L.A. Noire (PC)

Depois de ter jogado Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter, fiquei com vontade de continuar a explorar algo com uma temática de detective. Foi então que me lembrei de que tinha este L.A. Noire encostado na prateleira há já demasiado tempo. Com uma nova ronda do Backlog Battlers a aproximar-se, e sabendo que a pessoa a quem teria de escolher um jogo também o tinha no seu backlog, aproveitei a oportunidade para o desafiar com este título, comprometendo-me igualmente a jogá-lo. No entanto, como também me calhou um jogo longo, não tive oportunidade de o terminar mais cedo. Ainda assim, já tinha investido algumas boas horas para partilhar impressões preliminares, pelo que deixo abaixo o vídeo desse episódio para quem tiver curiosidade. Já agora, o meu exemplar de L.A. Noire veio de uma Worten algures em Julho de 2013, por menos de 15€.

L.A. Noire leva-nos até à cidade de Los Angeles em 1947, numa altura em que a sociedade norte-americana ainda se adaptava ao período pós-guerra, muito por força do regresso dos seus soldados a casa. O protagonista, Cole Phelps, é precisamente um desses casos: após ter servido no Pacífico como tenente de uma companhia de Marines, inicia agora a sua carreira civil na polícia local. As primeiras missões, onde Cole desempenha o papel de simples polícia de rua, funcionam como um tutorial às várias mecânicas introduzidas. Após resolver esses casos iniciais, é promovido a detective, começando na divisão de tráfego, onde investiga crimes relacionados com viaturas. O seu desempenho acaba por lhe valer uma promoção à divisão de homicídios e é aí, na minha opinião, que a narrativa começa verdadeiramente a ganhar interesse. Pelo meio, vamos assistindo a flashbacks do passado de Cole na guerra, bem como a pequenos recortes narrativos apresentados através de jornais espalhados pelo jogo. Naturalmente, tudo acabará por se interligar no final, mas deixo os detalhes o leitor descobrir por si mesmo.

Jogo com caixa e manual

Tipicamente, uma missão em L.A. Noire segue uma estrutura bem definida: somos informados de um crime, deslocamo-nos até ao local e começamos a investigação. No terreno, procuramos pistas e interrogamos testemunhas que nos conduzem a novas localizações e suspeitos. Pelo meio, não faltam confrontos físicos, tiroteios e perseguições, tanto a pé como de carro. As secções de investigação fazem lembrar Shenmue, na medida em que somos incentivados a examinar objectos manualmente, manipulando-os para descobrir pistas escondidas. O mesmo se aplica a documentos, que devemos analisar com atenção.

Apesar do foco do jogo serem investigações policiais, o que não falta são também tiroteios, porrada e perseguições!

O grande destaque de L.A. Noire está, no entanto, nos interrogatórios. Estes assentam fortemente na leitura das expressões faciais, sendo que, após cada pergunta, temos de decidir se acreditamos na pessoa (Truth), se duvidamos (Doubt), ou se o acusamos directamente de mentir (Lie). Esta última opção exige sempre que apresentemos provas concretas, com base nas pistas recolhidas. Curiosamente, falhar uma dedução ou até acusar a pessoa errada não tem consequências de maior, já que a narrativa prossegue independentemente disso. A nossa pontuação no final da missão é no entanto afectada, mas poderemos sempre rejogar novamente um caso antigo em busca de um resultado mais satisfatório.

As expressões faciais são um dos principais pontos fortes deste L.A. Noire

O jogo apresenta também um mundo aberto que procura recriar Los Angeles na segunda metade da década de 40. Ainda que detalhado, este espaço acaba por ser algo pobre em conteúdo adicional, sobretudo quando comparado com outros títulos da Rockstar. Para além de alguns coleccionáveis e pequenos street crimes (missões opcionais, mais simples e rápidas), pouco mais há para fazer. Ainda assim, parece-me que este mundo aberto serve essencialmente de palco para as perseguições policiais, o que, pessoalmente, não me incomodou.

A narrativa revela-se bastante envolvente, apesar de um início algo lento. É a partir da divisão de homicídios que tudo ganha maior intensidade. Gostei particularmente da personagem de Cole Phelps e da forma como a história se desenrola. Ao longo do jogo, vamos sendo acompanhados por diferentes parceiros, todos com personalidades bem definidas e distintas, o que contribui para enriquecer a experiência.

Esta cara parece-vos a de quem está a ser honesto?

Grande parte desta envolvência deve-se também ao excelente trabalho audiovisual da Team Bondi. As animações faciais são impressionantes, especialmente nos interrogatórios, onde desempenham um papel fundamental. É pena que a linguagem corporal não tenha recebido o mesmo nível de detalhe, pois pequenos gestos poderiam ter acrescentado ainda mais profundidade. Ainda assim, o resultado final é bastante convincente. A banda sonora, com forte inspiração no jazz e na música da época, ajuda a criar uma atmosfera noir muito coesa. Pequenos detalhes, como as melodias que surgem quando nos aproximamos de pistas, estão igualmente bem conseguidos.

A análise cuidada dos objectos e documentos que vamos ter acesso é outro dos pontos fortes do jogo.

Em suma, gostei bastante de ter jogado L.A. Noire. É verdade que, ao fim de algum tempo, a estrutura pode tornar-se algo repetitiva, devido à quantidade de casos a investigar. Ainda assim, a atmosfera, os visuais e a narrativa mantiveram sempre o meu interesse. Tanto assim é que, assim que terminar os restantes jogos da Remedy que tenho em vista, pretendo finalmente dar atenção a outros títulos da Rockstar que ainda tenho por explorar na minha colecção.

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Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

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