Lucius (PC)

De volta aos jogos no PC para ficarmos agora com este Lucius. Lançado em 2012 exclusivamente para o PC e desenvolvido por um estúdio finlandês chamado Shiver Games, este Lucius é um jogo com uma premissa bastante original, pois encarnamos no vilão que é nada mais nada menos que um miúdo de 6 anos muito peculiar. O meu exemplar veio parar à minha conta do steam há já uns bons anos mas não me recordo ao certo quando. Creio que terá sido comprado numa steam sale há uns bons anos pois desde que um colega meu o analisou na saudosa Pushstart que me ficou na memória. Mas só agora lá arranjei maneira de o jogar!

Tudo começa na noite de 6 de Junho de 1966, com dois eventos a decorrer em simultâneo: um misterioso e sinistro ritual satânico e o nascimento de Lucius Wagner, filho de um riquíssimo e poderoso senador norte-americano. Avançando para 1972, no dia em que o pequeno Lucius faz 6 anos, o petiz sente o chamamento de Lúcifer que revela ser o seu verdadeiro pai e o instrói para matar todas as pessoas que vivem naquela mansão, tanto os seus familiares biológicos, como todos os restantes funcionários. O jogo estará então dividido em vários capítulos, onde em cada capítulo teremos uma vítima diferente para matar. Através de cuidadosa exploração e eventualmente de várias habilidades sobrenaturais que viremos a aprender, iremos desencadear uma série de violentos assassinatos, mas cuidadosamente planeados para que pareçam acidentes, suicídios ou homicídios provocados por terceiros.

Entre níveis, ocasionalmente iremos receber a visita de Lucifer nos nossos sonhos, seja para avançar na história, para nos dar dicas ou ensinar novas habilidades que poderemos utilizar em seguida

No que diz respeito às mecânicas de jogo, este é um jogo primariamente de aventura com algumas mecânicas de point and click, pois teremos de explorar todos os recantos daquela mansão, coleccionar, combinar e utilizar objectos de forma a resolver alguns puzzles. Teremos no entanto também alguns momentos de furtividade onde teremos de passar despercebidos pela mansão, assim como outros mais de acção, particularmente no último nível. Para apimentar as coisas teremos também algumas habilidades paranormais para aprender ao longo do jogo como a telecinese, o poder de sugestão ou obrigar as pessoas a esquecerem-se que nos viram a tramar alguma. A última habilidade que iremos aprender a usar é a de criar bolas de fogo, mas infelizmente não teremos muitas chances para as usar.

Apesar das referências aos sete pecados mortais, nem sempre parece ser esse o motivo da nossa matança

Até aqui tudo bem, o jogo tem algumas excelentes ideias mas a sua execução infelizmente deixa muito a desejar. A começar pela narrativa: é certo que sabemos que temos de matar toda a gente (das formas mais criativas e bizarras que possam imaginar), mas o porquê nunca chega a ser explicado em detalhe. A jogabilidade também tem os seus quantos problemas. As mecânicas que exigem maior precisão como controlar objectos com telecinese ou simplesmente queimar gente quando chega a altura não são tão intuitivas como deveriam ser. Para além disso, ao mínimo erro somos obrigados a recomeçar o capítulo desde o início. Isto é chato especialmente naqueles momentos em que temos de nos mover com furtividade e todos os puzzles que tenhamos eventualmente resolvido naquele nível terão de ser repetidos. Mais para a frente, quando ganhamos a habilidade de “apagar a memória” de outras personagens este problema é atenuado, mas temos apenas um certo limite das vezes que poderemos utilizar essa habilidade.

Bom, digamos que por vezes iremos testemunhar algumas coisas não muito católicas

A nível técnico temos de entender que este é um jogo de um estúdio pequeno e lançado em 2012. A atmosfera é bastante tensa e nisso acho que o jogo está bem conseguido, com uma banda sonora algo discreta, mas que também contribui bem para essa atmosfera. A casa de Lucius está bem representada, repleta de inúmeras divisões que poderemos explorar. Já as personagens digamos que algumas estão melhores que outras, como é o caso dos familiares mais próximos de Lucius estarem melhor trabalhados que os funcionários que por lá habitam. Mas o que ganha mesmo a cereja no topo do bolo são as sequências das mortes, que são cada vez mais bizarras, mas também espectaculares e repletas de gore.

Portanto este Lucius é um jogo que me deixa com sentimentos mistos. Possui um excelente conceito, mas no fim de contas dá o aspecto de ter sido um jogo inacabado ou com um ciclo de desenvolvimento algo apressado. Havia potencial para se fazer algo muito melhor, ao enriquecer melhor as personagens envolvidas, corrigir alguns dos seus bugs e retrabalhar algumas das mecânicas de jogo. Ainda assim o jogo teve algum sucesso pois o mesmo estúdio acabou ainda por lançar duas sequelas directas e um demake deste mesmo título. Planeio jogá-los em breve, mas infelizmente parece que as críticas continuaram a não ser muito boas.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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