Voltando à Nintendo 3DS, foi agora a vez de jogar Yoshi’s New Island, lançado originalmente algures em 2014 nas diversas regiões. Trata-se de um jogo que segue as mecânicas base introduzidas em Yoshi’s Island: Super Mario World 2 e posteriormente expandidas na sua sequela directa, Yoshi’s Island DS. Curiosamente, tal como o seu antecessor da Nintendo DS, o desenvolvimento foi terceirizado para um estúdio relativamente recente, a Arzest, nascida das cinzas da Artoon, responsável também pelo predecessor. Já o meu exemplar, não consigo precisar quando o comprei. Recordo-me apenas de o ter adquirido selado, numa feira de velharias na zona Norte, por 7,5€. Tratavam-se de excedentes de stock do El Corte Inglés espanhol, não faço ideia como é que a senhora teve acesso a esse material, mas ao longo de alguns anos ainda lhe comprei vários jogos nessas condições.
A história decorre algures entre os eventos do Yoshi’s Island original e Yoshi’s Island DS. Os bebés Mario e Luigi estavam a ser transportados pela cegonha até aos seus pais, mas esta engana-se e acaba por deixá-los na casa errada. Ao aperceber-se do erro, tenta corrigir a situação, mas acaba por ser emboscada pelo feiticeiro Kamek, que consegue raptar Luigi. Já Mario cai numa ilha, onde reencontra o clã Yoshi, que uma vez mais se propõe a ajudá-lo a reunir-se com o seu irmão.

No que toca às mecânicas de jogo, estas mantêm-se muito próximas das do original da Super Nintendo. Sempre que Yoshi sofre dano, perde o bebé Mario, que fica a flutuar no ecrã, sendo necessário recuperá-lo rapidamente antes que seja levado por Kamek ou pelos seus minions. Yoshi pode continuar a engolir e cuspir inimigos, ou devorá-los para os transformar em ovos, que por sua vez podem ser atirados com controlo na trajectória, servindo tanto para atacar como para recolher itens fora de alcance ou resolver pequenos puzzles. A principal novidade está na introdução de inimigos gigantes que, ao serem devorados, produzem ovos igualmente gigantes. Estes permitem não só explorar zonas subaquáticas com maior precisão, como também, ao serem lançados, possuem um elevado poder destrutivo, sendo capazes de destruir partes do cenário e revelar passagens ou itens previamente inacessíveis, um efeito semelhante ao Mega Mushroom introduzido em New Super Mario Bros.

Tal como nos seus predecessores, os níveis oferecem bastante conteúdo para explorar, com passagens secundárias, segredos e diversos coleccionáveis. Estrelas, moedas vermelhas, flores sorridentes e medalhas douradas recompensam a exploração e, quando reunidos na totalidade, desbloqueiam níveis bónus, secretos ou especiais. Nestes últimos, Yoshi transforma-se em diferentes veículos, como carrinhos de mina, helicópteros, balões, submarinos, entre outros. É precisamente aqui que surge outra das principais novidades: o uso dos sensores de movimento da consola. Estes segmentos são controlados através da inclinação da Nintendo 3DS, algo de que, pessoalmente, não sou grande fã, já que nem sempre oferecem a melhor resposta. Outra diferença face ao seu predecessor directo da Nintendo DS prende-se com o uso dos ecrãs: apesar de a Nintendo 3DS possuir dois, apenas o ecrã superior é utilizado para a acção, enquanto o inferior serve para apresentar informação adicional, como o progresso nos coleccionáveis. Tal deve-se ao facto de apenas o ecrã superior permitir o uso do efeito 3D.

O que me leva a tocar nos audiovisuais desta entrada da série. O jogo tenta replicar o estilo visual inspirado em desenhos a lápis de cor introduzido pelos títulos anteriores. No entanto, a conjugação desse estilo com o efeito 3D não resulta particularmente bem. Com o 3D ligado, não senti o efeito de profundidade esperado. Já com o 3D desligado, a imagem acaba por parecer algo “deslavada”, sem o detalhe e a vivacidade que caracterizavam as versões da Super Nintendo e da Nintendo DS. O que é pena, pois há uma boa variedade de cenários ao longo da aventura. Já no que diz respeito ao som, contamos novamente com uma banda sonora calma, com influências de jazz, à semelhança dos seus predecessores.
Em suma, Yoshi’s New Island é um competente jogo de plataformas 2D, mas que me deixou com sentimentos algo mistos. A adaptação ao hardware da Nintendo 3DS implicou concessões visuais que acabam por o tornar menos apelativo do que os seus antecessores. Apesar de a jogabilidade se manter sólida, a inclusão obrigatória de controlos por movimento em certas secções também não me agradou particularmente. Entretanto, Yoshi continuou a marcar presença nas consolas da Nintendo, com Yoshi and the Mysterious Book previsto para a Nintendo Switch 2 ainda este ano. Ainda assim, já passaram mais de 10 anos desde o último Yoshi’s Island, e acredito que o hardware actual da Nintendo seria mais do que capaz de suportar um novo título com o mesmo estilo artístico, mas com um nível de detalhe muito superior ao que aqui encontramos.


