The Revenge of Shinobi (Sega Mega Drive)

The Revenge of ShinobiA série Shinobi da Sega sempre foi daquelas cujos jogos separavam os meninos dos homens. Chegar ao fim de um jogo da série fazia-nos logo crescer barba e cabelo no peito e este Revenge of Shinobi para a Mega Drive não foge à regra. Lançado originalmente para a Mega Drive e depois nas arcades para o sistema Mega-Tech (essencialmente uma Mega Drive na mesma), este é ainda um dos jogos de primeira geração desta consola e que apesar de ter saído em inúmeras compilações que vinham inclusivamente em bundles com a consola, é um jogo que eu sempre fiz questão em ter a sua versão standalone. E felizmente isso veio a acontecer numa incursão que fiz à feira da Vandoma no Porto no mês passado, onde o consegui comprar num bundle ficando-me por pouco mais de 3€.

The Revenge of Shinobi - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual pt.

Este é uma sequela directa do primeiro Shinobi que também possuo para a Master System e figura mais uma vez o melhor ninja do clã Oboro, Joe Musashi. Após Musashi (porque Joe não tem piada nenhuma) ter derrotado o grupo mafioso de Zeed no primeiro jogo, este reforma-se como Neo-Zeed e a sua primeira acção foi mesmo vingar-se do clã Oboro, assassinando o mestre de Musashi e raptando a sua namorada Naoko. Ao longo do jogo Musashi irá atravessar meio mundo até finalmente chegar à fortaleza de Zeed e fazer o que lhe compete: dar um infesto de porrada em Zeed mais uma vez.

screenshot
O fantástico ecrã título. Genesis does what Nintendon’t.

A jogabilidade é simples, um botão para saltar, outro para atacar e um outro para utilizar as magias ninjutsu, que já detalharei mais à frente. Os ataques tanto podem ser melee, se estivermos ao lado do inimigo, como podem ser de longo alcance através das shurikens que podemos apanhar ao longo dos níveis. Existe um cheat code que nos deixa com shurikens infinitas, código esse que me acompanhou em toda a infância e mesmo assim as coisas não eram fáceis. Para além do salto normal, podemos também dar um duplo salto com uma cambalhota no ar, que para além de nos permitir alcançar locais mais altos, podemos também disparar um molho de shurikens em várias direcções, um golpe bastante útil. Existem também níveis com 2 planos distintos, como o nível da base militar, onde temos inimigos no background e foreground, e é com esse duplo salto que alternamos de plano. Ao longo dos níveis podemos encontrar diversos caixotes que podem ter vários powerups, ou então estão armadilhados com bombas. Dos powerups, para além de mais shurikens, items que regeneram a nossa barra de vida ou mesmo vidas extra, temos powerups para armas, ou para as magias. Os primeiros tornam as nossas shurikens envoltas em fogo, capazes de dar duas vezes o dano das normais e equipam Musashi de uma espada também poderosa para close encounters. Mas como isto é um Shinobi, basta levar com um ponto de dano que perdemos esse bónus.

screenshot
Ao dar um duplo salto podemos disparar shurikens por uma vasta área

O segundo deixa-nos utilizar mais uma magia no nível em questão. Existem 5 magias distintas, que podemos escolher qual queremos equipar no menu de pausa. Podemos utilizá-las em qualquer altura do nível, mas apenas o podemos fazer uma vez. A menos claro, que apanhemos esse powerup. Os Jitsus mágicos podem então ser o Ikazuchi, um escudo eléctrico que nos protege de 4 golpes; Karyu, onde Musashi invoca 4 dragões de fogo que dão dano a todos os inimigos no ecrã; Fushin, onde Musashi ganha uma maior destreza física, capaz de saltar ainda mais e por fim Mijin, mais uma magia que dá dano a todos os inimigos no ecrã, mas a troco da vida de Musashi. No entanto, apesar de ser um ataque suicida, restabelece a barra de vida e deixa-nos utilizar uma outra magia mais uma vez.

screenshot
Um dos jitsus que podemos invocar, este dá dano a todos os inimigos no ecrã.

O jogo está dividido em 8 zonas, todas elas distintas visualmente entre si e divididas em 2 níveis de plataforma e um boss. Começamos o jogo em ruínas japonesas, lutando contra outros ninjas e guerreiros com armaduras samurai, e vamos atravessando cidades, bases militares e industriais, incluindo alguns níveis fora-de-série, como lutar em cima de um comboio, ou sobre um veículo que transporta mísseis intercontinentais. O último nível então é uma fortaleza labiríntica, onde existem imensas portas que o mais certo é não levarem a lado nenhum de interesse, levando-nos assim muito tempo até encontrar a saída. Mas para “piorar” as coisas, não fosse este um Shinobi, é practicamente obrigatório chegar ao boss final com um poder mágico extra e com o power-up que dê mais dano. Isto porque mal começamos a enfrentar Zeed, vemos Naoko aprisionada em background e Zeed solta uma armadilha em que o tecto da sua cela começa a descer lentamente. Sendo assim o jogo deixa-nos com 2 finais distintos: derrotar Zeed e Naoko morrer, ou derrotar Zeed a tempo e salvar Naoko. Por isso é que ter 2 poderes mágicos e/ou o powerup de dar mais dano é practicamente obrigatório. Não podia também deixar de referir outros bosses como o Hulk, Spiderman, Batman ou Godzilla. Inicialmente a Sega utilizou estas sprites (ou parecidas) sem autorização dos seus autores, pelo que existem em circulação diversas versões deste jogo, com sprites diferentes consoante as licenças na altura. Infelizmente não tenho a minha Mega Drive comigo em Lisboa, pelo que confesso que não sei qual das versões do jogo eu possuo.

screenshot
Exemplo de um dos níveis em que podemos alternar entre 2 planos de acção distintos

Visualmente, apesar de ser um jogo de primeira geração da Mega Drive, não deixou de impressionar bastante na altura e mesmo nos dias de hoje porta-se bem. Ver aquela “cutscene” inicial do Musashi a defender-se com a espada de um monte de shurikens em grande plano sempre me impressionou quando era miúdo e mesmo hoje em dia continua-me a agradar. É verdade que outros jogos da Mega Drive, como por exemplo o excelente Shinobi III são melhores graficamente, mas este é bem competente, especialmente tendo em conta o facto de ser um jogo de primeira geração. Sprites grandes e detalhadas, níveis bem desenhados, não tenho razões de queixa. As músicas essas são autoria do grande senhor Yuzo Koshiro, que quem estiver por dentro do que ele faz, já sabe o que esperar. Músicas bem catchy, e sendo este um jogo de ninjas têm também um toquezinho oriental.

screenshot
O Godzilla foi um dos bosses “polémicos”, por questões de copyright. Existem versões que trocam esta sprite por um esqueleto

No fim de contas, The Revenge of Shinobi é um excelente jogo. Não é por acaso que fez parte de imensos bundles e compilações até na própria Mega Drive. É um jogo bonito, com excelentes músicas e com uma jogabilidade simples, mas com uma dificuldade elevada. É jogo para separar os meninos dos homens, como sempre foram os jogos desta série. Joe Musashi, temos saudades tuas.

Altered Beast (Sega Mega Drive)

Altered BeastVamos lá voltar à consola de 16bit da Sega, para uma breve análise a um clássico da consola. Altered Beast foi um dos poucos jogos de lançamento da Mega Drive tanto em solo japonês como norte-americano, tendo sido o jogo com maior destaque para demonstrar as capacidades superiores da Mega Drive face à NES. Na Europa e particularmente em Portugal onde recebemos oficialmente a consola mais tarde, já chegou cá com um catálogo mais bem compostinho. E o Altered Beast entrou na minha colecção algures durante o mês passado, tendo sido comprado na feira da Vandoma no Porto por uma quantia a passar um pouco dos 3€.

Altered Beast - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual europeu

“RISE FROM YOUR GRAVE!” é logo o nosso cartão de boas-vindas quando Zeus nos ressuscita, incumbindo-nos de uma simples missão: salvar a sua filha Athena das mãos do malvado deus demoníaco do underworld, Neff. Apesar de Neff não ser Hades, dá para perceber que este é um jogo com muitas influências da mitologia da Grécia Antiga.

Numa primeira olhada, Altered Beast é um beat ‘em up difícil, mas simples. Ao contrário de Double Dragon ou Golden Axe, a nossa personagem e inimigos movem-se num único plano, ao invés de ser simulado um espaço 3D. Não há uma grande variedade de golpes, temos um botão para murros, outro para pontapés e um outro para saltar. É possível atacar quando saltamos, ou ao pressionar o direccional para baixo. O que diferenciou Altered Beast de todos os outros jogos na altura é mesmo a licantropia dos heróis, sendo capazes de se transformar em diversos animais. O jogo está dividido em 6 níveis distintos e em cada um podemos nos transformar em animais diferentes, cada um com os seus poderes e habilidades características.

screenshot
Os inimigos vão sendo variados entre si e têm um bom detalhe

Para nos transformarmos, ao longo de cada nível vamos vendo uns lobos azuis, ao derrotá-los eles soltam umas orbs azuis que devemos coleccionar. Por cada orb coleccionada, o jogador ficará cada vez mais poderoso, quase a rebentar com os músculos que ganham. Por fim ao apanhar a terceira orb, transformam-se no tal animal. No primeiro nível transformam-se num lobo capaz de atirar bolas de fogo e saltos horizontais que levam tudo à frente, no seguinte num dragão voador com ataques eléctricos, depois um urso que petrifica os inimigos e é capaz de se enrolar sobre si mesmo. Os últimos dois, são um tigre, também cospe bolas de fogo e tem saltos verticais que levam tudo acima ou abaixo e por fim, no último nível, temos novamente o lobo, desta vez dourado e mais poderoso.

Altered Beast é um jogo para os duros, pois começamos o jogo com apenas 3 vidas e uma barra de energia que não regenera de nível para nível. E os inimigos vão ficando cada vez mais resilientes e agressivos, o que nos irá dar algumas dores de cabeça. No entanto, através de alguns cheat codes obscuros, é possível desbloquear um menu que nos permite mudar a dificuldade do jogo de Normal até Very Hard (awesome), o número de vidas ou o tamanho da health bar. Existem ainda ou outros códigos que nos vão deixando continuar o jogo após um game over, ou mesmo um código que nos deixa escolher qual o bicho que nos queremos transformar em cada nível, por exemplo.

screenshot
Os bosses são grandinhos e gore quanto baste.

Graficamente, apesar de ser um jogo que não tira o maior partido da biblioteca da Mega Drive, afinal é um jogo de lançamento, percebe-se perfeitamente o porquê da Sega of America ter-lhe dado um grande destaque por alturas do seu lançamento. As suas sprites grandes e bem detalhadas, tanto dos lutadores, inimigos e bosses, ou mesmo as fantásticas animações quando nos transformamos numa das bestas, eram certamente impressionantes para os padrões nos finais dos anos 80, mostrando claramente a superioridade gráfica da Mega Drive face à concorrência 8bit. A versão Mega Drive é muito parecida à versão arcade, embora possua menos detalhe nas sprites e background, mas para compensar tem um efeito de scrolling em parallax melhor. As músicas também são mais pujantes na versão arcade, assim como os próprios samples de voz são mais nítidos. Ainda assim não deixa de ser awesome ouvir na Mega Drive “Welcome to your doom!” antes de cada luta de boss.

screenshot
Esta imagem serviu para muitos screenshots em todas as revistas da especialidade. Back in the day, sempre achei esta imagem fenomenal.

No fim de contas, Altered Beast acaba por ser um jogo que não envelheceu muito bem a nível de mecânicas de jogo, mas não deixa de ser divertido e uma pedra importante tanto do catálogo da Mega Drive, como mesmo da própria Sega. É um jogo que também foi convertido por outras empresas para inúmeros sistemas, não só a Master System, mas para vários computadores (Atari ST, Spectrum, Commodore 64 e Amiga, entre outros), como para consolas da concorrência, como a PC-Engine/TG-16 ou mesmo a NES. Mas a versão da Mega Drive é superior a todas essas conversões. O jogo acabou por aparecer também noutras plataformas mais recentes em várias compilações, aí já com emulações bem competentes: Dreamcast, Xbox, X360, PS3 ou o Virtual Console da Nintendo Wii. Mas a melhor conversão de todas parece-me mesmo ser a mais recente, que saiu na 3DS, com o jogo a ser retocado para tirar partido do ecrã 3D da portátil da Nintendo.

Aladdin (Sega Mega Drive)

Aladdin - Mega DriveAlladin é mais um jogo da Disney baseado num filme do mesmo nome. Mas é um jogo bastante importante no catálogo da Mega Drive e não só, pois marcou o início de uma nova era de jogos da Disney. Existem 2 grandes versões distintas de Aladdin, uma produzida pela Capcom para a SNES, e uma outra pela Virgin para os sistemas da Sega e outras plataformas como o PC e Amiga. O motivo destas 2 versões distintas prende-se com o facto de que era a Capcom quem detinha a licença da Disney para produzir videojogos, mas apenas para consolas da Nintendo, enquanto que noutras plataformas eram outras as empresas que detinham os mesmos direitos, incluindo a própria Sega. Este jogo entrou na minha colecção há umas semanas atrás, através da oferta de um particular, ao qual agradeço imenso.

Jogo com caixa e manuais

E tal como todas as adaptações de filmes para videojogos, Aladdin tenta seguir fielmente os acontecimentos do filme, pelo menos dentro do que é possível num jogo de plataformas. E nisto lá andamos pelo meio das ruas de Agrabah a fugir à guarda real do Sultão, passando pela misteriosa caverna onde encontramos a lâmpada mágica e por fim vagueamos pelo Palácio Real para dar uma tareia no Jaffar e Iago.

screenshot
Ao iniciar o jogo temos uma breve explicação do que é o quê e o que faz

A jogabilidade é a de um sidescroller tradicional, onde podemos andar de um lado para o outro, saltar e realizar algumas habilidades “parkour”, ao balancear em estacas ou escalar cordas, defrontar inimigos e ocasionalmente uns bosses da praxe. Os inimigos vão sendo bastantes e com ataques variados, mas Aladdin não está indefeso. Para além da sua espada, podemos também coleccionar maçãs que podem servir como arma de arremesso para lutas à distância. Felizmente essas maçãs são abundantes ao longo de todo o jogo, e podemos carregar até um máximo de 99. E tal como qualquer jogo de plataformas que se preze, o que não falta são itens no ecrã para coleccionar. Para além das já referidas maçãs, temos também itens que restabelecem a energia de Aladdin, pedras preciosas que podem ser trocadas por vidas ou continues nos vendedores ambulantes que vão surgindo nos vários níveis, checkpoints, vidas extra e itens que nos levam a níveis de bónus, que tanto podem ser do Génio da Lâmpada, ou do macaco Abu. Nos níves de Abu, controlamos o pequeno macaco num ecrã fixo, onde tem de se esquivar dos objectos que vão caindo de cima e apanhar as jóias que também vêm à mistura. Já os níveis do génio, se é que podem ser chamados assim, são bastante simples. Vemos uma espécie de uma roleta de itens dentro da boca do génio, com os itens a alternar de forma aleatória. Sempre que pressionarmos um botão, ficamos com o item que aparecia no ecrã no momento, se porventura tivermos azar e escolhermos o Jaffar, então o nível bónus termina.

screenshot
Este é um dos vários jogos que possui uma intro da SEGA customizada

Mas vamos avançar para a questão do audiovisual pois é mesmo aqui que Aladdin realmente brilha. Este jogo é bastante conhecido pelas suas animações fantásticas. Liderado por David Perry, que mais tarde veio a fundar a Shiny Entertainment (estúdio que nos trouxe jogos como Earthworm Jim ou MDK), este Aladdin teve o apoio de animadores da Disney, que contribuiram para que as sprites do jogo para além de serem bem grandinhas e detalhadas, possuem frames de animação deliciosos. A expressão facial do Abu, em especial nas animações que vemos no ecrã do final de cada nível está fantástica. Vou mesmo mais longe, ainda hoje acho que há muitos jogos deste género que não têm a fluidez de animação que este Aladdin de 1993 (raios, já passaram mais de 20 anos??). Por outro lado, os níveis também vão sendo variados dentro dos possíveis, visto que o jogo decorre nos mesmos ambientes do filme. Mas mais uma vez, o detalhe gráfico nos próprios níveis também é bem acima da média e este é também um jogo que faz um excelente uso do máximo de 64 cores em simultâneo que a Mega Drive apresenta nativamente.

screenshot
Entre cada nível há uma cutscene que nos vai pondo ao corrente da história, para quem não conhecer o filme.

Tendo em conta as limitações de som da Mega Drive face à SNES,  os efeitos sonoros de Aladdin são bons, mas a música é muito superior. Repleto de melodias memoráveis que vieram do filme, foram muito bem adaptadas ao chiptune da Mega Drive, resultando em músicas que ficam na cabeça muito depois de termos desligado a consola e a TV.

screenshot
O detalhe das sprites e suas animações é excelente para um jogo de 1993

Esta é uma análise algo curta para um dos melhores sidescrollers existentes na biblioteca da Mega Drive, mas o essencial foi dito. Para além da versão Mega Drive, este jogo também tem um lançamento para PC e Amiga, que naturalmente possuem um nível de detalhe maior. A versão SNES, produzida pela Capcom, apesar de não ser a minha versão preferida, é também um excelente jogo de plataformas, tal como a Capcom tão bem nos habituou.

Virtua Racing (Sega Mega Drive)

Virtua RacingContinuando com a Mega Drive, desta vez para uma análise a um jogo muito importante na biblioteca da consola de 16bit da Sega, que no entanto não tem grande conteúdo que justifique uma análise longa, o seu background já merece uma. Virtua Racing é um jogo lançado originalmente nas Arcades no ano de 1992, sendo o primeiro jogo do famoso sistema Model 1 da Sega, com foco em jogos em 3D poligonal, onde vimos também Virtua Fighter ou Star Wars Arcade. Apesar de não ser o primeiro jogo de corridas em 3D Poligonal, essa honra vai para o Winning Run da Namco, Virtua Racing foi o primeiro jogo da Sega nesse campo, sendo bem mais detalhado e rápido que os seus predecessores.

Jogo completo com caixa e manuais

Reza a lenda que o Virtua Racing inicialmente era apenas uma demo técnica para demonstrar as capacidades da Model 1, mas o resultado foi tão bom que a Sega decidiu poli-lo mais um pouco e lançá-lo no mercado. Como o jogo chegou à Mega Drive, bom, nativamente a Mega Drive não teria condições de receber um jogo deste calibre, a conversão do Hard Drivin’ não é exemplo para ninguém. A solução passaria por a Sega adoptar a mesma estratégia que a Nintendo fez com a Super Nintendo, ou seja, lançar jogos com hardware adicional que lhe permitam expandir as capacidades nativas do sistema. O resultado foi o chip SVP (Sega Virtua Processor), que conferiu à Mega Drive as capacidades necessárias em apresentar gráficos em 3D poligonal com maior qualidade. A minha cópia do jogo chegou-me às mãos há umas semanas atrás, estando completa. Foi comprada na cash converters de Alfragide, por cerca de 5€.

screenshot
Os circuitos que podemos escolher

Dispomos então de três modos de jogo: Virtua Racing, Free Run e 2Players VS. O primeiro é uma conversão do modo arcade, onde podemos escolher um de três circuitos com diferentes graus de dificuldade  – Beginner, Medium e Expert. Em todos os circuitos temos de completar 5 voltas e jogamos contra outros 15 adversários. Tal como os outros jogos arcade, para além de fazermos todos os possíveis para chegar em primeiro lugar, temos também de lutar contra o relógio até atravessar cada checkpoint. O modo Free Run é um modo treino, onde podemos aperfeiçoar as nossas habilidades e conhecer melhor os circuitos, sendo possível jogar sessões de 5, 10, 15 ou 20 voltas. Como seria de esperar, o outro é um modo multiplayer para 2 jogadores em splitscreen. E também como seria de esperar perde-se algum detalhe gráfico, nomeadamente algumas estruturas no horizonte. Ainda assim, a sensação de velocidade continua muito boa. Podemos também desbloquear um modo de jogo adicional, que nos permite jogar as pistas ao contrário.

Graficamente é natural que o jogo não possua todas as qualidades do original na arcade. Mesmo com o SVP, a paleta de cores da Mega Drive ainda é algo reduzida e mesmo os próprios modelos poligonais têm uma qualidade pior que na arcade. Ainda assim, a fluidez de jogo, longe de estar dos 60 frames por segundo que faziam do original um êxito, é bastante boa, dando ao jogador uma sensação de velocidade que sinceramente não estou a ver outro jogo de corrida na Mega Drive, ou até na SNES a fazer. Infelizmente o jogo tem uma draw distance reduzida, resultando em frequentes pop ups dos cenários, o que é ainda mais agravado se jogarmos com a perspectiva de câmara na primeira pessoa, aumentando o risco de colisões. Ainda assim gosto bastante do detalhe dado ao cockpit e às mãos do piloto nessa perspectiva. Para além da perspectiva em primeira pessoa, podemos seleccionar outros 3 ângulos de câmara, cada vez mais afastados do carro.

screenshot
As box estão também aqui presentes. Olhem para aqueles mecânicos quadrados. Tecnologia de ponta!

Um outro pormenor técnico que achei delicioso, são os instant replays no final de cada corrida. Estes mostram a nossa partida do início ao fim, em vários ângulos panorâmicos. Não tenho olho de lince para ver se o replay é 100% fiel da partida, ainda assim parece-me um feito tecnológico impressionante. No quesito do som as coisas parecem-me divididas. Por um lado tenta manter-se como uma conversão fiel ao jogo nas arcades, com apenas pequenos clipes de músicas no início e final da corrida, ou quando passamos algum checkpoint. O jogo merecia que as músicas continuassem pois algumas parecem ser mesmo catchies. Por outro lado, tirando os efeitos sonoros parecem-me bons, tirando o som que ouvimos ao ultrapassar o carro dos adversários ou mesmo algumas das voice samples, em especial a que ouvimos a passar os checkpoints.

screenshot
Os replays estão muito bons, tendo em conta que estamos a falar de uma Mega Drive

Porque não vimos mais jogos a utilizar o SVP na Mega Drive, tendo sido este jogo tão bom, apesar de caro? Bom, a resposta está precisamente em serem jogos que seriam bastante caros. Para contrariar isso, a Sega decidiu “inventar” a 32X, um infame add-on que conferia à consola da Sega melhores capacidades técnicas, capazes de correr jogos num 3D poligonal (pouco melhor que o apresentado neste jogo), ou jogos 2D mais detalhados. A ideia da Sega era precisamente contrariar o facto desses jogos “especiais” serem mais caros. Assim tinha-se um investimento inicial ao comprar o add-on, mas a longo prazo compensaria, pois os jogos de 32X custariam o mesmo que os restantes. Todos sabemos que essa estratégia saiu furada pelas mais variadas razões, mas isso será assunto para um outro artigo no futuro, se eventualmente comprar uma 32X.

Ainda assim, uma outra pergunta pertinente surge: esta versão “simples” e cara para a Mega Drive seria mesmo necessária, com uma versão largamente superior nos planos para a 32X lançada cerca de meio ano depois? Conjecturas à parte, Virtua Racing para a Mega Drive é uma excelente conversão arcade para o sistema. Para quem procurar algo mais, então existem outros jogos de corrida na própria Mega Drive com muito mais conteúdo.

Quackshot: Starring Donald Duck (Sega Mega Drive)

QuackshotAntes de a Disney ter criado a sua divisão Disney Interactive algures durante o ano de 1994, é certo e sabido que os melhores jogos baseados em franchises da marca foram produzidos por duas empresas. Num lado tinhamos a Capcom, empresa responsável pelo lançamento de diversos platformers de excelente qualidade nas consolas da Nintendo, por outro lado tinhamos a Sega, também com vários platformers de qualidade para as suas consolas, como Castle of Illusion, World of Illusion, Lucky Dime Caper ou este mesmo Quackshot. A minha cópia foi comprada algures em Dezembro de 2013, na cashconverters do Porto, tendo-me custado 4€. Curiosamente é mais uma edição Sega Genesis comercializada oficialmente em Portugal pela distribuidora Ecofilmes.

Quackshot - Sega Mega Drive
Jogo com caixa, versão Genesis

Tal como o nome indica, este jogo baseia-se no Pato Donald, que por acaso é sem sombra de dúvidas a minha personagens preferida de todo o universo Disney. Ainda assim outras personagens do universo do Donald também vão aparecendo, como o Tio Patinhas, os sobrinhos Huguinho, Zézinho e Luisinho, a Margarida, o Prof. Pardal e meio que perdido aparece também o Pateta. Acontece que enquanto Donald estava a cuscar as coisas do Tio Patinhas, encontrou um antigo mapa de tesouro que prometia riquezas de valor incalculável. Donald lança-se assim à aventura na busca desse grande tesouro, mas pelos vistos o vilão habitual Bafo-de-Onça estava a espiá-lo e obviamente que lhe quer roubar o tesouro, colocando os seus capangas no caminho do nosso pato preferido.

screenshot
Quaisquer semelhanças com o Indiana Jones são mera coincidência

Quackshot é assim um jogo de plataformas, como muitos o eram na altura, porém este é algo não-linear. Para além de podermos escolher qual o nível a jogar, teremos de os revisitar mais que uma vez, utilizando um item coleccionado num outro nível para se poder avançar no outro. E isto é marcado com um sistema de “checkpoints” nos locais intermédios, que nos deixam precisamente no local chave para a segunda visita. Para além do mais, a arma de Donald é um dispara-desentupidores, arma essa que tem também as suas peculiaridades. Utilizando a munição standard, os desentupidores infinitos, quando disparados num inimigo, apenas os imobiliza durante um curto intervalo de tempo. Existem outras munições mais poderosas que são capazes de destruir permanentemente os inimigos, e podem até ser utilizadas em alguns níveis para destruir alguns blocos. Essas munições consistem em pipocas e bolas de sabão. Sim, é um jogo da Disney.

screenshot
No início e fim do jogo temos direito a estas “cutscenes” onde a história vai sendo contada

Para além do mais ainda existem outros 2 upgrades aos desentupidores que podemos encontrar. O primeiro permite agarrar os desentupidores temporariamente nas paredes, fazendo com que sirvam de plataformas para alcançar outras secções previamente inacessíveis. O último upgrade, para além de herdar todas as características dos anteriores permite também que fiquem temporariamente agarrados aos inimigos, sendo especialmente úteis quando temos de nos agarrar a uns papagaios gigantes para uma viagem sobre abismos. O jogo vai tendo assim níveis variados com outros detalhes interessantes para além do platforming clássico, desde uma viagem alucinante em carrinhos de mineiros como num certo filme do Indiana Jones, ou andar perdido num palácio oriental labiríntico à procura das portas certas para se safar. Claro que pelo meio teremos várias batalhas com os habituais bosses e no geral é um jogo que acaba por ser bem desafiante em algumas alturas.

screenshot
Parece o Bafo de Onça, mas é apenas um dos seus muitos “minions” espalhados em todos os níveis

Graficamente é um jogo com sprites bem detalhadas e com boas animações, assim como os próprios níveis que são bem variados entre si, com temáticas bem diferentes. Desde cidades clássicas das antigas animações da Disney, pirâmides egípcias, um castelo assombrado na transilvânia ou mesmo um navio viking abandonado são apenas alguns dos exemplos. O único senão que eu coloco na componente visual é a paleta de cores escolhida ser muito escura. É verdade que a Mega Drive em si tem uma paleta de cores bem inferior que a da Super Nintendo, por exemplo, mas ainda assim existem outros jogos da Mega Drive com cores bem mais garridas do que este Quackshot, que o merecia. Por outro lado as músicas são agradáveis como seria de se esperar.

No fim de contas, é mais um excelente platformer produzido pela Sega, que muito provavelmente acabou por ser ofuscado pelo jogo de estreia de um certo ouriço azul, lançado no mesmo ano de 1991. Infelizmente foi também um jogo que ficou algo esquecido no catálogo da Mega Drive, pois a menos que algo me tenha escapado, não chegou a sair em nenhuma compilação para sistemas mais recentes, nem para a Virtual Console da Nintendo Wii, o que é pena.