Go! Go! Nippon! ~My First Trip to Japan~ (PC)

Voltando às rapidinhas para mais uma análise a um jogo indie que é algo peculiar. Go! Go! Nippon! ~My First Trip to Japan~ é mais uma visual novel típica do mercado japonês. É uma das primeiras, senão mesmo a primeira do género a sair no Steam e ao contrário da grande maioria de jogos deste género com o seu conteúdo hentai, este apesar de ter algum fanservice ligeiro e romance, o grande foco é mesmo dar a conhecer o Japão, os locais mais interessantes a visitar e uma estimativa das despesas gastas em transportes, alimentação e afins. O jogo deu entrada na minha colecção algures durante o mês passado, tendo sido comprado num bundle do IndieGala em conjunto com outros jogos como o Vanguard Princess.

Go Go Nippon! My First Trip to JapanInicialmente o jogo pede-nos o nome e qual a taxa de conversão de dólares ou euros para o yen. Este último achei estranho e logo vi que esta não seria uma visual novel normal. Depois a história lá começa, nós encarnamos num jovem rapaz que é fascinado pelo Japão e que está a fazer a sua primeira viagem ao país. Durante o ano anterior manteve sempre contacto com os irmãos Akira e Makoto e ficou combinado que passaria uma semana em casa deles, nos subúrbios de Tóquio. Mas quando chega a Tóquio descobre que tanto Akira como Makoto, apesar de terem nomes comuns de rapazes são na verdade 2 belas raparigas. E pior, vai estar sozinho em casa delas pois os pais tiveram uma emergência qualquer no trabalho e tiveram de se ausentar. Isto é a receita típica de qualquer visual novel hentai (eu não sei! contaram-me!), mas neste jogo o foco não está aí, apesar de ao longo da semana podermos criar um romance com uma das 2 raparigas.

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Makoto e Akira, as duas irmãs que servem de guias turísticas ao longo do jogo

Após esta introdução lá vemos que este jogo é mais um guia turístico interactivo que outra coisa. Nos primeiros 3 dias podemos escolher 1 de 6 destinos a visitar, todos eles diferentes províncias de Tóquio como Akihabara, Shinjuku ou Shibuya, cada um com as suas peculiaridades. Cada destino tem uma das irmãs como guia turística, algo que só sabemos quem nos calha na rifa após escolher o destino a visitar. No fim de contas vai dar sempre pelo menos 2 destinos com uma das raparigas e é com essa que o romance se vai desenrolando. Depois desses 3 dias temos uma viagem de 2 dias a parte tradicional de Kyoto e o último dia podemos visitar Yokozuna ou Kamakuna, mediante qual a rapariga que nos apaixonamos.

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As 6 diferentes localidades de Tóquio que podemos visitar nos primeiros 3 dias.

Pseudo-romances à parte, o jogo impressionou-me pela quantidade de informação debitada em todos os locais que foram visitados e acima de tudo dá-nos uma estimativa  de quanto custariam bilhetes para os mais variadíssimos transportes, ou mesmo o valor típico de algumas refeições – que a ser verdade, foi mais barato do que o que acharia. Fiquei a saber que no Japão existe o cartão SUICA que à semelhança do Andante do Porto ou respectivos homólogos lisboetas nos permitem andar numa série de transportes públicos urbanos e não só, como método de pagamento em vending machines e existindo até telemóveis que permitem utilizar o saldo desse cartão nas comunicações.

Outra coisa que achei interessante é o facto do texto vir em 2 linguagens: os caracteres originais japoneses e sua tradução para inglês. No entanto, em expressões mais comuns como itadakimasu, a palavra não é traduzida, mas é mostrada uma nota no texto referindo o seu significado e utilização. De resto a jogabilidade é a típica de uma visual novel: clicar no texto ad aeternum para a história se ir desenrolando. De vez em quando temos direito a optar algumas coisas, algo que é feito utilizando o rato. Mas não deixa de ser um jogo bastante linear, com 2 playthroughs consegue-se completá-lo. Felizmente temos a opção skip text, bastante útil quando estamos a rejogar algumas secções e não quisermos levar com todos aqueles blocos de texto em cima.

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No canto inferior direito vemos algumas opções rápidas, como o skip text, auto scroll ou ver os diálogos anteriores.

Os visuais são simples e muito “estáticos” como acontece geralmente nas visual novels. O artwork das personagens é puramente inspirado em anime como não poderia deixar de ser, mas como este é um jogo mais “guia turístico” que outra coisa, as representações das localidades e pratos tradicionais são mais realistas. A música é variada, com algumas melodias rockalhadas mais upbeat ou outras mais calminhas, como aquela mais tradicional sempre que se visita algum templo.

No fim de contas é um pequeno jogo que apenas recomendo por todas as curiosidades que são apresentadas da história e cultura japonesa bem como todas as dicas que são dadas a quem visitar o Japão pela primeira vez.

1953 – KGB Unleashed (PC)

Voltando a mais uma rapidinha indie, a um jogo em que terminei em pouco mais de 2 horas. 1953 – KGB Unleashed é uma aventura gráfica na primeira pessoa, passada num bunker no subterrâneo de Moscovo, precisamente no ano de 1953, em pleno clima de guerra fria entre a União Soviética e os Estados Unidos. Pelo nome pensei que se fosse tratar de uma aventura gráfica que envolvesse teorias de conspiração e espionagem dessa época, algo pelo qual sempre tive algum fascínio. Infelizmente não foi esse o caso. O jogo deu entrada na minha colecção há coisa de um mês, onde o ganhei num sorteio.

1953 - KGB UnleashedA aventura começa connosco a acordar num bunker aparentemente abandonado e sem memórias do que fomos lá fazer. Ao consultar o nosso inventário inicial, onde apenas possuimos um documento, conseguimos ver que o personagem se cham Gleb Ivanovich Nikolayev e é um engenheiro de comunicações. Sem saber mais, tentamos sair da sala em que estamos e à medida em que vamos explorando o bunker, vamo-nos apercebendo das experiências paranormais que estavam lá a fazer, na sua maioria através dos inúmeros relatórios e documentação militar que vamos descobrindo. Os puzzles em si tanto podem ser relativamente simples, como concertar um gerador eléctrico ou destrancar portas, como podem ser bem mais complicados, exigindo ao jogador que leia com muita atenção os textos que tem ao seu dispor, que por vezes conseguem ser muito densos.

De resto as mecânicas de jogo são muito semelhantes à do Myst e jogos similares, onde exploramos o bunker inteiramente na primeira pessoa e, apesar de nos podermos virar a 360º com o rato, apenas podemos avançar clicando no rato em várias partes do ecrã, que nos levam na direcção que queiramos ir. Os puzzles exigem sempre objectos, pelo que também temos de recolher imensos desses itens, como manda a praxe neste tipo de jogos.

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Os gráficos apesar de estarem numa baixa resolução, estão bem detalhados

Graficamente é um jogo bonitinho, apesar de não ser nada de extraordinário, os cenários prérenderizados e estáticos estão muito bem representados e dão-nos mesmo a sensação de estarmos num bunker soviético. As músicas vão sendo mais ambiente, embora tenha gostado bastante daquela parte em que temos de sintonizar um rádio para abrir uma passagem secreta. Muitas emissões em onda curta, e muitas estações creio que estalinistas, mas não consegui perceber nada do que vinha a ser dito. Infelizmente o voice acting, apesar de simples pois ao longo de todo o jogo deveremos ouvir umas 3 vozes diferentes excepto quando andamos a brincar no rádio, e todas essas vozes são num inglês bem americano. Preferia que fosse mesmo russo a acompanhar as respectivas legendas, mas ouvir um sotaque americano parece-me completamente despropositado. Ao menos arranjavam alguém com naturalidade russa para ao menos dar um sotaque.

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Este é um dos documentos que podemos encontrar e ler. Alguns são bem extensos, mas também têm pistas importantes para os puzzles que lhe seguem

Infelizmente, quando o jogo estava a ficar bem interessante, as coisas acabam abruptamente. Apesar de ter alguns puzzles mais exigentes (restituir o sistema de circulação de ar foi um puzzle complicado), o jogo acaba por ser muito curto, e o final completamente inesperado não me fez sentido nenhum. É pena. Ainda assim para os fãs de jogos de aventura, se o conseguirem arranjar num bundle indie jeitoso a baixo preço, é uma opção a considerar.

The Basement Collection (PC)

Vamos lá voltar às análises aos indie, e desta vez trago aqui uma interessante compilação de vários destes jogos. The Basement Collection é uma colectânea de trabalhos mais antigos de Edmund McMillen, uma das mentes por detrás do fantástico Super Meat Boy, e que contribuiu com artwork para muitos outros jogos indie, como o The Binding of Isaac. Esta compilação entrou na minha colecção steam já no ano passado se a memória não me falha, tendo sido adquirida num dos muitos bons humble bundles que nos foram sendo apresentados.

The Basement Collection - PCInicialmente dispomos de sete jogos para jogar, todos eles baseados em flash, já tendo sido lançados anteriormente em sites como o Newgrounds, no entanto incluem vários extras como níveis adicionais ou editores de níveis. Desses jogos temos o Aether, um dos jogos com uma mensagem mais pessoal. A personagem principal é um rapaz que tem de crescer, para isso viaja pelo espaço até outros planetas, onde descobre outras pessoas deprimidas com a vida, por variadas razões. Ao resolver os puzzles nesses planetas as suas “dúvidas existenciais” também vão desvanescendo. O Time Fcuk é provavelmente o jogo que mais gostei da compilação e é um puzzler bem desafiante. É um jogo que tanto faz lembrar o Portal como a jogabilidade trial-and-error de um Meat Boy. Basicamente temos de encontrar a saída de cada nível, e para isso temos de ir alternando entre vários “planos de existência”. Pensem no jogo como se fosse passado em várias camadas de papel e temos de alternar entre elas, evitando obstáculos e manipulando também a gravidade. O Spewer foi um jogo que eu não me consegui mesmo habituar. Nele controlamos uma estranha criatura ao longo de vários níveis de platforming, mas ao invés de saltar, temos de usar um mega-vómito como sistema de propulsão. Temos é uma reserva limitada de vómito, e muitas vezes temos de voltar a ingerir o que mandamos boca fora para os saltos seguintes. Yac.

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Time Fcuk é dos jogos mais mindfuck que já joguei

Grey Matter é outro jogo bem estranho. É uma espécie de shooter, onde não atiramos nos inimigos. Temos no entanto de os “atropelar”, evitando ser atingido pelos tiros deles. No entanto, ao destruirmos um inimigo, forma-se uma linha até ao próximo inimigo que destruímos e por aí em diante até formar um triângulo. Nessa altura, tudo o que estiver dentro do triângulo é também destruído e podemos recomeçar o processo. O Meat Boy dispensa quaisquer apresentações e pode ser visto como um protótipo ao Super Meat Boy lançado mais tarde. Coil é outro jogo bem bizarro, sendo uma história interactiva com controlos que vão variando à medida em que vamos progredindo no jogo. É mais um jogo abstracto em que me parece que vamos assistindo ao percurso de uma vida, supostamente conta a origem do Dr. Fetus, o vilão do Super Meat Boy. É um jogo engraçado na medida em que vamos estando completamente perdidos do que temos de fazer em cada fase do jogo, mas assim que descobrimos o que é pretendido, então tudo faz sentido. Por fim temos o Triachnid, mais um jogo fora do comum onde controlamos individualmente as 3 patas de uma aranha e temos de a guiar ao longo dos vários desafios.

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Spewer é um jogo bem desafiante. Eu pelo menos não consegui atinar com ele.

Para além dos jogos temos imensos extras, alguns já vêm desbloqueados de início, outros teremos de os desbloquear chegando ao final dos jogos. Nesses extras temos muitos sketches, artwork, vídeos, fotos, protótipos, entrevistas ao Edmund McMillen e trechos que não chegaram a sair no filme Indie Game: The Movie. Outras coisas como uma banda sonora, comic books, ou mesmo o mini-jogo Abusive Video Game Manipulation, que é desbloqueado ao chegar ao final de Coil. Como se ainda não bastasse, escondidos nas pastas do Steam estão outros jogos bem mais antigos, que sinceramente não cheguei a experimentar: Clubby the Seal, Dumpling e os  Weltling 1 e 2. Como podemos ver, existe imenso conteúdo a desbloquear, mas visto a natureza “hardcore” de muitos jogos, como o Meat Boy ou o Spewer, não será tarefa fácil.

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Exemplo de artwork que podemos ver e/ou desbloquear

Graficamente todos estes jogos (tirando o Meat Boy e o Time Fcuk com o seu look bem mais retro) têm o aspecto típico de jogos flash da velha guarda. E para quem gosta do artwork bizarro de Edmund certamente irá gostar dos visuais apresentados em todos os jogos. As músicas são também muito variadas, sendo completamente diferentes entre si consoante o jogo em questão.

Acho que este The Basement Collection vale precisamente pela oportunidade que nos dá ao explorar a mente de uma das pessoas mais criativas da cena indie. Todos os jogos são completamente distintos entre si, e tanto temos as coisas da “Nintendo hard way of living“, como podemos ver videojogos, ou conceitos de videojogos bem mais abstractos e artísticos, o que a meu ver ilustram perfeitamente as 2 vertentes que mais me interessam na cultura indie gaming.

Edna & Harvey: The Breakout (PC)

A Daedalic é uma produtora alemã que já tive o prazer de jogar e analisar muitos dos seus jogos de aventura point and click. O Edna & Harvey: The Breakout é inclusivamente o primeiro jogo que a Daedalic desenvolveu, cujo lançamento original já data de 2008. No entanto apenas chegou ao steam em 2013, se não estou em erro, bem depois de a sequela Edna & Harvey: Harvey’s New Eyes ter sido lançada. O jogo teve a sua origem como um projecto universitário e isso nota-se bem à medida em que vamos jogando. E lá veio parar à minha colecção num dos Humble Bundles, creio que foi no próprio Weekly Bundle dedicado à Daedalic, tendo ficado bem barato no conjunto.

Edna and Harvey The BreakoutComo seria de esperar pelo nome, neste jogo controlamos Edna e Harvey. Edna é uma rapariga aprisionada num asilo, por motivos inicialmente desconhecidos e Harvey é o seu coelho de peluche falante – que obviamente apenas fala na sua imaginação. A única coisa que sabemos é que Edna aparentemente é maltratada pelo director lá do sítio, o médico Dr. Marcel, que por acaso era seu vizinho de infância. Edna é orfã, o seu pai foi condenado à pena de morte por aparentemente ter assassinado o filho de Marcel, que também era “amigo” de Edna. A única coisa que Edna sabe é que todos os dias o Dr. Marcel tenta-lhe apagar a memória, suspeitando que o psiquiatra tenta encobrir alguma coisa do seu passado e sempre acreditando que o seu pai é inocente. O jogo todo consiste em levarmos a dupla de Edna e Harvey a fugir do asilo e tentar então encontrar o que aconteceu no seu passado, provar a inocência do seu pai e incriminar o Dr. Marcel.

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Estes são os “gémeos siameses” lá do sítio

As mecânicas de jogo são algo arcaicas, mesmo como os grandes clássicos do género. Como qualquer point and click que se preze, temos de clicar em todos os objectos no ecrã, interagir e misturá-los, falar com todas as personagens e tentar resolver uma série de puzzles para progredir na história. Mas para isso, temos sempre de escolher uma de quatro acções, disponíveis na parte de baixo do ecrã: look to, talk to, use ou pick up. Existem vários jogos deste género que fazem estas opções de uma forma mais intuitiva, e isso foi algo que a Daedalic foi aprendendo ao longo dos seus jogos. Mas não deixa de ser interessante tentar fazer combinações estapafúrdias de itens e objectos só mesmo para ouvir a resposta, e no entanto algumas dessas coisas até funcionam! Sim, este é daqueles jogos em que alguns dos puzzles acabam por não ter lógica nenhuma mas hey, isto é passado num manicómio, portanto vale tudo. Existem também uma série de coisinhas que podemos fazer que não têm influência nenhuma na história, nomeadamente vandalizar com canetas, ketchup e mostarda o escritório do Dr. Marcel e outras salas, ou mesmo amassar e arranhar o seu caro carro.

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Em algumas partes do jogo “voltamos ao passado” para relembrar algumas coisas do passado, nestes momentos a jogabilidade é um pouco diferente, podemos controlar também o Harvey

Visualmente é um jogo simples. Infelizmente a adaptação para computadores modernos, mesmo para os padrões de 2008 não é a melhor. Sendo assim eu acabei por preferir jogá-lo no modo janela, de outra forma a resolução tão baixa estragava um pouco as coisas. O jogo tem um aspecto cartoonish bastante insano, o que se adequa perfeitamente ao tema. No entanto nota-se perfeitamente que as animações simples, e em algumas situações até inexistentes foram mesmo fruto de este ser um jogo com origens num projecto académico. Aliás, mesmo no próprio jogo isso é ironizado por várias vezes pelos próprios criadores de jogo. Uma das secções que temos de atravessar é quando entramos numa sala de terapia de grupo. O tema? Terapia para Game Designers, onde o criador do jogo se lamenta por ter achado uma óptima ideia ter feito um jogo destes para o seu projecto de tese e ter de animar sozinho todas as possíveis animações num curto intervalo de tempo de alguns meses.

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Esta é a cela de Edna, logo no início do jogo

Os diálogos são sempre bem humorados, e como conhecemos todos os outros pacientes daquele manicómio, não podem esperar personagens mentalmente muito estáveis, e com isso os diálogos também vão sendo bastante surreais. Infelizmente na recta final do jogo acontecem algumas coisas bem mais “sérias”, que me deixaram assim um pouco impressionado, por não estar mesmo nada à espera do tom que essas coisas tomaram. Prefiro não “spoilar” pormenores, mas quem já jogou este jogo até ao fim creio que sabe bem do que me refiro. De resto os diálogos (experimentei naturalmente o voice-acting em inglês) parecem-me competentes, mas lá está, a Daedalic depois acabou por fazer bem melhor. O mesmo para as músicas, que tirando a música título, bastante alegre e viciante, as restantes cumprem bem o seu papel, mas depois acabam por passar despercebidas.

Assim sendo, Edna & Harvey: The Breakout se calhar é um jogo um pouco caro para o preço base que vemos na loja do Steam. O facto de ter sido um projecto académico e o produto final ser inferior a muitos outros jogos que a Daedalic acabou por desenvolver, é uma razão pela qual eu venderia esse jogo mais barato como preço base. No entanto não deixa de ser divertido e bem humorado, pelo que se o voltarem a ver numa boa promoção e gostarem de jogos deste género, então certamente será uma boa compra.

A Walk in the Dark (PC)

Voltando aos indies para mais um jogo português, desta vez do estúdio Flying Turtle. A Walk in the Dark é um interessante jogo de plataforma que apesar de não primar pela originalidade, não deixa de ser um jogo bem conseguido. Digo que não prima pela originalidade pois possui influências notórias de outros jogos indie como Limbo, Super Meat Boy ou VVVVVV. Mas isso já veremos. Este jogo entrou na minha colecção digital do Steam algures durante o ano passado, tendo-me saído num sorteio.

A Walk in the Dark

A história de A Walk in the Dark é simples: a menina Arielle e o seu gato de estimação Bast estavam a desfrutar de um passeio quando subitamente o mundo torna-se negro e Arielle é levada por uma criatura misteriosa. Sendo assim, resta-nos controlar Bast pelo sinistro mundo em que se encontra, de forma a resgatar Arielle. E vamos então viajando por diversos “mundos” diferentes ao longo de 100 níveis, onde tanto controlamos Bast, como Arielle, sendo que existem níveis com mecânicas de jogo diferentes. Começando por Bast, como felino é bastante ágil, e nos seus níveis vamos encontrando diversos obstáculos à lá Super Meat Boy, desde espinhos, serras e lâminas diversas, outros inimigos ou mesmo bolas projécteis de canhão, onde nos temos de esquivar com saltos planeados ao milímetro, incluindo entre paredes. Nalguns níveis jogamos com Arielle e tal como Bast teremos de chegar do ponto A ao ponto B evitando imensos obstáculos e perigos à espreita. A diferença é que Arielle não consegue saltar, a sua habilidade consiste em alternar a gravidade livremente, utilizando as mesmas teclas de salto ou agachar de Bast, alternando a gravidade de forma a “puxar” para cima ou baixo.

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O objectivo de cada nível está em alcançar aquele foco de luz que serve de meta

Outros níveis em que jogamos com Bast vão também buscar este jogo com a gravidade e outras coisas. Em certos níveis vemos um scrolling automático, onde o único controlo que temos é saltar com o gato de forma a escapar dos obstáculos, ou mesmo alternar a gravidade da mesma forma que Arielle o consegue fazer. Lá mais para a recta final, existem ainda uns níveis de platforming “normais” que alteram a gravidade sempre que tocamos nuns pontos luminosos próprios para o efeito. No geral, como seria de esperar este é daqueles jogos com um platforming exigente, que nos tirará muito do nosso tempo e paciência, mas temos vidas infinitas e podemos rejogar cada nível as vezes que quisermos. Existem ainda uns achievements internos que nos premeiam se conseguirmos apanhar o “shiny” escondido em cada nível (geralmente em locais mais perigosos de se lá chegar), no caso dos níveis normais temos um achievement para o speed-running, e nos que têm scrolling automático somos premiados se conseguirmos concluir o nível à primeira, sem morrer uma única vez.

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Os backgrounds apresentam bonitos jogos de cor e luz, nem tudo é negro nesta aventura

Visualmente é impossível não referenciar Limbo com o seu visual monocromático e silhuetas. No entanto enquanto as coisas em Limbo eram completamente monocromáticas, aqui é apenas o foreground que é totalmente negro. De fundo vamos tendo bonitos backgrounds que, embora não sejam completamente coloridos, dão uma outra vida e um contraste diferente a esta aventura. A acompanhar os bonitos visuais está uma banda sonora que usa e abusa do piano, com melodias bastante calmas e suaves, servindo assim para um excelente contraste com a jogabilidade tentativa-erro capaz de irritar monges tibetanos, mas que não deixa de ser altamente viciante.

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Lá para o final as coisas começam a ficar bem mais desafiantes

Por fim convém também referir que podemos também desbloquear uma série de níveis mais difíceis na categoria “Challenge”. E sim, logo o primeiro nível é uma dor de cabeça como não vemos no jogo todo, pelo que quem quiser buscar um desafio ainda maior terá aqui algo mais com que se entreter. Infelizmente, e não sei se é bug do próprio jogo ou do Steam, apesar de ter concluído os 100 níveis, não consegui ver o final do jogo. Isto aconteceu porque há uns dias atrás o steam estava com alguns problemas na cloud e não me fez um tracking correcto dos achievements, e penso que terá sido por isso que o jogo “passou-se” e após concluir o último nível o jogo colocou-me novamente no início do nível. Lá tive de ir ao youtube ver a cutscene final e os ending credits mas também não se perdeu grande coisa, a não ser este pequeno sentimento de orgulho ferido por não ter tido esta recompensa final após ter chegado ao fim deste jogo desafiante.

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As brincadeiras com a gravidade estão bem conseguidas

Concluindo, apesar de A Walk in the Dark ser um jogo que vai buscar influências ao level design de tentativa-erro e viciante de Super Meat Boy, as brincadeiras com a gravidade de VVVVVV ou os visuais inspirados pelo Limbo, acaba por ser um óptimo jogo de plataformas que, para quem tenha gostado desses jogos referidos, certamente irá achar piada a este jogo. E é um jogo português, coisa que é sempre de enaltecer.