Excitebike (Nintendo Entertainment System)

ExcitebikePara os que viram no vídeo que postei antes deste artigo, em Setembro comprei uma série de jogos retro, incluindo este Excitebike, pelo que contem com mais análises retro num futuro próximo. E o Excitebike foi um dos jogos que mais joguei na minha Famiclone, ao longo de várias tardes de sábados chuvosos  onde não tinha muito mais que fazer. Mas a versão que aqui trago é a da própria NES, que me custou uns 7.5€ na Cash converters de Alfragide, estando com caixa.

Excitebike - NES
Jogo com caixa e sleeve habitual de plástico.

Excitebike é um dos primeiros jogos da NES, representativos de um tempo em que a Nintendo tinha uma veia criativa enorme e, não que não a tenham hoje em dia, mas naquela altura eles não tinham quaisquer problemas em criar jogos seja de qual subgénero, ao contrário dos dias de hoje se focarem muito mais em franchises já bem estabelecidas no mercado. E no meio de jogos como Duck Hunt, Wild Gunman, Donkey Kong, Super Mario, Urban Champion, entre outros, lá estava este muito interessante (e simples!) jogo de motocross.

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Quando corremos com mais oponentes em pista, nota-se algum flickering nas suas sprites, aqui bem visível

No ecrã título, temos três modos de jogo disponíveis para escolher: Selection A, Selection B e Design. Nos primeiros dois, jogamos nos 5 (ou seis) circuitos disponíveis desenvolvidos pela própria Nintendo. A diferença é que no Selection A poderia ser eventualmente considerado uma espécie training mode, na medida que jogamos sozinhos e temos uma maior liberdade para conhecer os circuitos e os seus obstáculos. No Selection B já temos outros pilotos a competirem connosco e sempre a atrapalhar-nos a vida. O Design deixa-nos criar o nosso próprio circuíto, onde podemos fazer coisas completamente estapafúrdias e depois jogá-los. Mas claro, na falta de baterias para se fazer um save game, ao desligar a consola, lá se vai a nossa obra de arte.

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Quando corremos com mais gente na pista, as coisas podem ficar caóticas

Mas é mesmo na jogabilidade que Excitebike marca pontos. Os circuitos estão cheios de rampas malucas e enquanto estamos no ar a descrever a nossa parábola do salto, temos de ter em conta a maneira em como “caímos” no solo, podendo controlar a inclinação da nossa moto. Cair de cabeça numa rampa nunca é boa ideia, ou cair a fazer um cavalinho numa descida íngreme também não é propriamente um bom plano. Depois podemos (e devemos!) também acelerar like a boss ao longo do circuito, seja para ganhar lanço nalguns saltos mais exigentes, ou recuperar após uma queda. Mas também não podemos exagerar na coisa, pois corremos o risco do motor sobreaquecer, perdendo depois alguns segundos preciosos. E quando corremos contra outros oponentes? Podemos deitá-los abaixo ao reduzir a velocidade e esperar que eles batam contra nós, mas por outro lado, em especial nos últimos circuitos em que temos tempos mais apertados para bater, vamos estar mais preocupados em acelerar do que outra coisa, e depois quem acaba por capotar somos nós. Mas faz parte da magia deste Excitebike!

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Alguns saltos são mais chatinhos e requerem que demos um boost inicial na velocidade

Visualmente é um jogo muito simples, afinal de contas até pertence ao primeiro período de vida da consola, com a versão japonesa do jogo a chegar ao mercado em 1984, um ano depois do lançamento da consola nesse mercado. Contem então com visuais muito repetitivos, onde as únicas coisas que mudam são as palette swaps, indicando a mudança da altura do dia. Tudo o resto é super simples, e mesmo tendo alguns problemas técnicos quando corremos contra outros oponentes, não lhe retira nenhum divertimento. As melodias também são curtinhas e apesar de não serem tão memoráveis como muitos outros jogos da Nintendo daquela época, cumprem bem o seu papel.

De resto bem sei que hoje em dia coleccionar NES é um desporto para elites, mas considero este um dos jogos indispensáveis da consola, se bem que o que não lhe faltam são jogos indispensáveis. Como tal, se o virem por aí perdido baratinho, mesmo que seja só o cartucho, aproveitem e levem-no. Se forem como eu, já o conhecem bem de tanto famiclone que se viu (e vê) e os seus cartuchos com 9999999 jogos, portanto já sabem o que vos espera.

Bugs Bunny Blowout (Nintendo Entertainment System)

Bugs Bunny BlowoutVamos agora para uma rapidinha da NES, para uma análise e um jogo de plataformas que tem o Bugs Bunny como protagonista. E este é daqueles jogos que apesar de ter um vídeo do AVGNa falar mal dele como lixo, nem o acho assim tão mau de todo, é apenas um simples jogo de plataformas. E este cartucho foi comprado na cash converters de Alfragide algures durante o mês passado por 8€. Foi uma compra de impulso, pois não costumo dar tanto dinheiro por um cartucho apenas.

The Bugs Bunny Blowout
Jogo, apenas cartucho

A história é simples, este é um jogo comemorativo dos 50 anos de Bugs Bunny e tal é reflectido na sua história. Bugs foi convidado para a sua festa de 50 anos e todo contente põe-se a caminho (tendo de atravessar florestas, desertos, selvas ou cavernas – eu chamava um táxi). No entanto os seus “amigos” dos Looney Tunes roem-se de inveja por ficarem constantemente em segundo plano e então vão fazer de tudo para que Bugs não chegue à sua festa. Sim, os bosses serão outras personagens do universo Looney Tunes, mesmo que não sejam propriamente vilões, como o Tweety ou Daffy Duck.

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No início e final do jogo temos uma pequena “cutscene” que mostra a história do jogo

O jogo está dividido em 6 zonas distintas, com 4 níveis em cada. Na maior parte dos níveis vamos ter bosses no final, sendo que alguns se repetem, como o Daffy Duck, Tweety ou o caçador que agora não me recordo o nome. No caso do Daffy Duck o objectivo nem é derrotá-lo, mas sim evitá-lo e alcançar a cenoura gigante para avançar no nível. As mecânicas de jogo são as típicas de um jogo de plataformas: um botão para saltar, outro para atacar. Bugs Bunny possui um martelo gigante com que pode atacar os inimigos, mas quando sofre dano “vê estrelas” e deixa de o poder usar temporariamente. Temos também um sistema de dano na forma de pequenos corações. Começamos inicialmente com 2 e podemos incrementar para 3, sendo que perdemos uma vida se os gastarmos a todos. Os items coleccionáveis são pequenos quadradinhos com cenouras que, após serem coleccionados tornam-se em plataformas físicas que poderão até ser bastante úteis. As cenouras que vamos apanhando podem depois ser usadas nos níveis de bónus. O primeiro é uma mistura de “4 em linha” com bingo, na medida em que nos vão sendo sorteados 5 números e se conseguirmos fazer linhas de 3, 4 ou 5 números ganhamos várias vidas. No final de cada zona, o nível de bónus que vemos é uma espécie de “whac-a-mole“, onde temos de acertar com um martelo em várias toupeiras durante um intervalo de tempo, podendo também ganhar várias vidas se a nossa performance for boa. De resto convém também referir a “inspiração” que foram buscar a Mario, com a possibilidade de descer vários “canos” disfarçados de tocas, chaminés, potes ou troncos de árvores, dependendo da zona em questão.

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As cenoras podem ser coleccionadas, transformando-se depois em plataformas físicas com o símbolo da Warner Brothers

Graficamente é um jogo competente, com todas as zonas a terem um nível de detalhe aceitável e um esquema de cores competente tendo em conta à fraca palete de cores disponíveis no sistema. Tirando um ou outro slowdown visto em zonas com imensos inimigos, tudo o resto corre normalmente. Os efeitos sonoros não são nada do outro mundo mas cumprem o seu papel. Posso dizer o mesmo das músicas, mas eu adoro o chip de som da NES e mesmo não havendo nenhuma música memorável, são sempre agradáveis ao ouvido.

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Alguns blocos são mais frágeis e podem ser destruidos

No fim de contas considero este um jogo sólido de plataformas. Não é perfeito, nem por sombras. O facto de não podermos usar o martelo quando estamos atordoados pode ser um ponto negativo, ou mesmo alguns inimigos como as bombas relógio serem chatinhas. Mas não é de todo um jogo assim tão mau como o AVGN o pintou. Gosto dos vídeos dele, mas acho que neste jogo ele falhou redondamente o alvo.

Super Mario Bros. Deluxe (Nintendo Gameboy Color)

Super Mario Bros DeluxeApós ter escrito uma análise ao enorme clássico que é o Super Mario Bros para a NES, resta-me agora escrever uma rapidinha a este Super Mario Bros. Deluxe, que para além de ser uma conversão/remake do jogo original, acrescenta também inúmeras coisas novas, sendo aí que me irei focar para este artigo. Assim sendo, recomendo que seja dada uma leitura ao artigo anterior. E este jogo foi comprado algures em Julho deste ano na Porto Alternativo da Maia. Foi uma compra de impulso, pois ficou-me a 5€, mesmo sendo apenas o cartucho.

Super Mario Bros Deluxe - Nintendo Gameboy Color
Jogo, apenas cartucho

Quando ligamos a nossa Gameboy pela primeira vez com este cartucho, uma das opções que nos salta logo à vista é o “original 1985”. E apesar de ser uma réplica quase idêntica ao jogo original, não o é, apresentando pela primeira vez um overworld onde podemos ver o nosso progresso ao longo do mundo tal como o Super Mario World, alguns glitches foram corrigidos, novas animações introduzidas e temos agora a opção de fazer save-game. Para além disso temos também outros modos de jogo como o versus para multiplayer com o link cable, onde podemos competir contra um amigo a ver quem chega primeiro ao final do nível. Outros modos de jogo vão sendo desbloqueados à medida que vamos obtendo pontos no original de 1985. Aos 100 000 pontos desbloqueamos o You vs Boo, um modo de jogo semelhante ao versus, porém com um Boo como oponente de respeito, visto ele conseguir atravessar obstáculos sem qualquer problema. Mas aos 300 000 pontos desbloqueamos o “Super Mario Bros. for Super Players“, uma versão  algo modificada do The Lost Levels, a verdadeira sequela do jogo original que se ficou pelo Japão, até ao seu lançamento na compilação Super Mario All-Stars na SNES.

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Estes são os modos de jogo que dispomos inicialmente

Mas as coisas não se ficam por aqui, existindo vários outros extras como a combatibilidade com a Gameboy Printer, uma agenda do Mario ou o espectacular Challenge Mode. Aqui temos de cumprir vários desafios em todos os níveis do jogo original, seja procurar 8 red coins, ou um yoshi egg, muito bem escondido num bloco invisível ou ter o máximo de pontuação num determinado nível. Para além disso o jogo tem o seu próprio sistema de achievements muito antes de eles se terem tornado populares há alguns anos atrás. Aqui eles chamam-se de “Awards” e tanto abrangem coisas simples como apanhar um cogumelo de “1UP” como coisas mais complicadas como completar os vários Challenge modes por completo. Como vêm, este jogo traz imensos extras e eu nem os referi a todos.

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O modo challenge é de facto bastante desafiante.

No que diz respeito aos audiovisuais a Nintendo optou por mantê-los semelhantes ao original da NES, embora o tamanho de ecrã da Gameboy seja menor. Mas para compensar podemos ir para trás um pouquinho, talvez para compensar a diferença de resolução entre versões. De resto, tal como já referi atrás, modificaram algumas sprites e animações como a lava que é agora animada. As músicas são as clássicas de sempre não há nada a apontar aqui.

Concluindo, este é um óptimo exemplo de como um remake ou conversão “generosa” deve ser abordado, nada como vemos actualmente nas HD editions que pouco mais trazem que um upscale ligeiro aos seus visuais. Vale bem a pena a sua compra, e se o encontrarem completo ainda melhor.

Super Mario Bros. (Nintendo Entertainment System)

Super Mario Bros

EDIT: originalmente publicado no dia 30 de Julho de 2014, editado no dia 30 de Setembro do mesmo ano. A razão é porque arranjei uma nova versão deste jogo com caixa, substituindo assim a cópia em cartucho que tinha anteriormente.

O artigo de hoje será novamente curtinho, apesar de ser sobre um dos melhores videojogos de todos os tempos e cujo lançamento mudou por completo toda a indústria, colocando a Nintendo no lugar de topo do mercado dos videjogos da segunda metade da década de 80 e lançando definitivamente a popularidade dos videojogos de plataforma. Já muito se falou e escreveu sobre este magnífico jogo que sinto que não terei nada a acrescentar. No entanto, este nem foi o primeiro videojogo em que colocaram a mascote da Nintendo como personagem jogável. Essa honra vai para o Donkey Kong e porque não o Mario Bros, onde com Mario e Luigi já andávamos a combater contra uma série de koopas, embora ainda sem grande motivo. Mas em 1985 com Super Marios Bros. tudo mudou. Um jogo excelente em absolutamente todos os aspectos, seja no level design, gráficos e música, SMB foi um jogo realmente muito bom. E a minha cópia foi-me orientada por um antigo colega de trabalho, em caixa, por 10€.

Super Mario Bros. NES
Jogo em caixa. A sleeve de plástico ficou lá dentro esquecida na altura da foto.

A história de Super Mario Bros é simples e é uma fórmula que tem sido utilizada pela série até aos dias de hoje: A princesa Toadstool (mais tarde chamada de Peach) do Mushroom Kingdom foi raptada pelo malvado Bowser e cabe a Mario (e o seu irmão Luigi) atravessar todo o Mushroom Kingdom até a salvarem. E embora este jogo tenha um número limitado de cores ou mesmo sprites, os níveis acabam por ser bastante variados. O jogo está dividido em 3 níveis mais um castelo final por zona, em cada zona temos níveis ao ar livre, outros subterrâneos, debaixo de água ou mesmo nos céus. E mesmo de mundo para mundo vamos vendo pequenas alterações no background (como a altura do dia), nos inimigos que nos perseguem e no grau de dificuldade que vai sendo progressivamente maior. Apesar de apenas podermos andar da esquerda para a direita (neste jogo o side scrolling ainda só funciona numa direcção), o jogo está repleto de segredos para serem descobertos, como passagens secretas, truques de vidas infinitas ou mesmo acesso a portais que nos teletransportam para outras zonas mais avançadas do jogo (ou o infame world -1), e até aos dias de hoje poucos são os jogos que tenham sido tão escavacados pelos fãs como este Super Mario Bros.

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No final de alguns níveis podemos saltar nestes flagpoles. Quanto mais alto saltarmos, melhor a pontuação.

De resto, para quem tenha vivido numa rocha ao longo de quase 30 anos, as mecânicas de Super Mario Bros são simples. Mario começa o jogo pequenino e se apanharmos um cogumelo laranja (não confundir com os Goombas!) duplicamos de tamanho. Enquanto Mario grande, podemos ser atingidos 1 vez antes de perder uma vida. Depois de mario estar grande podemos também apanhar uma flor brilhante que nos transforma em Super Mario, com Mario a lançar bolas de fogo como ataque de longo alcance. Muitos inimigos podem ser derrotados ao saltar em cima deles, mas outros apenas podem ser derrotados após Mario se transformar em super. Outro powerup de destaque é a estrela colorida, que nos deixa temporariamente invencíveis. Também há inimigos que apenas desta forma conseguem ser derrotados. Para além do mais existem espalhadas por todos os níveis imensas moedinhas que podem ser coleccionadas e para cada 100 que apanhemos, ganhamos uma vida. Ao longo do jogo vemos também várias caixas com um ponto de interrogação. Ao mandar uma cabeçada nelas é que vemos o seu conteúdo, sejam moedas, ou algum dos powerups já referidos. Muitos dos outros blocos podem ser destruídos logo que não estejamos com o tamanho pequeno e muitos outros são até invisíveis, mais uma razão pela qual este é um jogo repleto de segredos. No geral, a sua jogabilidade é excelente e se perdemos várias vidas ao longo do jogo, a culpa é inteiramente nossa pois os controlos estão no ponto. A inércia dos saltos de Mario é perfeita e ainda nos dias de hoje existem muitos jogos de plataforma que não conseguiram fazer saltos tão bons e precisos como os de Mario e companhia. A companhia é o seu irmão Luigi na vertente multiplayer do jogo. Luigi aqui ainda é apenas uma palette swap de Mario e os dois jogadores vão jogando alternadamente, sempre que o anterior perca uma vida. Por fim, no final de cada zona temos também um boss para derrotar, algo que se tornou também num lugar comum em qualquer jogo de plataforma que lhe tenha seguido.

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O contraste do primeiro para o segundo nível é gritante

Graficamente é um jogo simples, visto ainda ter saído no início de vida da consola, no entanto já era um salto de qualidade bem considerável ao comparar com os primeiros jogos da Famicom – as conversões de Donkey Kong. O efeito de sidescrolling é muito suave, e todos os cenários, objectos e inimigos possuem o seu charme, como nuvens com smileys, os inimigos de olhos esbugalhados e mesmo o facto de as nuvem serem a mesma sprite da erva no background, são coisas que ficam. É certo que não é um jogo tão detalhado como Super Mario Bros 3 na mesma plataforma, mas é inegável a sua qualidade perante os padrões de 1985. Os efeitos sonoros e músicas estão até hoje gravados na minha memória e dificilmente haverá músicas de videojogos mais populares que estas.

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A menos que apanhemos alguns dos já referidos atalhos, esta será uma mensagem que veremos muitas vezes

Resumindo e repetindo, a menos que tenham vivido debaixo de uma rocha sem qualquer contacto com a civilização humana nos últimos 30 anos, seria a única desculpa aceitável por não terem jogado uma vez sequer este jogo. Mesmo que não tenham uma NES, ou uma famiclone vendida ao preço da chuva em qualquer romaria ou loja de chineses por esse país fora, o que não faltam são conversões ou mesmo lançamentos digitais nas virtual console ou eshop de consolas mais recentes da Nintendo.

Isolated Warrior (Nintendo Entertainment System)

Isolated WarriorBenvindos à primeira análise de um jogo de NES neste blogue. Isolated Warrior é um jogo que comprei “porque sim” e sinceramente nunca tinha ouvido falar sequer que o dito existia. E por mais deprimente que seja, este Isolated Warrior é para já o meu único jogo de NES, pelo que tão cedo não teremos outro artigo. O jogo entrou na minha colecção no ano passado, tendo vindo num pequeno bundle que comprei, com o Virtua Cop 2 da Saturn mais a sua lightgun. Dividindo as contas, ficou-me por 5€, sendo apenas o cartucho. E devo dizer que o jogo me impressionou bastante pela positiva!

Isolated Warrior - Nintendo Entertainment System
Jogo, apenas cartucho

Vindo das empresas obscuras KID e VAP, este jogo é um shooter futurista com uma perspectiva isométrica, algo como o clássico Zaxxon da Sega, no início da década de 80. Para além de shooter, tem também ligeiros elementos de platforming, na medida em que dispomos de um botão para saltar. E a história de Isolated Warrior é simples: no futuro, algures num planeta habitado por humanos, vê-se invadido por uma raça alienígena que dizimou bastante a população desse planeta. Os esforços militares não resultaram, mas nada que fizesse desmotivar Max Maveric, o top shot lá do sítio, lançando-se sozinho num combate para libertar o planeta do domínio extraterreste. É preciso mais?

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Ao longo do jogo teremos direito a pequenas cutscenes que nos vão contando a história

Inicialmente começamos o jogo nas ruas do planeta Pan, com Max a andar a pé e disparar sobre tudo o que mexe. Dispomos de 2 armas principais, uns projécteis lineares que disparam directamente para a frente, ou uns projécteis mais fracos, mas que alcançam uma área maior. Podemos alternar livremente entre as duas armas ao carregar no botão select. Também como é habitual temos uma arma especial de munição limitada, nomeadamente umas bombas que causam dano forte sobre uma área maior. Depois temos uma barra de energia que teremos de ter cuidado para que não se esvazie e nos faça perder uma vida. Ao longo do jogo veremos imensos power-ups, onde para além de items que nos regenerem a vida, aumentem a nossa agilidade, ou restabeleçam algumas dessas bombas especiais, temos também powerups que dão um dano maior nas nossas armas principais, tal como é feito nos Gradius. Só que se perdemos uma vida, lá se vão os powerups nas armas e teremos de começar de novo com os tiros fracos. Isso é mais preocupante nos combates com os bosses, que existem sempre no final de cada nível, ou ocasionalmente até nos mid-bosses que teremos em alguns mísseis.

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Em algumas secções do jogo, como esta, o facto de podermos saltar será posto à prova

Um outro item é um escudo que nos protege até termos sido atingidos por 5 projécteis. O facto de termos um botão para saltar também adiciona alguns elementos de estratégia. Podemos saltar por cima de alguns inimigos e os seus projécteis, embora por vezes seja algo complicado distinguir entre inimigos terrestres e aéreos. Os aéreos têm sempre uma sombra por baixo, mas por vezes no meio de toda a confusão torna-se difícil de os distinguir. O facto de podermos saltar inclui também alguns elementos de platforming, onde por vezes teremos de saltar sobre abismos ou sobre solos que nos causam dano. Inicialmente no primeiro nível andamos a pé, mas no segundo usamos um jetpack enquanto sobrevoamos um rio. Por vezes teremos essa benesse de usar um veículo que voa, então os elementos de platforming perdem a sua razão de ser, no entanto podemos sempre usar os saltos para nos esquivarmos dos inimigos na mesma. Um dos outros veículos que usamos é uma moto bastante veloz, onde teremos de percorrer um nível a alta velocidade, numa estrada repleta de abismos sem fundo, onde para além de todos os inimigos teremos de ter um cuidado muito especial com o que nos rodeia.

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Alguns boss estão muito bem detalhados como este, embora para isso se sacrifiquem os backgrounds. Mas tal será explicado na cutscene seguinte…

Graficamente é um jogo interessante, pelo menos considerando as capacidades da NES sem o uso de nenhum chip adicional. Temos diversos cenários com um nível considerável de detalhe, desde as tais ruas em ruínas, o rio, ou os desfiladeiros já falados, mas também a estação espacial dos aliens são alguns dos cenários que teremos de atravessar. Inicialmente dispomos de 6 níveis, mas se os conseguirmos completar a todos sem perder nenhuma vida, desbloqueamos o sétimo e último nível, onde teremos pela frente o verdadeiro boss final e também o final real do jogo. Geralmente no fim de cada nível temos também direito a umas pequenas “cutscenes” – são pequenas mesmo, nada ao nível dos Ninja Gaidens, mas que ao mesmo tempo vão sendo úteis para nos contextualizar com a história. Passando para os efeitos sonoros e música, os primeiros são OK, e a música, bom, se há algo que eu realmente gosto na NES é o seu chip de som, responsável por nos ter dado a conhecer imensas músicas que se tornaram autênticos hinos desta indústria. E por incrível que pareça num jogo tão obscuro como este, Isolated Warrior tem uma banda sonora excelente.

No fim de contas devo dizer que este foi um jogo que me impressionou bastante, sendo muito provavelmente uma hidden gem do catálogo de shooters da NES, pela sua jogabilidade interessante, um bom pacing de jogo com muita acção, visuais decentes e uma excelente banda sonora. Recomendo a todos os fãs de shooters.