Shadow Warrior (PC MS-DOS)

shadow warrior

A 3DRealms, por alturas em que estava a desenvolver o Duke Nukem 3D, estava também a desenvolver outros 3 FPS utilizando o mesmo motor gráfico Build, de Ken Silverman. Enquanto que Blood e Exhumed/Powerslave acabaram por ser vendidos a outras empresas que os terminaram, a 3D Realms manteve o seu Duke 3D e no ano seguinte (1997) presenteou-nos com este Shadow Warrior, um FPS igualmente repleto de humor e violência gratuita, mas num contexto mais oriental. A minha cópia foi comprada algures em 1999 na já extinta Gamestage, penso que no Norteshopping, e a par do Quake é dos únicos jogos antigos de PC que ainda guardei a sua caixa enorme de papelão.

Shadow Warrior PC
Jogo completo com caixa de papelão, caixa de cd e manual (incluido no livrete da caixa de cd)

Shadow Warrior decorre no Japão moderno, onde encarnamos Lo Wang, um poderoso guarda-costas que outrora trabalhava para a maior empresa do Japão, a Zilla Enterprises. A certa altura Lo Wang descobre que Zilla, o seu patrão tencionava controlar o Japão pelo uso de criaturas do oculto. Lo Wang não compactua com esta atitude e decide demitir-se, voltando ao seu dojo. O jogo começa precisamente com Lo Wang no seu dojo quando é assaltado por criaturas de Zilla com o objectivo de o assassinar. Assim sendo, Lo Wang não tem outro remédio senão partir ao ataque e derrotar Zilla ele mesmo. Pouco tempo depois de iniciar a sua jornada Lo Wang decide visitar o seu mestre no seu templo repleto de meninas bonitas e descobre que Zilla o assassinou, ganhando assim outro motivo para o derrotar.

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Bolinhos da sorte, também em Shadow Warrior.

Shadow Warrior introduz várias funcionalidades que viriam a ser popularizadas por outros jogos posteriormente, tais como modos secundários de fogo para várias armas, a possibilidade de conduzir veículos e disparar outras “turrets“, subir e descer escadas, entre outros. A interactividade com os objectos é algo que se manteve desde o Duke Nukem 3D, sendo possível interagir com máquinas de Pachinko, conduzir carrinhos tele-comandados, entre outros exemplos, como interagir com NPCs. De entre as armas existentes, é impossível não referir a óptima katana de Lo Wang (espada tradicional japonesa), capaz de cortar ao meio os inimigos mais fracos num só golpe, manchando as mãos e a espada de sangue, um outro detalhe inovador na época. Armas tradicionais japonesas existem também as shurikens que ficam presas às paredes e é possível a sua recuperação. Posteriormente temos as habituais shotgun, as metralhadoras Uzi que podem ser usadas num par, lança rockets com vários modos de fogo secundários, incluindo heat-seeking missiles e pequenas bombas atómicas que fariam Duke Nukem orgulhoso. Granadas, a metralhadora futurista “rail gun” e as chamadas “sticky bombs” que ficam espetadas nos inimigos ou paredes já seriam por si só um arsenal de respeito, mas Shadow Warrior vai ainda mais longe, permitindo usar certas partes de corpo de alguns inimigos como arma, nomeadamente a cabeça dos Guardians, disparando bolas de fogo de 3 modos diferentes, ou os corações dos Rippers, que colocam uma espécie de holograma de Lo Wang em campo de batalha matando tudo o que se mexe. Para além disso, mais uma vez tal como Duke 3D, existe um inventário de vários items que podem ser utilizados a qualquer altura, desde kits de primeiros socorros e estojos de ferramentas, passando por granadas de fumo, gás e flash, pregos para colocar no chão ferindo quem por lá passar, entre outros. Para além do jogo single player também era possível o jogo multiplayer, tanto online como utilizando a porta série para ligação a um outro PC. Permitia o jogo cooperativo, deathmatch e variantes e capture the flag.

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Um dos nossos "amigos" ninjas a esvair-se em sangue

Graficamente Shadow Warrior já era um pouco datado, pois em 1997 já os FPS inteiramente poligonais estavam a surgir em força. Shadow Warrior mantém os inimigos como sprites, mas os items, armas e restantes objectos passaram a ser representados em 3D (embora exista uma opção para os representar igualmente como sprites). Ainda assim, Shadow Warrior não deixa de ser um jogo com uma bonita estética, com cenários muito variados e relativamente coloridos. A atenção aos detalhes continuou a ser o grande foco da 3D Realms e mantiveram muitas das funcionalidades de Duke 3D. Para além da interactividade falada acima, a atenção que deram às animações das personagens é muito boa. Nunca me cansei de ver os ninjas a serem cortados em 2, ou quando uma shuriken ou bala lhes acerta na aorta e é só ver o sangue a jorrar e os pobres coitados a verem a sua vida a ir desvanescendo. Ah, estes ninjas se forem desonrados tiram a sua própria vida com um tiro de Uzi no céu da boca. Nunca percebi o que desencadeia este comportamento, mas às vezes acontece. Os mapas em si estão bem construídos e são bastante variados. Muitos são passados em zonas urbanas modernas do Japão, outros em zonas mais industriais e uns outros em zonas mais rurais indo buscando muito misticismo aos templos ocidentais e à arquitectura tradicional japonesa. Os inimigos também são variados, para além de ninjas de várias cores e habilidades, existem vários monstros do submundo, arqueiras femininas, gajos suicidas com uma caixa de TNT às costas, cuja morte geralmente liberta um fantasma, peixes carnívoros, entre outros.

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"Do you wanna wash Wang? Or do you wanna watch Wang wash Wang?"

Sonoramente Shadow Warrior é um jogo muito divertido. Os “bitaites” que Duke mandava em Duke 3D estão ainda mais engraçados neste jogo, com o sotaque oriental característico. A banda sonora incide mais em temas mais orientais, como seria de esperar. O humor perverso e negro é uma constante em Shadow Warrior. Meninas nuas (mas com tudo tapado) a tomar banho, mas ainda assim com espaço para guardar uma Uzi sabe-se lá onde, velhotas taradas, coelhos a andar livremente e com vontade “própria” de acasalarem uns com os outros, carros e veículos da marca “Titsubishi”, enfim os exemplos são vários, joguem e vejam.

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Sim, também aparece aqui.

Em 2005 a 3D Realms libertou o código fonte de Shadow Warrior, surgindo assim vários projectos de actualização do jogo por parte dos fãs. Conversões para windows, usando novas texturas em maior resolução são agora possíveis, tornando o jogo mais bonito. Infelizmente quando saiu o jogo já tinha uns gráficos algo datados o que se traduziu em vendas baixas, embora na minha opinião este Shadow Warrior seja um jogo mais completo e mais divertido do que Duke Nukem 3D. É um daqueles sleeper hits. Se forem fãs de FPS old school e gostaram do humor de Duke 3D, joguem este Shadow Warrior.

Duke Nukem 3D Atomic Edition (PC)

Duke Nukem 3D Atomic EditionBem, este semestre a época de exames da Faculdade está a ser mesmo apertada mas lá consegui arranjar um bocadinho para escrever mais um pouco. Este post na verdade devia ter sido escrito à uma semana atrás como comemoração do lançamento de Duke Nukem Forever mas pronto. A minha cópia infelizmente não é a versão “original”, mas uma budget release que comprei por aí em 1999/2000, não me lembro. Como muitas budget releases da altura, o manual em papel é inexistente, estando disponível em pdf no próprio disco do jogo. Fora isso, está em condições impecáveis.

Duke Nukem 3D Atomic Ed
Jogo "completo" com caixa e disco.

Apesar de não ser a primeira aventura do herói (existem 2 jogos de plataformas para PC), Duke 3D foi o jogo que lhe deu todo o carisma: Humor negro, sexo, drogas e rock n’ roll. Apesar de hoje em dia não ser incomum encontrar strippers, palavrões e violência em jogos de vídeo, para os padrões de 1996 era algo chocante. E logo eu que comecei a jogar FPS nessa altura… Mas não foi só pela polémica que Duke 3D foi um jogo de grande sucesso: Os níveis estão muito bem construídos, ambientes bastante variados e com um elevado grau de interactividade que na altura não era habitual: desde jogar bilhar, ver câmaras de segurança, trocar bitaites com NPCs (maioritariamente mulheres), karaoke, etc. O jogo está também repleto de referências cinematográficas, de outros videojogos ou até de pop-culture. Em zonas secretas encontramos personagens mortas como Indiana Jones, Luke Skywalker, e até o Space-Marine de Doom. Monstros espaciais que lembram os face huggers de Aliens, o carisma dos Pig-Cops, mapas passados em cinemas para adultos, restaurantes chineses, no espaço, em super-mercados, parques de diversões, numa cadeia que lembra os “Renegados de Shawshank”, etc etc etc. Tudo motivos que fizeram com que o Duke 3D fosse um dos FPS mais bem sucedidos do seu tempo.

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Shake it baby! Wanna dance?

Mas as coisas não se ficavam por aí, as armas e os items também tinham o seu quê de “bonito”. Com a possibilidade de carregar 10 armas, desde o belo do pontapé, passando por shotguns, metralhadoras, lança rockets, pipebombs, bombas equipadas com sensores laser… mas há armas que realmente marcaram pela diferença: “Shrink-ray” era uma delas, uma arma que encolhia os inimigos do tamanho de ratos e Duke podia perfeitamente pisá-los em seguida. Um outro modo de funcionamento dessa arma seria o precisamente o inverso, aumentar continuamente os inimigos de tamanho até que expludam. Oh, so much fun. Para além do imenso arsenal, Duke também poderia usar uma série de diferentes items: Jetpacks para voar sobre os níveis, óculos de visão nocturna, steroids para dar mais força e velocidade ao Duke, equipamento de mergulho para exploração subaquática, hologramas do Duke para fazer de isca para os inimigos, entre outros.

Mas que história se trata em Duke Nukem 3D? Voltemos ao início. No primeiro jogo da série, Duke Nukem defronta um cientista tirano de nome Dr. Proton. Duke derrota-o e 1 ano depois decorrem os acontecimentos de Duke Nukem II. Duke é raptado por um bando de extraterrestres e o resto da história não deve ser muito difícil de imaginar. Duke 3D decorre logo depois de DNII, quando Duke está a regressar à terra. Assim que sobrevoa Los Angeles a sua nave é atacada e Duke apercebe-se que Los Angeles tinha sido tomada de assalto pelos aliens, que até já controlavam a polícia local. O jogo decorre por uma série de diferentes locais, passando de Los Angeles para uma base espacial humana, regressando depois a Los Angeles para acabar com os aliens de vez. Atomic Edition é uma edição especial que contém o “Plutonium Pak”, a única expansão oficial desenvolvida pela 3D Realms para o jogo que contém mais um episódio com uma série de novos níveis, uma arma nova e um inimigo novo (e bastantes referências humorísticas nos níveis, mais uma vez). Neste episódio, a história diz que os Aliens conseguiram introduzir na Terra uma rainha alienígena de uma raça de monstros ferozes, cabendo ao Duke a responsabilidade de exterminar essa menina.

Nunca tinha reparado naquele cartaz

Duke Nukem 3D é um first person shooter “2.5D”, tal como Doom, Hexen, Blood e outros que tal. 2.5D na medida em que, apesar de os níveis serem aparentemente 3D, os objectos, os monstros e demais NPCs eram apenas sprites em 2D. Em Também em 1996 a id software lança o Quake, um outro FPS que apesar de não ser o primeiro totalmente em 3D, foi certamente o que impulsionou os restantes. Apesar de não ser uma engine muito avançada, a BUILD (nome da engine) acabou por ser muito bem usada, permitindo a criação de níveis bastante criativos, variados e coloridos, introduziu pequenos detalhes que faziam a diferença perante todos os outros FPS do mercado: Destruição de cenários, maior interactividade, buracos deixados nas paredes pelas balas, pegadas do Duke espalhadas por toda a parte sempre que calcasse água, sangue ou até “presentes” deixados por cãezinhos ou um certo inimigo. A título de curiosidade, esta engine acabou por ser utilizada em Shadow Warrior (mais um FPS da 3D Realms que falarei noutra altura), Blood e Powerslave (que começaram por ser jogos da 3D Realms, mas a 3DR acabou por vender os direitos a outras empresas para os terminarem, pois o foco da 3DR era mesmo o Duke 3D e o Shadow Warrior), entre outros como os jogos da série Red Neck Rampage. Duke Nukem 3D tem também um modo multiplayer, que como os jogos da época resumia-se a Deathmatches pela rede, internet (dial-up) e máquinas ligadas pela porta série RS232.

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Ooops, desculpa lá, continua a fazer o teu serviço!

Nesta versão Atomic Edition, o CD do jogo contém vários bónus, para além de versões shareware de alguns jogos da Apogee/3DRealms, screenshots de jogos em desenvolvimento na altura, ficheiros de som, entre outros, trazia também um editor completo BUILD para os utilizadores que quisessem criar os seus próprios mapas. Os editores Build traziam também documentação técnica muito bem explicada para que todos se sentissem à vontade em desenvolver níveis para o jogo. E resultou. À semelhança de Doom, que tem uma enorme comunidade de fãs que criaram vários novos mapas, e episódios inteiramente novos com diferentes artwork, Duke 3D também ganhou a sua legião de fãs que disponibilizaram na Internet vários mapas. Eu próprio cheguei a criar alguns, mas eram muito mauzinhos.

O boss final do 3º episódio
O boss final do 3º episódio

Para além da Atomic Edition, existem uma série de outros add-ons que embora não sendo oficiais, foram devidamente autorizados pela 3D Realms: Duke Caribbean e Duke it out in DC são os mais conhecidos. Existe também um certo mapa desenvolvido por uma certa revista norte americana bastante culta que chegou há relativamente pouco tempo a Portugal: Penthouse, conhecem? 😛

Duke 3D foi um jogo bastante sucedido, tendo sido convertido para uma série de plataformas: Saturn, Nintendo 64 (esta versão bastante censurada infelizmente), PS1 (que contém uma série de inimigos e níveis exclusivos), Mega Drive (embora esta não seja oficial), Xbox Live Arcade, Iphone, entre outros. A versão PC e Xbox Live Arcade na minha opinião são as melhores, embora para quem queira jogar o jogo de PC nas máquinas actuais tenha mais algum trabalho. Ou se usa um emulador como o DosBox, ou corre-se numa máquina virtual de Windows 95/98, ou então faz-se o download de algumas aplicações desenvolvidas pelos fãs, que pegam nos ficheiros de jogo originais, substituem as texturas por novas texturas de alta resolução e contém loaders compatíveis com windows. Quem não quer ter este trabalho todo, ou não deita fora o seu velhinho PC ou então o melhor é mesmo jogar uma versão das consolas. Depois de Duke 3D sairam mais uns jogos de acção na 3ª pessoa para PS1 e N64, um FPS para GBA (fraquinho), um jogo de plataformas para PC (DN Manhattan Project) e finalmente o Duke Nukem Forever que esteve imensos anos em desenvolvimento e ao contrário dos outros todos este estava a ser desenvolvido pela sua verdadeira equipa, a 3D Realms. Duke Nukem Forever finalmente saiu cá para fora há uma semana e como seria de esperar, a enorme expectativa que se gerou em torno do jogo deixou muita gente desiludida com o produto final. Apesar de eu acompanhar o desenvolvimento do DNF desde 2000, sempre contei que o jogo não viesse cá para fora com os melhores gráficos, mas sempre esperei que o mesmo carisma se mantivesse. Actualmente não tenho máquina para o jogar, mas espero faze-lo muuito em breve.

O que acontecerá se interagir com aquela estátua?
O que acontecerá se interagir com aquela estátua?

Always bet on Duke.