Metro: Last Light (PC)

O Metro 2033 é um first person shooter pós-apocalíptico com vários conceitos que achei muito interessantes na altura em que o joguei. No entanto, como a versão que joguei foi a inicial e não a Redux, a quantidade de bugs deixaram-me um pouco receoso de começar a sua sequela. Então há pouco tempo lembrei-me tinha algures na minha conta GOG a versão Redux à espera de ser jogada e lá me aventurei uma vez mais no metropolitano moscovita após uma catástrofe natural. A versão Redux terá sida oferecida pelo próprio GOG já não me lembro quando. A versão normal, cujo exemplar físico tenho na colecção, tinha sido comprada algures em Julho de 2015 na Mediamarkt por menos de 5€. Bons tempos onde se conseguiam comprar muitos jogos de PC em formato físico a preços muito convidativos!

Jogo com caixa e papelada

Este Metro Last Light é uma sequela do seu primeiro jogo, Metro 2033, que por sua vez foi inspirado num livro do mesmo nome. Este conta a história dos sobreviventes a um apocalipse nuclear que atingiu fortemente a região de Moscovo, obrigando à população a viver nos túneis do seu sistema de metro. O mundo à superfície continuava altamente contaminado e radioactivo, obrigando as pessoas a usarem máscaras de gás cada vez que se quisessem aventurar nas ruínas. Ruínas essas que eram também habitadas por criaturas mutantes, pelo que a civilização foi sobrevivendo como pode na relativa segurança dos túneis e estações do metropolitano. Para além de criaturas mutantes, haviam também diversas facções para-militares que rivalizavam entre si, bem como o surgimento dos Dark Ones, criaturas estranhas, misteriosas e inteligentes e que foram também um dos temas centrais do primeiro jogo. Uma coisa que não fazia ideia enquanto joguei o Metro 2033 era que o mesmo tinha dois finais alternativos, que poderiam ser alcançados mediante algumas das nossas escolhas morais. Este Metro Last Light decorre então em 2034, um ano após os acontecimentos do final “mau” do seu antecessor, onde controlamos uma vez mais o jovem Artyom, agora membro dos Rangers. A sua primeira missão é a de localizar o único sobrevivente dos tais “Dark Ones” que sobreviveram ao final do último jogo e eliminá-lo. Mas as coisas não correm bem e Artyom é apanhado e feito prisioneiro por uma facção neo-nazi. Dos neo-nazis vamos para os comunistas, coisas vão acontecendo, uma conspiração maior vai-se revelando e uma vez mais teremos algumas escolhas a fazer que poderão ditar qual dos dois finais iremos alcançar.

O que não faltam são criaturas fofinhas para combatermos

A nível de mecânicas de jogo este Metro Last Light segue muitas das pisadas que foram introduzidas no seu predecessor: a munição é escassa, tanto que a unidade monetária são balas de calibre militar. Esse “dinheiro” poderá ser usado em algumas lojas onde poderemos comprar munições, armas ou até modificá-las (com silenciadores, diferentes miras, extensões da capacidade de munição, entre outras). A escassez de munições obrigam-nos a ter uma abordagem mais furtiva, até porque os medkits também não abundam e por vezes teremos mesmo de enfrentar dezenas de inimigos humanos caso sejamos descobertos. Para passar despercebidos, a escuridão é nossa amiga, pelo que teremos de desligar luzes, usar armas silenciosas ou aproximarmo-nos despercebidos dos inimigos e atacá-los corpo-a-corpo, onde temos a escolha de usar força letal ou apenas incapacitá-los. Para obter o melhor final, o jogo encoraja-nos a não matar humanos, o que não é nada fácil de fazer. Mas não são só humanos que temos de ter cuidado nos túneis, mas também outras criaturas mutantes como aranhas ou escorpiões gigantes cuja melhor arma para os enfrentar é uma lanterna. Lanterna essa cuja bateria se gasta, mas podemos recarregá-la manualmente ao usar uma espécie de dínamo.

Um detalhe gráfico interessante é o visor da nossa máscara ficando sujo com água, sangue ou outros líquidos. E temos inclusivamente um botão para o limpar!

Quando visitamos a superfície a principal preocupação é o ar contaminado pelo que temos de usar uma constantemente uma máscara de gás. Os filtros de ar possuem uma duração limitada pelo que, para além de procurarmos munições e medktis, filtros de ar ou mesmo máscaras suplentes terão de ser procuradas todo o tempo, pois estas também se podem partir. Para além de alguns eventuais confrontos contra outros soldados humanos, iremos também encontrar diversas outras criaturas mutantes que nos vão atacando em números, pelo que por vezes também teremos de ter uma abordagem algo furtiva quando vamos à superfície.

Há um grande foco na furtividade porque rapidamente somos assolados em número caso sejamos descobertos. E as munições são escassas!

Graficamente é um jogo interessante, pelo menos para os padrões de 2013. Como acabei por jogar a versão Redux, não tive problemas de performance ou bugs estranhos o que foi bom. As personagens estão bem detalhadas dentro dos possíveis e o jogo, mesmo estando inserido num mundo pós-apocalíptico, consegue oferecer-nos alguma diversidade audiovisual. Como por exemplo, numa das estações de Metro controladas pelas forças comunistas poderemos assistir a uma pequena peça de teatro (que na verdade mais parecem números de circo), enquanto noutra estação mais à frente na narrativa teremos acesso a outro tipo de divertimentos como um bordel e mesmo aí há sempre alguns detalhes engraçados como um velhote do lado de fora a espreitar para dentro de uma janela onde uma stripper faz uma lap dance a um cliente. Uma das coisas que me desapontou um pouco no Metro 2033 está também aqui presente, infelizmente. É que este sendo um jogo que se passa numa cidade de Moscovo pós apocalíptica, é uma pena que os seus habitantes não falem russo, mas sim inglês com sotaque russo. Tal como no Metro 2033, apenas algumas profanidades foram mantidas em russo, tudo o resto é falado em inglês, o que na minha opinião estraga um pouco da atmosfera.

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Metro Last Light. É um first person shooter com um grande foco na furtividade e na gestão de recursos, com uma história interessante e com alguns bons momentos de criatividade. A versão Redux, para além de melhorias gráficas e de performance, traz também incluídos todos os seus DLCs, alguns que acrescentam um pouco à história do jogo. Fiquei curioso para ver como termina a trilogia com o Metro Exodus. Pelo menos pelo título do jogo parece dar a entender que os sobreviventes vão tentar regressar à superfície e estou curioso em ver no que isso vai dar.

Metro 2033 (PC)

Metro 2033Já há uns aninhos que tinha este jogo aqui em fila de espera, mas lá me decidi a pegar nele. Uma das razões pela qual sempre me deu a preguiça foi pelo facto que a sua adaptação para PC sempre deixou muito a desejar, com o jogo a ser bastante pesado, mesmo em máquinas mais recentes e minimamente competentes para o conseguir correr sem problemas. Por isso lá tive de o correr com o Directx 9 e reduzir bastante vários dos efeitos gráficos avançados e mesmo assim ainda haviam várias quebras de framerate… Mas adiante! Este meu exemplar deverá ter sido comprado ainda em 2012, tendo-me custado 5€. Foi na Worten do Maiashopping e é uma edição que traz também um CD com o Red Faction Guerilla.

Jogo com caixa, manual e Red Faction Guerilla de bónus.
Jogo com caixa, manual e Red Faction Guerilla de bónus.

Metro 2033 passa-se num futuro próximo, após uma guerra em 2013 que dizimou Moscovo por completo, forçando a que os seus sobreviventes se tenham estabelecido nos túneis e estações do metropolitano moscovita. À superfície, o ar é tóxico, obrigando-nos a usar constantemente uma máscara de gás e a água é radiactiva, pelo que não a convém pisar. Nos túneis o nível de vida também não é muito melhor, pois como não poderia deixar de ser em qualquer jogo pós apocalíptico, o que mais há são criaturas mutantes e também grupos de bandidos que aterrorizam todos os outros. E também como não poderia deixar de ser, a munição é uma coisa escassa, tão escassa que tudo o que for munição de calibre militar pré-guerra é usado como unidade monetária. Mas para que não andemos aí a disparar dinheiro, podemos usar outras munições fabricadas pelos habitantes de Metro, embora sejam mais fracas. Munições essas que podem também ser usadas para comprar armas e outros equipamentos como medkits ou filtros para as máscaras de gás. Muitas das armas que vemos são apenas upgrades de armas que eventualmente já tenhamos, como versões com silenciadores e/ou miras telescópicas.

É nestas alturas em que cada tiro certeiro é bastante precioso. Até porque os tempos de reload desta shotgun são elevados.
É nestas alturas em que cada tiro certeiro é bastante precioso. Até porque os tempos de reload desta shotgun são elevados.

De resto, ao longo da nossa missão que consiste essencialmente em procurar ajuda para evitar que a nossa estação natal de Exhibition seja invadida pelas forças misteriosas dos Dark Ones, teremos pela nossa frente uma jornada algo dura, onde teremos de procurar por munições e itens adicionais em todos os cantos, incluindo nos cadáveres dos nossos oponentes, ou de outros desgraçados que perderam a vida em várias circunstâncias. Para isso tanto visitamos outras estações de Metro populadas por pessoas com as mesmas dificuldades que nós, bandidos ou facções nazis ou comunistas que naturalmente se detestam de morte. Pelo meio claro que  temos de ir atravessando os túneis, repletos de perigos e hostilidades. Ocasionalmente lá teremos de ir para o exterior, onde as coisas não melhoram muito. Até pioram para ser sincero, pois caso a nossa máscara de gás se parta, temos apenas alguns segundos até conseguirmos encontrar uma substituta, caso contrário morremos intoxicados. Esses detalhes, bem como os de ver quantas munições nos restam da magazine pelo seu aspecto, ou medir o tempo que temos disponível no filtro de ar da máscara de oxigénio directamente no cronómetro de pulso acrescentam algum realismo interessante à aventura. Claro que as munições apenas é necessário controlá-las dessa forma quando jogamos no nível de dificuldade mais elevado, onde não temos nenhum HUD com essas informações no ecrã, nem a vida é regenerativa. Sim, porque apesar de termos medkits que naturalmente aceleram bastante a recuperação de vida, nos níveis de dificuldade normal a mesma também se vai regenerando com o tempo.

Em Metro, cada passo rumo ao desconhecido é um risco. As jornadas no exterior são especialmente perigosas pelo risco da nossa máscara de gás se partir
Em Metro, cada passo rumo ao desconhecido é um risco. As jornadas no exterior são especialmente perigosas pelo risco da nossa máscara de gás se partir

Graficamente é um jogo interessante. O mundo que nos apresenta é bastante credível, repleto de pequenos detalhes como as coisas mais analógicas que foram referidas no parágrafo acima. Outras coisas como armadilhas ou simples avisos sonoros como latas penduradas por fios que nos podem arruinar por completo uma abordagem mais furtiva foram bem implementados. Ao longo do jogo tudo tem uma atmosfera bastante austera e hostil e em ruínas, quer estejamos no subsolo, quer à superfície. O problema é mesmo a má optimização da versão PC que faz com que mesmo algumas máquinas bem competentes sacrifiquem bastante a performance do jogo. Creio que isto poderia ser remediado se tivesse antes comprado/jogado a versão Redux (que também muda algumas coisas nos níveis do jogo para além destas melhorias técnicas) mas esta versão lá teve de servir. De resto, a atmosfera do jogo é muito boa, tal como referi. O voice acting também me parece ser competente, embora sinceramente eu acho que teriam muito mais a ganhar se o mesmo fosse completamente falado em russo com as legendas em inglês a acompanhar. Pois desta forma de russo temos apenas o sotaque e uma ou outra expressão (calculo que sejam palavrões) que os produtores não quiseram traduzir.

Para os padrões de 2010, este jogo no PC com os gráficos no máximo era uma beleza. Pena que a performance no geral seja fraca
Para os padrões de 2010, este jogo no PC com os gráficos no máximo era uma beleza. Pena que a performance no geral seja fraca

Em suma, tirando os problemas técnicos que se calhar me fazem mesmo recomendar que joguem mesmo a versão Redux, este Metro 2033 até se revelou uma boa surpresa. Para quem gostar de jogar FPS onde o foco está na história e atmosfera envolvente, mas não em duelos multiplayer que não acrescentam nada de novo, este é um jogo que vale a pena conferir. E como a versão steam do mesmo chegou inclusivamente a ser oferecida temporariamente, é bem possível que já a tenham associada à vossa conta. Testem-no então!