Confesso que o trabalho de Tim Schaffer na Double Fine me tem vindo a passar algo ao lado. O Brutal Legend é um jogo que eu tenho a certeza que vou gostar, quanto mais não seja pela sua temática e o Psychonauts acabou por se revelar uma excelente surpresa, sendo um óptimo jogo de plataformas em 3D, com um sentido de humor muito peculiar e personagens bastante cartoonescas. Infelizmente ambos os jogos não tiveram grande sucesso comercial, pelo que os jogos seguintes da Double Fine terem sido jogos mais pequenos e em formato digital. Este Costume Quest é um dos primeiros jogos a serem lançado neste formato pela Double Fine e tal como muitos outros entrou na minha conta steam após ter sido comprado por uma bagatela num dos humble bundles.
E então em que consiste este Costume Quest? É um pequeno e fofinho RPG centrado no Halloween e na aventura de um grupo de crianças. As personagens principais são os irmãos gémeos Raymon e a menina Wren, novos no bairro de Autumn Haven. De forma a fazer novos amigos, os pais pedem-lhes que vão saiam para a rua e aproveitem o halloween, batendo às portas de todos os vizinhos e pedir doces ou travessuras e fazer novos amigos entretanto. Mas o que seria inicialmente uma noite pacífica, depressa se torna num pesadelo, com um dos irmãos a ser raptado por um estranho monstro devido ao seu disfarce se assimilar a um doce. Depois vamos vendo que de facto existem vários desses monstros, tanto nas casas como nas ruas, todos eles com a missão de roubarem o máximo de doces possível. O porquê vamos descobrindo ao longo do jogo, para já a preocupação é mesmo salvar o nosso irmão e chegar a casa antes da hora de ir deitar.

Costume Quest é um jogo infantil sim, mas num bom sentido. Tudo aqui é simplificado, tanto nas batalhas, como na exploração, quests e customizações, mas não deixa de ser um jogo bastante original. Visto “de fora”, os disfarces das crianças são bem “fofinhos” e pequeninos, mas ao transitar para dentro das batalhas em si, então esses disfarces aparecem com um look bem mais “cool” e gigantesco, mesmo como uma criança se imaginaria ao vestir uma coisa daquelas. Por exemplo, o fato de robot que nos é dado no início para a personagem principal, visto de fora parece algo feito de cartão e às 3 pancadas, mas nas batalhas quase que parece que estamos a controlar um imponente Megazord. Ao longo do mesmo vamos encontrando mais amigos (para uma party de no máximo 3 personagens), sendo que cada um deles tem também um disfarce inicial. Mas iremos encontrar muitos outros disfarces que podemos alternar livremente entre todas as personagens, cada qual com suas respectivas características em batalhas.

Nas batalhas podemos atacar ou fugir. Mas também temos um ataque especial que depende de uma barrinha de energia que se vai enchendo com o passar de cada turno. E são esses golpes especiais que de facto diferem uns disfarces de outros. Esses especiais tanto podem ser ataques bastante fortes ou de grupo, como magias de suporte como curar, aumentar defesa ou ataque dos inimigos, por exemplo. Mas fora das batalhas cada disfarce tem também uma habilidade própria, como os patins do robot que nos permitem mover rapidamente e saltar em rampas, ou o escudo do disfarce de cavaleiro que nos protegem contra certas coisas de nos cairem em cima, a lanterna do fato de astronauta que ilumina sítios escuros e que de outra forma não poderiam ser atravessados, entre muitos outros. A party partilha os mesmos pontos de experiência, logo sobem todos de nível ao mesmo tempo e a única forma de realmente customizarmos cada um, é através dos patches que podemos cozer nos disfarces. Apenas podemos equipar um, mas existem patches para todos os tipos de estratégia. Uns que nos aumentam os pontos de vida, outros a defesa ou ataque, outros que nos regeneram alguma vida no final do turno e por aí fora.

O jogo não é nada difícil, até porque se perdemos uma batalha a podemos tentar novamente sem qualquer penalização e no final a nossa saúde é sempre regenerada. Ainda assim, dada toda a simplicidade poderemos vir a ter algumas dificuldades uma vez ou outra, mas é uma questão de escolhermos os targets certos, por exemplo, matar primeiro os inimigos com a capacidade de se curarem a eles mesmos ou aos seus companheiros. Mas há algo ainda mais a ter em conta, e isso foi para mim o que menos gostei. Apesar de todas esta simplicidade nas batalhas, cada golpe que queiramos fazer (excepto os especiais) tem alguns QTEs envolvidos. Carregar repetidamente numa série de teclas, carregar numa tecla específica, por vezes num específico e curto intervalo de tempo. Os mesmos QTEs podem ser feitos para defender dos golpes inimigos. Eu como nunca fui grande fã destas mecânicas de jogo, não me agradaram. De resto temos também várias sidequests para ir jogando, se bem que muitas delas acabam por ser obrigatórias para progredir no jogo. Com um bocadinho de paciência, consegue-se explorar facilmente todos os territórios e completar todas as sidequests.

Graficamente é um jogo bastante colorido e com um estilo artístico muito peculiar e cartoonesco, como Psychonauts o foi, mas com um design diferente. Os diálogos são todos mostrados como balões de banda desenhada, e se para alguns é necessário carregar na tecla espaço para avançar, noutros (em especial nas cutscenes) temos mesmo de esperar algum tempo para os mesmos avançarem. Seria bom manter o espaço para se poder avançar mais rapidamente. As músicas são bastante alegres e festivas, cumprem bem o seu papel. Infelizmente, e apesar de ser um jogo bastante simples, a sua performance não é a melhor e tive um ou outro slowdown, ao contrário do que eu estaria à espera.
Costume Quest é um jogo bastante interessante e original. Apesar da sua simplicidade para qualquer fã de RPGs, não deixa de ser um título muito interessante a se experimentar. Existe um DLC gratuito que nos coloca numa outra aventura no mundo dos monstros e que facilmente nos dá mais um par de horas de diversão, e não é à toa que a Double Fine lançou recentemente uma sequela deste mesmo jogo.

Um pensamento em “Costume Quest (PC)”