Alien Carnage (PC)

A rapidinha de hoje, agora que voltei à civilização, é sobre mais um dos jogos cuja versão shareware muito tinha jogado eu no meu velhinho Pentium. Mais uma vez algo do catálogo da Apogee, o Alien Carnage, mas também conhecido como Halloween Harry nas suas primeiras versões. E tal como muitos outros jogos da Apogee presentes na minha conta do Steam, este veio também na 3D Realms Anthology que por sua vez foi comprada a um preço bastante reduzido num bundle da Bundle Stars, há uns meses atrás.

Alien CarnageEm Alien Carnage encarnamos no herói Harry que tem a pesada missão de salvar os humanos de 2 clichés num só: uma invasão alienígena e um apocalipse zombie (provocado pelos aliens). Para isso temos equipados um lança chamas e um jetpack com combustível partilhado, sendo que ao longo do jogo, com o dinheiro que vamos amealhando ao derrotar os inimigos que nos aparecem à frente poderemos comprar outras armas e munições em várias máquinas de vending que vão aparecendo. Coisas úteis como granadas, mísseis tele guiados, bolas de plasma ou mesmo pequenas nukes passam a dar muito jeito. Como o lança chamas e jetpacks têm combustível partilhado, temos de ter alguma moderação no seu uso, o que nem sempre é fácil pois os inimigos fazem respawn e não existe qualquer botão de salto, com o jetpack a ser necessário para subir tudo e mais alguma coisa. Pode acontecer ficarmos presos nalgum abismo sem hipóteses de subir. Então, para facilitar um pouco as coisas, o combustível pode ser reabastecido de forma gratuita nas máquinas de vending respectivas. Sempre que virem uma, não custa nada reabastecer!

Ao longo do jogo iremos encontrar várias máquinas de vending que nos permitem adquirir diferentes armas e restabelecer o nosso stock de munições. Aqui representada a máquina de vending dos mísseis tele-guiados, sem dúvida a arma mais útil de todo o jogo.
Ao longo do jogo iremos encontrar várias máquinas de vending que nos permitem adquirir diferentes armas e restabelecer o nosso stock de munições. Aqui representada a máquina de vending dos mísseis tele-guiados, sem dúvida a arma mais útil de todo o jogo.

Para verem um pouco mais das coisas em movimento, aconselho este meu vídeo no youtube onde jogo um pouco do Alien Carnage:

Uma das minhas gaffes nesse vídeo é em relação aos terminais. O que eu pensava que marcavam checkpoints, são na verdade save points que nos permitem gravar o progresso no jogo. De resto dá para ver que o mesmo é desafiante quanto baste, pois os inimigos fazem respawn por vezes de uma forma algo rápida demais, e nos graus de dificuldade “não easy” não é difícil vermos a nossa vida a descer vertiginosamente. Felizmente que a mesma pode ser restabelecida com alguns power ups para o efeito, ou de cada vez que resgatemos um refém. Algo que eu também não sabia era que a ordem de níveis foi trocada aquando da mudança de nome de Halloween Harry para Alien Carnage. A missão 3 no Alien Carnage era a primeira missão no Halloween Harry, o que depois até acaba por ser notório, com a quantidade de dicas e explicações das mecânicas de jogo que nos são dadas.

A nível de audiovisuais é um jogo bastante competente. Já com gráficos em VGA e suporte completo a placas de som, este acaba por ser um jogo bastante colorido, bem detalhado graficamente (e com vários inimigos a lembrarem outras séries como Alien ou Gremlins) e as músicas têm sempre um feeling mais rock que eu bem aprecio. Um óptimo jogo de plataformas que recomendo vivamente! E desde que foi tornado freeware em 2007 deixaram de haver desculpas!

Dracula 4 and 5 Steam Edition (PC)

A rapidinha de hoje incide sobre os últimos capítulos da série de aventuras na primeira pessoa sobre o vampiro mais famoso de sempre. E se o Dracula 3 foi um interessantíssimo renascer de uma série cujos primeiros capítulos eram ainda algo amadores, estes dois últimos acabaram por se revelar uma desilusão, infelizmente. Mas já lá vamos. E tal como os outros títulos desta série, deram entrada na minha colecção de steam através de um bundle, comprados a um preço muito reduzido.

headerEm vez de continuar a história iniciada no seu predecessor, que tinha culminado em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o jogo leva-nos aos tempos mais modernos, algures no final da década de 80, de acordo com o equipamento tecnológico que vamos vendo. A protagonista chama-se Ellen Cross e trabalha para um importante museu de arte em Nova Iorque, museu esse que esperava uma importantíssima encomenda de arte vinda de um coleccionador privado de Inglaterra. Acontece que, numa grande tempestade no Atlântico, essas obras de arte tinham sido perdidas no fundo do mar. Até que o museu recebe uma notícia que um dos quadros foi encontrado em Budapeste, levando-nos até lá. A partir daí vamos tentar encontrar o rasto dos outros quadros desaparecidos e ligações ao oculto e invariavelmente a Drácula começam a ser traçadas.

O primeiro cenário que visitamos é o de uma esquadra de polícia algures em Budapeste
O primeiro cenário que visitamos é o de uma esquadra de polícia algures em Budapeste

Infelizmente, como títulos separados, são ambos bastante curtos. Não é por acaso que no steam se encontram os dois jogos num único pacote, até porque foram lançados no mesmo ano e são a sequela directa um do outro. E se por um lado eu preferia de longe aquele setting dos anos 20 numa Roménia desvastada pela primeira grande guerra, a maneira como a história estava sendo contada no Dracula 3 era perfeita, as coisas levavam o seu tempo e ia havendo uma espécie de crescendo na narrativa. Aqui tudo parece feito mais À pressa e de forma algo desconexa, o que para mim é o ponto mais negativo que posso traçar nestes 2 jogos face ao seu predecessor. De resto a a jogabilidade é muito idêntica, sendo na mesma um jogo de aventura point and click na primeira pessoa, com a movimentação a dar-se de ecrã em ecrã, mas com a liberdade de podermos olhar em qualquer direcção. Vamos ter vários puzzles lógicos para resolver, e muitos objectos para interagir e manipular. A grande diferença face aos outros jogos da série é que Ellen possui um grave problema de saúde e tem de constantemente tomar medicação. Os medicamentos não são ilimitados e se deixarmos a barra de energia de Ellen chegar a um mínimo deixamos de nos conseguir mover ou realizar algumas acções. Sinceramente é algo que também achei um pouco desnecessário.

Ellen Cross, a protagonista destes Dracula 4 e 5. Infelizmente não tem metade do carisma do padre de Dracula 3
Ellen Cross, a protagonista destes Dracula 4 e 5. Infelizmente não tem metade do carisma do padre de Dracula 3

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo mantém-se com os seus gráficos pré-renderizados, bem à moda do que o Myst nos habituou há carradas de anos atrás. Já tinha gostado dos gráficos de Dracula 3, e nestes 2 jogos os mesmos são ainda mais detalhados. Só as animações faciais das personagens é que me pareceram ser um passo atrás. Mas não adianta ter gráficos mais bonitos se a ambientação e a própria narrativa não é a melhor. Mais uma vez digo, é essa a maior falha destes Dracula 4/5 e é uma pena que assim seja.

Dracula 3 The Path of the Dragon (PC)

Os Dracula anteriores eram jogos de aventura interessantes, mas tinham o seu quê de amadorismo, tanto nos visuais como nos próprios diálogos, que tiveram direito a traduções e voice overs integrais em Português e o resultado não foi grande coisa. Mas algo mudou no terceiro jogo da série, uma vez mais com a Microids à sua frente, este The Path of the Dragon revelou-se num excelente jogo de aventura, bastante competente a todos os níveis. Tal como os anteriores no steam, este deu entrada na minha conta através de um bundle, onde foram todos comprados a um preço bastante reduzido.

Dracula_3_-_The_Path_of_the_DragonEste novo capítulo descarta os acontecimentos narrados nos dois jogos anteriores, acabando por decorrer no início da década de 1920. Encarnamos no padre Arno Moriani, que pertence a uma ordem sagrada no Vaticano e é enviado para a Transilvânia de forma a investigar a possível canonização de uma Martha Calugarul, médica e cientista que havia recentemente falecido. E ao lá chegar, teremos de invariavelmente investigar o passado de Martha e à medida que o vamos fazendo, começamos a notar que algo de estranho se passa naquela zona, até que acabamos mesmo por investigar o paradeiro do próprio Drácula.

Durante o jogo teremos muitos objectos para interagir, mas felizmente o inventário é bem grandinho
Durante o jogo teremos muitos objectos para interagir, mas felizmente o inventário é bem grandinho

A jogabilidade é idêntica à de muitos jogos deste género, pois este continua a ser um jogo de aventura na primeira pessoa, onde temos a liberdade de olhar em qualquer direcção, mas apenas nos podemos movimentar onde os ponteiros do rato nos levem. Dialogar com outras pessoas, interagir e combinar objectos é algo que iremos também fazer bastante. Mas desta vez tudo (ou quase tudo) tem bastante lógica e acabaremos mesmo por nos sentir detectives, ao investigar salas, procurar por pistas escondidas e resolver alguns puzzles de forma a progredir no jogo. E textos e gravuras são coisas que não faltam para analisar, até obras inteiras como a Bíblia ou o Drácula de Bram Stoker podem ser consultadas na íntegra no nosso inventário. Para quê? É verdade que podemos ler ambos os livros se estivermos bastante entediados, mas temos ali uma opção que se chama de “random page”. Em certos pontos do jogo teremos mesmo de usar essa opção para recolher algumas pistas de como prosseguir.

Muitos dos puzzles que temos de resolver aplicam-se a situações algo corriqueiras e são lógicos para resolver.
Muitos dos puzzles que temos de resolver aplicam-se a situações algo corriqueiras e são lógicos para resolver.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo de 2008 e como tal apresenta um grafismo muito melhor aos seus predecessores. É verdade que mesmo sendo gráficos pré-renderizados se poderia esperar muito mais, mas sinceramente acho que fizeram um bom trabalho. As animações e expressões faciais são muito mais convincentes, assim como os cenários que fazem um óptimo papel em nos levar até uma zona rural e algo decadente ainda com um clima de pós-guerra. A narrativa está também muito bem conduzida, com algumas personagens bem caracterizadas. Sem dúvida um salto muito grande a nível de qualidade face a quase qualquer jogo da Microids que tinha jogado até então.

Word Rescue / Math Rescue (PC)

Word RescueHoje a rapidinha que cá vos trago abrange 2 jogos distintos, desenvolvidos pela RedWood Games e publicados pela Apogee. Naturalmente que entraram na minha conta do Steam através da compilação 3D Realms Anthology, que tinha sido comprada por uma bagatela num conjunto de jogos da Bundle Stars. E o que têm ambos os jogos em comum, para além de serem das mesmas empresas? São ambos videojogos didáticos!

Math RescueTanto num como no outro temos como vilões a raça de extraterrestes dos Gruzzles. No Word Rescue os bichinhos roubaram todas as letras do mundo e é o nosso objectivo de as recuperar! O jogo segue então algumas mecânicas de platforming, onde ao tocar nos quadradinhos com um ponto de interrogação nos aparece uma palavra e teremos de encontrar a imagem respectiva a essa mesma palavra. Teremos de fazer isso em todas as palavras disponíveis no nível até progredir à próxima. Também temos alguns inimigos para evitar, para os atacar podemos chamar o nosso amigo Benny the Bookworm para que lhes atire com um balde de tinta, imobilizando-os. A tinta não é infinita, pelo que teremos de econtrar baldes de tinta espalhados pelos níveis para restabelecer as “munições”. No Math Rescue a premissa é semelhante, onde para além dos Gruzzlers temos uma outra raça alienígena para temer, os Glixerians. Aqui foram os números que desapareceram da terra, e teremos uma vez mais de os encontrar, ao resolver contas matemáticas! Uma vez mais teremos o jogo dividido em vários níveis com algum platforming à mistura, os inimigos são atacados com tinta, mas para progredir de nível, antes de desbloquear a porta de saída teremos de resolver várias contas matemáticas que nos são apresentadas no ecrã. Na verdade as contas não são apresentadas, mas sim um problema como o que resolvíamos na primária. “O joaquim tinha duas maçãs e comeu três, com quantas ficou?”. A partir daí teremos apenas de escolher o resultado de resposta ao problema. Mediante o grau de dificuldade escolhido poderemos ter contas mais ou menos difíceis de fazer.

Em Word Rescue temos de associar palavras a figuras espalhadas pelos níveis
Em Word Rescue temos de associar palavras a figuras espalhadas pelos níveis

Graficamente eram jogos simples, apesar de já serem em EGA e com gráficos relativamente bem detalhados. Ao longo de ambos os títulos as paisagens vão desde coisas algo medievais, rurais, até a estações espaciais e viagens pelo sistema solar, sem esquecer também a Candy Land de Math Rescue ou as casas assombradas de Word Rescue. As músicas já não são em PC-Speaker e são agradáveis, embora não haja nenhuma que se sobressaia particularmente. Os efeitos sonoros, esses lá continuam a ser em PC-Speaker, não há outra hipótese.

Já em Math Rescue temos de resolver cálculos matemáticos. Ao tocar em quadrados numerados como o da figura, somos levados a resolver um problema matemático
Já em Math Rescue temos de resolver cálculos matemáticos. Ao tocar em quadrados numerados como o da figura, somos levados a resolver um problema matemático

Tanto um jogo como o outro parecem-me boas escolhas para quem na altura andaria atrás de algo didático para as suas crianças. Pelos vistos ambos fizeram sucesso suficiente que receberam sequelas, embora a Apogee já não as tenha publicado.

Paganitzu (PC)

A rapidinha de hoje incide sobre mais um jogo publicado pela Apogee, e este é também daqueles que na altura me tinha passado um pouco ao lado, só o vim a jogar bem recentemente após ter comprado a compilação 3D Realms Anthology a um preço extremamente reduzido num bundle do Bundle Stars.

PaganitzuE este acaba por ser um jogo que vai buscar influências ao clássico Sokoban, embora pouco tenha a ver com o mesmo. É também uma sequela do Chagunitzu, jogo esse que não tem nenhuma relação com a Apogee. O protagonista é o explorador/arqueólogo Alabama Smith, mais uma influência do Indiana Jones, e ao longo dos 3 diferentes episódios que contemplam a história, iremos explorar uma grande pirâmide Azteca e o que começa com a simples ambição de encontrar tesouros arquelógicos, culmina na luta contra uma entidade maléfica que tenciona dominar o mundo, libertada acidentalmente por Al.

Alabama Smith, o artista.
Alabama Smith, o artista.

E este é um jogo com uma componente de puzzle muito forte. O nosso objectivo é atravessar salas repletas de armadilhas, inimigos e outros perigos que nos matam de uma só vez. Para avançar para a sala seguinte teremos de coleccionar todas as chaves e/ou jóias disponíveis nos níveis, sendo que para isso teremos de muitas vezes fazer as acções certas naquele centésimo de segundo certo, pois os inimigos seguem determinados padrões de movimento e teremos muitas vezes de os manipular de forma a que nos desimpeçam caminhos ou nos obstruam algumas armadilhas, o que tem também os seus grandes riscos, pois são todos 1-hit-kills. Pode-se também mexer em algumas alavancas que activam ou desactivam algumas armadilhas, bem como arrastar rochas de um lado para o outro, seja para abrir novos caminhos (ao atirá-las para a lava, água e similares) ou para influenciar os padrões de movimento dos inimigos. Muitas vezes a solução não é fácil, mas felizmente dá para fazer save sempre que quisermos, o que também tem de ser usado com cuidado pois podemos gravar o jogo numa posição em que já não nos dê margem de manobra para evitar uma morte certa.

Os inimigos seguem rotas pré-determinadas. É possível alterá-las, mas muitas vezes teremos de tomar medidas no tempo certo, caso contrário ficamos encurralados.
Os inimigos seguem rotas pré-determinadas. É possível alterá-las, mas muitas vezes teremos de tomar medidas no tempo certo, caso contrário ficamos encurralados.

A nível de audiovisuais, este continua a ser algo bem old school, com os seus gráficos em CGA, música inexistente e efeitos sonoros em pc speaker. O que acaba por ser interessante, por outro lado, são as cutscenes e história como um todo, que acaba por ser algo surpreendente e bem-humorada em algumas partes.