Yoshi’s Island DS (Nintendo DS)

O Yoshi’s Island original, apesar de já ter saído algo tardiamente no ciclo de vida da Super Nintendo, foi um jogo bastante original na sua jogabilidade e confesso que inicialmente não lhe achei muita piada, mas acabou por crescer. Em 2006 acabamos por receber uma sequela directa para a Nintendo DS, sendo que o meu exemplar foi comprado numa CeX algures no norte do país. Já não me recordo ao certo onde e quando o comprei, mas recordo-me não ter custado mais de 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história anda uma vez mais à volta dos Yoshi e de uma série de bébés. Os minions de Bowser raptaram uns quantos bébés, sendo que o bébé Mario acaba uma vez mais às costas dos Yoshis, que vão carregar Mario de nível para nível até ao Castelo de Bowser e resgatar Luigi e os restantes bébés. Mas desta vez vamos interagir também com outros bébés diferentes: Peach, Donkey Kong e até Wario e Bowser, todos eles com mecânicas ligeiramente diferentes. Yoshi pode devorar inimigos e cuspi-los ou consumi-los e produzir um ovo, sendo que podemos carregar uns 5/6 ovos connosco em simultâneo. Esses ovos podem ser arremessados de forma mais controlada, seja para atacar inimigos, ou mesmo para apanhar itens. Agora todos os bébés acrescentam mecânicas de jogo ligeiramente diferentes. O bébé Mario é o único que nos dá a habilidade de correr, e é o único que pode consumir as estrelas que os transformam no super Mario com invencibilidade temporária e durante esse tempo é o bébé Mario que carrega Yoshi. Já Peach é a personagem mais leve e, com o seu guarda chuva podemos aproveitar alguns túneis de vento para alcançar passagens elevadas. Já Donkey Kong permite-nos escalar lianas e atira os ovos com tanta força que explodem no impacto, causando mais dano. Wario e Bowser só serão jogáveis em menos níveis, mas Wario tem um íman que atrai moedas e outras plataformas metálicas, já o Bowser cospe fogo.

Tal como no original da SNES, temos aqui também uma longa cutscene de abertura

Também tal como no primeiro Yoshi’s Island, ocasionalmente Yoshi vai-se poder transformar em veículos como um helicóptero ou uma escavadora. Outras vezes poderemos mesmo usar alguns veículos como um canguru gigante para nos ajudar a atravessar algumas secções dos níveis. Portanto teremos aqui 5 mundos distintos para explorar, com 8 níveis cada um mais 2 de bónus que poderão ser desbloqueados posteriormente. Naturalmente, teremos de usar todas as habilidades de Yoshi e respectivos bébés para os atravessar e tentar apanhar todos os coleccionáveis (são imensos), que por sua vez nos irão desbloquear os níveis extra. Para além disso vamos tendo acesso a vários mini jogos ao decorrer do jogo que nos poderão recompensar com vidas extra.

Tal como no original, Yoshi não morre se for atingido por algum inimigo, mas perde o bébé que estava a carregar e teremos apenas alguns segundos para o apanhar de volta.

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente acho este jogo excelente. Mantém a mesma estética visual do clássico da Super Nintendo, com os cenários variados mas com um esquema de cores bem agradável e que fazem de certa forma lembrar pinturas a lápis de cera, embora não tão óbvios como no original. Os inimigos gigantes que eram impressionantes na SNES estão também de volta! As músicas são também bastante variadas e com melodias muito agradáveis e que ficam retidas na nossa memória. De resto, visto que estamos perante um jogo produzido para a Nintendo DS deveríamos contar com uma série de funcionalidades específicas para esta plataforma. Mas felizmente não há grandes geringonças que nos obrigam a usar o touch screen, todo o platforming (que possui alguns segmentos bem exigentes especialmente nos níveis de bónus) é todo jogado de forma tradicional e a única coisa que a Nintendo DS traz de realmente novo aqui é o uso dos 2 ecrãs que é usado para renderizar os níveis em simultâneo, dando-nos um maior campo de visão vertical. Infelizmente temos é um vazio entre os 2 ecrãs e isso por vezes pode atrapalhar um pouco.

Visualmente estamos perante um jogo muito bem detalhado, mas o vazio entre ambos os ecrãs pode atrapalhar um pouco

Portanto este Yoshi’s Island DS acabou por ser uma óptima surpresa. Estamos perante um jogo de plataformas bem sólido e que felizmente não necessita do touch screen e outras particularidades da Nintendo DS para além do uso dos 2 ecrãs. É um óptimo jogo de plataformas, as novidades na jogabilidade pelo uso dos diferentes bébés foram muito benvindas e não se deixem enganar pelo seu aspecto bem colorido e infantil. O jogo é um bom desafio, particularmente se quisermos explorar os níveis a 100% e descobrir todos os seus segredos. A Artoon está de parabéns pois conseguiu pegar no conceito do original e fazer uma sequela à altura.

Swords of Destiny (Sony Playstation 2)

Regressando à PS2, o jogo que cá trago hoje é mais um daqueles muitos exemplos de jogos que acabaram por passar despercebidos a muita gente, tal é a grandeza da opção de escolha do catálogo da Playstation 2. Apesar de não ser uma hidden gem, considero este Swords of Destiny como um hack and slash bem competente, e quem gostar de jogos como Devil May Cry ou God of War irá certamente passar um bom bocado. É também um daqueles exemplos de um jogo que saiu originalmente no Japão e depois teve um lançamento algo despercebido na Europa, deixando o mercado americano de lado. O meu exemplar foi comprado há uns 2 ou 3 anos na Cash Converters de Benfica, tendo-me custado 3€.

Jogo com caixa e manual

A história por detrás deste jogo leva-nos para uma era fantasiosa algures na China, onde o nosso protagonista vê-se obrigado e enfrentar uma série de clichês: vingar a morte do seu mentor, resgatar uma donzela em perigo, e enfrentar um exército de criaturas vindas do inferno. Tal como o nome indica, as espadas são parte crucial na aventura, tanto que antes de termos a nossa vingança, derrotar os líderes por detrás da invasão das trevas e recuperar a miúda, temos de procurar por 3 espadas lendárias, que juntas nos dão imenso poder. Para além disso, podemos apanhar armas inimigas e usá-las sempre que quisermos. Cada arma possui diferentes stats, como a destreza, poder ou o “air time”, ou seja, a quantidade de tempo que podemos fazer combos em pleno ar, mesmo como nos filmes clássicos asiáticos de artes marciais. No entanto, as armas dos inimigos não duram muito tempo, pelo que vamos tendo sempre de andar à procura de substitutas. As armas principais lá são mais resistentes, podendo inclusivamente subir de nível as 3 espadas lendárias que vamos apanhando com o decorrer da história, não só as tornando mais poderosas, mas também é algo que nos vai permitir desbloquear alguns golpes e combos adicionais.

O mecanismo de lock-on acaba por ser muito útil nos bosses, de forma a explorar os pontos fracos.

O único senão de todo este sistema de armas é o facto que, a cada vez que decidimos experimentar uma arma nova, lá temos de levar com um loading gigante, quen não faz sentido nenhum. De resto, a jogabilidade possui algumas ideias interessantes e que me fizeram lembrar o Genji. O botão do quadrado continua a ser aquele que vai ser mais massacrado, com o X a servir para saltar, o triângulo para fazer um sprint a alta velocidade, muito útil quando usado em conjunto com o L1, que serve para fazer lock-on nos inimigos, permitindo-nos que nos aproximemos deles muito rapidamente e com isso continuando uma sequência de combos. O círculo serve para desviar. Ora, o lock-on é também necessário para despoletar algumas técnicas especiais, e que nos vão dar muito jeito especialmente contra os bosses. Isto porque enquanto tivermos um determinado inimigo debaixo da nossa “mira”, essa mesma mira é azul na maior parte do tempo, mudando para vermelha por alguns muito breves segundos. É nesse tempo que os inimigos estão mais vulneráveis, e se lhes conseguirmos acertar nessa altura, o jogo fica temporariamente em câmara lenta, os nossos golpes passam a ser muito mais poderosos e melhor que tudo, os inimigos à volta também ficam vulneráveis, permitindo-nos assim, se tivermos habilidade para tal, despachar um grande conjunto de inimigos de uma só vez. Contra os bosses isto é crítico, pois em muitos deles, ao atacar normalmente não retiramos quase nada da sua barra de vida.

O jogo possui alguns elementos de RPG, como os pontos de experiência que podemos atribuir às nossas armas principais, ou o nível dos inimigos que é maior quanto o grau de dificuldade seleccionado

Existe também um sistema de inventário onde podemos armazenar vários itens desde regenerativos, a alguns feitiços que podemos também usar livremente nos combates. Um deles paralisa temporariamente um inimigo, deixando-o vulnerável e à mercê dos nossos golpes. É bom usar para despachar alguns grupos de inimigos mais chatos! Depois passamos também muito tempo no ar, a fazer combos aéreos, algo que até pode ser um pouco eye-candy, para os fãs do género. Um dos problemas está é na câmara, que no meio destes combos todos fancy, nos pode atirar contra uma parede, ou tapar-nos por completo. Vai acontecer montes de vezes!

A nível técnico sinceramente até achei um bom jogo. Acho que os cenários até que estão bem detalhados, assim como os inimigos. Não esperem por nada muito fora do convencional, com o jogo a levar-nos a montanhas, cavernas e edifícios tipicamente chineses, mas achei os cenários bem feitos, assim como as cutscenes. A música vai tendo aquela toada mais épica, mas não é algo que fique muito no ouvido. O voice acting não acho que seja lá muito bom, e ouvir tanto nome chinês soa-me sempre tão estranho, embora mais estranho seria se as personagens se chamassem Joaquim ou Manuel, pelo que não me posso queixar muito, pois o jogo decorre na China.

Sinceramente até que gostei bastante dos gráficos deste jogo, com os cenários e as personagens a estarem bem detalhados.

Resumindo, este Swords of Destiny até que nem é um mau jogo de todo, os que gostaram de Devil May Cry, God of War ou o Genji irão querer dar uma espreitadela. Não é o jogo mais polido de todos, possui alguns problemas, mas tendo em conta que é um lançamento budget não se pode pedir muito mais.

Ghost Vibration (Sony Playstation 2)

ghost-vibration-coverContinuando com as rapidinhas, desta vez vamos voltar à Playstation 2, essa notável consola da Sony que no meio do seu imenso catálogo de videojogos, existem umas quantas hidden-gems que passaram despercebidas a muita gente, incluindo a mim próprio. Este Ghost Vibration da Artoon é um desses jogos que nos passou despercebidos, mas de hidden-gem não tem nada. Comprei-o na Feira da Ladra em Lisboa algures durante o Verão no ano passado, por volta de 2 ou 3€. Foi uma compra por engano, pois achei que este era um outro jogo de PS2 que tinha lido vagamente no Hardcoregaming 101 e até hoje ainda não me recordo que jogo seja. A única coisa que me lembro é que era um jogo na terceira pessoa e a parte do “Vibration” era elemento fulcral na jogabilidade.

Ghost Vibration - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Ghost Vibration é um pseudo-survival horror. A história começa quando George, caçador de fantasmas por hobby, recebe um telefonema da sua amiga Alicia a pedir-lhe um dos seus kits para caçar fantasmas. Sem querer dizer mais, George decide viajar até à Europa e, juntamente com Alicia ver no que ela se estava a meter. Como de costume, somos deixados numa enorme mansão abandonada que se encontra infestada de fantasmas e cabe-nos a nós, como George, capturar o máximo de fantasmas possível para que, ao reter as suas memórias, consigamos entender qual o mistério por detrás da mansão e a causa-raiz de todas as suas assombrações.

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Alicia tem uma espécie de ligação a todo este mistério, mas só mais tarde percebemos porquê

A jogabilidade é muito simples, onde nós vamos apenas alternando entre a primeira e a terceira pessoa. Geralmente estamos na terceira pessoa, onde podemos explorar a mansão. O problema é que apenas nos podemos movimentar numa direcção, como se estivéssemos on-rails. Quando vimos um fantasma, então mudamos para a primeira pessoa e é aí que começa o combate. A arma que temos é parecida com a dos Ghostbusters, mas lança uma espécie de arpão para os fantasmas e se lhe acertarmos, então é que os começamos a “sugar”. O problema é que a arma sobreaquece muito rapidamente e teremos de deixar de puxar com alguma frequência para fantasmas mais poderosos. Para além dessa arma temos também uma sub-weapon que podemos utilizar, mediante a energia restante no respectivo medidor no topo do ecrã. Esta arma é uma espécie de shotgun, que enfraquece e paralisa temporariamente os espíritos à nossa frente. Ao atacar os fantasmas vamos também encontrar uma série de items, que podem ser regeneradores de vida, energia, ou outros especiais, que não deixem a nossa arma sobreaquecer, por exemplo.

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Os fantasmas que começam a ficar amarelos intermitentes, estão em vias de nos atacar e devemos concentrar-nos nesses primeiro

Graficamente o jogo não é nada de especial, mas também é normal visto ser um jogo de 2002 para uma Playstation 2, mesmo nas cutscenes a Artoon tentou dar um aspecto mais cartoony aos personagens principais, o que retira logo alguma da suposta atmosfera a terror. A câmara segue-nos muitas vezes em ângulos estranhos e temos de estar especialmente atentos a movimentos e barulhos estranhos se quisermos capturar alguns fantasmas mais escondidos. E isso será mesmo necessário caso queiramos completar o jogo a 100%, capturando todos os fantasmas e suas memórias e com isso obter o final verdadeiro do jogo. A música e efeitos sonoros também não são nada de outro mundo, mas adequam-se bem a um jogo que tenta ser tenso.

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Nem todos os fantasmas se mostram livremente, em muitos outros teremos de estar bastante atentos ao que se passa em background

Ghost Vibration não é propriamente um must-have na consola e percebe-se bem o porquê de ter passado despercebido aos olhos gerais dos jogadores. Na internet há pouca informação do mesmo, incluíndo reviews e os grandes sites apontam que o jogo foi inclusivamente cancelado em solo europeu, existindo apenas no Japão. E se calhar até foi mesmo cancelado em alguns países europeus, ou com lançamentos muito reduzidos, mas Portugal lá deve ter ficado de fora dessa blacklist pois este Ghost Vibration já não é o primeiro que vejo por cá.