Astral Chain (Nintendo Switch)

Recentemente fui desafiado pelos meus colegas do podcast TheGamesTome a jogar este Astral Chain, um jogo produzido pela Platinum Games e exclusivo da Nintendo. É um interessante jogo de acção non-stop, como a Platinum bem sabe fazer, mas também toca em território não muito familiar para a empresa nipónica ao incorporar elementos de aventura. Como tem sido habitual sempre que cá trago algo no âmbito da rubrica Backlog Battlers, deixo-vos abaixo o vídeo desse episódio, onde me poderão ouvir a falar do jogo.

Astral Chain -nos a um futuro pós-apocalíptico, onde o que resta da humanidade vive numa ilha artificial que alberga a última cidade do planeta. Isto porque, anos antes, o mundo foi invadido pelos chimeras, criaturas de uma outra dimensão e invisíveis ao olho humano, que têm vindo a arrastar os humanos para o seu mundo. Estas incursões deixam também vestígios de red matter, uma substância interdimensional e tóxica que transforma os humanos expostos em aberrações monstruosas. Encarnamos num de dois irmãos gémeos, os mais recentes membros de uma força policial especialmente criada para lidar com esta ameaça. Para além de estarem munidos com um x-baton, uma arma tecnologicamente avançada que se transforma entre cacetete, arma de fogo ou lâmina gigante, a sua principal arma são os Legions, chimeras que foram aprisionadas, “domesticadas” e assignadas aos membros dessa unidade de elite, que as conseguem controlar sob uma trela etérea, daí o nome de Astral Chain.

Jogo com caixa. Comprado numa CeX algures em 2023 por 40€.

Tendo em conta que controlamos tanto os ataques da nossa personagem como os dos vários Legions aos quais iremos eventualmente ter acesso, Astral Chain segue um esquema de controlo algo fora do convencional, obrigando-nos a uma curva de aprendizagem considerável. Existe aqui uma clara aposta na coordenação constante entre duas entidades em simultâneo, o que inicialmente pode revelar-se confuso. No essencial, atacamos com a nossa personagem enquanto damos ordens ao Legion, alternando entre diferentes formas do x-baton e recorrendo a esquivas e lock-on para gerir o posicionamento em combate. No entanto, essa coordenação ganha uma camada adicional de complexidade quando passamos a controlar directamente o Legion, já que os analógicos trocam efectivamente de função: o esquerdo deixa de controlar a nossa personagem para passar a comandar o Legion, enquanto o direito abandona a câmara para controlar a própria personagem. Este detalhe, embora interessante do ponto de vista conceptual, pode gerar alguma confusão inicial e exige um período de adaptação considerável. A isto junta-se ainda um conjunto de menus rápidos e atalhos que, embora úteis, contribuem para alguma sobrecarga nas primeiras horas. Felizmente, com o tempo, os controlos começam a fazer sentido e tornam-se progressivamente mais naturais, recompensando o jogador que esteja disposto a investir algum tempo na sua aprendizagem.

O sistema de combate tem a sua elevada curva de aprendizagem, mas depois de encaixar torna-se fantástico!

É, no entanto, no combate que Astral Chain verdadeiramente brilha. O que começa por parecer um sistema algo caótico rapidamente se transforma numa dinâmica surpreendentemente fluida, quase como uma dança coreografada entre a nossa personagem e o Legion. A mecânica de Sync Attacks assume aqui um papel central, incentivando o jogador a manter-se atento ao ritmo da acção e a reagir no momento certo para desencadear golpes particularmente satisfatórios. À medida que desbloqueamos novos Legions e habilidades, as possibilidades expandem-se de forma significativa, permitindo abordagens distintas aos confrontos. Seja a controlar directamente o Legion, a posicioná-lo estrategicamente ou a combinar ataques em sequência, existe uma clara sensação de progressão e domínio. É precisamente quando todas estas peças começam a encaixar que o sistema de combate revela a sua verdadeira profundidade, tornando cada encontro intenso e altamente recompensador.

Com o botão + podemos activar o modo IRIS, onde os itens, objectivos e inimigos aparecem de forma salientada no ecrã

Mas nem só de combate vive este Astral Chain, já que a Platinum procurou também introduzir uma vertente de aventura e investigação policial. Ao longo dos vários capítulos teremos de entrevistar personagens e recolher pistas para compreender o que aconteceu em determinadas cenas de crime, recorrendo sempre às habilidades dos nossos Legions. Infelizmente, estes segmentos não são tão conseguidos quanto os de combate e, apesar de cada capítulo incluir dezenas de sidequests, sejam de combate ou exploração, nem todas conseguem manter o mesmo nível de interesse, seja por objectivos pouco apelativos, seja por quebrarem o ritmo de progressão. Ainda assim, não se pode dizer que seja um jogo curto: ao tentar completar grande parte do conteúdo opcional, demorei mais de 33 horas a terminá-lo.

Cada legion possui também diferentes habilidades que nos ajudarão na exploração do mundo

No que toca aos audiovisuais, Astral Chain é um jogo competente a todos os níveis. A estética anime resulta particularmente bem na Nintendo Switch, ajudando a disfarçar algumas das limitações técnicas do sistema, e devo dizer que fiquei fã do design dos Legions, dos inimigos e da própria interface. Existe também uma variedade considerável de cenários, ainda que maioritariamente urbanos ou situados na estranha dimensão dos chimeras. Ainda assim, nem tudo é perfeito, sendo possível notar algumas quebras ocasionais de framerate nos momentos mais intensos. Felizmente, nunca senti que essas oscilações comprometessem de forma significativa a experiência, embora seja curioso notar que, segundo quem já experimentou o jogo na Switch 2, isso já não aconteça. Já no que diz respeito ao som, destaco o voice acting, competente tanto na versão inglesa como na japonesa, e uma banda sonora excelente, que combina diferentes estilos mas se destaca sobretudo pelo efeito crescendo presente nas faixas mais rock e electrónicas, que acompanham na perfeição os momentos mais intensos da acção.

Em suma, apesar de os segmentos de aventura e investigação não serem tão bem conseguidos e da curva de aprendizagem elevada, o saldo final é bastante positivo. Assim que assimilamos o sistema de combate, Astral Chain revela-se uma experiência vibrante e repleta de momentos intensos, como a Platinum Games tão bem sabe proporcionar.

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Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

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