Raptor: Call of the Shadows (PC)

Já há alguns dias que não trazia cá nenhum artigo novo por questões profissionais que simplesmente não me deram tempo para o fazer. Sim, mesmo ao fim de semana! Portanto para compensar conto hoje escrever duas rapidinhas aqui para o blogue. A primeira vai ser sobre mais um jogo da minha infância que joguei bastante na sua versão shareware. Estou a falar do Raptor Call of the Shadows, produzido pela Cygnus Studios e publicado pela Apogee. É um dos shmups exclusivos de pc que eu acho mais bem conseguidos e tal como todos os outros jogos da Apogee que tenho na minha conta steam vieram cá parar através de bundles bem baratos. Este veio também da 3D Realms Anthology.

RaptorA história coloca-nos como um mercenário solitário a lutar contra um poderoso império. Sim, o cliché do costume que na verdade resulta muito bem neste tipo de jogos e nada mais é preciso. Mas é na jogabilidade e mecânicas de jogo que este Raptor marca os seus pontos. Isto porque o mesmo está dividido em 3 capítulos diferentes, com 9 níveis em cada. E à medida que vamos destruindo os inimigos que nos apareçam à frente, ganhamos dinheiro que pode posteriormente ser utilizado para customizar o nosso avião, ao comprar diferentes armas, escudos ou outros. E tendo em conta que apenas temos uma vida (se bem que também podemos salvar o nosso progresso), ter sempre um ou outro escudo de reserva não é má ideia. É que em graus de dificuldade maiores, ou em níveis mais avançados, iremos ser invadidos por imensas outras naves que nos descarregam com imengos projécteis e é practicamente impossível nos desviarmos de todos.

A nível gráfico a única coisa que me chateia um pouco é a forma modular como os edifícios explodem
A nível gráfico a única coisa que me chateia um pouco é a forma modular como os edifícios explodem

De entre as armas que podemos comprar, temos vários tipos de mísseis, armas que só atingem veículos voadores, outras que só atingem os tanques e bases terrestre que vamos atravessando, e outras que atingem tudo e mais alguma coisa, incluindo projécteis que perseguem os inimigos. Muitas dessas diferentes armas podem ser seleccionadas para funcionarem em paralelo com outras “principais”. E claro, temos também a mega bomba que destrói todos os inimigos presentes no ecrã, excepto os bosses que apenas lhes causa algum dano. Depois é só percorrer todos estes níveis e tentar destruir tudo o que nos apareça à frente! Simples, não?

Os escudos internos do nosso avião (barra da direita) podem ser lentamente regenerados enquanto não abrimos fogo. O ideal é ter um stock de escudos externos de reserva
Os escudos internos do nosso avião (barra da direita) podem ser lentamente regenerados enquanto não abrimos fogo. O ideal é ter um stock de escudos externos de reserva

Graficamente sempre achei este jogo muito capaz, estando repleto de pequenas cutscenes que sempre me pareceram bem animadas e depois aquele hangar onde podemos escolher uma série de coisas entre cada nível, ou o próprio interface de “loja online do mercado negro” onde podemos comprar as nossas armas e outros power ups também me pareceram muito bem conseguidos. Nos níveis em si acho que os veículos estão bem desenhados, a única coisa que não gostei muito foi da maneira como desenharam os edifícios a explodir, parece-me ser uma coisa bastante modular. Mas são só pequenas picuinhices. As músicas apesar de não serem propriamente más, acho que se tornaram bastante discretas para o jogo em questão, sendo completamente ofuscadas pelo barulho de balas a serem disparadas e explosões.

Apesar de não ser um jogo perfeito, sempre achei este Raptor bastante competente. E de todos os shmups que foram sendo criados de forma exclusiva para o PC durante o apogeu do DOS gaming, sempre achei este o mais interessante.

Wacky Wheels (PC)

Hoje é mesmo mais uma super rapidinha que o trabalho tem vindo a apertar. E o artigo de hoje recai uma vez mais num outro jogo que veio junto da 3D Realms Anthology e eu ainda não o tinha analisado por cá. Ora este Wacky Wheels é nada mais nada menos que um clone de Super Mario Kart, mas para PC, e com uma forte componente multiplayer online que sempre foi um dos seus selling points, apesar de pessoalmente nunca a ter sequer experimentado.

Wacky WheelsAs semelhanças com Super Mario Kart são bastantes, com a possibilidade de escolhermos a dificuldade pretendida e mesmo aí ainda teremos três diferentes “cups” para concorrer. E apesar dos bichinhos não correrem em karts mas sim máquinas de cortar relva, as semelhanças na jogabilidade permanecem, com a hipótese de utilizar certos itens que podemos apanhar como armas para tirar alguns dos nossos adversários da frente (se bem que as mesmas podem ser usadas contra nós). Existem também outros modos de jogo como o time trial, ou variantes multiplayer que nos permitem jogar contra os nossos amigos seja a correr, seja em pequenas batalhas em arenas como no Battle Mode dos Mario Kart.

Estão submersos em água ou lava? Não tem mal porque temos um periscópio!
Estão submersos em água ou lava? Não tem mal porque temos um periscópio!

A nível gráfico é um jogo bastante colorido e replica também o mode 7 utilizado no Super Mario Kart original da SNES. Apesar de achar que os gráficos em mode 7 não sejam a melhor coisa do mundo e sinceramente os PCs já conseguiam fazer melhor. As músicas e efeitos sonoros são bons, nada a apontar, com músicas bem alegres que acabam por ser bastante envolventes tendo em conta o estilo do jogo. Já a fluidez das corridas em si é que me pareceu deixar um pouco a desejar… mas também podem ser problemas com a emulação em dosbox (preguiça em ligar o velhinho pentium para tirar a prova dos 9).

Posto isto, Wacky Wheels era um bom clone do Super Mario Kart, numa altura em que o PC não era uma plataforma que tivesse muitos jogos deste género. Se vale a pena jogá-lo hoje em dia, sinceramente eu diria que não, mas quem for fã do género terá sempre alguma curiosidade.

Alone in the Dark 2 (PC)

Alone in the dark 2Hoje é tempo de mais uma rapidinha a um jogo de PC. O Alone in the Dark original foi um jogo “muito à frente” no seu tempo e sem dúvida que influenciou outros jogos como os Resident Evil clássicos, até porque a fórmula era mais ou menos idêntica: ângulos de câmar fixos e gráficos pré-renderizados, os tank controls, poucas munições e a exploração e procura de itens para progredir nos cenários. Aqui nesta sequela as coisas já levaram um rumo mais para a acção. Este meu exemplar custou-me cerca de 2.5€ na Feira da Ladra há uns bons meses atrás, se a memória não me falha.

Jogo com caixa e manual embutido
Jogo com caixa e manual embutido

A personagem principal é uma vez mais Edward Carnby, um detective privado especialista em assuntos sobrenaturais, desta vez com a missão de investigar o paradeiro da menina Grace Saunders, que aparentemente terá sido raptada e levada para a mansão “Hell’s Kitchen”, casa de uma notável família de gangsters. Mas claro, o sobrenatural vem ao de si e eventualmente são também traçadas algumas ligações ao primeiro jogo, mas deixo isso para quem o for jogar.

A câmara continua a ser fixa, algo muito utilizado numa nova geração de survival horrors que se seguiram
A câmara continua a ser fixa, algo muito utilizado numa nova geração de survival horrors que se seguiram

A nível de mecânicas de jogo é muito semelhante ao original, tal como referido no primeiro parágrafo a maior diferença está precisamente no maior foco dado à acção e não propriamente ao “survival horror” em si. Iremos defrontar muitos gangsters equipados com várias armas, onde poderemos posteriormente usá-las nós próprios, assim como outros objectos como se fossem armas brancas. Mas os combates propriamente ditos continuam muito chatinhos, devido a umas más mecânicas do sistema de detecção de colisões. Principalmente em inimigos mais acrobatas que se mexam muito, fica difícil de lhes acertar em cheio, quer estejamos a usar armas de fogo, ou uma tábua de partir carne. Eventualmente há um ou outro segmento do jogo em que jogamos com a pequena Grace Saunders, e nessa altura teremos de ter uma abordagem mais furtiva, pois basta um dos inimigos nos encontrar para sermos capturados. Mas isso não quer dizer que não possamos ripostar, pois podemos preparar algumas armadilhas para os tirar do nosso caminho. De resto no geral mantém mais ou menos as mesmas mecânicas de jogo do anterior, incluindo todo o lore que pode ser lido ao descobrir livros e várias anotações espalhadas pela área do jogo.

Pode não parecer, mas isto eram gráficos 3D bem avançados para 1993.
Pode não parecer, mas isto eram gráficos 3D bem avançados para 1993.

Graficamente é um jogo um pouco melhor que o original, embora ainda continue a ser um 3D muito primitivo, com modelos com pouquíssimos polígonos e com texturas simples ou nenhumas. Os cenários sendo pré-renderizados já apresentam mais algum detalhe. No entanto, mesmo sendo um jogo mais focado para a acção do que o survival horror, a Infogrames ainda não tinha acertado na ambiência sonora, usando músicas que pouco ou nada acrescentavam à atmosfera mais tensa que este jogo precisaria. Só na recta final do jogo é que ouvi umas melodias mais épicas que já se adequavam mais àquilo que estava a ser vivido.

Em jeito de conclusão, este Alone in the Dark 2 apesar de não ser um mau jogo tendo em conta a altura em que foi lançado e mesmo sendo uma sequela continuava a ser um videojogo muito único dentro do mercado. Ainda assim pareceu-me um pouco menos inspirado que o primeiro precisamente pelo foco maior na acção, parece que dá a entender que foi feito um pouco mais às pressas. Ainda assim deverá ter tido sucesso suficiente para receber uma conversão para a Playstation e Sega Saturn, cujas versões não cheguei a jogar.

Xenophage (PC)

Não é segredo nenhum que sempre fui um grande fã da Apogee. Joguei grande parte dos seus jogos DOS no meu velhinho Pentium e passava tardes a ler o seu catálogo de jogos no executável CATALOG.EXE, imaginando o quão fantásticos poderiam ser esses jogos só pela sua descrição. Nessa altura eu também tinha um gosto especial por tudo o que fossem videojogos sangrentos, fossem FPS como o Doom, jogos de luta como Mortal Kombat ou corridas como o Carmageddon. E este Xenophage tinha-me chamado à atenção precisamente por isso, por ser um fighter violento, uma espécie de clone de Mortal Kombat, como surgiram muitos na época. Mas nem todos os jogos da Apogee são bons e não é por acaso que este Xenophage acabou por ser descontinuado bem rapidamente… Felizmente quando comprei a 3D Realms Anthology no Steam veio este jogo de oferta, como forma de recompensar a falta dos Commander Keen e Wolfenstein 3D devido aos mesmos já estarem disponíveis nessa plataforma através da id software.

XenophageA história é simples e se calhar um pouco cliché pois coloca a humanidade num torneio organizado por deuses, de forma a defender a existência da sua civilização, em conjunto com criaturas de outros planetas que também participam com o mesmo intuito. E para isso foram escolhidos 2 personagens perfeitamente ao acaso para defender a Terra, como o lenhador Nick e a executiva Selena, com a sua camisinha e mini-saia. Os outros planetas tiveram direito a uma única personagem, sendo todos criaturas bizarras, o que sinceramente até me agradou precisamente pela diferença.

Alguns aliens também não são lá muito bonitos, mas os humanos batem todos os recordes
Alguns aliens também não são lá muito bonitos, mas os humanos batem todos os recordes

E logo pela cutscene inicial que explica essa história nos apercebemos que se calhar este Xenophage não é grande espingarda. Isto porque apresenta umas CGIs muito, mas muito más mesmo. Poderíamos dizer que em 1995/1996 a tecnologia ainda não permitia grandes coisas neste campo, mas até o D da Sega Saturn acaba por fazer um melhor trabalho neste campo… e olhem que as cutscenes do D são mázinhas! Infelizmente na jogabilidade pura e dura as coisas não melhoram muito, com o jogo a ter um framerate nada estável e fluído, o que corta logo a pica toda. Para além disso, apesar de o jogo possuir um sistema de combos, as mesmas não são lá muito fáceis de executar. De resto, e como bom clone de Mortal Kombat que é, também temos as fatalities que aqui se chamam de Meat e sinceramente não têm o mesmo carisma das originais. Fora isso, e tal como Mortal Kombat, cada murro dá para jorrar 3 litros de sangue, embora o nível de violência possa ser regulado nas opções.

As fatalities geralmente resultam na decapitação do adversário. Mas ainda deixa ali uns glitchs...
As fatalities geralmente resultam na decapitação do adversário. Mas ainda deixa ali uns glitchs…

Graficamente é um jogo com os seus altos e baixos. Se por um lado o design da maioria das criaturas possa ser aceitável, o dos humanos mete dó de tão mau que é. E usam sprites pré-renderizadas ao estilo do Donkey Kong Country que neste caso também não resulta lá muito bem. Os backgrounds lá acabam por ser mais bem detalhados e se calhar salvam um pouco este campo. Já as músicas são outra desilusão. Apesar da banda sonora estar cheia de guitarradas como eu bem gosto, as músicas acabam mesmo por ser muito desinspiradas.

No fim de contas, para mim este Xenophage acabou mesmo por ser um tiro ao lado. A Apogee tem muitos bons jogos no seu catálogo, quer produzidos ou apenas publicados pela mesma. Mas também tem algumas ovelhas negras e este Xenophage é certamente uma delas.

Hocus Pocus (PC)

Hocus PocusO artigo de hoje será mais uma rapidinha a um título da Apogee que fez parte da minha infância, isto porque a versão shareware já vinha instalada no meu primeiro computador, o velhinho Pentium a 133MHz que os meus pais compraram em segunda mão. Hocus Pocus é um dos vários jogos de plataformas que a Apogee lançou durante a primeira metade dos anos 90. Após ter jogado a versão completa por métodos não muito convencionais, acabei por tê-lo na minha conta steam após ter comprado a colectânea 3D Realms Anthology a um preço baratinho num bundle. Para além disso encontrei-o mais recentemente numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, numa edição que vinha em conjunto com o jornal Diário de Notícias algures durante os anos 90.

Hocus Pocus - PC
Jogo em caixa de jewelcase

No fundo, Hocus Pocus é uma história de amor. Um jovem aprendiz de feiticeiro apaixona-se por uma outra bela feiticeira chamada Popopa. Mas a única maneira que ele tinha de legalmente casar com ela, era a de fazer parte do Council of Wizards. Para isso, o chefe lá do sítio incumbe Hocus Pocus de percorrer uma série de diferentes mundos repletos de monstros e procurar uns cristais mágicos. Se for bem sucedido nessa demanda, fará parte do Council of Wizards e poderá casar com Popopa.

Em cada nível temos um número variado de cristais que temos de coleccionar
Em cada nível temos um número variado de cristais que temos de coleccionar

Bom, a jogabilidade é a típica de um simples jogo de plataformas, com Hocus Pocus a poder saltar e atacar os seus inimigos com um feitico em que solta raios eléctricos. Felizmente pelo caminho poderemos encontrar outros power-ups na forma de poções mágicas que nos garantem outras habilidades como saltar mais alto, rapid fire e invencibilidade temporária. De resto o objectivo está sempre em explorar o nível e procurar todos os cristais, sendo que para isso teremos sempre de encontrar algumas chaves para abrir portas e de vez em quando teremos também alguns pequenos puzzles com alavancas. Recentemente gravei um pequeno vídeo no meu canal onde joguei um pouco deste Hocus Pocus, podem ver para ter uma ideia da jogabilidade. Apenas me irritou um pouco o spawn dos inimigos acontecer quando estamos bem juntinho a eles, o que para quem gostar de fazer speedruns pode ser um problema.

Graficamente é um jogo bastante colorido e algo variado nos backgrounds. Gosto deste artwork fantasioso que foi usado, com aquelas florestas com cogumelos gigantes e afins. As músicas são também bastante agradáveis!

Hocus Pocus até que se torna bem mais variado nos seus backgrounds do que aquilo que eu me lembrava dos anos 90.
Hocus Pocus até que se torna bem mais variado nos seus backgrounds do que aquilo que eu me lembrava dos anos 90.

Para mim, este Hocus Pocus é um bom jogo de plataformas. É certo que não reinventa a roda, mas o PC nunca foi propriamente popular pelo seu contributo nos jogos de tradicionais de plataformas, embora tenha recebido uns quantos exclusivos ao longo dos anos. Para quem gostar do género, irá certamente passar um bom bocado com este Hocus Pocus.