World Class Baseball (Turbografx-16)

Vamos continuar pela Turbografx-16, mas agora para uma super rapidinha a um jogo que comprei mesmo só por puro coleccionismo. Encontrar jogos de Turbografx-16 não é tarefa fácil, pelo que quando consigo apanhar algum a um preço convidativo geralmente não escapa, mesmo que seja um jogo de baseball, o que é o caso. Mas por menos de 15€, super completo com a sleeve exterior de cartão, porque não?

Jogo com caixa exterior de cartão, jewel case, manual embutido na capa e livrete de estatísticas para os jogadores das equipas aqui representadas

Para quem estiver habituado a comprar jogos de PC-Engine, este World Class Baseball corresponde ao primeiro Power League em solo nipónico. A série “power” de jogos de desporto foram produzidos e/ou publicados pela própria Hudson e em particular os Power League foram especialmente bem sucedidos no Japão. Isto porque contaram com inúmeras sequelas lançadas ao longo dos anos, inicialmente para a PC-Engine, posteriormente para outros sistemas também como a Super Famicom ou outros.

Dispomos de 12 equipas jogáveis, todas fictícias, no entanto deram-se ao trabalho de produzir estatísticas para cada um dos seus jogadores

Aqui dispomos de vários modos de jogo. O versus corresponde ao multiplayer onde 2 equipas podem jogar entre si, já o Open Mode permite-nos também jogar uma partida rápida, mas contra o CPU. O Pennant é um modo campeonato onde teremos de defrontar todas as outras equipas. Para quem não tiver nada mais interessante para fazer (tipo observar relva a crescer) pode sempre explorar o watch mode, onde vemos o CPU a jogar entre si. Por fim temos o edit mode que nos permite fazer algumas customizações às equipas. Pena é que eu continue sem entender muito bem o que estou a fazer neste tipo de jogos!

Podemos posicionar o batedor livremente dentro da sua área e com o uso do d-pad também poderemos influenciar o tipo de tacada

Graficamente é um jogo simples. As sprites tentam ser um pouco realistas, pelo menos para os padrões de 1988/1989. A acompanhar a acção temos alguns efeitos sonoros genéricos e também algumas vozes digitalizadas que sinalizam termos simples como safe, out ou home run. Mas estas vozes têm uma qualidade muito baixa e home run soa a homo o que até se torna um pouco engraçado. Felizmente as músicas são agradáveis e um detalhe que reparei é que, quando um jogador está na segunda ou terceira base, a música muda para outra bem mais tensa o que até resulta bem.

Portanto temos aqui um jogo de baseball aparentemente simples e que pelos vistos é o único título deste desporto que chegou à Turbografx-16. Eu sei a plataforma teve pouco sucesso comercial nesse continente, mas visto que, para o bem ou para o mal, ainda foram sendo lançados alguns jogos em solo americano até 1993 (pelo menos no formato HuCard, em CD ainda houve um ou outro lançamento em 1994), é de estranhar que ninguém se deu ao trabalho de lançar nenhum dos muitos Power Leagues que foram entretanto saindo no Japão.

Splatterhouse (Turbografx-16)

Produzido pela Namco, originalmente para as arcades em 1988, Splatterhouse é um beat ‘em up simples nas suas mecânicas de jogo, porém a sua estética de filmes de terror, aliadas à sua extrema violência e gore foi sem dúvida o que mais chamou à atenção. Em 1990 sai uma conversão para a PC-Engine / Turbografx-16, sendo esta última a versão que tenho na coleção. Infelizmente não é um jogo barato e o meu exemplar custou cerca de 80€ a um particular a quem comprei um lote considerável de bons jogos algures em Março passado.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Confesso que nunca entendi bem a história por detrás deste jogo, mas o que interessa reter é que somos um gajo corpulento, equipado com uma máscara aparentemente amaldiçoada e temos de atravessar uma mansão repleta de diversos monstros e outras criaturas paranormais. O objectivo é o de resgatar a nossa suposta namorada e derrotar a criatura demoníaca que estará por detrás de toda esta confusão.

A jogabilidade até pode ser simples, mas os cenários e criaturas grotescas chamaram mesmo à atenção

A jogabilidade é simples. Pensem neste Splatterhouse como um beat ‘em up à antiga, onde apenas poderíamo-nos mover para a esquerda ou direita e com controlos muito simples: um botão para saltar e outro para atacar. A nossa personagem não é nada ágil, pelo que os saltos nunca serão muito altos nem longos, embora por vezes seja necessário fazê-los. Tal como em beat ‘em ups mais tradicionais poderemos encontrar várias armas no chão, como barrotes de madeira, cutelos, uma caçadeira, ou outras armas de uso único como facas ou pedras que poderão ser arremessadas. O que faz mesmo a diferença é mesmo toda a violência e gore. Quando acertamos em algum monstro com o barrote ele é projectado para a parede e desfaz-se numa poça de sangue e carne, quanto os atacamos com o cutelo partem-se em dois e por aí fora.

Usar um barrote para estatelar os monstros na parede foi sempre muito satisfatório!

O que nos leva a falar invariavelmente dos gráficos. É um jogo extremamente violento e repleto de criaturas bizarras e desconcertantes, como um feto deformado rastejante, ou um boss que é um crucifixo invertido rodeado por cabeças sangrentas e deformadas. Bom, pelo menos na versão japonesa que esta norte-americana foi ligeiramente censurada: todos os crucifixos e outras referências religiosas (como um altar de igreja) foram removidas, mas toda a outra violência mantém-se intacta. Outra das diferenças entre as versões japonesa e norte-americana está na cor e formato da máscara de Rick, que é vermelha na versão TG16. Essa é uma decisão que se compreende pois a máscara original é muito semelhante à do Jason dos filmes Sexta-Feira 13. Ainda assim, independentemente das diferenças regionais, o lançamento original arcade consegue ser ainda mais grotesco! De resto a banda sonora também vai sendo algo variada entre si e com algumas músicas bem agradáveis.

Alguns inimigos possuem designs fantásticos!

Portanto este Splatterhouse é um clássico. É, na sua essência um beat ‘em up algo primitivo na medida em que jogamos num único plano e onde teremos de memorizar o surgimento dos inimigos e seus padrões de ataque para melhor sobreviver. Mas toda a estética de terror, violência e gore acabam mesmo por fazer a diferença! A série recebeu durante os anos 90 mais alguns lançamentos a começar por um spin off para a NES/Famicom que se ficou apenas no Japão e mais duas sequelas que se tornaram exclusivas da Mega Drive, embora a última, infelizmente, não tenha saído em solo europeu. Em 2010, para as PS360, sai um reboot que sinceramente nunca joguei mas a crítica não foi muito boa.

Break In (PC Engine)

Após uma semana muito intensa de trabalho, é tempo para mais uma rapidinha e vamos ficar com mais um daqueles jogos de PC Engine que arranjei ao desbarato num lote considerável que importei do Japão algures no passado Dezembro de 2021. Foram 15 jogos que ficaram um pouco abaixo dos 5€, já depois das despesas de portes e alfândegas. Naturalmente a esmagadora maioria eram títulos de desporto e este é um jogo de bilhar. Apesar de ser um lançamento exclusivo japonês, curiosamente é um jogo que está 100% em inglês.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Vamos começar pelo início. Logo no ecrã título temos 3 opções para escolher: Simulation, Action ou Technique. As duas primeiras são idênticas no que oferecem: primeiro deveremos escolher qual das 6 diferentes modalidades de bilhar queremos jogar (a que nós portugueses mais conhecemos é a 8 ball) e depois somos levados a um menu adicional onde poderemos escolher entre “Play”, “With Coach” ou “Challenge”. As duas primeiras opções são uma vez mais similares entre si e levam-nos a partidas individuais, onde poderemos escolher se queremos jogar partidas de 1 contra 1, ou 2 contra 2, onde tanto num caso como noutro poderemos escolher entre oponentes controlados por CPU ou multiplayer com amigos. Outras modalidades poderão no entanto ter diferentes configurações, como 3 ou 4 jogadores a competir entre si, por exemplo. A diferença entre o “Play” ou o “With Coach” é que neste último caso podemos pedir a ajuda de um treinador, que nos irá dar a sua opinião sobre qual poderá ser a nossa próxima jogada. O Challenge é um modo história para um jogador, que é idêntico independentemente da modalidade seleccionada. Basicamente o jogo decorre a bordo de um navio algures em 1954. Nós somos um passageiro clandestino, somos apanhados e a única maneira de sermos perdoados é vencer 14 oponentes na modalidade de bilhar que escolhemos inicialmente. Não estou a brincar, o jogo está todo em inglês e é mesmo isso!

Tanto no modo Simulation como Action, podemos escolher uma de entre 6 modalidades diferentes. O 8 ball é a mais conhecida, pelo menos entre nós.

Mas voltando ao início, a diferença entre Simulation ou Action aparenta, tal como o nome indica, um dos modos ser mais realista e outro mais arcade. Mas confesso que saltei logo para o action e não perdi muito tempo com o primeiro! O último modo de jogo, o tal Technique, está ainda subdividido em três categorias: Pocket, Carom e Fancy Shot. Todos estes modos de jogo são desafios onde vemos o CPU a fazer uma tacada específica e temos de fazer o mesmo. Na verdade até acaba por ser um bom modo de treino dessa forma. Mas vamos à jogabilidade em si. Sempre que é a nossa vez de jogar começamos pela fase de “Set the image ball“. Esta é uma bola transparente que poderemos mover livremente pela mesa e acaba na verdade por definir a direcção da nossa tacada. Em seguida vemos as opções Ok, Adjust ou Detail. A segunda deixa-nos fazer alguma “sintonia fina” da posição da tal bola de referência, mas pressionando em Ok leva-nos para a fase seguinte, onde poderemos definir a àrea da bola branca que queremos atacar e em seguida a potência da tacada. Tirando a opção “detail” que sinceramente não entendi muito bem qual o seu propósito, as mecânicas de jogo e seus controlos são bastante simples.

Sim, há aqui um modo história. E está em inglês!

Graficamente é também um jogo muitíssimo simples, pois temos uma mesa de bilhar e algumas pequenas animações de cada um dos diferentes jogadores prédefinidos com os quais iremos interagir. A física das bolas parece ser decente tendo em conta que é um jogo de PC Engine de 1989, excepto no breaking shot (a tacada de abertura) ou simplesmente quando há muitas bolas a baterem umas nas outras. Aí o comportamento das bolas já fica muito estranho. A banda sonora é toda jazz, e, embora as músicas sejam agradáveis e até hajam várias músicas diferentes, as mesmas vão sendo repetidas até à exaustão mediante o modo de jogo escolhido. Pelo menos foi o que aconteceu no modo história!

Graficamente é um jogo simples mas eficaz

Portanto, este até que é um jogo que parece ser bem sólido para quem for fã do género, ao incluir múltiplas modalidades distintas e diferentes modos de jogo, incluindo multiplayer. Mesmo para quem não for um fã muito acérrimo de bilhar, dá bem para entreter por umas poucas horas. O meu eu de 12 anos que o diga, pois adorava o Lunar Ball da NES/Famicom!

Naxat Stadium (PC-Engine)

Vamos voltar às rapidinhas da PC-Engine com mais um jogo de desporto, desta vez o Naxat Stadium da própria Naxat, lançado originalmente em 1990. Ora, apesar de já entender um pouco melhor como se joga este desporto, eu continuo a não ser fã de baseball, daí o motivo deste artigo ser extremamente curto. O meu exemplar foi comprado algures em Dezembro do ano passado, veio em conjunto com uma PC-Engine Coregrafx completa em caixa que importei directamente do Japão.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora dispomos aqui de vários modos de jogo, incluindo partidas rápidas para 1 ou 2 jogadores, bem como o Pennant Mode que presumo que seja uma espécie de campeonato. Temos também o watch mode onde, tal como o seu nome indica, vamos poder observar 2 equipas controladas pelo CPU a jogarem entre si, algo que é tão divertido como ver a relva a crescer no jardim. Por fim temos também o edit mode, onde poderemos editar as equipas disponíveis, algo que não me atrevi de todo a fazer. As equipas por si parecem-me fictícias, mas não sei se serão inspiradas em equipas reais do campeonato nipónico.

O jogo possui algumas animações engraçadas que lhe dão um aspecto mais de desenho animado, o que a meu ver resulta bem em jogos de desporto desta geração

Já a jogabilidade até que me parece sólida, tendo em conta que estamos a abordar um jogo de uma consola da era das 16-bit. Não esperem por um simulador, e ainda bem! Isto porque os jogadores vão tendo um aspecto algo caricaturizado em certas situações. Por exemplo, sempre que algum jogador seja “apanhado” fora de uma base, é substituído por uma animação de um anjo a ascender ao céu. Ou quando um dos jogadores apanha com uma bola em cima, fica com uma careta que expressa dor, por exemplo. Tudo isto dá ao jogo um certo charme que acaba por resultar bem em consolas das gerações das máquinas 8 e 16bit.

Tal como é habitual em jogos deste tipo, quando nos preparamos para fazer um lançamento, temos também uma perspectiva das bases que estão actualmente ocupadas por membros da equipa atacante

A nível audiovisual é um jogo simples, mas cujos gráficos ganham precisamente com esse aspecto mais de desenho animado que referi acima. Durante o lançamento temos um ângulo próximo da acção que destaca quem vai tentar acertar com o taco na bola, podendo inclusivamente ajustar a sua posição e, uma vez acertando na bola, a câmara transita para uma perspectiva mais abrangente do campo em si. As músicas vão sendo algo variadas. Durante as partidas vamos ouvindo temas que soam um pouco a fanfarra, típicas de jogos deste desporto, já nos menus e afins vamos ouvindo outras músicas mais enérgicas, se bem que curtas. Temos também algumas vozes digitalizadas como strike, out ou foul.

Portanto este Naxat Stadium parece ser um jogo sólido e divertido de baseball, mas como eu não sou fã do desporto e ainda não entendo muitas das suas particularidades, também não consegui tirar grande prazer de o jogar.

Winning Shot (PC-Engine)

Voltando à PC Engine e às rapidinhas a jogos de desporto, tempo agora de visitar este Winning Shot da Data East que é nada mais nada menos do que mais um jogo de golfe. Tal como os outros jogos de desporto que cá trouxe recentemente da PC-Engine, este veio de um bundle grandinho que importei directamente do japão, tendo-me ficado a menos de 5€ por jogo, já a contar com despesas de portes e alfândega.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora e este é um jogo de golfe muito simples, sempre com uma perspectiva vista de cima. Temos 3 modos de jogo, o Stroke, Match e Tournament. O primeiro leva-nos a jogar em 18 buracos onde o objectivo é o de terminar cada buraco com o menor número de tacadas. O Match pareceu-me ser um modo de jogo mais competitivo, buraco a buraco. Por fim temos o Tournament, que nos leva a percorrer os 18 buracos em 4 dias, com supostos prémios monetários envolvidos. Todos estes modos de jogo suportam multiplayer com um máximo de 6 jogadores, embora eu não o tenha experimentado.

Temos 6 golfistas que poderemos representar, cada um com diferentes características

Uma vez seleccionado o modo de jogo e qual jogador queremos representar (que por sua vez presumo que cada tenha características distintas), lá somos levados à área de jogo. Tal como referi esta é sempre apresentada numa perspectiva vista de cima e a jogabilidade é também simples. No ecrã, para além de um mapa em miniatura do circuito em questão, temos sempre informações como a direcção e intensidade do vento, a distância do buraco, ou o par de referência. Com essas informações em conta, poderemos também seleccionar qual o taco a usar, a zona da bola que queremos atingir, bem como a direcção da tacada. Uma vez definido tudo isso lá teremos aquela típica barra de energia dos jogos de golf, mas que aparece aqui de uma forma bastante simplificada, pois apenas nos temos de preocupar com a potência da tacada. A selecção do taco também me pareceu automática, embora nós possamos sempre mudar para um outro taco que achemos melhor e quando chegamos ao green, em vez da indicação do vento temos de ter em conta a indicação do declive do terreno. Mecânicas bastante simples, quando comparadas com muitos outros jogos do mesmo estilo.

Não sendo necessariamente um simulador, a interface é bastante intuitiva com toda a informação necessária bem visível

Visualmente é um jogo muito simples, onde os tons de verde são predominantes, existindo também os habituais pontos amarelos da areia e os azuis, alusivos a pequenos lagos ou cursos de água. São gráficos bastante simples, mas funcionais. As músicas não são nada de propriamente memoráveis, mas também não são desagradáveis. Um detalhe interessante é que a acção ocasionalmente vai sendo interrompida por uma espécie de emissão televisiva onde o seu apresentador vai dizendo coisas que estão inteiramente em Japonês logo não entendi nada, mas presumo que seja a comentar a nossa performance.

Ao contrário da maioria dos outros jogos de golfe da época, a barra de energia da tacada é interagida apenas uma vez para definir a potência

Portanto este Winning Shot é mais um dos vários jogos de golfe que chegaram até à PC-Engine/Turbografx-16. A sério, acho que só o baseball recebeu mais títulos! E apesar de este não ser um simulador, longe disso, até é bem mais simples que muitos outros jogos do género, não deixa de ser competente e até que dá para entreter para umas quantas partidas.