Benvindos à primeira análise de um jogo de NES neste blogue. Isolated Warrior é um jogo que comprei “porque sim” e sinceramente nunca tinha ouvido falar sequer que o dito existia. E por mais deprimente que seja, este Isolated Warrior é para já o meu único jogo de NES, pelo que tão cedo não teremos outro artigo. O jogo entrou na minha colecção no ano passado, tendo vindo num pequeno bundle que comprei, com o Virtua Cop 2 da Saturn mais a sua lightgun. Dividindo as contas, ficou-me por 5€, sendo apenas o cartucho. E devo dizer que o jogo me impressionou bastante pela positiva!

Vindo das empresas obscuras KID e VAP, este jogo é um shooter futurista com uma perspectiva isométrica, algo como o clássico Zaxxon da Sega, no início da década de 80. Para além de shooter, tem também ligeiros elementos de platforming, na medida em que dispomos de um botão para saltar. E a história de Isolated Warrior é simples: no futuro, algures num planeta habitado por humanos, vê-se invadido por uma raça alienígena que dizimou bastante a população desse planeta. Os esforços militares não resultaram, mas nada que fizesse desmotivar Max Maveric, o top shot lá do sítio, lançando-se sozinho num combate para libertar o planeta do domínio extraterreste. É preciso mais?

Inicialmente começamos o jogo nas ruas do planeta Pan, com Max a andar a pé e disparar sobre tudo o que mexe. Dispomos de 2 armas principais, uns projécteis lineares que disparam directamente para a frente, ou uns projécteis mais fracos, mas que alcançam uma área maior. Podemos alternar livremente entre as duas armas ao carregar no botão select. Também como é habitual temos uma arma especial de munição limitada, nomeadamente umas bombas que causam dano forte sobre uma área maior. Depois temos uma barra de energia que teremos de ter cuidado para que não se esvazie e nos faça perder uma vida. Ao longo do jogo veremos imensos power-ups, onde para além de items que nos regenerem a vida, aumentem a nossa agilidade, ou restabeleçam algumas dessas bombas especiais, temos também powerups que dão um dano maior nas nossas armas principais, tal como é feito nos Gradius. Só que se perdemos uma vida, lá se vão os powerups nas armas e teremos de começar de novo com os tiros fracos. Isso é mais preocupante nos combates com os bosses, que existem sempre no final de cada nível, ou ocasionalmente até nos mid-bosses que teremos em alguns mísseis.

Um outro item é um escudo que nos protege até termos sido atingidos por 5 projécteis. O facto de termos um botão para saltar também adiciona alguns elementos de estratégia. Podemos saltar por cima de alguns inimigos e os seus projécteis, embora por vezes seja algo complicado distinguir entre inimigos terrestres e aéreos. Os aéreos têm sempre uma sombra por baixo, mas por vezes no meio de toda a confusão torna-se difícil de os distinguir. O facto de podermos saltar inclui também alguns elementos de platforming, onde por vezes teremos de saltar sobre abismos ou sobre solos que nos causam dano. Inicialmente no primeiro nível andamos a pé, mas no segundo usamos um jetpack enquanto sobrevoamos um rio. Por vezes teremos essa benesse de usar um veículo que voa, então os elementos de platforming perdem a sua razão de ser, no entanto podemos sempre usar os saltos para nos esquivarmos dos inimigos na mesma. Um dos outros veículos que usamos é uma moto bastante veloz, onde teremos de percorrer um nível a alta velocidade, numa estrada repleta de abismos sem fundo, onde para além de todos os inimigos teremos de ter um cuidado muito especial com o que nos rodeia.

Graficamente é um jogo interessante, pelo menos considerando as capacidades da NES sem o uso de nenhum chip adicional. Temos diversos cenários com um nível considerável de detalhe, desde as tais ruas em ruínas, o rio, ou os desfiladeiros já falados, mas também a estação espacial dos aliens são alguns dos cenários que teremos de atravessar. Inicialmente dispomos de 6 níveis, mas se os conseguirmos completar a todos sem perder nenhuma vida, desbloqueamos o sétimo e último nível, onde teremos pela frente o verdadeiro boss final e também o final real do jogo. Geralmente no fim de cada nível temos também direito a umas pequenas “cutscenes” – são pequenas mesmo, nada ao nível dos Ninja Gaidens, mas que ao mesmo tempo vão sendo úteis para nos contextualizar com a história. Passando para os efeitos sonoros e música, os primeiros são OK, e a música, bom, se há algo que eu realmente gosto na NES é o seu chip de som, responsável por nos ter dado a conhecer imensas músicas que se tornaram autênticos hinos desta indústria. E por incrível que pareça num jogo tão obscuro como este, Isolated Warrior tem uma banda sonora excelente.
No fim de contas devo dizer que este foi um jogo que me impressionou bastante, sendo muito provavelmente uma hidden gem do catálogo de shooters da NES, pela sua jogabilidade interessante, um bom pacing de jogo com muita acção, visuais decentes e uma excelente banda sonora. Recomendo a todos os fãs de shooters.