Chaos on Deponia (PC)

Não há muito tempo atrás escrevi um artigo sobre o primeiro Deponia, um point and click da Daedalic que gostei bastante e costuma estar frequentemente em indie bundles e outras promoções, pelo que aconselho vivamente a sua compra. Mas a série Deponia aparentemente foi pensada logo de início para ser uma trilogia e lá tive de comprar os outros dois jogos da série. Creio que este Chaos on Deponia foi também comprado num dos Humble Bundles dedicados à Daedalic, pelo que também me ficou bem em conta. E tal como o primeiro jogo, está repleto de bom humor e personagens carismáticas.

Chaos on Deponia

O jogo é uma sequela directa do primeiro, decorrendo não muito tempo depois dessa aventura. E para quem ainda não o jogou, então é melhor avançar para o parágrafo seguinte pois vão haver algumas spoilers. Mais uma vez encarnamos no papel do azarado Rufus, agora com o Doc e Bozo com quem nos cruzamos na aventura anterior. Mais uma vez Rufus tenta um plano mirabolante para alcançar Elysium, a mística cidade voadora para onde a elite humana se deslocou, após o planeta Deponia ser dado como inabitável, tal era a sua poluição. O Organon, em conjunto com Cletus, sósia de Rufus e suposto noivo de Goal, planeava a destruição do planeta, e apesar de a bela Goal ter viajado com eles para Elysium e aparentemente estar do lado de Rufus e companhia, a destruição de Deponia ainda era incerta. E no seu plano para alcançar Elysium, Rufus acaba por embater no elevador que os transportava para a longíqua cidade, caindo todos ao chão uma vez mais. E novamente Goal (que é uma espécie de Andróide) ficou com a sua memória danificada, pelo que passamos mais uma vez grande parte do jogo a tentar “arranjá-la”. Mas claro, pelo meio temos as muitas trapalhadas de Rufus para nos rirmos um pouco, bem como a ameaça do Organon em estourar com o planeta de uma vez.

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Rufus e Cletus… ainda não joguei o Goodbye Deponia por inteiro mas estou mesmo a adivinhar que são gémeos.

A jogabilidade é o standard de um jogo de aventura point and click. Usar o rato para nos movermos, falar com outros NPCs, apanhar e interagir com objectos, misturá-los no inventário e com isso tentarmos desbloquear situações e progredir no jogo. Eventualmente lá nos cruzamos com alguns puzzles ou mini-jogos, mas os mesmos podem ser avançados para quem não tiver paciência para os completar. Perde-se é o achievement associado, mas quem os quiser avançar também não deve ficar muito preocupado com isso. Alguns “puzzles” são mais mini-jogos, como um combate  à lá Street Fighter onde temos de clicar nas várias zonas do corpo que queremos defender e/ou atacar. Outro é uma perseguição submarina por turnos que também achei interessante, só faltou é o combate RPG do Edna & Harvey.

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O jogo está repleto de humor negro… ainda gostava de saber qual o destino do pobre homem ali preso

Muitas das personagens são recorrentes, embora tenhamos também muitas caras novas, afinal a maior parte do jogo é passado no Black Market, uma nova região para explorar com vários locais distintos. As personagens são no geral bastante carismáticas e mais uma vez achei que o voice-acting esteve muito bem em as representar. Existem imensas situações de humor negro que poderão não agradar a todos (como o destino de vários golfinhos fofinhos) mas fuck it, é um jogo e eu adoro humor negro. Também tal como no primeiro, existe algum innuendo e para os pervertidos de plantão podem tentar encontrar várias peças de um puzzle que formam uma Goal numa pose ousada. De resto, a nível gráfico continua um excelente jogo 2D, com óptimas animações e backgrounds muito bem detalhados. E aqueles pequenos detalhes como os interlúdios musicais entre cada capítulo marcam mesmo a diferença. A própria banda sonora também continua agradável, alternando entre vários estilos musicais, desde aqueles mais épicos como costuma ser habitual nos momentos de maior grandeza, ou músicas mais modernas com uns contornos electro pelo meio.

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Mais uma vez, os backgrounds estão muito bem detalhados, embora o mundo poluído de Deponia não seja lá muito variado entre si

Em suma, acho este mais um óptimo jogo de aventura. Para quem gosta do género e de situações repletas de bom humor (e negro também por vezes), então acabo mesmo por recomendar toda a trilogia Deponia, pois já comecei o Goodbye Deponia e para já continua óptimo.

Atlantis II (PC)

Atlantis IIO artigo de hoje será mais uma rapidinha pois mais uma vez o tempo que tenho para escrever não é o maior. O Atlantis original já tinha sido aqui analisado anteriormente, mais precisamente a versão Sega Saturn que apesar de ser aquela que é tecnicamente inferior, e o jogo em si também não ser propriamente o melhor de sempre, não deixou de me agradar, principalmente por todo o imaginário criado. Isso deixou-me com o apetite aguçado para alguma das sequelas, e apesar de já ter o Atlantis III na PS2 em vista há algum tempo, eventualmente lá me cruzei com a versão PC do Atlantis II, em Big Box, embora um pouco em mau estado pois apanhou chuva. Custou-me uns 2 ou 3€ na Feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás.

Atlantis II - PC
Jogo completo com caixa, manual, 4 discos e papelada

As ligações entre o primeiro Atlantis e esta sequela não são evidentes logo de início. Afinal começamos o jogo em pleno Tibete no meio das montanhas, numa caminhada que nos leva a uma das máquinas voadoras do primeiro jogo. Lá dentro nos esperava uma pessoa que nos dizia que teríamos de fazer uma viagem a Shambala e cumprir o nosso destino, mas que para isso teríamos de primeiro explorar 3 diferentes locais ao longo do tempo, de forma a preparar a nossa “nave” para essa viagem final. Iremos visitar um mosteiro irlandês durante os primeiros séculos do cristianismo e falar com deuses pagãos, um rei morto e entrar dentro de um livro. Podemos avançar depois para a civilização Maia, onde um Quetzacoatl adormecido causa muitos transtornos a um povo que se prepara para sacrificar centenas de pessoas, incluindo o Rei e sua pequena filha. O outro destino é na China, onde estamos presos dentro de um templo cuja única saída está bloqueada por um demónio e teremos de visitar outros mundos fantasiosos para arranjar maneira de o exorcizar.

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À semelhança do primeiro jogo, os tópicos de conversa são dados por ícones

A jogabilidade é muito semelhante à do primeiro jogo. O mesmo é visto numa perspectiva de primeira pessoa, e apesar de podermos olhar livremente para tudo à nossa volta, os movimentos são todos pré definidos, com o ícone do rato a mudar de forma quando o apontamos para uma zona onde nos podemos movimentar. É mostrado depois um pequeno vídeo que mostra o movimento de câmara de um sítio para o outro, mas podem ser avançados com um clique. Depois é o costume, teremos obrigatoriamente de falar com vários NPCs, pegar em itens e usá-los com os NPCs, ou noutros locais, de forma a avançar com a história. Eventualmente teremos alguns puzzles a sério para resolver também. Mas no geral achei este jogo muito mais complicado que o primeiro. Alguns puzzles, como o de uma certa ponte de arco-íris são mesmo muito puxados. A navegação por vezes também é bastante confusa, e isto é especialmente verdade no “mundo dos mortos” da civilização Maia, uma densa selva repleta de pequenas passagens. E estas transições entre ecrãs também não ajudam muito. Em suma, Atlantis II é um jogo difícil se não tivermos nenhum guia como auxílio.

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O detalhe gráfico durante os diálogos é impressionante para a altura

Tecnicamente era um jogo impressionante para a época. Os gráficos, em especial as pequenas cutscenes e as personagens durante os diálogos eram excelentes, cheios de detalhes e cores vibrantes. As personagens fora dos diálogos já eram um pouco mais pixelizadas, porque os cenários eram no geral pré-renderizados e as personagens estavam um pouco “a mais”. Mas ao menos desta vez já tinham animações. O voice acting não é o melhor do mundo, mas daquela altura já ouvi bem pior. As músicas continuam bastante calminhas na sua maioria, adequando-se ao clima “pacífico” que é muitas vezes incutido neste jogo. Algumas músicas mais épicas também fazem parte do elenco, incluindo reimaginações de temas do primeiro jogo.

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Só para que conste: há alguma nudez parcial e gore. Nada de mal!

Atlantis II é um jogo muito interessante para a época em que foi lançado. A sua história é profunda, embora eu tenha pena que pouco tenha estado relacionada com a civilização da Atlântida propriamente dita. De resto peca pela sua dificuldade acima da média, seja em “saber o que fazer a seguir”, como na resolução de alguns puzzles propriamente ditos. A sua quase-impossibilidade de ser corrido em sistemas operativos modernos sem recorrer a magias negras também não lhe abonam muito.

Full Throttle (PC)

Full Throttle é um dos jogos de aventura point and click da Lucas Arts que maior seguimento de culto tem tido, o que se compreende perfeitamente, pois o jogo é genuinamente bom. A única coisa que eu diria que envelheceu mesmo mal foram as secções de condução, onde teríamos uns combates à lá Road Rash mas com controlos de point and click, o que acaba por ser um pouco estranho. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês anterior de Fevereiro na Cash Converters do Porto, tendo-me custado apenas 1€. Mas infelizmente está sem qualquer manual.

Full Throttle - PC
Jogo com caixa

Poderão ler a minha análise no site da PUSHSTART, para a qual já escrevi sobre este jogo já há algum tempo.

Edna & Harvey: Harvey’s New Eyes (PC)

Há pouco tempo atrás joguei e terminei o Deponia, o primeiro de uma série de 3 jogos de aventura point and click da Daedalic que acabei por gostar bastante da sua história no geral, do bom humor e do carisma das personangens. Fiquei cheio de vontade de experimentar o Chaos in Deponia mas lembrei-me que tinha um outro jogo da mesma empresa há espera há mais tempo e acabei por me virar para este Harvey’s New Eyes, sequela directa do Edna & Harvey the Breakout. A minha cópia digital, se a memória não me falha foi comprada num dos Humble Bundles dedicados à Daedalic, tendo-me ficado por uma ninharia como é habitual.

Edna & Harvey

O jogo original contava a história de Edna, uma jovem rapariga “aprisionada” num manicómio e que tentava escapar de lá a todo o custo. Era um jogo com uma boa dose de humor negro e sinceramente a história até teve alguns plot twists surpreendentes, mas a nível visual era muito limitado, até porque era nada mais nada menos que o projecto de final de curso de um dos fundadores da Daedalic. Este segue o mesmo estilo visual, mas já lá vamos a esse campo mais tarde. Aqui é passado numa escolal de um convento e apesar de Edna aparecer várias vezes na história, a personagem principal é a sua melhor amiga, a menina Lilli, que é simplesmente a rapariga de mais bom coração, ingénua e submissa que alguma vez conheceram.

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Edna (à direita) acaba por ter um papel secundário neste jogo

A Madre Superiora é extremamente autoritária e detesta crianças, a cozinheira é uma ex-presidiária que também detesta crianças, e já estão a ver onde isto vai dar. A história está dividida por vários capítulos, onde no primeiro serve mais para conhecer o convento, os colegas de Lilli e Edna e também para introduzir o Dr. Marcel, vilão do primeiro jogo e que irá visitar o convento para por à prova as suas novas e controversas terapias de disciplina infantil. Edna não gosta disso e pede a ajuda de Lilli para se esconderem ou eventualmente escaparem. Até aí lá chegarmos ainda muita coisa acontece, como as coisas que inadvertidamente vamos causando aos colegas de Lilli. Mas eventualmente o Dr. Marcel lá acaba por colocar em prática as suas terapias, com base no hipnotismo através boneco do coelho Harvey, colocando-nos inibidores mentais de comportamento como “não brincar com o fogo”, “não mentir”, “não mexer em objectos afiados”, ou “não desobedecer a adultos”. É a partir desse segundo capítulo que entram essas novas mecânicas de jogo e que sinceramente achei muito interessantes.

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Esta cena em particular está repleta de pormenores interessantes que irão certamente passar despercebidos, pelo menos até ao final do jogo

Isto porque para avançar na história vamos mesmo ter de fazer todas essas coisas e a única maneira de o fazer é Lilli se auto-hipnotizar e no seu subconsiente visitar uma versão diferente da realidade, onde temos de contradizer um “demónio Harvey” e provar-lhe que afinal atear fogo até é porreiro e beber uns copos também nunca fez mal a ninguém. No entanto, apesar de podermos desbloquear um desses inibidores mentais apenas podemos usar um de cada vez, obrigando-nos a clicar no inibidor que queremos activar. De resto as mecânicas de jogo são as básicas de um jogo de aventura deste género, com os diálogos, exploração e interactividade de itens habituais. Por vezes também teremos alguns puzzles “a sério” para resolver, mas esses podem ser avançados à frente para os mais impacientes. O último até é bem original, uma batalha no estilo RPG que não estava mesmo nada à espera.

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Este boneco de neve representa o bloqueio mental de não brincar com o fogo. Temos de o convencer do contrário

Indo agora para os audiovisuais, bom comecemos pelo mais fácil, o voice acting. É certo que a Daedalic é uma empresa alemã e apesar de haver a opção de ouvir o audio em alemão e usar legendas em inglês, sinceramente sempre joguei estes títulos da Daedalic com tudo em inglês, o que contraria a minha posição habitual: ouvir o jogo tal e qual os developers assim o queriam. Bom, em vários outros jogos da Daedalic, em especial os mais recentes, o voice acting em inglês tem sido bom, mas tanto no primeiro Edna & Harvey (o que se compreende visto ser um school project) como neste o voice acting inglês é muito inconstante. Algumas personagens até ficaram bem representadas, já outras (a infeliz maioria) ficaram horríveis. A música é agradável, tocando quase sempre de fundo e transmite bem as diferentes atmosferas. A narrativa no geral até que tem a sua graça, com um narrador intrometido e sempre a mandar piadolas, o jogo está cheio de humor negro e se tivesse sido lançado por um qualquer estúdio norte-americano mais conhecido certamente iriam ter alguns problemas, mas por mim está aprovadíssimo!

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Estas manchas roxas a serem pintadas por batatas gigantes são pormenores deliciosos.

A nível gráfico é uma história um pouco diferente. Este jogo segue a mesma identidade visual da sua prequela, com os cenários e personagens caracterizados de uma forma bastante bizarra, quase como se um cartoon marado da Nickelodeon se tratasse. Sinceramente não gostei assim muito desta estética, apesar de se adequar bem a todas as bizarrices que vemos no ecrã. Ainda assim, tudo o resto como a qualidade dos desenhos em si ou as suas animações estão muito melhores que na prequela.

Edna & Harvey: Harvey’s New Eyes pode não ser o melhor jogo de aventura do já extenso catálogo da Daedalic neste género, mas não posso dizer que não me tenha surpreendido em vários aspectos. A história está muito mais arrojada no humor negro, algumas pessoas podem-se sentir ofendidas em especial com o que Lilli faz “sem querer” aos colegas ao longo do primeiro capítulo, os plot twists finais dão novamente um ar da sua graça e todas as mecânicas dos bloqueios comportamentais por hipnose acho que foram ideias bem conseguidas. Só por isso, e se são fãs deste género de videojogos em particular, recomendo que dêm uma espreitadela a este.

Deponia (PC)

Voltando aos jogos de aventura point and click, Deponia é um dos maiores cartões de visita da Daedalic, e com base nas imensas promoções que o jogo tem vindo a receber ao longo dos últimos anos, de facto é difícil resistir a comprá-lo e eventualmente jogá-lo. Acabei por finalmente o fazer e fiquei muito surpreendido pela sua qualidade. Este Deponia se não estou enganado foi comprado num dos Humble Bundles dedicados à Daedalic por um preço muito reduzido.

Deponia

E de que se trata este jogo? Basicamente encarnamos no papel de Rufus, um gajo mandrião, ainda a viver na casa da sua ex-namorada e cujo sonho é o de abandonar Kuvaq em Deponia e entrar em Elysium, a grande cidade suspensa nos céus. Aparentemente o mundo de Deponia está repleto de sucata e a civilização humana abandonou a superfície, com os mais influentes a viverem em Elysium e os mais desafortunados a ficarem à superfície. E o resto da história leva-nos em mais uma tentativa de “fuga” onde Rufus finalmente consegue escapar de Deponia mas vê-se no meio de uma conspiração envolvendo Goal, uma bonita andróide que cai para a superfície e Rufus decide voltar também para a salvar.

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Deponia está repleto de personagens carismáticas e o bom humor é uma constante

As mecânicas de jogo são o costume em aventuras point and click. Com o ponteiro do rato fazemos practicamente tudo: movemos Rufus ao longo dos cenários, falamos com pessoas, interagimos com objectos, apanhamos e combinamos itens no inventário e por aí fora, nada a comentar neste campo. O que devo comentar é mesmo o facto de ter adorado todas as personagens e a história em si. O final deixou mesmo a antever uma eventual sequela (que na realidade acabaram por sair mais duas) e o jogo está repleto de um bom sentido de humor, personagens bem carismáticas e bem, fiquei mesmo com vontade de instalar e jogar o Chaos on Deponia logo a seguir.

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Goal acaba por ser uma personagem muito importante no jogo

No que diz respeito aos audiovisuais, a Daedalic já nos habituou a excelentes gráficos 2D, com cenários extremamente detalhados e personagens com óptimas animações. E este Deponia não é uma excepção, os óptimos gráficos, aliados a um voice-acting bem competente contribuiram ainda mais para esta ser uma aventura muito agradável de ser vivida. Detalhes como o “bardo”  a tocar guitarra e cantar entre cada capítulo são coisas deliciosas e que acabam por fazer a diferença. As músicas ambiente também são bastante agradáveis.

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Como sempre, temos alguns puzzles para resolver

Este artigo é mais uma rapidinha pois infelizmente o tempo para jogar tem sido muito reduzido. De qualquer das formas já aqui falei sobre vários jogos da Daedalic e não haveria muito a acrescentar neste Deponia. Se são fãs do género, recomendo vivamente a sua compra, até porque este jogo em específico costuma ser vendido a preços muito reduzidos em alturas de promoções.