Bastion (PC)

Bastion PCNunca prestei grande atenção aos ditos “indie games”. O meu backlog de jogos de “grandes produtoras” é ainda colossal pelo que nunca perdi grande tempo nesse nicho de mercado. Com o lançamento do último Humble Indie Bundle que inclui entre outros, Amnesia e Bastion, jogos que já conhecia e sempre tive vontade de os jogar, marcou a minha estreia definitiva em jogos deste género. Já conhecia o Bastion de alguns outros artigos, mas ainda assim foi um jogo surpreendente quando lhe comecei a dar atenção. Irei estar atento aos próximos humble indie bundles certamente, pois por cerca de 8€ fiquei com uma série de jogos que me surpreenderam pela positiva.

Bastion decorre num mundo estranho, suspenso no ar e que se vai formando à medida em que vamos avançando. O jogo começa com um rapaz anónimo de cabelos brancos (que simplesmente é tratado por “Kid” ao longo de toda a aventura), deitado na sua cama, sendo acordado por um narrador que nos acompanha ao longo de todo o jogo. Desde cedo somos informados que ocorreu uma calamidade que destruiu o mundo de Bastion, mundo esse que se vai reconstruindo à medida em que vamos andando no terreno. Para além de o mundo ter sido destruido, todos os seus habitantes tornaram-se em pedra. É neste cenário catastrófico que descobrimos um ou outro sobrevivente (incluindo o próprio narrador) e partimos à reconstrução do mesmo, através da localização dos Cores, uns cristais que possuem esse poder. A história vai progredindo dessa forma, onde o narrador nos vai revelando aos poucos mais detalhes do mundo de Bastion, as suas civilizações, e o que aconteceu por detrás da calamidade.

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Mapa de Bastion, alguns diferentes locais que podemos visitar.

A jogabilidade é a de um action RPG com perspectiva isométrica. Algo como o clássico Landstalker da Mega Drive, mas sem o conceito de platforming. Isto porque, até muito tarde no jogo, não temos a possibilidade de saltar. O herói pode utilizar 2 armas, uma melee e uma outra de longo alcance. Inicialmente apenas dispomos de um martelo e um “Repeater“, uma espécie de besta automática, mas iremos desbloquear uma vasta gama de armamento, incluindo catanas, arco e flecha, várias armas de fogo, entre outras. Para além disso, temos à nossa disposição um escudo, bem como várias skills que podemos descobrir, sendo essas skills inerentes a uma arma específica, ou independentes. Para usar essas mesmas skills temos de gastar um item chamado “Black Tonic”, disponível em quantidade limitada. O herói ganha pontos de experiência ao derrotar inimigos, podendo subir até um máximo de 10 níveis. O progresso do jogo é todo feito a partir do Bastion, uma espécie de hub onde montamos a nossa base e podemos posteriormente aceder aos outros pontos do jogo. À medida em que vamos descobrindo novos cores, podemos construir uma série de edifícios nessa nossa base onde podemos customizar muitos detalhes da própria jogabilidade em si. Desde um Arsenal onde podemos escolher quais as armas que queremos utilizar (bem como a skill escolhida), uma Forge onde podemos fazer upgrades às armas, uma Distillery onde podemosescolher por cada nível que ganhamos uma skill passiva inerente ao jogador (geralmente buffs positivos, como mais dano, ou mais HP), entre vários outros com funções distintas.

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Aqui a nossa base, ainda em fase de construção

Infelizmente não podemos revisitar níveis que ja tenhamos completado, excepção feita a dois casos. Existem os “Proving Grounds”, onde temos vários desafios para concluir inerentes à perícia em usar cada arma do jogo. Dependendo da performance do jogador, poderemos ganhar 3 diferentes prémios (geralmente skills ou material para fazer upgrades a armas). Estes cenários podem ser rejogados as vezes que quisermos, até ao momento em que consigamos vencer o primeiro prémio. O outro caso são cenários passados em “Who Knows Where”, onde somos transportados para um sonho do protagonista, e nos é revelado alguma background story. Aqui batalhamos 20 ondas consecutivas de diferentes inimigos, sendo um bom local para se treinar, ganhar experiência ou “dinheiro” para se realizar upgrades ou comprar items. Após terminarmos o jogo temos a hipótese de o rejogar num modo “New Game+“, como já é habitual no seio dos RPGs. Aqui mantemos a experiência e o armamento disponível na primeira jogada, tendo a hipótese de desbloquear algum conteúdo extra para realizar mais um ou outro “achievement“. Bastion tem assim muito conteúdo a explorar, contudo a falta de um botão para saltar é notória (pelo menos para mim). A movimentação do herói também poderia ser um pouco mais rápida, pois muitas vezes a acção torna-se algo caótica, exigindo muitos reflexos rápidos e um domínio das técnicas que vamos aprendendo.

O jogo tem uns visuais muito “cartoon”, o que assenta bem na atmosfera de fantasia que tenta transparecer. Mas mais que os visuais, é de demarcar o excelente trabalho no quesito de som. O narrador acompanha-nos toda a aventura, narrando literalmente todos os passos que damos, e dando informações preciosas acerca do que se passa ao nosso redor, sejam em interacções com o cenário, ou mesmo com os diferentes inimigos. Para além do voice-acting ser bastante competente, Bastion possui uma banda sonora de muita qualidade, repleta de músicas com um feeling mais “folk” (e não só) que se inserem muito bem no conceito do jogo.

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Bootlickers, o segredo é não ficar quieto no mesmo lugar muito tempo.

No fim de contas, apesar de ser um jogo aparentemente simples, Bastion é daqueles jogos “independentes” (não sei até que ponto é assim, tendo o selo da Warner Bros. mas siga) que merece ser descoberto por todos os que gostam de RPGs de acção mais old-school. O foco dado na narrativa pareceu-me ser muito bem conseguido, aliado numa banda sonora muito bem composta e uma jogabilidade que apesar de desafiante, apresenta várias formas de customização, oferecendo diversas formas de abordar os combates, de acordo com os gostos de cada um.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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3 respostas a Bastion (PC)

  1. Este jogo é muito bom, gostei bastante, mas, infelizmente tive que formatar meu pc e excluir esse jogaço. Parabéns pelo ótimo post.

  2. Pingback: Lone Survivor (PC) | GreenHillsZone

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