Heavy Unit (PC-Engine)

Vamos ficar agora com uma rapidinha para um dos muitos shmups que a PC-Engine tem na sua biblioteca. Mas infelizmente este não é dos melhores, mesmo tendo sido publicado sob a alçada da Taito, sem dúvida uma empresa de renome dentro do género. Heavy Unit foi lançado originalmente nas arcades em 1988 (tendo sido desenvolvido pela Kaneko), para receber uma conversão para a PC-Engine no ano seguinte. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado numa loja online, tendo-me custado menos de 15 dólares mais portes.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora este é um shmup algo básico nas suas mecânicas de jogo, na medida em que não traz nada de realmente novo. É um shmup horizontal, embora alguns níveis possuam alguns segmentos com alguma verticalidade também e nós pilotamos uma nave que, se apanharmos o power up correcto, se pode transformar num mecha, que possui um maior poder de fogo, mas é também um maior alvo para os inimigos. É também um jogo bastante desafiante, particularmente no primeiro nível, pois a nossa nave, na sua forma inicial e desprovida de quaisquer power ups, é extremamente lenta, vulnerável e com um poder de fogo muito diminuto. Para além disso, ao contrário de outros shmups onde o primeiro nível é tipicamente bastante simples, servindo para nos irmos familiarizando com os controlos e ir aproveitando alguns power ups para fortalecer a nossa nave, aqui não. O primeiro nível coloca-nos a enfrentar, naquele estado tão indefeso, inimigos que surgem do nada e atravessam o ecrã a alta velocidade e, para além disso, são autênticas esponjas de balas pelo que o melhor é até desviar e não os tentar derrotar. Outros obstáculos ambientais ou serpentes com cabeças de dragão que saem de uma parede obrigam-nos de facto a ter reflexos bastante rápidos e logo no primeiro nível.

Logo no primeiro nível o desafio é bastante considerável, pois temos imensos obstáculos para noos desviar e inimigos bastante poderosos para o pouco poder de fogo que ainda temos

Mas passando essa aflição inicial, lá vamos começar a encontrar alguns power ups com mais facilidade e começamos a conseguir dar melhor resposta aos inimigos que nos vão surgindo. Ainda assim, vão continuar a existir imensos inimigos que são autênticas esponjas de balas e é impressionante, por vezes, a quantidade de inimigos, obstáculos e projécteis que aparecem no ecrã em simultâneo! De resto, os controlos são bastante simples, com um botão para disparar os lasers e o outro para as bombas. Os power ups que vão surgindo são igualmente de fácil percepção. Os “P” melhoram o nosso poder de fogo, os “S” melhoram a velocidade, os “E” são vidas extra, os “B” são escudos capazes de absorver até 3 disparos dos inimigos e os “T” permitem-nos transformar para um mecha e vice-versa. Como referi anteriormente, a forma de mecha é a que possui mais poder de fogo, mas por outro lado, sendo maior, também é a mais vulnerável ao fogo inimigo. Naturalmente que ao perder uma vida perdemos também todos os power ups que tenhamos coleccionado até então.

Gostei também do design dos inimigos no primeiro nível, já a partir daí começam a ficar mais inconsistentes

A nível audiovisual é também um jogo muito inconsistente. O primeiro nível até que é o mais interessante visualmente, estando repleto de caveiras e criaturas demoníacas e fantasiosas. O segundo já é uma caverna/floresta, o terceiro parece ser passado numa fábrica gigante, o quarto já é aquele nível típico que parece ser dentro de um intestino gigante, por exemplo. O design dos inimigos também vai alternando entre o genérico e o original, como os mechas que disparam mísseis teleguiados na forma de cenoura… Mas ainda assim sente-se uma grande diferença gráfica perante esta versão e original arcade, principalmente no detalhe dos cenários. A nível de som é uma vez mais inconsistente, com algumas músicas bem conseguidas e outras nem tanto.

Portanto este Heavy Unit é, para mim, um shmup algo genérico que recomendaria apenas aos mais ávidos fãs do género, quanto mais não seja pelo seu grande desafio. Para além desta conversão de PC-Engine existe uma outra para a Mega Drive que acrescenta a expressão “Mega Drive Special” ao seu nome, pois é mais que uma mera conversão, mas sim uma espécie de remake com gráficos melhorados e creio que algumas diferenças adicionais também, pelo que também seria uma versão a ter em conta. E infelizmente também se ficou apenas pelo Japão.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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