Dark Ages (PC)

Para não variar… mais uma rapidinha a um jogo da Apogee para PC! Este é mais um de Todd Replogle e de outros nomes conhecidos da Apogee, antes de fazerem parte oficial da empresa. E tal como muitos outros jogos da produzidos ou publicados pela Apogee nessa altura, este é também um jogo de plataformas/acção sidescroller, embora na minha opinião esteja uns furos abaixo de outros jogos do seu catálogo do mesmo ano. E sim, este também veio da 3D Realms Anthology que arranjei há uns meses atrás ao desbarato.

Dark AgesE tal como o nome Dark Ages deixa antever, este é um jogo passado algures numa idade média fantasiosa e que faz lembrar de certa forma o Rastan, mas em vez de controlarmos um bárbaro tipo Conan, acaba por ser o herdeiro de um grande reino, que o tenta recuperar das garras de um feiticeiro malvado que assassinou o seu pai, o Rei. E em vez de usarmos uma espada, machado ou outra arma branca que meta respeito, disparamos ataques mágicos.

It is dangerous to go alone!
It is dangerous to go alone!

E apesar deste ser também um jogo shareware dividido em diferentes capítulos (neste caso 3), a progressão de níveis acaba por ser bastante discreta, com cada capítulo a parecer um nível bem grande. Essa transição acaba por se dar quando encontramos um homem encapuçado (os Wise Men) que nos pede que lhe encontremos un item (poderá ser uma chave, escudo ou maçã) para depois nos abrir uma porta para o nível seguinte, quando temos de ser nós a pressionar um interruptor para desencadear o mecanismo de abertura de outros portões, ou simplesmente quando nos apercebemos que há uma transição radical do cenário em si. E a jogabilidade acaba por ser simples, com um botão para saltar e outro para atacar, temos é de ter cuidado com todos os inimigos e obstáculos, como espinhos, plataformas que se desintegram, abismos ou poças de gosma verde ou lava.

Foi por screenshots como este que o jogo até me despertou alguma curiosidade. Mesmo com estes gráficos manhosos
Foi por screenshots como este que o jogo até me despertou alguma curiosidade. Mesmo com estes gráficos manhosos

Mas mesmo com uma jogabilidade simples, os controlos não são os melhores, pois o scrolling também não é tão bom e não ajuda à fluidez de jogo. Há alguns inimigos que inclusivamente se tornam invencíveis se estiverem demasiado próximos de nós, o que certamente não foi algo propositado. Mas felizmente que os nossos ataques são sempre “ranged” e os poderes mágicos podem ser expandidos ao coleccionar pedras verdes, ou simplesmente encontrar os upgrades que os desbloqueiam. Do ataque mágico inicial ganhamos um ataque de bumerangue que pode atingir o mesmo inimigo duas vezes e o último poder mágico é um raio que, apesar de ter menor alcance destrói quase todos os inimigos com um só toque e pode ser usado com rapid fire. Temos também uma barra de energia que pode ser regenerada completamente se encontrarmos um item que na forma de corações sangrentos ou pode regenerar um ponto ao coleccionar conjuntos de moedas, conforme a dificuldade. Em easy recuperamos um pouco de vida a cada 10 moedas coleccionadas, em normal precisamos de 20 e em hard de 30. Essa é a única distinção entre as dificuldades do jogo, já agora.

Estas cascatas em movimento provavelmente causam ataques epilépticos. Ou vontade de mandar o monitor pela janela.
Estas cascatas em movimento provavelmente causam ataques epilépticos. Ou vontade de mandar o monitor pela janela.

Nos audiovisuais, este é um jogo algo misto. Por um lado possui um design mais arrojado, com esse setting mais negro e sinistro. Por outro, os gráficos em si não são mesmo lá grande coisa, o scrolling deixa algo a desejar, em especial pela falta de efeitos de parallax. Naqueles segmentos em que têm cascatas de água, vocês vão sangrar dos olhos. A sério. Nos efeitos sonoros, continuam a usar o PC Speaker, mas este é também o primeiro jogo com o selo da Apogee onde introduziram música e o suporte a placas de som, neste caso a AdLib, a primeirinha. As músicas até que são bem agradáveis, mas só há cerca de 3 músicas para todo o jogo, portanto também se vão tornar algo repetitivas.

No fim de contas, este Dark Ages era um daqueles jogos do catálogo da Apogee que nunca tinha jogado e pelo seu conceito tinha-me deixado bastante curioso. E apesar de ser um jogo algo desafiante, a sua execução técnica deixou um pouco a desejar, não é daqueles que eu possa mesmo recomendar a não ser que sejam curiosos como eu.

Crystal Caves (PC)

No seguimento dos artigos do Pharaoh’s Cave e Arctic Adventure da Apogee, acabo por trazer agora o Crystal Caves, mais um jogo de plataformas da mesma empresa que acaba por ser o culminar da fórmula introduzida nos jogos anteriores, embora agora com mais primor nos visuais. Tal como quase todos os outros jogos da Apogee/3D Realms que tenho na conta steam, este faz parte também da 3D Realms Anthology que comprei num bundle bem barato no Bundle Stars há uns meses atrás.

headerO herói deste jogo já não é o jovem arqueólogo Nevada Smith, pois o jogo decorre bem no futuro, onde a humanidade evoluiu tecnologicamente de tal forma que viagens e colonização espacial é algo corriqueiro. Controlamos então Mylo Steamwitz, um mineiro cheio de ambições em tornar-se bastante rico. E durante os 3 capítulos que compõem esta aventura completa, iremos explorar as Crystal Caves, em busca de pedras preciosas que possam depois ser trocadas pelo dinheiro suficiente para Mylo lançar a sua empresa e construir a sua fortuna.

Em todos os níveis temos esta maquineta de gerar ar respirável. Se calharmos de a destruir, já fomos!
Em todos os níveis temos esta maquineta de gerar ar respirável. Se calharmos de a destruir, já fomos!

Quando digo que este é um culminar do trabalho desenvolvido em Pharaoh’s Tomb e Arctic Adventure, é porque, para além de ter sido mais um jogo idealizado por George Broussard, as suas mecânicas básicas são similares: ao longo dos níveis teremos imensos obstáculos e inimigos para ultrapassar, bem como várias alavancas e interruptores que abrem portas, activam ou desactivam plataformas e turrets que nos lançam projécteis. A grande diferença é que desta vez o objectivo de cada nível não é o de procurar a chave para a sua saída, mas sim apanhar todos os cristais, pois de outra forma a porta da saída não se abre. É possível desistir do nível em questão e voltar para o overworld, mas a custo de se perder todo o progresso alcançado no nível em questão. De resto, a jogabilidade como um jogo de plataformas continua a evoluir positivamente, e uma vez mais, pelo menos nos primeiros níveis de cada episódio, devemos tentar conservar o máximo possível de munições, pois as mesmas não são assim tão abundantes quanto isso. Se formos pacientes, poucos são os inimigos que convém mesmo destruir. Outras novidades estão também noutros power ups como um que nos dá invencibilidade temporária, outro que inverte a gravidade do nível em questão também temporariamente. E por vezes nalguns níveis começamos a jogar às escuras, com o desafio acrescido dos obstáculos não estarem bem visíveis, pelo menos até conseguirmos encontrar um interruptor que ligue a iluminação.

Principalmente nos níveis mais avançados, temos de planear bem o nosso progresso no nivel, pois por vezes é possível ficarmos presos.
Principalmente nos níveis mais avançados, temos de planear bem o nosso progresso no nivel, pois por vezes é possível ficarmos presos.

Graficamente há aqui um grande salto, pois agora temos gráficos em EGA! E apesar dos backgrounds não estarem assim tão detalhados quanto isso (embora até sejam variados), os inimigos possuem óptimas animações para a época, tornando  o jogo muito mais vívido. O motor gráfico é o mesmo que foi usado no primeiro Duke Nukem, para terem uma ideia. Só fica mesmo a faltar o suporte a placas de som, pois uma vez mais apenas temos efeitos sonoros (não música) em PC Speaker.

Sinceramente, este até foi um jogo que gostei bastante, com uma boa jogabilidade e desafiante quanto baste para não se tornar muito enfadonho. Quem gostar deste tipo de jogos de plataforma em DOS, aqui está mais um bom exemplo.

Arctic Adventure (PC)

Para não variar muito, hoje é tempo de escrever ainda mais uma rapidinha para o PC, uma vez mais a um jogo antigo da Apogee que entrou na minha colecção após ter adquirido a 3D Realms Anthology a um preço muito reduzido num bundle da bundle stars. É uma sequela de Pharaoh’s Tomb, levando o herói Nevada Smith em busca de mais um tesouro lendário, desta vez ao explorar várias cavernas do Árctico, onde outrora um grupo de Vikings escondeu um mapa para um vastíssimo tesouro.

Arctic AdventureArctic Adventure, como podem apreciar nos screenshots abaixo, é mais um jogo com gráficos em CGA e tal como o Pharaoh’s Tomb ou Monuments of Mars que já foram inclusivamente referidos por cá, são também baseados na engine “FAST” de George Broussard, embora em 1991 já haviam vários jogos para PC que tinham um grafismo muito superior. Mas a Apogee lá queria a maior base instalada de potenciais compradores, então lá lançaram mais um jogo com um aspecto bastante ultrapassado. E eu não queria começar o artigo a falar nos audiovisuais, mas já que cá estamos então aproveito também para referir que, por ser passado no árctico, a paleta de cores utilizada (sempre em tons roxos, rosa e azuis) não é a mais apelativa, infelizmente. A falta de suporte a placas de som também é algo que se manteve, com os efeitos sonoros a surgirem com recurso à PC Speaker, e uma vez mais sem qualquer música, o que me agrada.

Este não é propriamente um jogo muito bonito. Mas ao menos tem alguns obstáculos diferentes face ao Pharaoh's Tomb
Este não é propriamente um jogo muito bonito. Mas ao menos tem alguns obstáculos diferentes face ao Pharaoh’s Tomb

Na sua essência, as mecânicas de jogo base se manterem algo similares. Em cada nível temos de procurar a sua saída, sendo que para isso temos de evitar diversos inimigos ou armadilhas que ao mínimo toque nos fazem perder a vida. Desta vez estamos munidos de um revólver em vez de lanças, mas as munições são também limitadas e podem ser encontradas ao longo dos níveis. As chaves que outrora nos desbloqueavam a saída são de certa forma substituidas por picaretas que temos de apanhar, de forma a quebrar algumas pedras que impedem que alcancemos a saída. No entanto por vezes temos também de apanhar outros itens como as chaves propriamente ditas, ou um barco, cuja utilização irei referir já em seguida. Dentro dos níveis, e apesar de cada dano que sofrermos nos fazer perder a vida, desta vez temos vidas infinitas, pelo que escusamos de estar sempre a fazer save e load dentro dos níveis. Fora dos níveis… a conversa já é outra. Fora dos níveis? Sim, a grande diferença aqui é que existe um overworld que pode ser explorado livremente e as cavernas (níveis) podem ser completados em practicamente qualquer ordem. Salvo excepções para o último nível de cada capítulo que está sempre bloqueado, ou outros que têm de ser abertos com as tais chaves que podemos encontrar dentro de alguns níveis, ou níveis em canais aquáticos, onde o tal barco referido acima será necessário.

Este é o ecrã do overworld, que nos indica o número de níveis já concluidos no capítulo em questão, bem como quantos objectos especiais como chaves ou barco temos na nossa posse
Este é o ecrã do overworld, que nos indica o número de níveis já concluidos no capítulo em questão, bem como quantos objectos especiais como chaves ou barco temos na nossa posse

Posto isto, a nível de jogabilidade sinceramente achei este jogo mais bem conseguido que o Pharaoh’s Tomb, tanto nos controlos, como na mecânica de detecção de colisões. No entanto, a nível gráfico pareceu-me ainda pior que o original, o que é uma pena. George Broussard, tão perfeccionista que foi com o Duke Nukem Forever, podia se ter esmerado um pouco mais aqui.

Monuments of Mars (PC)

E sai mais uma rapidinha para um jogo de PC, mais um dos que veio no bundle de quando comprei a 3D Realms Anthology por uma ninharia. É mais um jogo de 1990/1991, desenvolvido por Todd Replogle, uma pessoa que veio pouco depois a integrar a equipa da Apogee de forma definitiva e é um dos responsáveis pela criação da série Duke Nukem.

Monuments of MarsE em que consiste este jogo? Bom, tal como o Pharaoh’s Tomb, este é também um misto de plataformas e puzzle, mas em vez de encarnarmos num arqueólogo em busca de tesouros numa pirâmide gigante algures no Egipto, somos um astronauta com a missão de resgatar uma série de outros astronautas que por algum motivo desapareceram durante missões de exploração em Marte. Cada episódio possui 20 níveis e os astronautas estão apenas nos últimos, pelo que temos de percorrer muito caminho até lá chegar. Aqui cada ecrã é um nível. As coisas começam de forma bem ligeira, com apenas algum platforming a ser exigido inicialmente e depressa passamos meia dúzia de níveis. Depois é que lá começam as mecânicas de puzzles onde para alcançar a saída teremos de ultrapassar uma série de obstáculos e apanhar um cartão electrónico que nos abra a passagem pela porta de saída do nível. Para além de vários inimigos vamos tendo outros inconvenientes como os tradicionais espinhos no chão, campos eléctricos que nos impedem a passagem, ou pingas de ácido que podem cair de tubos ferrugentos. Escusado será dizer que basta um toquezinho para perdermos a vida e ter de recomeçar o nível em questão. Também tal como o Pharaoh’s Tomb teremos à nossa disposição uma arma que nos permite destruir as criaturas inimigas, mas uma vez mais a munição não é abundante e deve ser usado apenas em ultimo recurso.

O que não faltam aqui são alavancas e interruptores para interagir
O que não faltam aqui são alavancas e interruptores para interagir

A nível técnico, à primeira vista, Monument of Mars parece uma sequela de Pharaoh’s Tomb, já aqui analisado há pouco tempo atrás. O motor gráfico é semelhante, mais uma vez temos apenas gráficos em CGA, não há suporte a placas de som (nem música em PC speaker) e os menus são idênticos. Mas felizmente desta vez a detecção de colisões parece-me ser melhor, já não é o “quadrado” à volta da personagem que conta. É uma pena que não use um motor gráfico melhor, mas só por terem ultrapassado aquela limitação técnica irritante já compensa e bem o facto de os visuais ainda serem algo primitivos.

 

Raptor: Call of the Shadows (PC)

Já há alguns dias que não trazia cá nenhum artigo novo por questões profissionais que simplesmente não me deram tempo para o fazer. Sim, mesmo ao fim de semana! Portanto para compensar conto hoje escrever duas rapidinhas aqui para o blogue. A primeira vai ser sobre mais um jogo da minha infância que joguei bastante na sua versão shareware. Estou a falar do Raptor Call of the Shadows, produzido pela Cygnus Studios e publicado pela Apogee. É um dos shmups exclusivos de pc que eu acho mais bem conseguidos e tal como todos os outros jogos da Apogee que tenho na minha conta steam vieram cá parar através de bundles bem baratos. Este veio também da 3D Realms Anthology.

RaptorA história coloca-nos como um mercenário solitário a lutar contra um poderoso império. Sim, o cliché do costume que na verdade resulta muito bem neste tipo de jogos e nada mais é preciso. Mas é na jogabilidade e mecânicas de jogo que este Raptor marca os seus pontos. Isto porque o mesmo está dividido em 3 capítulos diferentes, com 9 níveis em cada. E à medida que vamos destruindo os inimigos que nos apareçam à frente, ganhamos dinheiro que pode posteriormente ser utilizado para customizar o nosso avião, ao comprar diferentes armas, escudos ou outros. E tendo em conta que apenas temos uma vida (se bem que também podemos salvar o nosso progresso), ter sempre um ou outro escudo de reserva não é má ideia. É que em graus de dificuldade maiores, ou em níveis mais avançados, iremos ser invadidos por imensas outras naves que nos descarregam com imengos projécteis e é practicamente impossível nos desviarmos de todos.

A nível gráfico a única coisa que me chateia um pouco é a forma modular como os edifícios explodem
A nível gráfico a única coisa que me chateia um pouco é a forma modular como os edifícios explodem

De entre as armas que podemos comprar, temos vários tipos de mísseis, armas que só atingem veículos voadores, outras que só atingem os tanques e bases terrestre que vamos atravessando, e outras que atingem tudo e mais alguma coisa, incluindo projécteis que perseguem os inimigos. Muitas dessas diferentes armas podem ser seleccionadas para funcionarem em paralelo com outras “principais”. E claro, temos também a mega bomba que destrói todos os inimigos presentes no ecrã, excepto os bosses que apenas lhes causa algum dano. Depois é só percorrer todos estes níveis e tentar destruir tudo o que nos apareça à frente! Simples, não?

Os escudos internos do nosso avião (barra da direita) podem ser lentamente regenerados enquanto não abrimos fogo. O ideal é ter um stock de escudos externos de reserva
Os escudos internos do nosso avião (barra da direita) podem ser lentamente regenerados enquanto não abrimos fogo. O ideal é ter um stock de escudos externos de reserva

Graficamente sempre achei este jogo muito capaz, estando repleto de pequenas cutscenes que sempre me pareceram bem animadas e depois aquele hangar onde podemos escolher uma série de coisas entre cada nível, ou o próprio interface de “loja online do mercado negro” onde podemos comprar as nossas armas e outros power ups também me pareceram muito bem conseguidos. Nos níveis em si acho que os veículos estão bem desenhados, a única coisa que não gostei muito foi da maneira como desenharam os edifícios a explodir, parece-me ser uma coisa bastante modular. Mas são só pequenas picuinhices. As músicas apesar de não serem propriamente más, acho que se tornaram bastante discretas para o jogo em questão, sendo completamente ofuscadas pelo barulho de balas a serem disparadas e explosões.

Apesar de não ser um jogo perfeito, sempre achei este Raptor bastante competente. E de todos os shmups que foram sendo criados de forma exclusiva para o PC durante o apogeu do DOS gaming, sempre achei este o mais interessante.