Call of Duty 2 (PC)

Call of Duty 2

O Call of Duty original surgiu para fazer concorrência aos Medal of Honor, numa altura em que os FPS com a temática da 2a Guerra Mundial proliferavam no mercado. O jogo fez sucesso de tal forma que a série foi evoluindo até se tornar no colosso dos First Person Shooters que se tornou hoje em dia. Tal como o jogo anterior, este também decorre durante a 2a Guerra Mundial, com o jogador a ter a hipótese de lutar entre 3 facções, norte-americana, soviética e britânica. A minha cópia foi adquirida numa GAME, não tendo custado mais de 5€. Infelizmente não é uma edição “black label“.

Call of Duty 2 PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O modo de campanha percorre diversos famosos campos de batalha da WW2, com a facção soviética a lutar em Moscovo e Stalingrado, a maioria da campanha britânica a decorrer no teatro de guerra do Norte de África, e por fim a Norte-Americana por alturas do Dia D. As missões em si são variadas, desde missões de infiltração, perseguições, ou defender cidades/posições de ataques/contra-ataques nazis. Tal como o jogo anterior, muitos eventos são scripted, conferindo ao jogo uma atmosfera mais cinemática. Isto foi algo que tinha sido bem feito no jogo anterior e aqui não é excepção. O armamento, uniformes e veículos são igualmente fielmente retratados face aos originais. Não sou nem de longe perito em balística, mas nesse aspecto calculo que jogos mais recentes como os Brothers In Arms sejam mais fiéis nesse campo. Não vou perder muito tempo a escrever sobre a jogabilidade, pois a mesma não é diferente dos restantes. As missões são delineadas por objectivos que temos de cumprir, estando os mesmos marcados numa bússola, facilitando assim a vida ao jogador. A tinnitus resultante de uma explosão próxima foi um dos efeitos que mais me impressionou na altura em que o primeiro Call of Duty foi lançado, sendo hoje em dia um efeito comum em jogos similares. A novidade na jogabilidade neste CoD 2, é a inclusão do sistema de saúde regenerativa, algo que também passou a ser comum nos FPS modernos, infelizmente.

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Oficiais do Exército Vermelho a interrogarem um soldado Alemão. Coisa boa não vem.

Para além de um sólido modo de campanha consistindo em 27 missões, Call of Duty possui também um robusto modo multiplayer à moda antiga. Digo isto pois aqui ainda não tinha sido implementado os ranking systems baseados em experiência que vemos nos jogos actuais. O jogo no PC permite sessões até 64 jogadores, com os clássicos modos de jogo Capture the Flag, variantes de Deathmatch e os modos Headquarters e Seek and Destroy. O último é inspirado no Counter Strike, em que os jogadores de uma equipa têm de destruir um determinado objectivo, os restantes têm de o impedir. Com a particularidade de não existirem quaisquer respawns, ou seja, quem “morrer” só volta a jogar na ronda seguinte. O Headquarters é algo parecido a um modo “Conquest” nos jogos actuais, onde as equipas têm de capturar e em seguida defender os seus HQs.

Apesar de cumprir o seu papel, graficamente o jogo não é nada do outro mundo  pois à semelhança do anterior, a engine ainda era baseada na “id Tech 3” de Quake 3 Arena. De qualquer das maneiras isso não impede que a experiência no modo singleplayer não seja boa. De facto, a estruturação das missões com os cenários envolventes tornam Call of Duty 2 num FPS bastante agradável de se jogar, mesmo nos dias de hoje. A nível de som, eu canso-me de me repetir. Geralmente estes FPS da 2a Guerra Mundial, como CoD, Brothers in Arms ou Medal of Honor costumam ter um trabalho exemplar neste campo e esta não é uma excepção. A música épica, aliada aos ruídos ensurdecedores das MG-42 ou das anti-aéreas resultam sempre bem e eu só tenho pena de não possuir uma instalação de som Surround para que pudesse tirar todo o partido deste campo.

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Sniper é sempre divertido.

Este é um artigo um pouco curto para um jogo deste gabarito, mas a verdade é que eu já escrevi sobre imensos FPS da WW2 neste blogue que sinceramente não há muito mais a dizer. Call of Duty 2 é um jogo bastante agradável, apesar de não ser de todo revolucionário e inovador. Quem for fã da série ou de jogos da 2a Guerra Mundial, tem aqui mais uma boa alternativa.

Call of Duty – Game of the Year (PC)

Call of Duty best ofCom o sucesso de séries como Medal of Honor, naturalmente que iriam surgir outros jogos baseados no mesmo conceito: um first person shooter de caracter histórico baseado na Segunda Guerra Mundial. Call of Duty foi um dos “copycats“, mas que na verdade acabou por fazer tudo melhor que o original, tendo evoluído para o colosso que é nos dias de hoje, mesmo actualmente se basear em guerra moderna. A versão que trago aqui é a chamada “Game of the Year”, que infelizmente não traz a expansão “United Ofensive”, mas sim vários updates que tinham sido previamente disponibilizados para download, tais como novos mapas e modos de jogo no multiplayer. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo entre os 4€ e está completa.

Call of Duty GOTY PC
Jogo completo com caixa e manual

Call of Duty distingue-se do seu “antecessor” Medal of Honor Allied Assault na medida em que é ligeiramente mais realista: as guerras não foram vencidas por um super soldado, mas sim com o trabalho em equipa de vários batalhões. Apesar de não ser um simulador na mesma óptica que o Brothers in Arms introduziu mais tarde, já é um avanço. Neste jogo iremos lutar ao lado de soldados que nos irão ajudar na cruzada, bem como morrer ao nosso lado. A narrativa passa-se em 3 facções diferentes: começamos junto de paraquedistas americanos nas primeiras batalhas por alturas do desembarque na Normandia, posteriormente com soldados britânicos também em solo europeu (embora sejam missões mais “Commando-style”) e por fim com o Exército Vermelho numa campanha verdadeiramente épica da retoma da cidade de Estalinegrado. A jogabilidade é a tradicional de um FPS, embora Call of Duty tenha introduzido algumas diferenças, tais como a “Aim Down the Sight”, onde miramos os alvos através das “miras” ou objectivas das armas que carregamos, dando um pequeno efeito de zoom e uma precisão maior. Este método é algo que vingou até aos dias de hoje. O “shellshock effect”, a visão, movimentação e audição deturpada após a explosão de uma granada ou projéctil pesado também foi algo introduzido pela primeira vez neste jogo, salvo erro. De resto, para além de só podermos transportar um número limitado de armas, a jogabilidade mantém-se igual aos FPS clássicos, com a saúde a ser regenerada através de items médicos, e não automaticamente como nos jogos seguintes.

Apesar de ser um jogo que dê algum foco na utilização de diferentes estratégias nas várias missões, como o flanqueamento, o uso constante de granadas e de suppressing fire, não deixa de ser ainda algo “arcade” e de acção rápida (não que eu tenha algum problema com isso). Os níveis são bastante lineares, e repletos de scripted events. Na HUD dispomos de uma bússola que indica a direcção dos vários objectivos que temos de completar, pelo que nunca andamos propriamente à deriva. As missões em si são bastante variadas, desde controlar localidades, a missões de resgate, sabotagem e mesmo missões com perseguições de carros. Não acho que tenha havido um único momento de encher chouriços, o jogo cumpre bem o seu papel de cativar o jogador, e no fim acaba por saber a pouco. Gostei particularmente das missões do exército soviético, foi uma lufada de ar-fresco que os outros jogos da época não tinham explorado.

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A retoma de Estalinegrado é provavelmente a melhor parte do jogo

Com um modo single-player tão bom que acaba por parecer algo curto, Call of Duty tem também uma vertente multiplayer importante. Apesar de não ser tão avançada como nos jogos que lhe prosseguiram, colocou umas boas fundações para o futuro. Para além dos tradicionais Deathmatch e Team DM, existe uma variante do Capture the Flag com o nome de “Retrieval”. A diferença é que ao invés de invadir a base inimiga para capturar uma bandeira e regressar, o objectivo é capturar documentos. Search & Destroy é um modo dividido em equipas onde uma tem de defender um determinado objectivo e a outra destruí-lo. Headquarters é um modo semelhante, onde o objectivo é localizar e controlar um radio colocado aleatoriamente no mapa, pelo maior tempo possível. Finalmente, existe também o “Behind Enemy Lines”, onde um grupo pequeno de soldados Aliados vê-se a combater um grande número de Nazis. Os aliados ganham pontos em sobreviver e matar o maior número de inimigos possível. Um jogador do Eixo sempre que matar um Aliado é “ressuscitado” como um Aliado em seguida.

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Killcam - óptimo para detectar cheaters no multiplayer

Passando para a parte técnica, Call of Duty foi desenvolvido utilizando uma versão modificada da ID Tech 3, a engine por detrás de jogos como Quake III Arena e dos próprios Medal of Honor Allied Assault e expansões. Para um jogo lançado em 2003, os gráficos estão bons, em particular as personagens que estão muito bem modeladas, e as suas falas estão sincronizadas com o movimento dos lábios. Mesmo nos dias de hoje, não deixa de ser um jogo agradável de se jogar. Os mapas já apresentam texturas mais fracas, principalmente considerando o cenário actual. Mas repito, não são gráficos propriamente desagradáveis, acho que o jogo “envelheceu” bem. A nível de som é excelente. O voice acting é bom, e todo o caos dos campos de batalha enriquece bem a experiência. Os berros dos soldados alemães, o barulho frenético das armas, os companheiros a darem dicas estratégicas, etc. A música é mais orquestral, como tem sido habitual em jogos deste tipo. E de facto, tendo em conta o caracter épico e histórico de algumas das principais batalhas da II Guerra Mundial, é a escolha mais acertada.

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Sniper Rifles - a superar o cão como melhor amigo do homem desde 1914

O jogo durante muito tempo manteve-se exclusivo para o PC (com um porte para MAC no ano seguinte). Também no ano seguinte saiu um spin-off para as consolas da altura – PS2, Gamecube e Xbox, com o subnome “Finest Hour”. Por acaso estou a acabar de o jogar no momento, e será o próximo artigo do blogue, mas está muito longe da qualidade do original. Em 2009 acabou por sair uma versão remasterizada em HD para Xbox360 e PS3, sendo provavelmente a versão definitiva do jogo – apesar do multiplayer estar limitado a um máximo de 8 jogadores em simultâneo. Call of Duty marca o início de uma das maiores franchises de sucesso dos tempos actuais e é um belo jogo. Não é estratégico como Brothers in Arms ou Hidden & Dangerous, mas uma “viagem de montanha russa” repleta de momentos frenéticos. Eu recomendo.