Pois bem, depois de, no fim de semana passado, ter terminado a versão Game Boy Color do primeiro Last Bible, o meu plano inicial era apenas espreitar ligeiramente a conversão do mesmo jogo para a Game Gear. No entanto, como a experiência se revelou bastante mais agradável do que nos lançamentos para as portáteis da Nintendo, e sendo o jogo em si um RPG curto, acabei por o jogar novamente até ao fim. Ainda assim, tirando algumas diferenças notáveis, na sua base é muito similar à versão GB/GBC que joguei, pelo que recomendo uma breve leitura desse artigo, pois este se irá focar apenas nas diferenças desta versão.
Tal como a sua versão original, esta adaptação para Game Gear do primeiro Last Bible é um RPG mais tradicional, que nos leva a um universo de fantasia medieval, mas mantém as mecânicas de negociar, recrutar e fundir demónios. A primeira melhoria óbvia é a dos gráficos: aqui estão bem mais coloridos e com um nível de detalhe superior. Logo na abertura temos uma sequência algo cinemática que, embora modesta tendo em conta as limitações do sistema, é muito mais trabalhada e rica em conteúdo do que a introdução das versões Game Boy. O design dos demónios com os quais nos vamos cruzando está também mais maduro, o que fica muito mais em linha com aquilo a que a série Megami Tensei nos habituou ao longo dos anos. A banda sonora é também agradável.
A nível de narrativa, confesso que não sei se a localização oficial norte-americana da versão Game Boy Color tomou liberdades consideráveis em adaptar o guião e se o patch de tradução feito por fãs para esta versão é mais fiel ao original… ou se simplesmente o guião da versão Game Gear é ligeiramente diferente. Pelo menos, pareceu-me que, a nível narrativo, esta versão é superior, com diálogos mais interessantes. Já no que diz respeito às mecânicas de jogo, temos exactamente as mesmas das versões originais. No entanto, há duas nuances óptimas para a qualidade de vida: o inventário é agora unificado (deixando de haver um inventário por personagem) e pareceu-me ser ligeiramente maior, permitindo-nos carregar mais itens; a outra melhoria é o facto de podermos correr com o pressionar de um botão.

Para além de melhores gráficos, uma narrativa mais apelativa e algumas bem-vindas melhorias de qualidade de vida, esta versão Game Gear destaca-se ainda por incluir algum conteúdo adicional — nomeadamente, um final extendido, com uma nova dungeon, que acaba por fechar a narrativa de forma mais satisfatória e que, provavelmente, melhor se encaixa no universo Megami Tensei. Portanto, na minha modesta opinião, para quem quiser jogar o primeiro Last Bible, o ideal é mesmo ignorar a localização oficial para o Ocidente da versão Game Boy Color e explorar antes esta versão Game Gear. É superior em todos os aspectos, faltando-lhe unicamente a componente multiplayer da versão GBC, algo que, sinceramente, me passou completamente ao lado.



Um pensamento em “Megami Tensei Gaiden: Last Bible (Sega Game Gear)”