou o Diablo num jogo tão viciante, tendo sido base para muitos MMOs que lhe seguiram. Existe também uma vertente multiplayer que por acaso nunca experimentei. Essencialmente é um modo cooperativo (onde também podemos atacar os nossos colegas) da campanha até 4 jogadores.

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A escuridão pode-nos dificultar a vida, mas podemos deixar o mapa em overlay para nos guiarmos melhor.

Graficamente era um jogo interessante na altura. O nome “Diablo”, aliado aos corredores escuros e tenebrosos e criaturas demoníacas que o jogo nos apresentava impunha bastante respeito. No entanto os mesmos são algo simples e não envelheceram muito bem. Muitos inimigos são palette swaps de si mesmos e o próprio motor gráfico não se porta lá muito bem em sistemas operativos modernos. No meu caso tive de usar uns mods externos para o conseguir correr. Mas se passarmos para o voice acting e música… quem nunca se lembra de das falas de Deckard Cain “Hello my friend! Stay a while and listen!”? No geral, o voice acting apesar de simples está muito bem feito para a época. E o mesmo pode ser dito das músicas, com os deliciosos acordes que ouvimos sempre que regressamos a Tristram, ou as outras músicas mais atmosféricas que nos acompanham ao longo das profundezas da Terra. Nesse campo o jogo era realmente bom e claro está, a sua sequela ainda melhor.

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A grande maioria dos feitiços/skills podem ser aprendidos por todas as classes, o que pode soar estranho, mas nem todas têm as mesmas aptidões para as usar.

No fim de contas, apesar de tal como já referi várias vezes ser um jogo que fica muito atrás da sua sequela, não deixou de ser completamente revolucionário. A sua influência para os clones que lhe seguiram e MMOs é absolutamente inegável e foi um jogo que colocou definitivamente o PC no mapa, se é que já não estava para muita gente. Para além desta versão PC e outros computadores, o mesmo saiu também para a Playstation 1, que sinceramente não faço a mínima ideia como se comporta nessa consola, apenas sei que é algo rarito. Mas largar notas por notas, prefiro eventualmente comprar o lançamento original para PC em big box mais a sua expansão, pode ser que o futuro me seja risonho nesse meu pedido.

Diablo II (PC)

E quase um mês após a minha última review, já era bem tempo de escrever uma outra. Na verdade a razão desta minha ausência é perfeitamente explicada dado aos meus afazeres académicos que me têm tirado imenso tempo nesta recta final de curso. Mas é uma recta que se avizinha bastante longa, por isso não esperem por muitas mais reviews nos próximos tempos. Mas siga o barco! O jogo que trago cá hoje é o antecessor do exclusivo PC mais badalado dos últimos tempos, Diablo III. Confesso que até há poucos meses atrás nunca me tinha dado grande vontade de jogar qualquer jogo desta saga, mas agora começo a perceber a razão pela qual ainda hoje, muita gente joga Diablo II online. A minha cópia do jogo foi adquirida penso que algures no ano passado, na loja portuense TVGames. Custou-me algo em torno de 4€.

Diablo II PC
Jogo completo com caixa, papelada, vários discos e manual

A história de Diablo II segue os acontecimentos no final do primeiro jogo, onde a presença de Diablo começa novamente a ser notada, o mundo torna a ser invadido por monstros e demónios, e com o desenrolar do jogo vai-se saber que Diablo quer também libertar os seus irmãos, Baal e Mephisto. O jogador começa a sua aventura na mesma região do primeiro Diablo, num acampamento improvisado por alguns sobreviventes do mosteiro das “Sister of Sightless Eye”, onde temos o objectivo de derrotar Andariel, responsável pelos massacres na área e a história vai-se desenvolvendo a partir daí.

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Uma Amazon uma das dungeons do jogo, a espalhar o terror

Ao contrário do primeiro Diablo, onde apenas conhecíamos uma cidade (Tristram) e teríamos de explorar um labirinto subterrâneo até ao Inferno onde defrontaríamos Diablo, neste jogo as áreas estão estruturadas de maneira diferente. Diablo II é um jogo dividido em 4 actos, sendo que em cada acto é passado numa zona diferente. O primeiro conforme já indiquei é na mesma região do Diablo I, fazendo lembrar uma Europa medieval, o acto II no médio-oriente, acto III numa selva e finalmente o quarto acto novamente no inferno. Em cada acto existe uma “cidade” que nos serve de base, onde poderemos encontrar uma série de NPCs, desde os tradicionais “shopkeepers“, ferreiros, conselheiros, etc. Abandonando as portas da base poderemos explorar o território circundante, gerado de forma aleatória e onde poderemos encontrar várias dungeons, sejam obrigatórias para prosseguir com a história ou não. Diablo II oferece 5 diferentes classes à escolha, cada uma com os seus respectivos atributos: Barbarian para o tradicional “melee fighter“, Sorceress para o também tradicional “magic wielder” com fortes feitiços mas fraca defesa, as Amazons, guerreiras de longo alcance com os seus arcos, lanças e alguns poderes mágicos; Paladins, guerreiros sagrados com bastantes habilidades de defesa e protecções mágicas e finalmente os meus preferidos, os Necromancers, guerreiros capazes de ressuscitar os monstros mortos para que lutem ao seu lado, usando também poderes mágicos que penetram qualquer defesa e/ou provocam alterações nos status dos adversários (envenenamento, confusão, etc).

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Ecrã com as quests que desbloqueamos em cada acto.

Diablo II pode ser jogado tanto em single-player como em multiplayer, existindo vários níveis de dificuldade que podem ser desbloqueados quando se termina o jogo com o nível de dificuldade anterior. Em graus de dificuldade maiores, cada vez que o jogador morrer, perde pontos de experiência, mas em contra-partida as hipóteses de se obterem items raros e poderosos aumentam, como já é algo comum em jogos do género. O multiplayer de Diablo II é cooperativo, embora também se possam enfrentar outros jogadores em Player vs Player. É no modo cooperativo, jogado bastante ainda hoje, que a magia de Diablo II verdadeiramente acontece. As “parties” podem ter até 8 elementos e parties com guerreiros com skills bem balanceadas e que se complementem entre eles permitem acabar o jogo de uma maneira bastante rápida. É precisamente nesse balanceamento de skills (que poderemos subir e descer de nível consoante a experiência obtida) e a procura de items mais raros e poderosos que tornam Diablo II (e vários outros MMORPGs que o sucederam) num jogo bastante viciante. Infelizmente, sendo já um jogo bastante datado, existem imensos cheaters online, mesmo com vários patches lançados em 10 anos. Os characters ficam armazenados no disco rígido do jogador, sendo bastante simples alterar os ficheiros onde o mesmo fica guardado. É possível jogar-se online com characters guardados apenas no lado do servidor, mas ainda assim existem vários exploits que tiram partido disso.

Graficamente temos de ter em conta que o jogo saiu em 2000. É um jogo com perspectiva isométrica, tal como o seu antecessor. Mas ainda assim acho que em 2000 se poderia fazer algo melhor no quesito gráfico, mas não é algo que me incomode muito. Os cenários vão sendo variados (especialmente entre os 4 actos do jogo), com algumas dungeons repletas de pormenores interessantes. Já os monstrinhos, se calhar poderiam ser melhor trabalhados. Algo que realmente gostei foram as CGs que são vistas no início, entre actos e fim, ainda hoje têm bastante qualidade e o voice acting está óptimo. Aliás, o voice acting é óptimo em todo o jogo, onde todas as falas dos NPCs são reproduzidas em áudio e texto. As músicas também são bastante agradáveis, com um foco mais ambiental, mas também com algum folclore das áreas onde o jogo se vai passando, ou até re-imaginações de músicas do primeiro jogo, como por exemplo os primeiros acordes da música de Tristram em Diablo I podem ir sendo ouvidos logo no primeiro acto.

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As cutscenes estão óptimas, ainda 12 anos depois são agradáveis de se ver.

Diablo II é uma óptima evolução face à sua prequela e é sem dúvida um dos hack ´n slash mais influentes do mercado até aos dias que correm. Actualmente temos um Diablo III repleto de polémica com vários bugs no período inicial (hey, isso também aconteceu com este jogo), e com muitos jogadores um pouco insatisfeitos com o balanceamento da jogabilidade entre os níveis de dificuldades ou entre classes. Acredito que nos patches futuros a Blizzard irá melhorar o jogo, eu sem dúvida que mais tarde ou mais cedo também o comprarei, nem que seja para continuar a história da série, que gostei bastante da mesma neste jogo. Aliás, em Diablo II a história termina num cliffhanger enorme sendo posteriormente retomada no acto 5, disponível com a expansão “Lord of Destruction”, lançada no ano seguinte, com várias novidades na jogabilidade.